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Antropologia

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A Antropologia é o estudo Holistico do Ser Humano.

A Antropologia (do grego ἄνθρωπος anthropos, 'homem (humano)', e λόγος, logos, 'conhecimento') é uma ciência social que estuda ao ser humano de uma forma integral. Para abarcar a matéria de seu estudo, a Antropologia recorre a ferramentas e conhecimentos produzidos pelas ciências naturais e as ciências sociais. A aspiração da disciplina antropológica é produzir conhecimento sobre o ser humano em diversas esferas, mas sempre como parte de uma sociedade. Desta maneira, tenta abarcar tanto a evolução biológica de nossa espécie, o desenvolvimento e os modos de vida de povos que têm desaparecido, as estruturas sociais da actualidade e a diversidade de expressões culturais e linguísticas que caracterizam à humanidade.

As facetas diversas do ser humano implicaram uma especialização dos campos da Antropologia. A cada um dos campos de estudo do ser humano implicou o desenvolvimento de disciplinas que actualmente são consideradas como ciências independentes, ainda que mantêm constante diálogo entre elas. Trata-se da Antropologia física, a Arqueologia, a Linguística e a Antropologia social.Com muita frequência, o termo Antropologia só aplica a esta última, que a sua vez se diversificou em numerosos ramos, dependendo da orientação teórica, a matéria de seu estudo ou bem, como resultado da interacção entre a Antropologia social e outras disciplinas.

A Antropologia constituiu-se como disciplina independente durante a segunda metade do século XIX. Um dos factores que favoreceu seu aparecimento foi a difusão da teoria da evolução, que no campo dos estudos sobre a sociedade deu origem ao evolucionismo social, entre cujos principais autores se encontra Herbert Spencer. Os primeiros antropólogos pensavam que bem como as espécies evoluíam de organismos singelos a outros mais complexos, as sociedades e as culturas dos humanos deviam seguir o mesmo processo de evolução até produzir estruturas complexas como sua própria sociedade. Vários dos antropólogos pioneiros eram advogados de profissão, de modo que as questões jurídicas apareceram frequentemente como tema central de suas obras. A esta época corresponde a descoberta dos sistemas de parentesco por parte de Lewis Henry Morgan.

Desde o final do século XIX o enfoque adoptado pelos primeiros antropólogos foi posto em teia de julgamento pelas seguintes gerações. Após a crítica de Franz Boas à antropologia evolucionista do século XIX, a maior parte das teorias produzidas pelos antropólogos da primeira geração considera-se obsoleta. A partir de então, a Antropologia viu o aparecimento de várias correntes durante o século XIX, entre elas a escola culturalista dos Estados Unidos ao iniciar a centuria; a Etnología francesa; o funcionalismo estrutural, o estructuralismo antropológico, o procesualismo ou a antropologia marxista.

A antropologia é, sobretudo, uma ciência integradora que estuda ao homem no marco da sociedade e cultura às que pertence, e, ao mesmo tempo, como produto destas. Pode-lha definir como a ciência que se ocupa de estudar a origem e desenvolvimento de toda a faixa da variabilidad humana e os modos de comportamentos sociais através do tempo e o espaço; isto é, do processo biosocial da existência da espécie humana.

Conteúdo

Antecedentes

Fruto da meticulosa investigação de Sahagún é o Códice Florentino. Considera-se como antecedente da etnografía. Na imagem, um folio desta obra escrito em náhuatl.

Atribui-se ao navegador François Péron ter sido quem uso por primeira ocasião o termo antropologia.[1] Péron recolheu nessa obra um conjunto de dados sobre os aborígenes de Tasmania, que foram quase exterminados nos anos que seguiram ao passo de Péron pela ilha. No entanto, Péron não foi o primeiro nem o mais antigo de quem estavam interessados na questão da diversidade humana e suas manifestações.

