Visita Encydia-Wikilingue.com

Antigo Regime

antigo regime - Wikilingue - Encydia

A Bastilla, fortaleza do rei em Paris usada como cárcere, era considerada como símbolo do Antigo Regime por seus inimigos, e sua tomada como o início da Revolução que levou ao Novo Regime (1789). Seus escombros foram objecto de um comércio parecido ao que duzentos anos mais tarde tiveram os do muro de Berlim.

Antigo Regime (em francês, Ancien régime) foi o termo que os revolucionários franceses utilizavam para designar peyorativamente ao sistema de governo anterior à Revolução francesa de 1789 (a monarquia absoluta de Luis XVI), e que se aplicou também ao resto das monarquias européias cujo regime era similar àquele. O termo oposto a este foi o de Novo Regime (em Espanha , Regime Liberal).

Também pode se aplicar como equivalente a uma época que, praticamente, coincidiria com o que se conhece como Idade Moderna.

Conteúdo

Origem do termo

Ainda que sua utilização é contemporânea à Revolução, a maior responsabilidade de sua fixação no âmbito literário pertence-lhe a Alexis de Tocqueville, autor do ensaio O Antigo Regime e a Revolução.[1] Nesse texto indica precisamente que "a Revolução francesa baptizou o que abolia" (a Révolution française a baptisé ce qu'elle a aboli); Tocqueville dotou ao conceito de uma confusa capacidade de oposição do Antigo Regime em frente ao período medieval, que se fez comum na historiografía durante os séculos XIX e primeira metade do XX e historiadores posteriores têm discutido (especialmente François Furet).[2]

Desde o ponto de vista dos reaccionarios inimigos da revolução, o termo Antigo Regime foi reivindicado com um ponto de nostalgia, seguindo o tópico literário do paraíso perdido (ou o manriqueño qualquer tempo passado foi melhor). Talleyrand chegou a dizer que "os que não conheceram o Antigo Regime nunca poderão saber o que era a doçura do viver" (ceux qui n'ont pas connu l'Ancien Régime ne pourront jamais savoir ce qu'était a douceur de vivre).

A aplicação do termo às estruturas económicas e sociais atribui-se a Ernest Labrousse,[3] e foi difundido pela contemporânea Escola de Annales, com grande aceitação em Espanha através de hispanistas como Pierre Vilar ou Bartolomé Bennassar. Sua utilização com este sentido, que não era usual dantes, se fez habitual pelos autores do terceiro quarto do século XX, como Antonio Domínguez Ortiz, Gonzalo Anes ou Miguel Artola, que terminaram por fixar o conceito na historiografía espanhola. A aplicação do termo à história das instituições espanholas é muito anterior, mas parece que também se originou por influência francesa, como é o caso da obra do hispanista de finais do XIX Georges Desdevises du Dézert,[4] recolhida por Antonio Rodríguez Villa em 1897.[5]

Definição

Mapa da Europa de Herman Moll (1703). As cores utilizadas pelo cartógrafo não designam entidades políticas existentes, senão mais bem a lembrança das antigas divisões geográficas de época romana (Galia, Itália, Germania), junto com outras que sim são efectivas (Impérios Turco e Russo, Confederación Helvética, Reinos de Portugal , Suécia ou Polónia).

Usando o vocabulario do materialismo histórico, o Antigo Regime definir-se-ia como uma formação económico social, isto é, a combinação peculiar de modos de produção e relações sociais para um âmbito espaço temporal mais ou menos amplo, que constrói sua adequada superestructura política e que se justifica por sua correspondente ideologia. Para sua localização em tempo e espaço podem-se restringir a três os requisitos que um "aspirante" devia cumprir para atingir tal denominação.

Extensão

Recreación moderna que apresenta as efectivas divisões políticas após o Tratado de Westfalia (1648), que fecha a Guerra dos Trinta Anos com um novo equilíbrio europeu sobre o naciente conceito de relações internacionais em pé de igualdade.

O conceito de Antigo Regime pode aplicar-se com propriedade aos reinos da Europa ocidental que tendem a se definir como estados-nação desde finais da Idade Média. O primeiro exemplo foi, sem dúvida, Portugal. Para finais do século XV só França, Inglaterra e a Monarquia Hispânica se lhe podem acrescentar. Inglaterra superará o conceito ao longo dos séculos XVI e XVII. Os demais, durante a crise do Antigo Regime (1751-1848). Para o resto da Europa o conceito é de uso problemático (ver apartado outros países europeus neste mesmo artigo). Para o resto do mundo, unicamente América, durante o período que foi colonizada pelas potências européias, poderia (forçando muito o conceito) se considerar em algo semelhante ao modelo vigente em suas metrópoles.[7] A Independência americana coincide com o final do Antigo Regime; de facto, contribui decisivamente a ele. Os outros continentes são colonizados posteriormente, já em época industrial ou Novo Regime. O caso do Japão representa uma formação económico social que, de alguma maneira, mostra similitudes com as ocidentais, pelo que alguns autores lhe aplicaram o conceito de feudalismo ou o de monarquia absoluta (não tanto o Antigo Regime), e seria essa similitud (em frente à diferença da China, um império hidráulico) junto com a não sumisión colonial o que explicaria a possibilidade de seu acesso acelerado à modernidad na Era Meiji.[8]

A imposibilidad de retrotraer o conceito a entidades políticas de um período anterior, inclusive na Europa, vem do facto de que as formas políticas medievales eram de carácter feudal, dependentes em alguma medida do Império ou do Papado, ou bem eram alguma forma de cidade-estado; por outro lado, o naciente capitalismo era ainda algo completamente marginal, e a sociedade estamental (já definida) ainda não tinha produzido seus mecanismos e instituições finais. Em nenhum caso respondem aos requisitos propostos.

A duração temporária do Antigo Regime coincidiria o que chamamos Idade Moderna: do século XV ao XVIII. Isto é válido tanto para a França (desde o fim da Guerra dos Cem Anos até a Revolução francesa) como para Espanha (de 1492 a 1808 ). Não obstante, algum autor, como Arno Mayer, argumenta a persistência de rasgos próprios do Antigo Regime na Europa de finais do século XIX e até a Primeira Guerra Mundial.[9]

O modelo francês

Artigo principal: Antigo Regime na França
A reconciliação de Enrique III e Enrique de Navarra, por Rubens (1628). Um episódio da Guerra dos três Enriques, que terminou ganhando o de Navarra, futuro Enrique IV.

O Antigo Regime tomado como modelo se desenvolveu na França ao emergir a monarquia francesa da dinastía Valois de seu confronto com Inglaterra na Guerra dos Cem Anos, marginando à rival casa de Borgoña e submetendo à maior parte dos "estados nobiliarios" mais ou menos levantiscos (Normandía, Provenza...). A volta da sede pontificia de Avignon a Roma depois da resolução do Cisma de Occidente supôs uma diminuição do controle que tinha chegado a atingir a monarquia francesa sobre a Igreja, e Itália passará a ser o principal tabuleiro de jogo na disputa da hegemonía européia. Nesse contexto Luis XI seria um bom exemplo de rei autoritario para o século XV. Francisco I, na primeira metade do XVI, não conseguiu prevalecer sobre seu inimigo Carlos V, nem nas guerras européias nem na expansão colonial, mas conseguiu assentar um poder interior indiscutible. O turbulento período que levará a seus sucessores às Guerras de religião da segunda metade do século XVI terminará com o breve mas decisivo reinado de Enrique IV que inaugura a dinastía de Borbón. No reinado de Luis XIII e a minoria de idade de Luis XIV, validos como Richelieu e Mazzarino irão habilmente concentrando o poder real no meio de uma complicada coyuntura européia e interior (Guerra dos Trinta Anos e Fronda). Não atingir-se-á seu paradigma mais acabado até a monarquia absoluta de Luis XIV, que pôde se fazer chamar o rei Sol.

