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Alicia Zubasnabar de De a Quadra

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Alicia Zubasnabar de De a Quadra
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Nascimento15 de julho de 1915
Bandera de Argentina Argentina, Sauce
Fallecimiento1 de junho de 2008 90 anos
Nacionalidadeargentina
OcupaçãoActivista
CónyugeRoberto Luis Da Quadra
FilhosRoberto José, Elena

Alicia Zubasnabar de De a Quadra, "Licha", (n. o 15 de julho de 1915 , em Sauce , Correntes, Argentina-† 1 de junho de 2008 ),[1] foi uma activista de direitos humanos na Argentina, uma das doze fundadoras e primeira presidenta da Associação Avós de Praça de Maio. Tem sido distinta como "mulher destacada" pelo Congresso da Nação Argentina e como "cidadã ilustre" pela Província de Correntes.

Conteúdo

Biografia

Alicia Zubasnabar de De a Quadra nasceu na pequena localidade de Sauce, Província de Correntes, em 1915. Ali casou-se e teve cinco filhos com seu esposo Roberto Luis Da Quadra. Em 1945 migraram para radicarse na cidade da Prata, capital da Província de Buenos Aires.

Durante a ditadura militar autodenominada Processo de Reordenação Nacional (1976-1983) foram sequestrados-desaparecidos seu esposo, um operário de Propulsora Siderúrgica, de Ensenada, filho Roberto José e sua filha Elena, quem achava-se grávida, a sua yerno Héctor Baratti e a seu outro yerno Gustavo Ernesto Fraire, com seu neto que sim recuperou. Depois inteirar-se-ia que, o 16 de junho de 1977 nasceu em cativeiro sua neta, a quem a mãe chamou Ana Liberdade. Nenhum deles voltou a aparecer.

Monsenhor Emilio Graselli, secretário privado do Vicario castrense, Mons. Adolfo S. Tortolo, quem possuía um registo de grande quantidade de desaparecidos e sobretudo estava relacionado com a sorte dos bebés nascidos em cativeiro, informou-lhe que seu filho tinha morrido e que sua filha se encontrava detenta.[2]

Ao ano seguinte Alicia recebeu notícias do nascimento de sua neta e das condições deplorables em que se encontravam sua filha e sua yerno:

Nesse dia (11 de julho de 1977), chegou a casa um homem jovem, que disse ter estado na delegacia Quinta da Prata, no mesmo quarto que o marido de Elena. Sobre meu filho não me falou. Mas contou-me que Elena tinha tido uma nena, que lhe pôs Ana, que pesou 3 quilos 750 gramas, que lhe foram tomadas as impressões plantares. Disse-me que Elena compartilhava seu mesmo calabozo com outras cinco garotas –no meio da mais absoluta falta de higiene– e que teve família sem atenção médica e atirada no andar, enquanto suas colegas gritavam espantosamente, pedindo ajuda. Contou-me que o marido de Elena, junto com outros 35 homens, estava nesse momento, na cela da o lado, esposado e com os olhos vendados e que o torturavam periodicamente. Ao final, muito dolorido, confessou-me que aos quatro dias de nascer, Ana foi separada de sua mãe e que Héctor tinha mandado uma espécie de última mensagem: -Procurem a nossa filha.[3]

Os juízes negaram-se sistematicamente a impulsionar nenhum tipo de actividade investigativa. Pouco depois, graças a tratativas realizadas pela ordem jesuita na Itália, interveio Monsenhor Mario Pichi, quem entrevistou-se com o coronel Rospide Rospide para pedir-lhe se podia entregar o bebé a sua avó. Este último respondeu:

O que me pede você é impossível, monsenhor. A menina –e isto é um facto irreversible– já tem sido entregada a uma família demasiado importante.[4]

Avós de Praça de Maio

O golpe de estado do 24 de março de 1976 estabeleceu um regime terrorista que teve como eixo o desaparecimento forçado dos opositores e a imposição de um clima de terror destinado a evitar qualquer reclamo; o só feito de perguntar pelo paradeiro de um familiar detento-desaparecido era riesgoso e podia resultar a sua vez na detenção-desaparecimento.[5] Nesse momento a situação de indefensión e impotencia dos familiares das pessoas desaparecidas era extrema, já que nenhuma democracia do mundo, nem a Igreja Católica, de grande influência no país, ou as organizações internacionais humanitárias, estava disposta a condenar as atrocidades cometidas pelo regime militar e, pelo contrário, em alguns casos cooperavam com a repressão ilegal. Também não era possível recorrer ao sistema judicial, já que os juízes argentinos recusavam sistematicamente os recursos de hábeas corpus.[6]

