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Afirmação

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Acto pelo qual concedemos nosso asentimiento intelectual e compromisso social ao expressar lingüísticamente um enunciado ao que consideramos e declaramos válido com plena consciência de sua verdade, quando dita afirmação se apoia na evidência e a certeza de um conhecimento sem sombra de dúvida.[1]

A afirmação, no relativo ao conhecimento, vai unido ao tema da evidência e da certeza, pois é a expressão sua.[2]

Conteúdo

Afirmação e opinião

Quando se concede nosso asentimiento e compromisso à validade de um enunciado admitindo a possibilidade do erro ou, o que é o mesmo, a possibilidade da verdade do enunciado contradictorio, então se produz a opinião.

A opinião pode considerar-se também como afirmação débil, ainda que não sempre temos consciência clara da distinção e opinamos com a força da afirmação.

Afirmação e decisão

Às vezes costuma utilizar-se o termo afirmação para significar a adesão da vontade a um enunciado entendido como proposta de acção. Trata-se então de uma decisão ou acto de apoio, como é o caso de uma votação.

Confunde-se assim a qualidade do resultado (decidir fazer isto ou o outro ou não fazer nada; o voto afirmativo ou negativo) com o acto de pronunciamiento, que teria de se entender como “se afirmar” ou “se reafirmar” pois a decisão, ou o voto, se supõe está fundado ou justificado em um conhecimento prévio considerado como válido com respeito ao fim que pretende a decisão.

Afirmativo e negativo

Não deve se confundir a afirmação como acto de reconhecimento de uma verdade enunciada, com o facto de que dito enunciado seja gramaticalmente afirmativo ou negativo. Uma negación[3] segue sendo, baixo o ponto de vista lógico, uma afirmação.

A afirmação pode ser enunciada tanto afirmativamente como negativamente.

Afirmação com enunciado afirmativo: Todos os pássaros voam

Afirmação com enunciado negativo: Os pássaros não são mamíferos

A confusão prove do modo de entender a unidade de afirmação lógica baixo o ponto de vista gramatical.

A filosofia tradicional baseada na lógica aristotélica e o silogismo, entendia que a unidade de afirmação lógica como manifestação da verdade do conhecimento era o julgamento categórico, entendido este como a atribuição de um pregado a um sujeito. Dita atribuição oferecia duas possíveis formas cualitativas: União do sujeito com o pregado (julgamento afirmativo) ou separação do sujeito e o pregado (julgamento negativo). Aristóteles pensava que o julgamento verdadeiro representa adequadamente a realidade.

Mas conhecer a não-união do pregado com o sujeito só é possível como consequência lógica derivada de uma verdade previamente conhecida.[4] Não poder-se-ia afirmar "Antonio é um não-cavalo", se previamente não temos conhecido que "Antonio é um homem". Que é um "não-cavalo"? Assim o entendeu Aristóteles.

Como conhecer a realidade de um julgamento negativo? Como conhecer o que não-é?

Lingüísticamente oculta-se dito problema negando o verbo em lugar do pregado. Em lugar de afirmar S é não-P" se expressa "S não é P". Convertendo a afirmação de um julgamento negativo (S é não-P) em um enunciado gramatical em forma de negación (S não é P). Mas isso não é fazer uma atribuição como pregado senão aplicar a extensão de um conceito como classe, tal como se veio a interpretar actualmente a lógica aristotélica.

A negación na lógica actual considera-se uma função ou operador lógico definido como regra que muda o valor para valer da proposição.

A lógica actual considera que a unidade de afirmação lógica é a proposição em sua qualidade de poder ser verdadeira ou falsa. E sua verdade justifica-se de duas formas:

  • Como validade lógica formal ou tautología, cuja garantia para valer reside na consistência ou não consistência da proposição dentro de um sistema lógico ou teoria em que se formula lingüísticamente a proposição. Isto é sempre que a expressão linguística do conteúdo do modelo seja fiel à forma lógica de um teorema do sistema.[5]
  • Como validade epistemológica que depende do conteúdo semántico e actua como metalenguaje com respeito ao sistema linguístico no que se expresse como afirmação. O critério de validade, nestes casos, é variável. O critério da ciência é o melhor fundamento da afirmação de um conhecimento válido em sua dimensão representativa como contido de realidade; sem excluir outros critérios de validade em situações diferentes.[6]

A verdade de uma proposição e sua afirmação como expressão para valer semántica, Alfred Tarski, em um enunciado, não se identifica exactamente com o julgamento aristotélico e também não com o enunciado linguístico.