Identificados, ao menos em teoria, o interesse do Estado, o do Povo e o do Rei, avança-se na construção de um mercado de dimensões nacionais, com o respaldo de um império colonial (que sofre grandes altibajos ao albur das contínuas guerras); se moderniza a administração e os impostos (a gabela, a tallación) todo o que os privilégios estamentales ou territoriais permitem; consegue-se a imposição do catolicismo (revocación do Edicto de Nantes) e o controle da Igreja (galicanismo); ou se prestigia o francês como a língua comum (e a culta da Europa, em substituição do latín) e o veículo de uma pujante cultura (Molière, Racine, Corneille) que destrona ao Século de Ouro espanhol, institucionalizada na Académie Française.

Não obstante, o agregado de contradições entre a fechada sociedade estamental e a pujanza da burguesía levou à Revolução francesa de 1789 , que foi modelo das demais revoluções burguesas que transformaram os sistemas políticos europeus em monarquias constitucionais ao longo do século XIX ou repúblicas no horizonte da Primeira Guerra Mundial.

O caso espanhol

O mendigo, de Murillo . A cómoda posição da Monarquia Católica da Espanha do Antigo Regime, recebendo imensas rendas da América que gasta nas guerras da Europa e nos luxos do corte, longe de procurar a modernização e a mudança social, valoriza a pobreza por sua positiva dimensão teológica.

O papel dos Reis Católicos foi decisivo. Os Habsburgo e os Borbones vão prolongando com variações um sistema político entre a monarquia autoritaria e a monarquia absoluta, que se sustenta em um sistema económico e social ancorado no predominio dos estamentos privilegiados (nobreza e clero) e umas cidades parasitarias da renda feudal e do Império ultramarino que não albergavam uma burguesía similar à francesa.

O sucesso é indudable, e aventajó ao da monarquia francesa durante o século XVI: consegue-se um conjunto territorial sem comparação (Felipe II pôde dizer "em meus domínios não se põe o sol") que, ainda que pouco cohesionado, pode ser eficazmente governado desde um centro localizável em Castilla depois da Guerra das Comunidades (1521) e a eleição de Madri como capital política (1561); de Castilla se drenan uma fabulosa quantidade de recursos impositivos (alcabalas, regalías, serviços de uns Cortes comprensivas, Quinto Real das remessas metálicas americanas) que se gastam na política européia que identifica os interesses da Monarquia Católica com os da causa do catolicismo. O sucesso fica confirmado pela própria Lenda Negra, explicada tanto pela realidade do cruel domínio sobre América (da que os próprios colonizadores foram conscientes: polémica dos naturais), a repressão da disidencia (à que se forçava à assimilação, a expulsión ou a fogueira: conversos, moriscos; ou as mais minoritárias condutas consideradas antinaturales, a brujería e os mínimos focos de protestantes) e a impotencia de seus inimigos, resignados a combater com propaganda antiespañola à potência hegemónica (o paralelismo com o antiamericanismo do século XX é claro). O controle interior fica garantido por uma crescente burocracia (regime polisinodial dos Conselhos) que se implanta territorialmente através dos virreyes, (nos reinos) e os corregidores (nas cidades). O controle dos estamentos privilegiados consegue-se pela sumisión do clero (patronato regio, reformas de Cisneros ) e a nobreza, acostumada a pôr e tirar reis nas guerras civis castelhanas da Baixa Idade Média, das que a Guerra das Comunidades são o último episódio;[10] o rei converte-se em Grande Maestre das Ordens Militares (desde Fernando o Católico), implica à aristocracia em sua política de nomeações (instituição da grandeza de Espanha com Carlos V), e deixa claro que a mudança de exercer sem injerencias o poder político lhes garante o poder social e económico (instituição do mayorazgo, leis de Touro). Os desmochamientos de torreones (que sofre inclusive Gonzalo Fernández de Córdoba, o Grande Capitão ao que se lhe pediram as famosas contas de sua gestão na Itália) são uma clara mensagem simbólica. Os postos burocráticos são um bom banderín de enganche para a baixa nobreza e a burguesía. A falta de uma polícia digna de tal nomeie (a Santa Hermandad não passou de ser um corpo militar) se dispunha da rede informativa e repressiva da Inquisición (de cuja sumisión ao poder real é prova sua utilização em algum destacado caso, como o de Antonio Pérez).

Escultura ecuestre em bronze de Felipe IV, desenhada por Velázquez e esculpida por Pietro Tacca com assessoramento científico de Galileo . No sábado 9 de abril de 1677 alguém colocou um pasquín na Casa da Panadería da Praça Maior de Madri que dizia A que veio o senhor dom Juan?: A baixar o cavalo e subir o pão, referindo-se ao valido Juan José da Áustria, que (além do do pão) tinha feito transladar a estátua desde a fachada de Palácio até o Bom Retiro. Hoje a estátua pode ver-se na praça de Oriente de Madri.

O falhanço ficou claro com a decadência. O brilho cultural do Século de Ouro não ocultava que a economia, estimulada pela Revolução dos preços do século XVI entra em declive no XVII, século de crise geral que empurrará à despoblación em particular à Europa do Sur, bem mais a Espanha, e mais ainda ao até então centro decisivo castelhano. As soluções políticas (desordem monetária, reformas fiscais repetitivas) não conseguiram mais que agravar a situação, e as tentativas mais vigorosas de centralización (União de Armas do Conde-Duque de Olivares) precipitaram a crise de 1640.

A mudança de dinastía de 1700 (Felipe V de Borbón) produziu o encauzamiento do sistema para um absolutismo com características similares ao francês, que produz tentativas bienintencionados mas sempre frustrados: a racionalización fiscal como o Catastro de Ensenada, reformas ilustradas como as de Esquilache (expulsado do poder pelo Motín que leva seu nome depois de uma liberalização do preço do trigo, até então submetido a taxa ) ou o expediente da lei Agrária, eternamente tramitado, que pretendia resolver a fome de terra dos camponeses. A revolução francesa truncou as expectativas do reformismo.[11]

O Antigo Regime perdura brevemente no século XIX até a Guerra da Independência Espanhola, quando, ao promulgarse a Constituição de 1812 em Cádiz se abriu o processo de constitucionalismo. Por outra parte, o termo Antigo Regime teve o mesmo significado que na França, apesar de que o final de dito regime não foi tão drástico como o francês. Depois dos anos de ocupação francesa e a derrota de Napoleón na Guerra da Independência Espanhola, produziu-se a Restauração absolutista, o que provocou a involución da política espanhola ao Antigo Regime durante a maior parte do reinado de Fernando VII. Sua sombra continuou presente durante o segundo terço do XIX com as Guerras Carlistas, apesar da sucessão de textos constitucionais, a chegada de liberais mais ou menos moderados ao governo, quase sempre depois de pronunciamientos militares e de se iniciar uma modesta industrialización. A revolução de 1868 com o derrocamiento da Rainha Isabel II de Espanha não fechou definitivamente a tentación involucionista, mas já em um contexto completamente diferente: a Restauração de Alfonso XII ou as Ditaduras de Primo de Rivera ou Franco, por muito que recuperasse esta última a nostalgia do Império, têm outra definição.

Outros países europeus

Como mostrava o mapa do começo, a situação espacial da Europa era de uma extraordinária complexidade, que não eliminaram nem os tratados de Westfalia (Münster e Osnabrück, 1648), nem os posteriores de Utrecht e Rastadt (1714). O que sim produziram foi uma clara modernização das relações internacionais, em um sentido pragmático que esquecia as fantasías medievales (herança do Dominium mundi) e o fundamentalismo religioso ainda vigentes no século XVI. Em 1648 os Habsburgo de Madri se resignan à independência das Províncias Unidas e reconhecerão pouco depois a de Portugal , mas seguem controlando debilmente Itália e Flandes, além de um imenso império americano cuja gestão é a cada vez mais problemática. Polónia expande-se ao este e sul. A amenazadora cercania do império turco continuará até o lugar de Viena de 1683. As monarquias escandinavas seguem dominando o Báltico, ainda que abandonarão os assuntos centroeuropeos aos destroçados principados alemães, principais vítimas da Crise do século XVII, entre cujas ruínas destaca o naciente reino de Prusia ; já livres de qualquer injerencia do Imperador (Habsburgo de Viena) que concentrará seu interesse em seus estados patrimoniais da Áustria. França, com um Luis XIV em minoria de idade que segue a guerra contra Espanha ao mesmo tempo em que sai de seus problemas internos da Fronda, controla temporariamente Cataluña até o tratado dos Pirineos, que dividi-la-á. Inglaterra, sumida na Guerra Civil, parece um pigmeo territorial que nem sequer controla a Escócia ou Irlanda (teoricamente compartilham a pessoa do mesmo rei, e se debatem na simultânea Guerra dos três reinos); mas será o gigante do futuro, ao sair do modelo do Antigo Regime.