Alguns autores consideram a fray Bernardino de Sahagún como um dos antecedentes mais notáveis da etnografía.[2] Da mesma maneira que outros misioneros do século XVI, Sahagún estava preocupado pelas diversas maneiras em que a religião dos indígenas poderia se confundir com o cristianismo recém implantado. No afán de compreender melhor aos povos nahuas do centro de Nova Espanha, Sahagún pesquisou de maneira muito detalhada a história, os costumes e as crenças dos nahuas dantes da chegada dos espanhóis. Para fazê-lo teve que aprender náhuatl. Depois, com e apoio de alguns de seus informantes, organizou a informação obtida em uma obra pensada para um público mais ou menos amplo. O resultado foi o Códice Florentino, de vital importância no conhecimento da civilização mesoamericana precolombina.[3]

Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon, quem escreveu Histoire Naturelle (1749) onde se enlaçam as ciências naturais e a diversidade física da espécie humana (anatomía comparada) com a inquietude por compreender a diversidade das expressões culturais dos povos.[4] De maneira análoga, alguns pensadores da Ilustração como Montesquieu, Rousseau e inclusive o matemático D'Alembert abordaram a matéria, e propuseram algumas hipóteses sobre a origem das relações sociais, as formas de governo e os temperamentos das nações.

História

Durante o século XIX, o telefonema então Antropologia geral incluía um amplísimo espectro de interesses, desde a paleontología do cuaternario ao folclore europeu, passando pelo estudo comparado dos povos aborígenes. Foi por isso um ramo da História Natural e do historicismo cultural alemão que se propôs o estudo científico da história da diversidade humana. Depois do aparecimento dos modelos evolucionistas e o desenvolvimento do método científico nas ciências naturais, muitos autores pensaram que os fenómenos históricos também seguiriam pautas deducibles por observação. O desenvolvimento inicial da antropologia como disciplina mais ou menos autónoma do conjunto das Ciências Naturais coincide com o auge do pensamento ilustrado e posteriormente do positivista que elevava a razão como uma capacidade distintiva dos seres humanos. Seu desenvolvimento pôde-se vincular muito cedo aos interesses do colonialismo europeu derivado da Revolução industrial.

Por razões que têm que ver com o projecto da New Republic norte-americana, e sobretudo com o problema da gestão dos assuntos índios, a antropologia de campo começou a ter bases profissionais nos Estados Unidos no último terço do s. XIX, a partir do Bureau of American Ethnology e da Smithsonian Institution. O antropólogo alemão Franz Boas, inicialmente vinculado a este tipo de tarefa, institucionalizó académica e profissionalmente a Antropologia nos Estados Unidos. Na Grã-Bretanha victoriana, Edward Burnett Tylor e posteriormente autores como Rivers e mais tarde Malinowski e Radcliffe-Brown desenvolveram um modelo profesionalizado de Antropologia académica. O mesmo sucedeu na Alemanha dantes de 1918.

Em todas as potências coloniales de princípios de século (salvo em Espanha) há layouts de profesionalización da Antropologia que não acabaram de cuajar até após a II Guerra Mundial. Em todos os países ocidentais se incorporou o modelo profissional da Antropologia anglosajona. Por este motivo, a maior parte da produção da Antropologia social ou cultural dantes de 1960 —o que se conhece como modelo antropológico clássico— se baseia em etnografías produzidas na América, Ásia, Oceania e África, mas com um peso muito inferior da Europa. A razão é que no continente europeu prevaleceu uma etnografía positivista, destinada a apuntalar um discurso sobre a identidade nacional, tanto nos países germánicos como nos escandinavos e os eslavos.

Historicamente falando, o projecto de Antropologia geral compunha-se de quatro ramos: a linguística, a arqueologia, a antropologia biológica e a antropologia social, referida esta última como antropologia cultural ou etnología em alguns países. Estas últimas põem especial énfasis na análise comparada da cultura —termo sobre o que não existe consenso entre as correntes antropológicas—, que se realiza basicamente por um processo trifásico, que compreende, em primeiro lugar, uma investigação de gabinete; em segundo lugar, uma imersão cultural que se conhece como etnografía ou trabalho de campo e, por último, a análise dos dados obtidos mediante o trabalho de campo.

O modelo antropológico clássico da antropologia social foi abandonado na segunda metade do século XX. Actualmente os antropólogos trabalham praticamente todos os âmbitos da cultura e a sociedade.

O objecto de estudo antropológico

O cráneo do menino de Taung, descoberto em África do Sul. Este menino era um Australopithecus africanus, uma forma intermediária de hominino .