Afirmação e conhecimento

Afirmação e asentimiento

De maneira geral entendemos por asentimiento o facto de aceitar algo. No caso que nos ocupa o asentimiento viria a supor a aceitação como verdadeira da proposição na qual se vai manifestar o conhecimento como afirmação.

Parece pois que devemos considerar o asentimiento como uma condição prévia à afirmação. No artigo Proposição (lógica) faz-se referência ao que os antigos chamavam julgamento e que hoje entendemos como crença.

Entendemos então que o asentimiento é a aceitação de uma crença como verdadeira.

Artigo principal: Evidência

O problema: É o asentimiento um acto da vontade, do querer ou, pelo contrário, uma exigência como consequência da evidência bem intuitiva ou de umas razões formais a partir de outras evidências?[7]

Os estoicos, em contradição com os cépticos, estabeleceram uma "vontade judicativa" que completava a manifestação da crença como afirmação para valer.

Santo Tomás distinguiu entre "asentimiento ante uma evidência em si" e "asentimiento de uma proposição cuja evidência radica em sua conexão com outra ou ptras proposições". Mas Santo Tomás distingue o asentimiento como "acto intelectivo" e o asentimiento como "acto da vontade" com respeito ao querer, ao que se lhe deve chamar consentimento".

O primeiro é necessário para a construção da ciência e conhecimento da verdade, enquanto o segundo o é para a aceitação das normas em relação com o bem. E isto é assim porque o entendimento não tem mais remédio que aceitar a evidência em si, e não pode aceitar a contradição.

Em mudança na vontade pode dar-se oposição entre diversas opções pela contradição de sentimentos e motivações por efeito das paixões.

Os racionalistas, Descartes e Spinoza, consideraram que o asentimiento era uma opção entre diversas proposições que a consciência pode prender e cuja evidência surge depois da análise.

Para Locke, em mudança, o asentimiento em si mesmo é um conhecimento que, quando é evidente gera certeza"; mas quando não é evidência perfeita produz um asentimiento débil, como opinião.

Leibniz, está de acordo com Locke, mas no referente às verdades de facto;[8] pois quanto às verdades de razão sua evidência surge da análise, como em Descartes. Por conseguinte no referente às verdades de facto têm de reconhecer-se graus de asentimiento à verdade como conhecimento não verdadeiro senão provável.

John Henry Newman distingue entre um "asentimiento nocional" referido a noções e "asentimiento real" referido às coisas; esta última de carácter mais forte, ainda que não por isso garanta a existência às coisas às que se concede o asentimiento.

Afirmação e verdade

Como é possível afirmar o falso?[9]

A dor de muelas devém um "objecto" para a consciência, como algo separado de mim, como consciência.
A linguagem neste caso expressa-o muito bem: "dói-me a muela". A muela é o sujeito gramatical ao que atribuímos a acção da dor; e o "eu-consciência" aparece como se fosse um complemento.

Uma precisão fundamental. A afirmação faz referência ao conhecimento. A verdade faz referência à relação do conhecimento com a realidade, entendida esta como algo diferente[10] da mente ou consciência; a realidade é um objecto do que pretendemos dizer algo.

Em general, no entanto, a gramática da linguagem pode-nos jogar uma má passada. Porque costumamos analisar a oração gramatical ou enunciado, mediante a qual expressamos nossa afirmação, considerando que o enunciado se constitui por um sujeito e um pregado. Sujeito é aquilo sobre o que se fala e pregado aquilo que se diz do sujeito gramatical.

Seguindo o caso anterior, pensemos em alguém a quem lhe dói o dedo que lhe têm amputado: "Dói-me o dedo".
Neste caso o sujeito gramatical, o dedo, não existe; e o "real" é, por um lado, o funcionamento do sistema nervoso que a consciência não conhece, e por outro a realidade da dor que produz dito funcionamento na consciência: o conhecimento da dor.