A rainha Cristina da Suécia, por Sébastien Bourdon (1653). Protagonizou um soado episódio com seu translado aos Estados Papales após seu abdicación, onde foi acolhida pelo Papa, em previsão de um triunfo da Contrarreforma no norte da Europa que nunca se chegou a produzir. A interpretação de sua vida tem sido objecto de muitas especulações, e mais que ser mostra da condição comum da mulher no Antigo Regime, o é de excepcionalidad.

O tratado de Utrecht, além de sancionar o papel da Inglaterra como potência, proporcionará a Áustria os territórios europeus espanhóis e iniciará a aliança franco-espanhola (Pactos de Família) que caracterizará as relações internacionais até 1789.

Para a maior parte da Idade Moderna na Inglaterra ou Holanda o termo Antigo Regime não é aplicável dado que desde o século XVI ou XVII estão no Novo Regime económica, social e politicamente (a tal ponto não vê descontinuidade com a Idade Contemporânea, que a historiografía anglosajona lume Modern History ao período desde a Idade Média até a actualidade).

Quanto a como encaixar a cada uma das peças do resto deste rompecabezas europeu no conceito Antigo Regime, já se advertia ao começo que com exceção de França, Portugal e Espanha, para o resto da Europa o termo é pouco significativo: na dividida Itália pode-se identificar com o domínio dos Habsburgo (desde a batalha de Pavía até a Unificação). Em Centroeuropa , a descomposição do Sacro Império, a ascensão dos Habsburgo, reforma-a Protestante, a Guerra dos Trinta Anos, e o surgimiento de Prusia foram desenhando e desdibujando um panorama que não se aclarou até a unificação alemã, já na Idade Contemporânea e com diferentes critérios. Os países escandinavos desenvolveram monarquias nacionais desde a Idade Média, ainda que a definição de sua personalidade definitiva não chegou até o século XX. Sua evolução económica e social foi em certa maneira similar à da Europa Ocidental, intervindo nos processos intelectuais chave (Renacimiento, Reforma, Ilustração) e implicando nos conflitos europeus, especialmente na Guerra dos Trinta Anos em que foram decisivos. Polónia, não presenciará a formação da monarquia forte que tentou a dinastía Jogalia, senão uma república nobiliaria (que jogou inclusive à política da Europa Ocidental com a eleição de um rei Valois). Nos Balcanes o domínio turco (desde a tomada de Constantinopla até as Guerras Balcánicas de finais do XIX) e na Rússia a época zarista (de Iván o Terrível até a Revolução russa de 1917) cobrem a dimensão temporária, mas não a caracterização proposta: são vastos impérios que não podem medir com os critérios da dinâmica económica, social ou política do Antigo Regime da Europa Ocidental.

Características

Pieter Brueghel o Jovem: O censo de Belém ou O pagamento do diezmo (1566), um tema religioso camuflado em uma cena costumbrista, ambientada no cru inverno do norte da Europa.
Pieter Brueghel o Velho, pai do anterior, pinta-nos como Os segadores, no verão, se confiam aos ritmos anuais que repetem processos de longa duração. A vida humana submete-se a eles com a mesma fatalidade que ao pagamento dos impostos.

Economia e demografía

A propriedade da terra, principal factor da produção, estava submetida a vinculações que incluíam os mayorazgos em poder da nobreza, as mãos morridas em poder do clero e as terras comunales das prefeituras. A natureza compartilhada deste tipo de propriedade, com um propósito de permanência no tempo, fazia que não se podia dispor livremente dela, com o que a existência de um mercado livre de terras era impossível.[12]

O mesmo poderia dizer do mercado livre para os outros dois factores de produção: nem capital (suspeito de representar uma forma de riqueza não compatível com o modo de vida nobre ou clerical, e ainda longe do agregado necessário para uma revolução industrial) nem trabalho (impropio dos privilegiados, e considerado como uma maldição bíblica) se vendem livremente no mercado como mercadorias sujeitas ao livre jogo de oferta e demanda.

O crescimento do tamanho das cidades (só umas poucas: Paris, Londres, Sevilla, Madri, Roma, Nápoles, Estambul, superam os cem mil habitantes),[13] apesar de funcionar como sumideros demográficos e de recursos de todo o tipo, contribuiu decisivamente à transição do feudalismo ao capitalismo (o papel de Londres foi fundamental para a criação de um mercado nacional, o de Paris, intermediário; o de Madri, um relativo falhanço).[14] Mas não fazia esquecer que seguia a época preindustrial, e a ocupação da imensa maioria da população, a das omnipresentes zonas rurais,[15] seguiam sendo actividades agropecuarias de produtividade e rendimentos bajísimos, cujas técnicas evoluíam muito lentamente (a longa duração braudeliana), condenando à dependência dos ciclos naturais e as periódicas crises de subsistencia repetidas ciclicamente, coincidindo com os meses maiores prévios às colheitas, quando o trigo estava mais caro. Não é casualidade que essas coyunturas gerassem movimentos de descontentamento conhecidos como motines de subsistencia,[16] que em alguns casos podiam ter repercussões políticas (Motín dos gatos, Motín de Esquilache, ou a própria Revolução francesa) ou no pior dos casos fomes que levavam a crises demográficas (a conhecida como armadilha malthusiana). De facto, é habitual em demografía falar de um Antigo Regime demográfico, que se caracterizava por altas taxas de natalidad e mortalidade, escasso crescimento natural que se contrarrestaba pelos anos de mortalidade catastrófica, elevada fecundidad (requerida com afán pelas famílias titulares de explorações agrícolas), compensada com o celibato (a nupcialidad, a idades muito temporãs que às vezes se atrasava, não afectava à totalidade da população) e a muito baixa esperança de vida.

A Casa do Peso de Medina do Campo onde se guardavam os pesos e medidas oficiais para garantir os intercâmbios comerciais em suas famosas feiras.

O comércio estava controlado pelos grémios e as associações gremiales, que controlavam a qualidade e quantidade de produção que se realizava em todo momento. A aspiração a controlar da vida económica pretenderia que só aqueles que pertencessem a um grémio ou tivessem autorização real podiam dedicar à fabricação e distribuição de produtos, desde o mais rico dos obrigados do abasto ao mais miserável tablajero. A missão de controlar a fidelidade do comércio era uma responsabilidade da autoridade desde tempos antigos (a mensa ponderaria do foro romano). No Antigo Regime espanhol dependia de instituições como o Repeso ou o Fiel Almotacén, controladas pelas prefeituras (ou a Sala de Prefeitos no corte), que vigiavam a correcta aplicação das medidas nos intercâmbios, sobretudo os do comércio alimentário, o mais sensível para a paz pública. A dispersión metrológica (não coincidiam as medidas da cada localidade) se tentou remediar com o prestígio de algumas medidas locais, como a vara de Burgos, mas teve de esperar ao final do Antigo Regime, com os trabalhos científicos de conformación do Sistema Métrico Decimal. Considerava-se idóneo o acesso com os menores intermediários possíveis do produtor ao consumidor, e a reventa e todo o tipo de especulação com o preço tentava proibir-se, inclusive com sanções religiosas (pecado delito de usura ) o qual não quer dizer que se conseguisse sempre, como demonstra a prática da vida quotidiana no mercado.[17] Semelhante pretensão não ir-se-á materializando com eficácia até a conformación do estado burgués liberal do Novo Regime, como explica Michel Foucault.[18] A abertura do mundo aos europeus com era-a das Descobertas traz como consequência a primeira economia-mundo.[19] As companhias privilegiadas tomavam o controle monopolístico de rotas e produtos (o cacau de Caracas primeiro para os Fugger,[20] e depois para a Companhia Guipuzcoana; o abastecimento de Madri para os Cinco Grémios Maiores...).[21] As primeiras e mais eficazes foram as holandesas (WIC e VOC), seguidas pelas inglesas (Companhia das Índias Orientais e Merchants Adventurers, que se baseia em uma guilda anterior). Ambas nações (através da carteira de Ámsterdam e a de Londres) encabeçam o naciente capitalismo comercial depois do saco de Amberes, que até então era a encarregada de drenar para o norte da Europa os recursos americanos extraídos através da monopolística Casa de Contratação de Sevilla ou o porto de Lisboa .