A matéria de estudo da Antropologia tem sido matéria de debate desde o nascimento da disciplina, ainda que é comum a todas as posturas o compartilhar a preocupação por produzir conhecimento sobre o ser humano. A maneira em que se aborda a questão é o que propõe o desacordo, porque a matéria pode se abordar desde diversos pontos de vista. No entanto, desde o início a configuração epistemológica da Antropologia consistiu na pergunta pelo Outro. Esta é uma questão central nas ciências e disciplinas antropológicas que se vai configurando desde o Renacimiento.[5]

Depois do desenvolvimento de diferentes tradições teóricas em diversos países, entrou em debate qual era o aspecto da vida humana que correspondia estudar à antropologia. Para essa época, os lingüistas e arqueólogos já tinham definido seus próprios campos de acção. Edward B. Tylor, nas primeiras linhas do capítulo primeiro de sua obra Cultura primitiva, tinha proposto que o objecto era a cultura ou civilização, entendida como um «todo complexo» que inclui as crenças, a arte, a moral, o direito, os costumes e qualquer outros hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Esta proposta está presente a todas as correntes da antropologia, já seja que se declarem a favor ou na contramão.

No entanto, a partir do debate apresenta-se um fenómeno de constante atomización na disciplina, a tal grau que pára muitos autores —por citar o exemplo mais conhecido—, o estudo da cultura seria o campo da antropologia cultural; o das estruturas sociais seria faculdade da antropologia social propriamente dita. Desta sorte, Radcliffe-Brown (antropólogo social) considerava como uma disciplina diferente (e errada, pelo demais) a que realizavam Franz Boas e seus alunos (antropólogos culturais). Segundo Clifford Geertz, o objecto da antropologia é o estudo da diversidade cultural.

A antropologia é uma ciência que estuda as respostas do ser humano ante o médio, as relações interpersonales e o marco sociocultural em que se desenvuelven, cujo objecto vai ser o estudo do homem em suas múltiplas relações; ademais estuda a cultura como elemento diferenciador dos demais seres humanos. Estuda ao homem em sua totalidade, incluindo os aspectos biológicos e socioculturais como parte integral de qualquer grupo ou sociedade. Converteu-se em uma ciência empírica que reuniu muita informação, ademais foi a primeira ciência que introduziu o trabalho de campo e surge dos relatos de viajantes, misioneros, etc.

Campos da Antropologia

Louis Leakey foi um arqueólogo queniano que fez numerorsas contribuições à paleoantropología. Na imagem aparece examinando um cráneo de Paranthropus boisei,[6] procedente da garganta de Olduvai.

A Antropologia, como ciência que pretende abarcar os fenómenos do ser humano como parte de uma sociedade, se diversificou em seus métodos e suas teorias. A diversificción obedece ao interesse por render melhor conta dos processos que enfrenta a especiaria em diversas dimensões. De acordo com a American Anthropological Association (AAA), os quatro campos da Antropologia são a Antropologia biológica, a Antropologia cultural, a Arqueologia e a Antropologia linguística.[7]

A Antropologia biológica ou física é o campo da Antropologia que se especializa no estudo dos seres humanos desde o ponto de vista evolutivo e adaptativo. Ao adoptar uma postura evolucionista, os antropólogos físicos pretendem dar conta não só das grandes mudanças nos aspectos biológicos do ser humano —o que se chama hominización—, senão nas pequenas mudanças que se observam entre populações humanas. A diversidade física do ser humano inclui questões como a pigmentación da pele, as formas dos cráneos, a talha média de um grupo, tipo de cabelo e outras questões numerosas. Para abordar esta diversidade, a Antropologia física não só joga mão de estudos propriamente anatómicos, senão as interacções entre os seres humanos e outras espécies, animais e vegetales, o clima, questões relativas à saúde e a interacção entre diferentes sociedades.[8] O campo da Antropologia biológica também é interesse de outras ciências com as que mantém um diálogo, por exemplo, com a Primatología, a Demografía, a Ecología ou as ciências da saúde. Conta entre suas especializações à Paleoantropología e a Antropologia médica.