Nessas condições um grupo de mães, pais e familiares dos desaparecidos iniciaram um movimento de resistência não violenta, que voltar-se-ia histórico. A proposta surgiu de Azucena Villaflor, depois desaparecida e assassinada pela ditadura:

Temos que ir directamente à Praça de Maio e nos ficar ali até que nos dêem uma resposta.[7]
O 30 de abril de 1977 começaram a marchar a cada quinta-feira ao redor da Pirâmide de Maio, na praça do mesmo nome, situada em frente à casa de governo. Para chamar a atenção as mulheres decidiram cobrir-se o cabelo com um pañal de teia branco.[8] [9] O grupo recebeu rapidamente o nome de Mães de Praça de Maio e por sua sozinha presença começou a exercer pressão nacional e internacional sobre o destino das pessoas que desapareciam na Argentina. Inicialmente o regime militar tentou explicar a presença dessas pessoas caminhando ao redor da pirâmide, sustentando que se tratava de "loucas".[10] Entre estas mães-avós encontrava-se Alicia Zubasnabar de De a Quadra, "Licha", quem tinha começado a participar nas rodadas em setembro de 1977, junto com seu esposo e Hebe de Bonafini.[11]

Por esse então outra mãe-avó, María Isabel Chorobik de Mariani, "Chicha", tinha começado a procurar a outras mães de desaparecidos que, como ela, também estivessem a procurar a seus netos. Mariani tinha sido impulsionada a agrupar com outras avós por Lidia Pegenaute, uma advogada que se desempenhava como assessora de menores nos tribunais da Prata, onde aquela tentava infrutiferamente encontrar alguma solução para seu caso. A Dra. Peganaute, foi uma dos casos excepcionais de servidores públicos do poder judicial, que colaboraram genuinamente com os familiares de desaparecidos.[12] No segundo semestre de 1977 Mariani foi a procurar a De a Quadra a sua casa da Prata:

No dia que conheci a Alicia ela estava com um salto de cama rosado e ordenava sua casa. Começamos a charlar e perdemos a noção do tempo. Nesse dia comecei a descobrir o que realmente estava a passar e a entender que a busca devia fazer de outra maneira, que não tinha um sozinho menino desaparecido senão pelo menos dois. E se tinham dois, quantos mais poderiam ser? Pela primeira vez tive a horrorosa sensação de que não encontrávamos aos meninos porque não no-los queriam entregar.[13]

Nesse dia Chicha e Licha tomaram a decisão de agrupar-se como avós e esta convocou àquelas que conhecia das rodadas das quintas-feiras em Praça de Maio.[14]

Licha (Alicia de De a Quadra) procurou às outras avós que já conhecia da Praça de Maio, nos reunimos e decidimos começar a trabalhar juntas. Éramos 12 nesse momento. A meu assombrou-me vê-las com tanta serenidad; eu era um guiñapo, um pranto contínuo, as via a elas tão serenas e dizia ’tenho que ser como elas’. Primeiro demos-nos a conhecer como «Avós Argentinas com Nietitos Desaparecidos». Mas fomos crescendo, a gente começou a conhecer-nos e a chamar-nos as "Avós de Praça de Maio". (Chicha Mariani)[14]

As doze mães-avós fundadoras foram: María Isabel Chorobik de Mariani, Beatriz H. C. Aicardi de Neuhaus, Eva Márquez de Castillo Bairros, Alicia Zubasnabar de De a Quadra, Vilma Delinda Sesarego de Gutiérrez, Mirta Acuña de Baravalle, Haydee Vallino de Lemos, Leontina Povoa de Pérez, Celia Giovanola de Califano, Raquel Rádio de Marizcurrena, Clara Jurado e María Eugenia Casinelli de García Irureta Goyena.[9] Licha Zubasnabar foi sua primeira presidenta. Inicialmente adoptaram o nome de Avós Argentinas com Nietitos Desaparecidos mas em 1980 terminaram organizando-se legalmente com a denominação pela que já eram publicamente reconhecidas, Avós de Praça de Maio.

Este subgrupo das Mães compreendeu que a situação dos meninos sequestrados pelas forças de segurança, era diferente da de seus pais e que se precisavam estratégias e metodologías específicas para os recuperar. "Procurar a seus netos sem esquecer a seus filhos", foi consigna-a que as agrupou.[15]

Durante a ditadura militar e apesar dos riscos, as Avós de Praça de Maio iniciaram uma tarefa detectivesca para localizar a seus netos, sem abandonar a busca de seus filhos, ao mesmo tempo que empreenderam uma acção de sensibilização nacional e internacional a respeito dos meninos desaparecidos e o roubo de bebés.