Barrière Saint-Martin, projecto do visionario arquitecto Claude Nicolas Ledoux (1788). As aduanas interiores, os pontazgos, registos e portazgos, como este, que controlaria o acesso dos produtos a Paris em vésperas da Revolução francesa, eram características do Antigo Regime.

A indústria estava entorpecida com excessivas regulamentações e impostos. Existiam aduanas internas; os pesos e medidas variavam segundo as regiões;[22] alguns artigos, em especial os cereais (verdadeira base da pobre alimentação da maior parte da população), eram submetidos a uma obsesiva política de proteccionismo paternalista, com o que ou bem deviam consumir no lugar de produção, ou bem estavam submetidos a taxa, ou em qualquer caso faziam impossível a segurança do fornecimento; para outros se aplicavam direitos de aduana (não só exteriores senão interiores aos estados) que em muitos casos anulavam o intercâmbio.[23]

Não existe, portanto, liberdade económica nem concorrência, já que todo estava controlado ou pelos grémios, pelas Corporaciones ou pelo próprio Estado, que em algumas ocasiões, funcionava como agente económico ele mesmo: reais manufacturas como as de armamento (a Real Fábrica de Artilharia da Cavada), ou de bens suntuarios (a Real Fábrica de Tapices, de Porcelana do Bom Retiro, de Cristal da Granja) e as regalías ou os estancos de sal, fumo (a Real Fábrica de Fumos de Sevilla e a de Madri), aguardiente e naipes. O mercantilismo em suas variadas formas, metalismo, bullonismo, colbertismo, é a doutrina económica que justifica a política económica dominante: o proteccionismo. Na maior parte das ocasiões, consegue o contrário do que pretende. Nem o poder nem os teóricos da época dispõem de instrumentos fiáveis de análise económico, e também não compreendem o funcionamento do sistema económico (que não é nem o do inexistente mercado livre nem o da autarquia aldeana medieval). Fisiocracia e librecambio ou liberalismo económico aparecem no século XVIII como propostas alternativas que vão se abrindo caminho em uma coyuntura de transformação do sistema.

Sociedade

Fray Martín de Vizcaya repartindo pan aos pobres, de Francisco de Zurbarán (1639), Monasterio de Guadalupe. A sopa boba dos conventos justificava socialmente tanto a estes como a forma de vida de pícaros e mendigos. Nenhum desses grupos teria cabida em uma sociedade que respondesse ao critério burgués da ética do trabalho.

Outra das características principais do Antigo Regime é a organização da sociedade em três estamentos definidos desde o nascimento: dois estamentos privilegiados: nobreza (laica) e o clero (que em sua parte alta correspondia aos filhos segundones das famílias nobres) estavam acima do resto das pessoas: o Terceiro Estado ou o Comum (os camponeses, imensa maioria da população, e os burgueses, comerciantes ou artesãos). Os direitos das pessoas não eram igualitarios, senão que, legalmente, os nobres laicos e eclesiásticos tinham uma série de privilégios que não tinham os pecheros. Ainda que os estamentos são fechados, não são impermeables, e é possível o passo de um não privilegiado a uma situação de privilégio, por ennoblecimiento ou pela entrada no clero.

O papel que a exclaustración das ordens religiosas, com a consiguiente desamortización e o fim do celibato do clero secular teve na Reforma protestante é uma das questões que fez se afastar do Antigo Regime aos países que optaram por ela. São os países católicos do sudoeste da Europa (e Polónia) os que presencian o triunfo da Contrarreforma, que significa em termos sociais o triunfo da sociedade estamental: a configuração piramidal do clero, os três votos do clero regular, o celibato do clero secular, a justificativa da presença económica das instituições religiosas (chegou-se a dizer, desde a postura liberal-burguesa, que a Igreja, com os diezmos e as mãos morridas criava a pobreza que justificava sua existência) e sua presença em todas as ordens da vida, pública e privada.[24]

A interpretação historiográfica da natureza da sociedade estamental deu origem a um notável debate entre os que, próximos ao materialismo histórico (escola de Annales , ou de Past and Present), utilizam o conceito de classe, e os que, desde uma posição institucionalista (e também próxima ao funcionalismo sociológico e antropológico das perspectivas emic em frente às perspectivas etic), preferem falar de uma sociedade de ordens. Assim, Roland Mousnier identifica à honra, o estatus e o prestígio como marcadores sociais mais significativos que a riqueza. Segundo esta perspectiva, a sociedade dividia-se verticalmente segundo as faixas sociais (relações de patronaje ou clientelismo entre padrão e cliente: maîtres-fidèles), e não horizontalmente segundo as classes.

Em particular, as elites da sociedade do Antigo Regime podem entender-se como uma classe privilegiada formada por uma nobreza e um clero identificados em seus interesses económicos e interpenetrados pelas estratégias de vinculação familiar de terras e cargos na Igreja, a burocracia, o exército e o Corte (segundo a interpretação materialista); ou bem um conjunto não homogéneo de ordens como a nobreza de espada e a nobreza de toga (noblesse d'épée e noblesse de roube) mais diferentes entre sim que com o campesinado ou a burguesía (segundo a interpretação institucionalista ou funcionalista). [25]

O papel da burguesía tem sido também objecto de profundas controvérsias, pois se em alguns casos e períodos parece ser o apoio principal dos monarcas para aumentar seu poder, em uma aliança mutuamente beneficiosa na formação de um mercado nacional e em detrimento das feudales nobreza e clero; em outros parece que a monarquia não é senão a superestructura que exerce o poder em benefício das tradicionais classes dominantes, e os burgueses encumbrados só esperam a oportunidade para "trair" a sua classe e ennoblecerse, abandonando os oficios viles e mecânicos pelas profissões e artes liberais, quando não dar o passo definitivo da compra de terras, o casal desigual com nobres empobrecidos e o definitivo ennoblecimiento, muitas vezes por simples compra ante uns reis sempre faltos de dinheiro.[26] Seja por essa razão, seja por questões económicas, como a ruína da indústria castelhana, incapaz de aproveitar a oportunidade do mercado americano que sim beneficia ao norte da Europa, a debilidade ou fortaleza da burguesía marca a diferença entre uns casos nacionais e outros.

Temeridad de Martincho na praça de Zaragoza, gravado da série Tauromaquia de Goya (1815).

O mesmo poderia dizer-se do campesinado: libertado da servidão na Europa Ocidental desde a Baixa Idade Média (enquanto na Europa Oriental caía nela) pode encontrar no Antigo Regime uma oportunidade de participar do excedente produtivo com os senhores que teriam de extrair em sua totalidade mediante coerción extraeconómica, segundo prediz o modelo marxista. Até que ponto é possível ou não isto determinará a possibilidade de que surja a figura do labrador rico (o orgulhoso Pedro Crespo do Prefeito de Zalamea de Calderón ou Camacho o rico do Quijote de Cervantes ) que possa começar um agregado primário de capital no campo. Em todo o caso, a famosísima resposta do "villano" Pedro Crespo ao "linajudo" dom Lope:

Ao rei a fazenda e a vida
tem-se de dar, mas a honra
é património da alma,
e a alma só é de Deus.[27]

recorda-nos, pelo provocadora, que os camponeses não podiam aspirar à mesma classe de honra que os nobres: não é para estes a honradez burguesa de ser fiável nos negócios, senão a opinião ou fama que ninguém pudesse questionar da continuidade do sangue, garantida pela castidade das mulheres da família (e que o próprio Calderón se encarregou de codificar em dramones como A segredo agravio, secreta vingança). Bastava ser filho de algo (hidalgo), provir de uma esclarecida estirpe, a ser possível vir de godos. Ao menos os camponeses, sobretudo na metade norte da Península Ibéria (de algum modo parecido aos ingleses livres de nascimento, que não têm equivalente no campesinado francês) participavam orgulhosos na categoria de cristão velho, que lhes punha imaginariamente a maior altura que muitos nobres aos que o Tizón da nobreza infamaba por ter ascendência cristã nova.[28] Enquanto o abismo social que separava a orgulhosa nobreza francesa dos humildes plebeus era considerado algo natural, e garantia da distinção das elites (ainda que criou também um enorme ressentimento que explica a violência revolucionária), era um lugar comum no século XVIII que os viajantes estrangeiros se assombrassem da ousadia da plebe britânica, que parecia ter direito a gritar e empurrar a qualquer, sem consertar em faixas, quando se cruzava com ele pela rua. Em Espanha, o casticismo da aristocracia, que imitava a vestimenta e a cultura popular dos majos (por exemplo, a tauromaquia), não era um sintoma de igualdade, senão uma arma de luta social e ideológica contra os modernizadores afrancesados. Apesar da oposição da maior parte dos ilustrados, o público taurino é uma mostra interclasista que goza de uma politicamente inofensiva capacidade de decisão democrática no prêmio ao torero, e da possibilidade de identificação com o encumbramiento individual de uma personagem proveniente das baixas capas sociais, como posteriormente ocorrerá com o desporto. A função social é clara, e não nova: o entretenimento amortece os conflitos (o Panem et circensis romano, expressão parafraseada na expressão espanhola Pan e Touros) e proporciona coesão social e identidade. Posteriormente, quando o adjectivo tinha perdido seu ónus revolucionário, se acuñó o termo Festa Nacional para referir aos touros.

Sistema político

Erro ao criar miniatura:
As diferentes partes do território francês, mais compacto que a Monarquia Católica mas igualmente difuso em questões de soberania.
O Império europeu de Carlos V foi a máxima expressão tanto de agregado de poder como de diseminación territorial. Em diferentes cores, a herança de sua avó materna, Isabel a Católica (azul), de seu avô materno, Fernando o Católico (laranja), de sua avó paterna, María de Borgoña (morado), e de seu avô paterno Maximiliano de Habsburgo (verde). O território de Milão não é herdado, senão conquistado em disputa com França, ainda que teoricamente tributário do Sacro Império, que tem obtido por eleição. Não há que esquecer os territórios extraeuropeos que estão em processo de descoberta e conquista.
Artigo principal: Monarquias autoritarias

As monarquias autoritarias que acumulam o poder político que a nobreza tinha na Idade Média baseiam seu poder em uns mecanismos como o exército, constituído por mercenários que o rei contratava, ainda que em caso de guerra eram recrutados civis de maneira forçada para a defesa do país. O fim das mesnadas medievales controladas pela nobreza dá a este estamento uma nova função, não de poder militar senão económico e social, e sua posição no Corte junto ao rei dar-lhe-á sua medida de poder político.

Para o aumento de seu poder, na Baixa Idade Média, as cidades livres (ilhas no oceano feudal) representaram um apoio para os reis contra os privilegiados. Delas obtém os recursos em forma de impostos às actividades mercantis, enquanto a maior parte da riqueza, as propriedades rurais dos privilegiados, não é sujeita a imposição. Uma vez assentado o poder real, o rei tentava restringir as funções dos representantes das cidades, sejam burguesía, patriciado urbano ou como se lhes queira qualificar. Quase nunca convocava aos Cortes e, quando o fazia, se reservava sempre o direito de tomar a decisão final. As Cortes estavam constituídas por representantes dos três estamentos (nobreza, clero e terceiro estado), mas no caso de Castilla (pois as dos reinos da coroa de Aragón reuniam-se por separado) só se convocava aos representantes das cidades, e para aprovar impostos. Quando as instituições representativas atingem protagonismo (Parlamento inglês no século XVII, Estados Gerais em 1789), o modelo se rompe.

O titular da Coroa tem em suas mãos todos os poderes (executivo, legislativo e judicial), ainda que na prática tem que utilizar uma enorme burocracia e designava uns representantes aos que encarrega o governo em seu nome, secretários, ministros ou no caso espanhol, um valido.

A descontinuidade territorial e a confusão de jurisdições era mais a norma que a excepção das entidades políticas, tanto estatais como infraestatales. As fronteiras eram cambiantes e inseguras, e tinha multidão de enclaves, exclaves, territórios de fuero especial, e inclusive com soberania compartilhada (Andorra) ou alternada (Ilha dos faisanes, e facerías do Pirineo navarro). Quando Felipe II quis se fazer uma ideia clara de suas posses, não recorria aos mapas da biblioteca do Monasterio do Escorial, que mostrar-lhe-iam um confuso rompecabezas, senão às Relações Topográficas (um esforço protoestadístico sozinho comparável ao Catastro de Ensenada dois séculos posterior) ou às vistas que encarregou tomar a Anton Vão der Wyngaerde. O sonho das fronteiras naturais (a França do Rin aos Pirineos que retrospectivamente parece sua missão histórica) é mais uma ideia do nacionalismo do século XIX, como o destino manifesto que levou os Estados Unidos ao Pacífico.

Artigo principal: Monarquia absoluta
A execução de María Estuardo (1587), rainha da Escócia.

A partir do século XVII pode falar da presença de uma monarquia absoluta que tem a soberania do Estado. Esta monarquia justificava-se sobre o suposto da procedência divina do poder, de quem recebe-o sem intermediários (por exemplo, a nação ou o povo). O rei só tem que se justificar ante os olhos de Deus . O exemplo mais acabado é a França do Rei Sol, Luis XIV, que encontrou seu melhor teórico em Bossuet .

O rei declarava a guerra e fazia a paz; comandava os exércitos; determinava as despesas e fixava os impostos; nomeava e destituía aos servidores públicos e dirigia a administração inteira. As províncias eram administradas pelos intendentes, com poder omnímodo e arbitrário.

O rei fazia as leis, que eram a expressão de sua vontade pessoal, pois conquanto devia ter em conta os "costumes fundamentais do reino", tais costumes eram contradictorias e vadias, e tivesse sido difícil as definir claramente. Seus súbditos não tinham propriamente nenhum direito ejercible ou exigible ante o Estado (que não tem entre suas funções garantir direitos, como sim terá o Estado de direito), ainda que sim uma difusa constelação de direitos, liberdades e privilégios, não universais senão diferentes segundo a condição individual, familiar, corporativa ou territorial da cada um, e um conjunto igualmente difuso de deveres com o rei, cuja capacidade de lhes exigir seu cumprimento era mais ampla em teoria que na prática.

Ademais, o rei dirigia a administração de justiça, pois esta se ditava em seu nome e por servidores públicos que o designava. Usava-se a tortura judicial para conseguir a confesión dos arguidos, a quem julgava-se em segredo e aos que se aplicavam cruentas penas corporales (as marcas com ferros candentes, a picota, o chicote) incluindo uma ampla panoplia de tipos de penas de morte adequadas à categoria do réu ou do delito (decapitación com diferentes armas, degollamiento, ahorcamiento, fogueira, desmembramiento...). O suplicio de Ravaillac , assassino de Enrique IV da França, passa por ter sido um dos mais truculentos.[29] A homogeneización da pena capital foi uma peculiar conquista da Revolução, que igualou as condições começando literalmente pela cabeça (a guillotina). Em Espanha cumpriu a mesma função o garrote (que, ainda sendo igual para todos, se podia graduar em vil e nobre segundo a parafernalia que lhe rodeava).[30] O fusilamiento parece que também foi uma macabra modernização, aplicado sobretudo no exército.

A liberdade individual estava ameaçada constantemente pela polícia, que podia prender a qualquer com uma simples ordem do rei, a "carta sellada" (lettre de cachet). Não se explicitaba a causa da detenção, senão que simplesmente se indicava que "tal era a vontade do rei" (car tel est mon bon plaisir). Existia a censura prévia, que exercia fundamentalmente a autoridade eclesiástica (o nihil obstat). Não se concedia a liberdade de consciência ou liberdade religiosa, senão que se aplicava o princípio cuius regio eius religio (o rei impõe a religião ao súbdito) da Dieta de Augsburgo.