A Arqueologia é uma das ciências antropológicas com maior difusão entre o público não especializado. Trata-se do estudo científico dos vestígios do passado humano. Poderia dizer-se que este interesse se encontrou em diversas épocas e lugares, ainda que a Arqueologia tem um antecedente muito claro no coleccionismo de antigüedades nas sociedades européias.[9] Para conseguir seus propósitos, os arqueólogos indagan em depósitos destes materiais que são chamados yacimientos arqueológicos —ou lugares arqueológicos, calcado do inglês archaeological site— aos que se acede normalmente por excavaciones . Apesar dos estereotipos sobre os arqueólogos —aos que se costuma imaginar como uma espécie de Indiana Jones[10] — e os lugares comuns sobre o que é a Arqueologia, o método arqueológico não compreende unicamente as técnicas de excavación. Antes de mais nada trata-se de interpretar os achados, tanto em relação com seu contexto arqueológico como em relação aos conhecimentos já comprovados, a história do yacimiento e outros elementos.

Dentro das ciências sociais, disciplinas como a linguística e a antropologia têm mantido uma relação que tem tomado a forma de um complexo processo articulatorio influído ao longo do tempo pelas diferentes condições históricas, sociais e teóricas imperantes. A linguística, ao igual que a etnología, a arqueologia, a antropologia social, a antropologia física e a história, é uma das disciplinas que conformam o campo da antropologia desde algumas perspectivas. A linguística estuda a linguagem para encontrar suas principais características e assim poder descrever, explicar ou predizer os fenómenos linguísticos. Dependendo de seus objectivos, estuda as estruturas cognitivas da concorrência linguística humana ou a função e relação da linguagem com factores sociais e culturais.

A relação entre a linguística e a antropologia tem respondido a diferentes interesses. Durante o século XIX e a primeira metade do XX, a antropologia e a linguística comparativa tentavam traçar as relações genéticas e o desenvolvimento histórico das línguas e famílias linguísticas. Posteriormente, a relação entre as duas disciplinas tomou outra perspectiva pela proposta desde o estructuralismo. Os modelos linguísticos foram adoptados como modelos do comportamento cultural e social em uma tentativa por interpretar e analisar os sistemas socioculturais, dentro das correntes da antropologia. A tendência estrutural pôde propor pela influência da linguística, tanto no teórico como no metodológico. No entanto, ao excluir as condições materiais e o desenvolvimento histórico, questionou-se que a cultura e a organização social pudessem ser analisadas do mesmo modo que um código linguístico, tomando à linguagem como o modelo básico sobre o que se estrutura todo o pensamento ou classificação.

Não obstante estes pontos de vista diferentes, pode-se chegar a aproximações produtivas reconhecendo que a cultura e a sociedade são produto tanto de condições objectivas ou materiais como de construções conceptuais ou simbólicas. Desta forma, a interacção entre estas duas dimensões permite-nos abordar aos sistemas socioculturais como uma realidade material ao mesmo tempo que uma construção conceptual. As línguas implicam ou expressam teorias do mundo e, por tanto, são objectos ideais de estudo para os cientistas sociais. A linguagem, como ferramenta conceptual, contribui o mais complexo sistema de classificação de experiências, pelo que a cada teoria, seja esta antropológica, linguística ou a união de ambas, contribui a nosso entendimento da cultura como um fenómeno complexo, já que «a linguagem é o que faz possível o universo de padrões de entendimento e comportamento que chamamos cultura. É também parte da cultura, já que é transmitido de uma geração a outra através da aprendizagem e a imitação, ao igual que outros aspectos da cultura».

Roman Jakobson propõe que «os antropólogos nos provam, o repetindo sem cessar, que língua e cultura se implicam mutuamente, que a língua deve se conceber como parte integrante da vida da sociedade e que a linguística está em estreita conexão com a antropologia cultural». Para ele, a língua, como o principal sistema semiótico, é o fundamento da cultura: «Agora só podemos dizer com nosso amigo McQuown que não se dá igualdade perfeita entre os sistemas de signos, e que o sistema semiótico primordial, básico e mais importante, é a língua: a língua é, a dizer verdade, o fundamento da cultura. Com relação à língua, os demais sistemas de símbolos não passam de ser ou concomitantes ou derivados. A língua é o médio principal de comunicação informativa».

Sub-ramos

A sua vez, a cada uma destes quatro ramos principais se subdivide em inumeráveis subramas que muitas vezes interactúan entre si.