Se não somos críticos pensamos ingenuamente que o sujeito do enunciado é a própria realidade. E não é assim; é a realidade, sim, mas enquanto conhecemo-la, ou temo-la presente à consciência, que não é o mesmo. É uma realidade interpretada.

Por isso podemos errar ao conhecer, e fazer uma afirmação falsa. A realidade, nunca será falsa. Tradicionalmente afirmava-se que na "simples aprehensión" não há erro.[11] Mas o conhecimento mediante o qual interpretamos a realidade, sim o pode ser.[12] O erro pode-se produzir no processo no que nós realizamos o conhecimento como interpretação por um lado, e no modo como expressamos depois dito conhecimento mediante a linguagem como afirmação.[13]

Isto nos obriga a precisar os modos de conhecer e expressar as afirmações.

A realidade, como objecto conhecido, costuma ser interpretado como sujeito gramatical do enunciado da afirmação; é fácil por isso confundir, sem mais, o sujeito gramatical da expressão com a própria realidade


O processo de conhecimento é realmente complicado e desconhecemos tanto do mesmo quanto sabemos.;[14] sua transformação em expressão linguística em sua relação com a verdade também.[15]

A dificuldade é poder estabelecer quando, como e onde se produz dita aprehensión de realidade; quando como e onde se produz a interpretação cognoscitiva; quando como e onde se produz a expressão na linguagem.

Parece necessário distinguir diversas formas de afirmação.

Classes de afirmação

Entendemos por formas da afirmação a diversidade de enunciados nos que se manifesta o conhecimento tido como verdadeiro, como aprehensión do real.[16]

Em general consideramos os enunciados baixo a estrutura gramatical Sujeito-pregado. Mas há formas de afirmação do conhecimento que não seguem dita estrutura.

Dito em outras palavras, não sempre a afirmação realiza uma função predicativa.

Considera-se a distinção de Santo Tomás e John Henry Newman e a exposição detalhada de Zubiri.

Afirmação posicional

É a afirmação da mera evidência presa como real:[11] abro a janela e vejo um gato; mental mas lingüísticamente formulo: um gato; afirmo o que tenho preso sem necessidade de entender ou compreender que é isso que estou a ver. Percebo-o e interpreto assim que realidade.

Se, culturalmente, tenho um símbolo ou termo linguístico, como uma palavra que pode ser um som ou uma grafía para designar essa realidade, posso utilizar dito símbolo para designar essa realidade que tenho percebida em minha mente. De outra forma não teria mais que fazer o que fazem os meninos quando têm mais ou menos um añito que ao não poder expressar lingüísticamente isso que querem o que fazem é indicar assinalando com o dedito na direcção em que se encontra isso que querem; essa realidade que têm percebido como "algo" que se destaca entre as demais coisas do meio.

Imaginemos que em vez de um gato vejo um fogo: a afirmação expresiva de dita evidência presa seria já a formulación fogo!

O preso nestes casos está completo, é a manifiestación do real, constitui a aprehensión de realidade que se manifesta em todas suas qualidades e notas, em toda sua riqueza, sem necessidade de uma intelección de "que é isso em realidade".[17]

Quando grito "fogo!" expresso ou quisesse expressar essa realidade, sem mais. Afirmo toda a realidade desse fogo que está aí. Utilizou um "nome", um conceito como um "ficto" que me permite afirmar o que tenho percebido. Sem mais. E se pronuncio-o mediante a linguagem é algo acessório com respeito a minha afirmação. Provavelmente esta aprehensión em um animal pode supor não só uma fugida senão um rosnado, um salto, etc. que comunica aos demais do grupo o suficiente para "actuar adequadamente".

Dita afirmação não afirma nada mais que isso. Unicamente situa ante o facto do percebido como real. Por isso é "posicional".[18]

Nem sequer afirmo um conteúdo para valer, senão minha posição ante esse facto. Observemos que não afirmo: "isto é fogo" ou "aqui há fogo".[19]

Em realidade o que tenho feito é pôr um nome próprio para designar o que tenho preso como uma unidade na experiência. A falta de nome não cabe outra coisa que assinalar com o dedo o que percebo, como faz o menino pequeno quando não tem nomes para designar o que quer. Não em vão o dedito é o índice[20]

Afirmação proposicional

Quando a aprehensión é afirmada em função de uma qualidade própria de um algo que é assim determinado.[21]

"Os andaluces, graciosos"; "os meninos, brutos"; "as meninas, cursis".