Carlos I da Inglaterra, aqui magnificamente retratado com o máximo de decorum regio por Antón Vão Dyck, foi decapitado em 1640, incapaz de criar uma monarquia absoluta sobre uma sociedade burguesa
Voltaire com Federico II em Sanssouci , por Adolph von Menzel (1850).

A monarquia francesa dos Borbón, desde a instauración desta dinastía, foi habilmente afianzándose no poder a partir de uma débil situação, tanto no exterior (hegemonía espanhola) como no interior, em boa parte pela divisão religiosa não limpada pelas guerras de religião. Enrique IV, antigo protestante, tinha-as finalizado com o Edicto de Nantes, que convertia às praças de segurança hugonotes em um estado dentro do estado; as regencias nas minorias de idade de Luis XIII e Luis XIV e a personalidade dos validos ou ministros (Richelieu, Mazarino, Colbert), conseguiram fazer da França no final de século a principal potência da Europa. Simultaneamente a Monarquia Hispânica entra na profunda decadência à que contribuíram tanto as políticas acomodaticias e corruptas do Duque de Lerma (valido de Felipe III), como as agressivas e de reputação do Conde-Duque de Olivares (valido de Felipe IV), que ao forçar os instáveis equilíbrios territoriais com sua tentativa de União de Armas, provocou a crise de 1640 e chegou a um passo de acabar de facto com o Império espanhol. O absolutismo não chegará a Espanha até os Decretos de Nova Planta, após que Felipe V de Borbón ganhe a Guerra de Sucessão (1715) tanto a seus inimigos europeus como aos que dentro da Península Ibéria (especialmente Valencia e Cataluña) aspiravam a continuar com um Habsburgo mais respetuoso aos fueros territoriais.

A incapacidade de formar monarquias absolutas em outros reinos pode ejemplificarse com o caso inglês, onde os Tudor, monarquia autoritaria que manteve o equilíbrio com o Parlamento enquanto se produziam as mudanças sociais da Reforma, deram passo aos Estuardo, que na pugna por aumentar seu poder, perderam literalmente a cabeça.

O exposto anteriormente, e ao que tenderiam mais ou menos os diferentes casos, é o que poderia se considerar o modelo ideal de absolutismo. Era muito relativo até que ponto os monarcas chamados absolutos podiam exercer um poder semelhante, e inclusive é planteable se nem sequer teriam a pretensão de organizar a vida pública em toda sua extensão,[31] já que se deixavam enormes espaços em que o poder se exerce por multidão de intermediários (os "estados" nobiliarios, a poderosísima jurisdição eclesiástica, os territórios forais, e todo o tipo de corporaciones, como as prefeituras, os grémios, as Universidades...). A capacidade de decisão dos reis estava minada pelo crónico déficit de recursos financeiros, que tão cedo como se recebem (e ainda dantes) são gastados no exército e o suntuoso luxo do corte (enormemente necessário para manter o prestígio da monarquia e a fidelidade da nobreza, atraída a seu serviço).

Artigo principal: Despotismo ilustrado

No século XVIII produz-se uma variante do absolutismo, o despotismo ilustrado, em que um rei absoluto exerce seu poder, de forma paternalista, baixo o lema "todo para o povo mas sem o povo", mas segue possuindo a soberania do Estado, não é necessária uma Constituição, a vontade do rei é a lei. Mais que nas pouco atraentes personalidades de Luis XV ou Luis XVI, o exotismo dos franceses procurava o modelo do monarca ideal fosse de suas fronteiras; algum tão longe como Montesquieu, com suas Cartas persas.

Em Espanha, fez o próprio José de Cadalso com suas Cartas marruecas. Não obstante, costuma convir-se em que mostra deste tipo de monarquia seriam as de Carlos III em Nápoles e Espanha, a de José I de Portugal (com seu ministro, o marqués de Pombal) a de José II na Áustria, a de Federico o Grande de Prusia , e com lonjura ao modelo, a da zarina Catalina a Grande da Rússia. A amizade (por impropio que seja este nome para uma relação tão desigual) de ilustrados com fama de disolventes, como Voltaire, com algum destes reis, não deve fazer esquecer que, como dizia Johann Baptist Geich, o sábio aquecendo em seu braseiro não é precisamente ao que deve temer nem o monarca nem a estrutura da que é cúspide.[32]

Pensamento, cultura e arte

O ser humano, centro da reflexão intelectual
La creación de Adán
Michelangelo Buonarroti 005.jpg
Miguel Ángel, na criação de Adán (esquerda, teto da Capilla Sixtina, 1510), parece querer passar a testemunha do teocentrismo medieval ao antropocentrismo humanista, dantes de que a Reforma e a Contrarreforma fechem o passo à Utopia.
Em mudança, O Julgamento Final (direita, do mesmo autor, no mesmo edifício, mas na parede do altar, entre 1535 e 1541), abre o caminho do manierismo, apresentando a um Cristo irado, em um meio mais pessimista, depois do Saco de Roma, quando Itália já está no Antigo Regime, definido neste meio como o predominio dos Habsburgo. Seus nus serão posteriormente adecentados pelo giro moral do Concilio de Trento.

As relações entre o que em termos materialistas se chama "superestructura ideológica" e as partes mais básicas da estrutura económico-social, são de muito delicado encaixe e não suscitam muito consenso.

O predominio da Igreja no pensamento, a educação e a cultura segue sendo abrumador e, como na Idade Média, segue sendo a principal justificativa da ordem política e social e não está separada do Estado (por muito que mantenham uma relação conflictiva, como prova o regalismo, com diferente força na França e Espanha). Não obstante, quanto a seu papel ideológico, desde o Humanismo e o Renacimiento, o Antropocentrismo sucede ao Teocentrismo como constante nas concepções culturais. O erasmismo e seus vicisitudes em Espanha são uma boa mostra das dificuldades que encontrava o pensamento avançado inclusive gozando da protecção real,[33] e não foi o único nem o mais soado, como provam os casos, perseguidos pela Inquisición, do professor e poeta Fray Luis de León, do arcebispo Bartolomé Carranza, ou do intendente Pablo de Olavide. O clima na França não era mais permisivo, como provam os casos em que se viu envolvido Voltaire. A Europa protestante tendeu a ser mais tolerante, sem desconhecer a repressão, como provou Miguel Servet.

A Universidade, que tinha sido uma instituição pujante e em desenvolvimento durante a Baixa Idade Média, com a escolástica, experimentará um período de afastamento da vanguardia científica e cultural, que passa a outros âmbitos (as academias, as sociedades científicas), até o século XIX. Como excepção, como em tantas outras coisas, na Monarquia Hispânica as universidades (Salamanca e Alcalá na Península e as de nova criação na América) atravessam uma idade de ouro (Biblia Políglota Complutense, escola de Salamanca, neoescolástica) respondendo a claro papel social: fornecer quadros à burocracia e o clero e elevar ou manter a condição social de uma nobreza triunfante e uma burguesía acomodaticia e claudicante quanto a sua capacidade disolvente da formação económico social. O máximo brilho quiçá atingiram-no como consequência dos debates justificativos da colonização americana conhecidos como Junta de Burgos e Junta de Valladolid. Este último realizado na Universidade de Valladolid acolheu o famoso debate entre Bartolomé das Casas e Juan Ginés de Sepúlveda sobre a polémica dos naturais e as Leis de Índias (1550-1551). Em 1527 esta universidade também tinha sido sede da conferência que questionou o erasmismo.

Que, em mudança, fossem a Itália e Flandes, emporios da burguesía bajomedieval unidos pelas rotas mercantis do oeste europeu, as que destaquem em ambos movimentos culturais (Humanismo e Renacimiento), não deve ser casualidade. As monarquias nacionais mais adequadas ao modelo Antigo Regime seguem-nos por difusão, e inclusive impulsionados pela oportunidade de legitimación que o mecenazgo da vanguardia artística e intelectual, e os programas arquitectónicos, proporcionam às pujantes monarquias. Clero e nobreza não ficam atrás por emulación. O papel social do artista evolui desde o anonimato gremial da Idade Média até a pseudodivinización de Rafael . A academización e profesionalización terminarão levando à independência do artista, com maior ou menor aureola bohemia, que pode confiar em um mercado para sua produção, libertado dos encargos, em um processo que não se completa até o século XIX.