Da Antropologia Social, conhecida antigamente como antropologia sociocultural, se desprendem:

Da Antropologia Física, conhecida também como antropologia biológica, se desprendem:

Da arqueologia desprendem-se:

A cada uma dos ramos tem tido um desenvolvimento próprio em maior ou menor medida. A diversificación das disciplinas não impede, por outro lado, que se achem em interacção permanente unas com outras. Os edifícios teóricos das disciplinas antropológicas compartilham como baseie seu interesse pelo estudo da humanidade. No entanto, metonímicamente na actualidade, quando se fala de antropologia, por antonomasia se faz referência à antropologia social.

A origem da pergunta antropológica

A pergunta antropológica é antes de mais nada uma pergunta pelo outro. E em termos estritos, está presente a todo o indivíduo e em todo grupo humano, na medida em que nenhuma das duas entidades pode existir como isolada, senão em relação com Outro. Esse outro é o referente para a construção da identidade, já que esta se constrói por «oposição a» e não «a favor de». A preocupação por aquilo que gera as variações de sociedade em sociedade é o interesse fundador da antropologia moderna. Foi dessa maneira que, para Krotz, o assombro é o pilar do interesse pelo «outro» (alter), e são as «alteridades» as que marcam tal contraste binário entre os homens.

Apesar de que todos os povos compartilham esta inquietude, é em Occidente onde, por condições históricas e sociais particulares, adquire uma importância superior. É innegable que já Hesíodo, Heródoto, e outros clássicos indagaban nestas diferenças. No entanto, quando Europa se achou em frente a povos desconhecidos e que resultavam tão extraordinários, interpretou estas exóticas formas de vida ora fascinada, ora sobrecogida.

Colón toma posse do Novo Mundo.

A Conquista da América constitui uma grande meta da pergunta antropológica moderna. Os escritos de Cristóbal Colón e outros navegantes revelam o choque cultural em que se viu inmersa a velha Europa. Especial importância têm os trabalhos dos misioneros indianos em México, Peru, Colômbia e Argentina nas primeiras aproximações às culturas aborígenes. Dentre eles destaca Bernardino de Sahagún, quem emprega em suas investigações um método sumamente rigoroso, e lega uma obra onde há uma separação bem clara entre sua opinião eclesiástica e os dados de seus «informantes» sobre sua própria cultura. Esta obra é a História das coisas da Nova Espanha.

Com as novas descobertas geográficas desenvolveu-se o interesse para as sociedades que encontravam os navegadores. No século XVI o ensayista francês Montaigne preocupou-se por contraste-los entre os costumes em diferentes povos.

Em 1724 o misionero jesuita Lafitau publicou um livro no que comparava os costumes dos índios americanos com as do mundo antigo. Em 1760 Charles de Brosses descreve o paralelismo entre a religião africana e a do Antigo Egipto. Em 1748 Montesquieu publica O espírito das leis baseando-se em leituras sobre costumes de diferentes povos. No século XVIII, foi comum a presença de relatores históricos, os quais, a modo de crónica, descreviam suas experiências através de viagens de grande duração através do mundo. Neste caso pode-se citar a Estanislao da Fouce. No século XIX viu o começo de viagens empreendidos com o fim de observar outras sociedades humanas. Viajantes famosos deste século foram Bastian (1826-1905) e Ratzel (1844-1904). Ratzel foi o pai da teoria do difusionismo que considerava que todos os inventos se tinham estendido pelo mundo por médio de migrações, esta teoria foi levada ao absurdo por seu discípulo Frobenius (1873-1938) que pensava que todos os inventos básicos se fizeram em um sozinho lugar: Egipto.

Na de Charles Darwin e acontecimentos históricos como a Revolução industrial contribuiriam ao desenvolvimento da antropologia como uma disciplina científica.

Antropologia moderna

Para o estabelecimento de uma ciência que incorporasse as teorias filosóficas e os programas gerais já elaborados, seriam necessários certos avanços metodológicos que não tiveram lugar até finais do século XVIII e começos do século XIX. Nesta época produzem-se as primeiras classificações raciais sistémicas, como as de Linneo (1707-1778) e J. Blumenbach (1752-1840). Durante este mesmo período surgiu a linguística moderna, dominada durante o s. XIX pela ideia de que os idiomas podiam se classificar em famílias e que os pertencentes a uma mesma família eram ramos de um tronco comum mais antigo. Isso deu lugar ao desenvolvimento de métodos comparativos sistémicos com o fim de poder reconstruir o idioma ancestral.