Em isto casos se afirma "algo com algo". Um Algo que é de determinada forma ou tem uma determinada qualidade.

Nesta afirmação há certamente dois conteúdos:

  • Um A: (os andaluces; os meninos; as meninas) que faz referência a aprehensiones de realidade.
  • Um B: (a graça; a brutez; a cursilería) não é algo real, em si, senão algo que pertence ou se encontra na aprehensión de A.

Não se afirma uma relação entre duas entidades, senão a cualificación de uma sozinha e simples aprehensión.

Também não afirma-se uma atribuição, como veremos depois; senão que a realidade da leva consigo, implica a realidade de B como algo próprio. A realidade de B constitui-se na em dita afirmação, não é algo concebido como alheio a A.

A é presa como uma realidade que compreende a B.

Gramaticalmente expressa-se mediante a exclusão de verbo; afirma-se unicamente um sintagma nominal; como uma designação.

Por isso não é uma atribuição de pregado a um sujeito, mas em mudança tem e manifesta um conteúdo para valer. Por isso tem carácter proposicional.

Este tipo de afirmação é de uma importância enorme, pois actua de uma maneira muito eficaz sem sequer uma formulación explícita. Desta forma é como temos presas muitas de nossas crenças como preconceitos mediante as quais interpretamos inconscientemente as realidades presas, as considerando como tais "em realidade", dantes de que a experiência nos possa oferecer talvez informação complementar que pudesse confirmar ou negar sua aplicação correcta ao caso concreto.

Pensemos, por exemplo, em um homem cuja cultura lhe faz crer e viver socialmente e perceber como realidade que a esposa é um objecto de posse do homem mediante contrato de compra venda com o pai", porque ademais em seu contexto social e cultural é assim.

Terá dificuldades em entender o julgamento moral que uma pessoa de outra cultura possa fazer sobre essa forma de considerar à mulher. E não é fácil mudar esse modo de prender a realidade, porque para ele em sua crença interpreta o mundo de tal forma que esposa → objecto de seu compra; esposa e propriedade são uma e a mesma realidade.

Às vezes uma experiência infantil pode marcar definitivamente a certas e determinadas aprehensiones. Certas fobias poderiam intepretarse como afirmações proposicionales. "O lobo mau; o osito bom". "O menino bruto; a menina cursi". "O branco, alegre; o negro triste".

Afirmação predicativa

É a afirmação que amplia o conhecimento estabelecendo a conexão de um pregado B, com um objecto "preso como real" que toma a forma de sujeito gramatical À o enunciarse como tal afirmação. Dita conexão expressa-se lingüísticamente, mediante a cópula do verbo ser.

Afirma-se então a realidade de B em A.

É a fórma lógica clássica da proposição ou julgamento aristotélico “A é B”, onde A é a substância e B é a categoria como pregado. Dita afirmação supõe a pretensão de mostrar a verdade tal como a definia Aristóteles: Dizer do que é que é e do que não é que não é.

Note-se a diferença com o caso anterior. Não se afirma um complexo A-B. Nem trata-se de dois aprehensiones posicionais A e B, o que constituiria duas afirmações independentes que pudéssemos conjuntar.

Agora se afirma a conexão de um conceito geral independente B que se faz real em A; a realidade de B manifesta-se como pregado da realidade de A. Por isso a predicación amplia o conhecimento.

Efectivamente afirmar “Antonio corre pelo corredor”, formalizado como “Antonio é um ser que corre no corredor”, implica prender a Antonio como realidade que está a cumprir, fazendo reais dois conceitos independentes e separables de Antonio: como são “correr” e “corredor”. Sendo esta verdade uma ampliação "de facto" no conhecimento de Antonio.