Uma vez recuperada a democracia o 10 de dezembro de 1983 as Avós promoveram a utilização dos últimos progressos genéticos para estabelecer um sistema de identificação dos netos apropriados, sem antecedentes no mundo e pressionaram pára que o Estado enjuiciara aos responsáveis pelos sequestros dos meninos, o considerando como parte de um plano repressivo.

Em 1984 as Avós organizaram-se como associação civil sem fins de lucro, deixando Alicia a presidência, que passou a ser exercida por María Isabel de Mariani (Chicha). Para então seu esposo acabada de falecer. Desde então Alicia continuou como vocal da associação. Até 2008, Avós de Praça de Maio tinham recuperado 88 netos. Estima-se que ao todo foram sequestrados uns quinhentos meninos, nascidos entre 1975 e 1980.

E no entanto, um segue esperando. Seguimos esperando. E eu acho que vamos esperar de por vida. Muitas vezes senti-me desesperada e impotente ante essa muralha de silêncio e negación total do sucedido. Mas nunca, nunca vencida e em todo momento com a convicção de seguir minha luta até encontrar a todos os netos e a minha neta, até conseguir sua restituição a seu verdadeiro lar, até poder cobijarla em meus braços como queriam seus pais. E se não posso ter a meus filhos desaparecidos, seguirei lutando pelo esclarecimento de todo o sucedido, para que os argentinos e o mundo inteiro saibam, sem lugar a dúvidas, quem foram os assassinos. (Alicia de De a Quadra)[9]

Reconhecimentos

Em 2007 Alicia Zubasnabar foi distinta como "mulher destacada" pelo Congresso da Nação Argentina,[16] e em 2005 como "cidadã ilustre" pela Província de Correntes.[17]

Referências

  1. Faleceu Alicia “Licha” Zubasnabar de De a Quadra, fundadora de Avós
  2. Nosiglia, p. 46/48
  3. Nosiglia, 49-50
  4. Nosiglia, pag. 52
  5. María Arce, Andrea Basconi, Florencia Bianco. «'Desapareceram faz 30 anos, mas ainda espero a Alice e Léonie'». Clarín, 18 de novembro de 2007. Consultado o 10 de janeiro de 2008. «Nesses anos muita gente morria por assinar esse papel (hábeas corpus)»; Horacio Méndez Carreiras, advogado dos cidadãos franceses desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1983..
  6. Calloni, Stella. «Desclasifican na Argentina habeas corpus tramitados na ditadura». A Jornada, 10 de abril de 2006. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  7. Mães de Praça de Maio Linha Fundadora. «A rebelião das Mães. Reseña». Mães de Praça de Maio Linha Fundadora, 6 de julho de 2006. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  8. A Razão. «Faz 30 anos as Mães davam sua primeira rodada na praça». A Razão, 30 de abril de 2007. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  9. a b c Nosiglia, Julio E. (1985). «Capítulo 2», Botim de guerra, Buenos Aires: Cooperativa Terra Fértil.
  10. Bousquet, Jean Pierre (1980). livro=73 As loucas de Praça de Maio, Buenos Aires: O Cid Editor. ISBN.
  11. Semana Profissional. «Cidadã ilustre de Correntes: a avó de Praça de Maio Alicia Zubasnabar da Quadra». Semana Profissional, 5 de dezembro de 2005. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  12. Nosiglia, p. 36
  13. Dillon, Marta (2002). «História dos Organismos de Direitos Humanos. 25 anos de Resistência», [História dos Organismos de Direitos Humanos - 25 anos de Resistência Avós de Praça de Maio], Buenos Aires: Comissão Provincial pela Memória.
  14. a b Mariani, "Chicha". «'Não me posso permitir me morrer, tenho que encontrar a minha neta'». Plataforma Argentina, 2006. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  15. Barnes de Carlotto, Estela. «Avós de Praça de Maio». ARI, Bloco Legislativo de Terra do Fogo, 2000. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  16. Bravo, Sebastián. «O Congresso da Nação distinguiu à primeira Avó de Praça de Maio correntina». Diário O Litoral de Correntes, 29 de novembro de 2007. Consultado o 10 de janeiro de 2008.
  17. Semana Profissional. «Cidadã ilustre de Correntes: a avó de Praça de Maio Alicia Zubasnabar da Quadra». Semana Profissional, 5 de dezembro de 2005. Consultado o 10 de janeiro de 2008.

Veja-se também

Fontes

Modelo:ORDENAR:Zubasnabar

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