Guillem Tell foi um herói mítico da independência suíça (século XIV). A sua existência aparece rodeada por uma série de lendas procedentes dos séculos XV e XVI, nas quais resulta difícil destriar o histórico do literário.
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Segundo as lendas, Tell foi um habitante de Bürglen (no cantó suíço de Uri); um antigo mercenari, retirado às suas montanhas e conhecido para ser um expert no maneig da ballesta. Naquele tempo o imperador de Áustria (um Habsburg) tentava dominar o cantó de Uri (tinha-se annexionat alguns cantons suíços na sua tentativa de formar um bloco territorial contínuo desde as suas posses do alto Rin até as do Tirol).
O seu governador austríaco, Hermann Gessler, vai erigir um pilar a praça do povo e vai enganxar o seu barret, com o objectivo de obrigar todos os habitantes a se dobrar ante o distintiu da sua dignidade, por tal de pôr a prova a lealdade da população. Tell vai refusar inclinar-se em sinal de respeito ante o barret instalado na praça pública da vila de Altdorf porque simbolizava o soberano da Casa de Habsburg.
Por isto, o governador da vila (Hermann Gessner) deteve Tell, e lhe tendo chegado notícias da fama da sua punteria, o obrigou como castigo a disparar a ballesta contra uma maçã colocada sobre o chefe do seu próprio filho a 50 passos de distância. Tell tentou que o tirano Gessner mudasse o seu castigo, mas foi debades: ou atravessava a maçã ou ele e o menino morreriam às mãos do verdugo. Tell introduziu duas setas na sua aljava, pegou a ballesta, colocou-se na marca dos 50 passos, apontou e... a sua portentosa punteria permitiu-lhe acertar a maçã sem danyar o menino. Mas quando o governador pediu ao orgulhoso Tell a razão da segunda seta, este lhe contestou que estava destinada ao coração do tirano em caso que a primeira seta tivesse feito mau ao menino. Furioso por esta contestació, encarcerou-a ao castelo de Küsnach.
Enquanto levavam-no ao castelo de Gessner, e graças a uma tormenta cerca de Axemberg, Tell conseguiu escapar. Segundo a lenda, Tell matou Gessner com a sua ballesta e organizou a rebel·lió contra os Habsburg.
A primeira vez que aparece o mito de Guillem Tell à literatura é nas crónicas de Aegiidius Tschudi, quase 200 anos depois da época que se supõe que ocorreram os fatos anteriormente relatados. Mas não há chefe prova contemporânea que nem Tell nem Gessler existissem. É mais, há numerosas lendas que, com outras personagens e em outros lugares, relatam uma proesa semelhante à de Tell.
No entanto, o mito representa bem a resistência que surgiu entre os camponeses de Uri desde 1278, que levou este cantó a confederar-se com os de Schwyz e Unterwalden numa Ata Perpétua para impedir que os Habsburg violassem as suas liberdades tradicionais (1291). O conflito vai degenerar numa rebel·lió aberta, que se vai saldar com a vitória dos suíços sobre o duque Leopold de Habsburg na batalha de Morgarten (1315). Os três cantons rurais dos Alps centrais formaram assim a Confederació Helvètica, à qual posteriormente se foram acrescentando outras cantons até formar a Suiça actual.
Friedrich von Schiller baseou-se na lenda de Guillem Tell para escrever a obra de teatro Wilhelm Tell o 1804. Também, Gioacchino Rossini utilizou a obra de teatro para compor ópera que leva o mesmo nome o 1829. A abertura desta ópera é mundialment conhecida e popular.