Esta conexão enquanto conceitos independentes, só é afirmable por médio da experiência. Tal tem sido o fundamento do empirismo. São as verdades de facto, e por isso contingentes, ainda que possam expressar, em determinadas condições, regularidades da experiência, "Os gatos caçam ratos"; "As plantas florescem em primavera" generalizables para além da experiência individualizada do caso concreto.

Esta limitação ao campo da experiência faz que a ampliação real de conhecimentos generalizables não óbvios na experiência seja francamente difícil. Máxime quando o conceito aplicado supõe uma visão não plausible. Tal é a função da ampliação de conhecimentos que oferece a investigação científica.

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Uma experiência interessante : A verdade do heliocentrismo
Dantes do século XVI afirmava-se como conhecimento válido e verdadeiro que a “terra é o centro imóvel do universo”; evidência de uma “aprehensión de realidade” in dudable na experiência quotidiana': A terra-quieta; “terra-quietude” → A Terra implica quietude em uma unidade indiscutible.
Alguns sábios chegaram a aplicar à terra o conceito independente de “girar” e “ao redor do sol”, conhecidos de forma separada da experiência quotidiana da terra e puderam afirmar com pleno sentido de conhecimento válido com evidência suficiente que “a Terra gira e se move ao redor do sol”,; ampliando o campo da experiência possível.
Tal predicación supõe uma ampliação do conhecimento. Um processo complicado e difícil.
Daí as dificuldades que experimentaram tais sábios[22] pois suas afirmações chocavam frontalmente com as crenças e experiências quotidianas cultural e socialmente admitidas.
Hoje, novos conceitos como a unidade espaço tempo relativo[23] de quatro dimensões, por exemplo, aplicáveis em novos contextos de experiência possível permitem afirmar a "relatividad"[24] científica, lógica e cultural, das afirmações tanto tolemaicas como copernicanas a respeito do movimento da terra, ao não ter já como evidente um espaço-tempo absoluto. A ciência segue ampliando nosso conhecimento.


Gerar conceitos novos a partir de novas formas de prender a realidade e podê-las afirmar como evidências, é o lucro maravilhoso da ciência, a arte e a poesia.

Afirmação conceptual ou nocional

Santo Tomás distinguia entre “asentimiento ante uma evidência em si” e “asentimiento de uma proposição cuja evidência radica em sua conexão com outra ou outras proposições”, e o cardeal Newman falava da afirmação nocional.

Em ambos casos nos estamos a referir ao que Leibniz chamava verdades de razão”.

Verdades cuja evidência não parte da “aprehensión de realidade” na experiência, senão da relação de conceitos como noções ou da relação de umas proposições com outras.

Dito à moda dos racionalistas, sua verdade é um produto da análise. São pois verdades analíticas.

No primeiro caso, como afirmação nocional, estamos a falar de definições, de conteúdos conceptuais. “Os mamíferos maman”. O “pregado está contido na noção do sujeito”. Não contribuem, pois, conhecimento novo ao já contido no próprio conceito do sujeito da oração.

Não falamos então da realidade, senão do mundo conceptual.[25] O mundo,[26] então, aparece ordenado, como mundo, conforme a nossos conceitos. Tal é a visão da dialéctica platónica ou a filosofia tradicional cristã. Um mundo ordenado segundo “esencias” que respondem à realidade das coisas, bem porque a realidade é assim, bem porque um Deus o construiu conforme a suas ideias. Assim tem sido considerada a realidade durante muitos séculos.

Hoje a relação realidade-conceito explica-se de um modo completamente diferente. A conexão conhecimento e realidade considera-se interpretativa, pelo que a classificação essencial é um instrumento lógico não um conhecimento de realidade. Quando utilizamos tais evidências não falamos do mundo real senão da lógica do conhecimento.

Falamos de um mundo ordenado sem contradição, falamos de um mundo possível, como diz Leibniz. O mundo real, então, é uma concreción ao ser percebido pela experiência.

E isto é assim porque o conceito como tal é considerado em seu conteúdo extensivo com independência das notas que pretenda denotar como realidade. Interpreta-se então como uma classe ou conjunto lógico, independente de qualquer realidade.

Tal é a modificação importante da lógica clássica aristotélica como lógica de termos,[27] interpretada agora como lógica de classes.