Depois da ruptura e reubicación que supôs a Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica, Manierismo e Barroco foram sucessivamente os estilos artísticos que se difundem desde Itália a toda a Europa desde mediados do XVI e XVII. Em maior ou menor medida põem-se ao serviço da ideologia e as classes dominantes, ainda que também terá arte burgués ali onde a burguesía o é, como Holanda.

Depois da crise da consciência européia de finais do século XVII,[35] que abre o caminho à Ciência Moderna que segue o paradigma newtoniano e ao enciclopedismo; no século XVIII a cultura se debate entre a manutenção do monopólio da Igreja, e os princípios do Sapere aude kantiano que representa a Ilustração. Do aletargamiento cultural da Espanha da primeira metade do XVIII pode ser mostra que o catedrático de matemáticas da Universidade de Salamanca seja uma personagem tão extravagante como o visionario Diego de Torres Villarroel. Predomina o isolamento (quando não a ignorância) das correntes européias, a excepção dos novatores ou figuras isoladas como Feijoo ou o Marqués de Mondéjar. As tentativas de modernização ilustrados são importantes nas últimas décadas do século,[36] impulsionados por Carlos III e Carlos IV, e difundiram-se a América, que passa a ser "redescubierta" intelectualmente (medidas de Jorge Juan e Antonio de Ulloa, expedições naturalistas de Cavanilles e Humboldt, e o primeiro programa médico moderno, que foi a vacunación contra a viruela) justo no momento em que internamente está a surgir a consciência americana que levará ao movimento emancipador.[37]

O Barroco tardio e o Rococó são os estilos artísticos de começos do XVIII, ainda mantendo a ideologia dominante das classes privilegiadas; Neoclasicismo e o Prerromanticismo os de seu final, abertos à nova realidade.

Além do triunfo da estética racionalista e a técnica academicista, desprestigiadora dos excessos sensoriales barrocos, o Neoclasicismo vê-se impulsionado pela descoberta das ruínas de Pompeya e sua difusão por toda a Europa (ao que contribuiu a moda do Grand Tour, ou naciente turismo aristocrático), que coincide no tempo com acontecimentos intelectuais disolventes para o Antigo Regime: o início da publicação da Encyclopédie (1751) ou as volterianas reflexões sobre o terramoto de Lisboa (1755); a moda na Europa e América é encontrar as sobrias virtudes da Roma republicana (mais que a decadente imperial): é um bom exemplo a eleição de Cincinato (o modelo de paterfamilias que abandonou seus bois para ir ao telefonema do serviço público como ditador temporário e que, terminada a duração de seu cargo, volta a seu arado) para nomear a Cincinnati , uma cidade de nova criação nos nacientes Estados Unidos. Benjamin Franklin, embaixador na França, foi testemunha de como o decadente corte de Versalles acolhia com simpatia à naciente República com uma mistura condescendência e admiração ante os que imagina (e se imaginam a si mesmos) como uma mistura de bom selvagem e Nova Roma.

Por outro lado, a estética prerromántica do Sturm und Drang, o taciturno modelo juvenil do Werther de Goethe ou as Noites lúgubres de José Cadalso presagian já uma época convulsa, em que as contradições insolubles da Ilustração, que não pode conciliar o Antigo Regime com as emergentes forças da Revolução, resolver-se-ão violentamente: o sonho da razão produz monstros, como tão genialmente expressou Goya.

Fragonard, The Swing.jpg

Plenamente rococó O columpio de Fragonard (1767) apresenta de forma cínica e acrítica —ainda que será bem aproveitada por seus inimigos— a decadente e corrupta sociedade do Antigo Regime, incapaz de superar suas contradições que imposibilitan o desenvolvimento das novas forças sociais, produtivas e ideológicas. A mesma função poderia ver nas novelas do Marqués de Sade.
David-Oath of the Horatii-1784.jpg

Totalmente oposta à obra anterior, a exposição pública (1784) do Juramento dos Horacios de Jacques Louis David (que posteriormente se encumbró como pintor da Revolução e de Napoleón), serviu não só de manifesto do Neoclasicismo, senão de envolvimento da arte no debate sociopolítico, ao ser interpretado como um telefonema ao compromisso em defesa da Nação —essa nova ideia revolucionária— em vésperas da Revolução francesa.

