Ángel González
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Ángel González Muñiz (Oviedo, 6 de setembro de 1925 – Madri, 12 de janeiro de 2008), poeta espanhol.
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Biografia
Nasceu em Oviedo, o 6 de setembro de 1925. Sua infância viu-se fortemente marcada pela morte de seu pai, falecido quando Ángel González mal contava dezoito meses de idade. A descomposição do seio familiar continuou durante a Guerra civil espanhola, quando seu irmão Manolo foi assassinado pelo bando franquista em 1936. Posteriormente seu irmão Pedro se exilió por suas actividades republicanas e sua irmã Maruja não pôde exercer como mestre pelo mesmo motivo. Em 1943 doente de tuberculose]], pelo que inicia um lento processo de recuperação em Páramo do Sil]], onde se aficiona a ler poesia e começa à escrever ele mesmo. Três anos mais tarde acha-se já por fim recuperado, ainda que sempre arrastará uma insuficiencia respiratória que ao cabo produzir-lhe-ia a morte, e decide estudar direito na Universidade de Oviedo; em 1950 translada-se a Madri para estudar na Escola Oficial de Jornalismo. Quatro anos depois em 1954 oposita para Técnico de Administração Civil do Ministério de Obras Públicas e ingressa no Corpo Técnico; destinam-lhe a Sevilla, mas em 1955 pede uma excedencia e marcha a Barcelona durante um período no que exerce como corrector de estilo de algumas editoriais, entablando amizade com o círculo de poetas de Barcelona, formado por Carlos Barral, Jaime Gil de Biedma e José Agustín Goytisolo; em 1956 publicou seu primeiro livro, Áspero mundo, fruto de sua experiência como filho da guerra; com ele obteve um accésit do Prêmio Adonais. Volta a Madri para trabalhar de novo na Administração Pública e conhece ao grupo madrileno de escritores de sua geração, Juan García Hortelano, Gabriel Celaya, Caballero Bonald e alguns poetas mais.
Depois de seu segundo livro, Sem esperança, com convencimiento (1961), Ángel González passou a ser adscrito ao grupo de poetas conhecido como Geração do 50 ou Geração de meio século. Em 1962 é galardoado em Colliure com o Prêmio Antonio Machado por seu livro Grau elementar.
No ano 1970 é convidado a dar conferências à Universidade de Novo México em Albuquerque e depois estendem seu convite para que ensine durante um semestre; fixa sua residência nos Estados Unidos e em 1973 passa pelas Universidades de Utah, Maryland e Texas baixo a mesma condição de professor convidado, regressando em 1974 à Universidade de Novo México em Albuquerque como fixo de Literatura Espanhola Contemporânea, cargo em que se aposentou em 1993. Em 1979 viaja a Cuba para fazer parte do júri do Prêmio Casa das Américas de Poesia. Nesse mesmo ano conheceu a Susana Rivera, com a que se casou em 1993. Depois de sua aposentação seguiu residindo em Novo México ainda que a partir de 2006 as visitas a Espanha eram a cada vez mais reiteradas.
Em 1985 concedem-lhe o Prêmio Príncipe das Astúrias das Letras e em 1991 o Prêmio Internacional Salerno de Poesia. Em janeiro de 1996 foi eleito membro da Real Academia da Língua Espanhola no cadeirão "P" substituindo ao escritor Julio Caro Baroja. No mesmo ano, ademais, obteve o Prêmio Reina Sofía de Poesia Iberoamericana. Em 2001 obtém o Prêmio Julián Besteiro das Artes e as Letras. Em 2004 converte-se no primeiro ganhador do Prêmio de Poesia Cidade de Granada-Federico García Lorca.
Sua obra é uma mistura de intimismo e poesia social, com um particular e característico toque irónico, e trata assuntos quotidianos com uma linguagem coloquial e urbano, nada neopopularista nem localista. O passo do tempo e a temática amorosa e cívica são as três obsedes que se repetem ao longo e largo de seus poemas, de regusto melancólico mas optimistas. Sua linguagem é sempre pura, accesible e transparente; se destila nele um fundo ético de digna e humana fraternidad, que oscila entre a solidariedade e a liberdade, ao igual que o de outros colegas generacionales como José Ángel Valente, Jaime Gil de Biedma, Carlos Barral, José Agustín Goytisolo e José Manuel Caballero Bonald.
González colaborou com os cantautores Pedro Ávila no disco "Acariciado mundo" (12 poemas de Ángel González, 1987) e Pedro Guerra no livro-disco A palavra no ar (2003) e também com o tenor Joaquín Pixán, o pianista Alejandro Zabala e o acordeonista Salvador Parada no álbum Voz que solidão soando (2004).
A madrugada do 12 de janeiro de 2008 faleceu o poeta, aos 82 anos, em Madri, por causa da insuficiencia respiratória crónica que padecia.[1]
Canção homenagem
Em 2009 Joaquín Sabina lhe de dedica a canção "Menos duas asas" incluída em seu disco "Vinagre e Rosas", escrita junto a Benjamín Prado.
Obras
Lírica
- Aspero mundo, M., Col. Adonais, 1956.(Accésit Prêmio Adonáis 1955).
- Sem esperança, com convencimiento, B., Colliure, 1961.
- Grau elementar, Paris, Rodo Ibério, 1962 (Prêmio Antonio Machado).
- Palavra sobre palavra, M., Poesia para todos, 1965, 1972 e 1977.
- Tratado de urbanismo, B., Col. O Bardo, 1967.
- Palavra sobre palavra, B., Seix Barral, 1968 (Poesia completa).
- Breves notas para uma biografia, As Palmas de Grande Canaria, Inventarios provisórias, 1971.
- Procedimentos narrativos, Santander, A ilha dos ratos, 1972.
- Mostra de... alguns procedimentos narrativos e das atitudes sentimentais que habitualmente comportam, M., Turner, 1976.
- Mostra, corrigida e aumentada, de alguns procedimentos narrativos e das atitudes sentimentais que habitualmente comportam, M., Turner, 1977.
- Mostra, corrigida e aumentada, de alguns procedimentos narrativos e das atitudes sentimentais que habitualmente comportam, M., Turner, 1977.
- Prosemas ou menos, 1984.
- A todo o amor, 1988.
- Deixis em fantasma, M., Hiperión, 1992.
- Lições de coisas e outros poemas, 1998.
- 101 + 19 = 120 poemas, Madri, Visor, 1999.
- Outonos e outras luzes, B., Tusquets, 2001.
- Palavra sobre palavra, Barcelona, Seix Barral, 2005 (Poesia completa).
- Nada grave, Madri: Visor, 2008, póstumo.
Ensaio
- Juan Ramón Jiménez (1973)
- O Grupo poético 1927 (1976)
- Gabriel Celaya (1977)
- Antonio Machado (1979)
| Predecessor: Julio Caro Baroja |
Cadeirão "P" da Real Academia Espanhola 1996-2008 |
Sucessor: Inés Fernández-Ordóñez |
Referências
Enlaces externos
- Ángel González em Biblioteca Cervantes Virtual
- Ángel González na média Voz
- Programa de rádio HOMENAGEM A ÁNGEL GONZÁLEZ
- Ángel González em VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT
- Portal consagrado a Ángel González no Poder da Palavra
- Pequena homenagem a Ángel González com sua poesia "Basta-me" na voz de ALMA
- Premeio Príncipe das Astúrias das Letras 1985
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