Os conceitos definem uma classe e só serão aplicáveis como pregados mediante uma adequada cuantificación como aplicação à experiência.[28]

No referente à relação de proposições, falamos então de consistência lógica, ao não admitir a possibilidade de contradição.

Construímos assim um sistema lógico-formal, um cálculo, independente da realidade, que nos permite, mediante definições e regras, perfeitamente delimitadas, construir um sistema lógico-matemático que garante a rejeição de qualquer contradição. As afirmações baseadas no sistema como tal, ou bem nos modelos teóricos que resultem de substituir as variáveis do sistema por conteúdos de experiência não ambiguos,argumentos, resultarão sempre verdadeiras, isto é tautológicas.

Modos de afirmação

Os modos de afirmação são consequência dos modos em que podemos afirmar o conhecimento e sua correspondência com a ignorância com respeito ao grau validade em que o consideramos como verdadeiro.

A primeira afirmação de algo conhecido como real mas “que não sabemos o que é” é a afirmação dessa ignorância: “Não sê que é em realidade”; "Não tenho nem ideia".

Pelo contrário consideraremos o conhecimento acabado e completo quando podemos afirmar sem sombra de dúvida, “isto é…..” na determinação correspondente ao grau de conhecimento que a situação demande.

No presente artigo expõem-se estes graus segundo manifestam-se nos recursos que a língua espanhola nos permite diferenciar, sem entrar em uma análise dos mesmos:

Ignoracia/conhecimento (segundo indícios)
Afirma-se como Descrição
O borroso Confusão apreciam-se uns rasgos definidos mas que podem ser referidos a mais de um objecto de reconhecimento”
Indicação Suspeita o confuso parece que se define para uma direcção mais que para algo determinado
Ambigüedad Dúvida as notas do preso em realidade são consistentes e apontam ou indicam para objectos concretos, mas não definem um concreto senão uma possível duplicidad
Preponderancia e Identificação Opinião (o óbvio e o plausible)[29] a duplicidad desvanece-se na medida em que se concreta o objecto conhecido. A aprehensión desmembra as notas próprias do objecto em sua manifestação aparente (aparência) e própria (constituição)
Constituição e efectividad Certeza Identifica-se e reconstituye a realidade do objecto identificado como "seu ser em realidade" mediante um conceito[30] que se afirma como julgamento com firmeza,[31] que expressa a crença evidente da verdade do contido na afirmação.