Veja-se também

Referências

  1. TOCQUEVILLE, Alexis (1856) L'ancien régime et a Révolution. Tem sido recentemente reeditado em espanhol: (2005) O Antigo Regime e a Revolução, Madri, Aliança Editorial. ISBN 8420658618
  2. François Furet tem numerosas obras dedicadas ao tema, desde A Révolution française, em colaboração com Denis Richet (Fayard, Paris, 1965), até um Dictionnaire critique da Révolution Française
  3. Célebre por sua concepção da história em três planos: económico, social e político. Desde seu Crise de l’économie française à a veille da Révolution (1944), que lhe fez ganhar sua cátedra na Sorbona, se dedicou a construir a história económica e social do Antigo Regime.
  4. L’Espagne de l’Ancien Régime. Lhes institutions, Paris, 1899, tradução ao castelhano A Espanha do Antigo Regime, Madri, FOI, 1989.
  5. RODRIGUEZ VILLA, Antonio A Espanha do Antigo Regime, em Boletim da Real Academia da História, relatório VII, cadernos I ao III, julho-setembro, Tomo 31, ano 1897
  6. O termo ficou acuñado no célebre debate que em meados do século XX mantiveram personalidades da historiografía e a economia mais ou menos próximas ao paradigma do materialismo histórico, em sua versão inglesa ou francesa (revistas Past and Present e Annales), como Maurice Dobb, Karl Polanyi, R. H. Tawney, Paul Sweezy, Kohachiro Takahashi, Christopher Hill, Georges Lefebvre, Giuliano Procacci, Eric Hobsbawm e John Merrington entre outros. Uma recopilación dos artigos com suas respostas fez-se em HILTON, Rodney (ed.) (1976, 1977 em espanhol) A transição do feudalismo ao capitalismo, Barcelona, Crítica, ISBN 84-7423-017-9
  7. Mesmo assim, existe alguma utilização do conceito para a América espanhola: GUERRA, Francois Xavier (1988) Mexico: do Antigo Regime à Revolução, México, FCE. ISBN 9681629728
  8. Entre outros, Perry Anderson e Kohachiro Takahasi trataram o tema durante os debates historiográficos entre historiadores materialistas de mediados do século XX.
  9. MAYER, Arno (1983) The Persistence of the Old Regime: Europe from 1848 to the Great War
  10. José Antonio Maravall e Joseph Pérez têm estudos clássicos do tema
  11. BERNAL, Antonio Miguel (1979) A luta pela terra na crise do Antigo Regime, Taurus. ISBN 8430630422. ORTEGA, Margarita (1986) A luta pela terra na Coroa de Castilla ao final do Antigo Regime: O expediente de lei agrária (Série Estudos) Madri, Ministério de Agricultura. ISBN 8474794579
  12. A resistência da economia tradicional à instituição do mercado livre, considerada como "natural" pelo liberalismo económico, é magistralmente explicada por Karl Polanyi (1989) A grande transformação Madri, A Piqueta ISBN 84-7731-047-5.
  13. VRIES, Jan de (1984-1987): A urbanización da Europa, 1500-1800, Barcelona, Crítica. ISBN 84-7423-330-5
  14. RINGROSE, David (1985) Madri e a economia espanhola, 1560-1850. Cidade, Corte e País no Antigo Regime, Madri, Aliança Universidade. ISBN 84-206-2443-8
  15. Um estudo regional clássico de uma zona agrícola espanhola é o de GARCÍA SANZ, Ángel (1986) Desenvolvimento e crise do Antigo Regime em Castilla a Velha: Economia e sociedade em terras de Segovia de 1500 a 1814, Akal ISBN 8476001274
  16. O estudo destes, e sua difusa ideologia se fez por E. P. Thompson (1979) A economia moral da multidão
  17. ALFARO ROCHA, Ángel Luis (1990) Fontes Documentales para o estudo do comércio alimentário em Madri no século XVIII em Fontes Documentales para a História de Madri, Madri, Consejería de Cultura ISBN 84-451-0173-0
  18. FOUCAULT, Michel (1975) Vigiar e Castigar, Madri, Século XXI ISBN 84-323-0332-1. O controle público da vida, para além do espiritual tradicional da Igreja, não é próprio da época anterior à formação do Estado liberal, ainda que o Estado absolutista as vá pré-configurando: será confiado a instituições de encuadramiento como A Escola, o Cárcere, o Exército, que põem à cada um em seu lugar na sociedade burguesa, pouco amiga da promiscuidad das ruas do Antigo Regime, cujos aromas tão bem descreve Patrick Süskind no perfume
  19. Conceito de Fernand Braudel (O Mediterráneo e o mundo mediterráneo na época de Felipe II) desenvolvido por Immanuel Wallerstein (O moderno sistema mundial)
  20. Família de banqueiros alemães que conseguiu a eleição imperial de Carlos V, que se viu obrigado a lhes premiar com a contrata do mercurio de Almadén, senhorios em Castilla (Almagro) e muitas outras prebendas (seguem tendo em sua honra o nome uma rua em Madri: a Rua do Fúcar). Ramón Carande Carlos V e seus banqueiros.
  21. CASTRO, Concepção de (1987) O pão de Madri. O abasto das cidades espanholas do Antigo Regime. Madri, Aliança ISBN 84-206-2492-6
  22. O estudo clássico (desde um ponto de vista materialista) da metrología histórica é o do polaco Witold Kula As medidas e os homens
  23. Um estudo muito completo da situação fiscal da Monarquia Hispânica é o de Miguel Artola A Fazenda do Antigo Regime. Anteriormente, a Universidade Autónoma de Madri tinha dirigido (1977) A "renda nacional" da Coroa de Castilla (A Economia do Antigo Regime) ISBN 8460008398
  24. Uma obra de referência para a Igreja no Antigo Regime em Espanha é a de CALLAHAN, William J. (2000) Igreja, Poder e Sociedade Em Espanha 1570-1874, Nerea, Madri. ISBN 8486763126
  25. MOUSNIER, Roland (1970) A Plume, a faucille et lhe marteau: institutions et société em France du Moyen Âge à a Révolution; (1974-1980) Lhes Institutions da France sous a monarchie absolue, 1598-1789
  26. A natureza do Estado moderno e sua relação com a burguesía e os estamentos privilegiados, e a transição do feudalismo ao capitalismo é amplamente analisada por Perry Anderson (1979) O estado absolutista (1974 em inglês).
  27. Biblioteca de autores clássicos: Calderón da Barca, em Centro Virtual Cervantes: [1]
  28. O cardeal Francisco de Mendoza e Bovadilla compôs um famosísimo libelo: O tizón da nobreza espanhola, ou máculas e sambenitos de suas linhagens (Barcelona, A Selecta, 1880) escrito em 1560 como memorial ao rei Felipe II onde punha em teia de julgamento a limpeza de sangue da nobreza espanhola. Também foi famoso o Livro verde de Aragón, igualmente do século XVI.
  29. FOUCAULT, Michel Vigiar e Castigar
  30. Mariano José de Larra ironiza com amargura sobre a pena de morte em garrote em um de seus artigos de costumes, publicado em 1835 na revista Mensageiro [2]
  31. Bartolomé Clavero, um historiador do direito, tem desenvolvido em várias obras a ideia de que não pode sequer se chamar Estado às entidades políticas anteriores à Revolução Liberal, por exemplo em Tantas Pessoas como Estados. Madri. Tecnos. 1986.
  32. A respeito da influência da ilustração sobre as revoluções, reunido junto a outros textos, traduzido e estudado por MAESTRE, Agapito (1988) Que é Ilustração?, Madri, Tecnos, ISBN 84-309-1538-9
  33. O livro clássico sobre o tema é o de BATAILLON, Marcel Erasmo em Espanha
  34. Torremocha Hernández, Margarita (1998) A vida estudiantil no Antigo Regime Madri, Aliança.
  35. HAZARD, Paul A crise da consciência européia
  36. SARRAILH, Jean A Espanha ilustrada da segunda metade do século XVII
  37. FRIAS NÚÑEZ, Marcelo (1992)Doença e sociedade na crise colonial do antigo regime: Nova Granada no trânsito do século XVIII ao XIX, as epidemias de viruelas (Cadernos Galileo de história da ciência), Madri, CSIC.ISBN 8400072456

Bibliografía

  • ANES, Gonzalo (1975). O Antigo Regime: Os Borbones, Madri, Aliança Universidade. ISBN 84-206-2044-0.
  • ANES, Gonzalo (1988). Economia e sociedade nas Astúrias do antigo regime, Barcelona, Ariel. ISBN 8434465612.
  • ANES, Gonzalo; TEDDE, Pedro; FONTANA, Josep e ARTOLA, Miguel (eds.) (1982). A economia espanhola ao final do antigo regime (4 vols.) I. Agricultura II. Manufacturas III. Comércio e Colónias IV. Instituições, Madri, Banco de Espanha-Aliança Editorial. ISBN 84-.
  • ANDERSON, Perry (1979). O Estado absolutista, Madri, Século XXI. ISBN 8432303623.
  • ARTOLA, Miguel (1983). Antigo Regime e revolução liberal, Barcelona, Ariel. ISBN 84-344-6512-4.
  • ASTON, Trevor (compilador) (1983). Crise na Europa, Madri, Aliança Universidade. ISBN 84-206-2359-8.
  • ATIENZA, Ignacio (1987). Aristocracia, poder e riqueza na Espanha moderna. A Casa de Osuna. Séculos XV-XIX, Madri, Século XXI. ISBN 84-323-0601-0.
  • CORVISIER, André (1982). História Moderna, Barcelona, Labor. ISBN 84-335-1715-5.
  • DOMÍNGUEZ ORTIZ, Antonio (1973). O Antigo Regime: Os Reis Católicos e os Austrias, Madri, Aliança Universidade. ISBN 84-206-2042-4.
  • DOMÍNGUEZ ORTIZ, Antonio (1981). Sociedade e Estado no século XVIII espanhol, Barcelona, Ariel. ISBN 84-344-6509-4.
  • DOMÍNGUEZ ORTIZ, Antonio e outros (1981). História de Espanha (volumes 6, 7 e 8): Carlos V e Felipe II; Esplendor e Decadência; O Reformismo borbónico, Madri, História 16. Depósito legal M. 12.869/76.
  • FERNÁNDEZ ÁLVAREZ, Manuel; AVILÉS FERNÁNDEZ, Miguel e ESPADAS BURGOS, Manuel (dirs.) (1986). Grande História Universal (volumes XIV ao XVIII), Barcelona, Clube Internacional do Livro. ISBN 84-7461-654-9.
  • HAUSER, Arnold (1998). História social da literatura e a Arte, Barcelona, Debate. ISBN 84-8306-110-4.
  • ROMANO, Ruggiero e TENENTI, Alberto (1971). Os fundamentos do mundo moderno. Idade Média tardia, Renacimiento, Reforma, Madri, Século XXI. Depósito Legal M. 23.301-1970.
  • TOMÁS E VALENTE, Francisco (1982). Governo e instituições na Espanha do Antigo Regime, Madri : Aliança. ISBN 84-.
  • TUÑÓN DE LARA, Manuel (dir.) (1987). História de Espanha (volumes 5 e 7): A Frustración de um império; Centralismo, Ilustração e Agonia do Antigo Regime, Barcelona, Labor. ISBN 84-335-9431-1.
  • WALLERSTEIN, Immanuel (1979). O moderno sistema mundial A agricultura capitalista e as origens da economia-mundo européia no século XVI, Madri, Século XXI. ISBN 84-323-0342-9.
  • WALLERSTEIN, Immanuel (1984). O moderno sistema mundial II O mercantilismo e a consolidação da economia-mundo européia, 1600-1750, Madri, Século XXI. ISBN 84-323-0481-6.

Enlaces externos

Wikcionario

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/n/d/Andorra.html"