Notas

  1. É importante assinalar as diferenças existentes entre julgamento, como crença relativa a um conhecimento, proposição e sua expressão linguística como enunciado e oração gramatical
  2. As afirmações não sempre se justificam no conhecimento com evidência; intervêm outros muitos factores, como é a vontade, a ideologia e as crenças, que não têm referência directa a um conhecimento. Por isso pode ter afirmações erróneas. O erro produz-se na afirmação com certeza, mas não no conhecimento primário como simples aprehensión ou mera percepción do real.
  3. Com referência a um conteúdo para valer. A negación pode ter e tem outros significados, tais como mandato ou proibição que não tem nada que ver com o tema do presente artigo.
  4. E não em todos os casos. O próprio Aristóteles mostra-o em em sua lógica e não sempre se teve em conta no telefonema lógico aristotélica
  5. Substituição linguística das variáveis lógicas por constantes ou cuantificadores de variáveis do modelo teórico. A verdade tem de ser coerente como sistema
  6. Não rege nem deve reger o mesmo critério de validade em uma conversa no bar entre agricultores, que em uma discussão política ou em uma discussão científica a respeito de como e quando se têm de abonar e com que produtos os campos de cultivo, porque os sistemas de referência são diferentes. É à ciência à que lhe corresponde o sistema "essencialmente representativo" da realidade: "Dizer do que é que é, e do que não é que não é", como definiu Aristóteles; mas não é o único sistema de referência que precisamos para a vida ordinária; ideologias, religião, cultura, ambiente social, economia etc. impõem critérios de validade de muito diversa consideração à hora de formar crenças e evidências e emitir afirmações válidas
  7. As diferentes posturas ante o problema em Ferrater Mora J. op. cit.
  8. Tenhamos em conta que para Leibniz as verdades de facto são tais pela imperfección humana, incapaz de realizar a análise completa; para Deus, em mudança, todas as verdades são analíticas, de razão e por tanto necessárias
  9. Não confundir a falsidade, o erro no processo do conhecimento, com a mentira.
  10. No sentido de que se pode distinguir ou diferenciar; não que tenha que ser necessariamente algo separado com existência própria e independente da mente. Uma dor, por exemplo é uma realidade objectiva assim que percebida pela mente como "consciência de dor", por isso é percebido como tal dor, diferenciado como objecto com respeito à consciência. No entanto é uma realidade mental e física como realidade própria. Por isso outra consciência poderia chegar a definir essa dor como realidade, ainda que percebida em um contexto diferente: um médico poderia determinar que é uma "infecção de..."; um neurólogo poderia definí-lo como "alteração de tal nervo do sistema..." e um químico como uma "reacção entre diferentes substâncias"; um biólogo como uma "alteração de células...", e um físico como "....atómicas"
  11. a b Veja-se evidência
  12. No caso do dedo amputado a dor em minha consciência é real mas é evidente que o dedo não é o sujeito que produz a dor. Essa é minha crença no modo de interpretar meu conhecimento da realidade da dor que percebo. Tradicionalmente temos interpretado que "os patitos seguem a sua mamãe". A ciência mostra-nos agora que esse comportamento é "aprendido" e que os patitos seguem àquilo primeiro que tenham percebido em movimento que, normalmente é sua mamãe pata. Por isso seguiam ao Dr. Lorenz quando retirava à mamãe no momento oportuno e era ele o objecto que se movia. Os patitos em sua interacção com o médio (como adaptação) se sentem dirigidos desde a realidade (que é tanto o médio como os patitos mesmos em interacção) para aquilo que segundo sua necessidade lhes "chama a atenção" e que satisfaz sua necessidade. No modo normal do médio de interacção da realidade dos patitos ao romper o ovo, esse primeiro objecto em movimento costuma ser com a maior probabilidade sua "mamãe pata"; mas nessa acção não há mais que uma pauta escrita em seu sistema nervoso evolutivo (uma crença como modo de interpretar a realidade de seu médio) não um conhecimento como "saber", tal como interpretamos nós ao afirmar que os "patitos seguem a sua mamãe"; os patitos não têm "nem ideia" do que é uma mamãe, porque seu sistema nervoso, (no que temos conhecido até agora) parece que não entra o nível de consciência e capacidade de linguagem que lhes permita elaborar o conceito de mamãe". Não obstante de alguma maneira sua conduta é uma "afirmação" assim que responde a uma realidade de conhecimento, se aceitamos por analogia com o homem dito comportamento
  13. Para este tema consultar sensações e leis da percepción e o conceito de aprehensión. Uma alucinación é um objecto real assim que percepción e é um "objecto" conhecido (preso) para a consciência. Outra coisa é que tipo de realidade é em frente a outras realidades. É uma existência imaginada ou ficticia dependente de uma imaginación mas é uma realidade existente para essa consciência. Outra coisa é que a consciência perceptora possa a interpretar ou a viver como realidade existente por si mesma confundindo com uma realidade independente da mente. A realidade da alucinación não interpretada neste caso seria o funcionamento do sistema nervoso que produz a alucinación, o sonho, a hipnosis etc. e as causas que produzem dito funcionamento e seu efeito na consciência, mas essa realidade é percebida necessariamente por outra consciência e em um processo de realidade completamente diferente. Por isso uma dor, assim que dor, é "real" mas "subjetivo", e ninguém poderá sentir a dor do dedo de outro
  14. Veja-se Gnoseología ou Teoria do conhecimento. Muito interessante descrição de W.V. Quine do processo de formação linguística da percepción de objectos e do que denomina categóricas observacionales ou termos sincategoremáticos fundamento da lógica como elemento essencial na construção da linguagem que faz possível a afirmação como teoria científica em miniatura". Quine, ou.c. pp.33-35
  15. Veja-se http://www.philosophia.cl/articulos/conceito_dialogico_de verdade.pdf
  16. Zubiri, op. cit. pag. 151 e ss.
  17. A percepción de uma alucinación, e a afirmação como impressão de todo seu conteúdo é tão verdadeira como qualquer outra coisa. O mau do sonho é tão mau como o mau da vida real; mas se esse conteúdo percebido creio-o ou afirmo-o (fora dessa posição) como se fosse uma realidade independente ou sustantiva, então minha afirmação iria para além de seu conteúdo e cometeria erro; em mudança quando tomasse consciência de sua "realidade de alucinación" afirmaria: "ah! em realidade é uma alucinación!" sem alterar o valor para valer do conteúdo do realmente percebido como impressão de realidade na alucinación
  18. Zubiri, Inteligência e logos
  19. Minha posição ante um fogo sonhado significativamente vem a ser a mesma; inclusive as reacções fisiológicas de meu corpo ante essa posição. Por isso ao me acordar.... minha respiração e minha pulso estão acelerados
  20. O que Charles Sanders Peirce considera como indício só aplicável ao real individual que, ainda que possa ser expressar mediante um signo geral (símbolo) da linguagem, (fogo!!) no entanto seu referente é uma denotación única. É a "firstness" cualitativa da experiência, segundo Peirce. Por isso Peirce considera que sua melhor expressão linguística se manifesta nos demostrativos e nos pronombres: "Isto, isso, aquilo", "eu, tu, ele, nós, vocês, eles"; ou o que Quine lume "pronombres preguiçosos", op. cit.cap. III
  21. Sobre a realidade e existência desse algo e dessa qualidade, se veja evidência
  22. Aristarco de Samos; Copérnico teve medo em publicar suas observações; Giordano Bruno, queimado na fogueira; Galileo.
  23. Superando o conceito natural da física de Newton de espaço e tempo independentes e absolutos
  24. Não falsidade, senão "relatividad" com respeito a um contexto determinado no que se situe a experiência e o discurso no que se afirme um conteúdo para valer e âmbito de validade. Pense-se o absurdo que seria em uma cita de caçadores para "quando saia o sol", se pôr a discutir se é o sol o que sai ou é a terra a que se move. E segundo em que contexto a verdade válida será a que seja a adequada como reconhecida pelos afectados no discurso. A verdade, incluída a verdade científica, como afirmação não só é evidência de conhecimento de experiência e teoria, senão também é interpretação adequada em um contexto de realidade e de situação cultural e social
  25. Veja-se existência
  26. Temos de entender aqui o mundo como a realidade assim que conhecida e interpretada mediante nossos conceitos
  27. Veja-se Silogismo
  28. Veja-se Lógica de classes, Lógica de pregados, Existência
  29. Este grau de conhecimento vem a ser o equivalente ao grau vulgar ou comum de conhecimento, sem maior inquietude indagatoria ou crítica. É o saber que os gregos, Parménides, chamaram δοξα em frente à επιστημη
  30. Zubiri considera que o conceito não é real (contra Platón) mas que é realidade em conceito" que expressa o que é a realidade conhecida
  31. Não esqueçamos que afimación prove de firme, como firmeza

Bibliografía

  • Merlau-Ponty, M., Fenomenología da Percepción, Barcelona, Planeta, 1984, ISBN 84-395-0029-7
  • Quesada, D., Saber, opinião e ciência: Uma introdução à teoria do conhecimento clássica e contemporânea, 1998, Barcelona. Ariel, ISBN 84-344-8746-2
  • Zubiri, X., Inteligência sentiente, Madri. Aliança Editorial, ano = 1980, ISBN 84-206-9011-2
  • Zubiri, X., Inteligência e Logos, Madri. Aliança Editorial, 1982, ISBN 84-206-9012-0
  • Zubiri, X., Inteligência e Razão, Madri. Aliança Editorial, 1983, ISBN 84-206-9016-3
  • Ferrater Mora, J., Dicionário de Filosofia, Madri, Aliança Editorial, 1984, ISBN 84-206-5998-3
  • Quine, W.V., Do estímulo à ciência, Barcelona, Ariel Filosofia, 1998, ISBN 84-344-8747-0

Enalces externos

http://www.philosophia.cl/articulos/conceito_dialogico_de verdade.pdf

Veja-se também

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/r/t/Encydia-Wikilingue%7EArt%C3%ADculos_solicitados_2358.html"