A regularidade das correspondências fonéticas em idiomas emparentados foi apresentada primeiro por R. Rask (1787-1832) e divulgada por J. Grimm (1785-1863) a começos do s. XIX, com o que contribuíram a consolidar a ideia geral da existência de regularidades na mudança cultural humano.

Outro tipo de descobertas realizados neste período ampliaram de maneira importante o horizonte temporário do desenvolvimento humano e outorgaram legitimidade à ideia de um progresso cultural gradual. Por uma parte, o desciframiento da escritura egípcia por Jean-François Champollion (1790-1832), em 1821, alterou de forma radical as ideias tradicionais a respeito da idade do homem. Porteriormente, em meados do s. XIX, o reconhecimento da validade da descoberta de Boucher de Perthes (1788- 1868) de utensilios humanos do Paleolítico, contemporâneos de mamíferos já extinguidos. Deste modo, a arqueologia e as teorias de Darwin coincidiam em oferecer uma imagem do homem como a de um ser solidamente ancorado entre as demais espécies animais do passado, que passa de ser um antropoide carente de atributos culturais a se transformar em homem ao longo de um prolongado período de centos de milhares de anos.

É durante a primeira metade do s. XIX quando a antropologia começa a adquirir a faixa de disciplina científica independente e se criam as primeiras sociedades etnológicas ou antropológicas na Inglaterra, França e Alemanha. Neste último país, a palavra "Kultur" adquire o sentido técnico que reveste na actualidade, termo que será posteriormente introduzido no mundo de fala inglesa por E.B. Tylor em sua obra clássica "A cultura primitiva" (Primitive Culture), publicada em 1871. Em uma tão detalhada como ampla panorámica da evolução cultural humana e com uma clara exposição das perspectivas teóricas de uma ciência da cultura, o livro de Tylor representa uma obra fundacional no desenvolvimento da antropologia moderna.

Nascimento institucional da antropologia

Considera-se que o nascimento da antropologia como disciplina teve lugar durante o Século das Luzes, quando na Europa se realizaram as primeiras tentativas sistémicas de estudar o comportamento humano. As ciências sociais —que incluem, entre outras à jurisprudencia, a história, a filología, a sociologia e, desde depois, à antropologia— começaram a desenvolver nesta época.

Por outro lado, a reacção romântica contra o movimento ilustrado —que teve seu coração na Alemanha— foi o contexto no que filósofos como Herder e, posteriormente, Wilhelm Dilthey, escreveram suas obras. Nelas se pode rastrear a origem de vários conceitos centrais no desenvolvimento posterior da antropologia.

Estes movimentos intelectuais em parte lidiaron com uma dos maiores paradoxos da modernidad: ainda que o mundo se empequeñecía e integrava-se a cada vez mais, a experiência da gente do mundo resultava mais atomizada e dispersa. Como Karl Marx e Friedrich Engels observaram na década de 1840 :

Todas as velhas indústrias nacionais, têm sido ou estão a ser destruídas a diário. São deslocadas por novas indústrias, cuja introdução, se converte em um tema de vida ou morte para as nações civilizadas, por indústrias que não trabalham só com matérias primas locais, senão também, com matérias primas trazidas dos lugares mais remotos; indústrias cujos produtos, não são consumidos só pela população local, senão também por gente de todo o balão. Em lugar das antigas demandas de consumo, satisfeitas pela produção do país, encontramos novas necessidades, requerendo para sua satisfação, produtos de lugares e climas distantes. Em lugar do antigo isolamento nacional e o auto-suficiencia, temos relações em todas as direcções, interdependencia universal de nações.

Ironicamente, esta interdependencia universal, em vez de levar a uma maior solidariedade na humanidade, coincidiu com o aumento de divisões raciais, étnicas, religiosas e de classe, e algumas expressões culturais confusas e perturbantes. Estas são as condições de vida que a gente na actualidade enfrenta cotidianamente, mas não são novas: têm sua origem em processos que começaram no século XVI e se aceleraram no século XIX.

Museu Antropológico e de Arte Contemporâneo de Guayaquil, Equador

Institucionalmente, a antropologia emergiu da história natural (exposta por autores como Buffon) definida como um estudo dos seres humanos, —geralmente europeus—, vivendo em sociedades pouco conhecidas no contexto do colonialismo. Esta análise da linguagem, cultura, fisiología, e artefactos dos povos primitivos —como lhos chamava nessa época— era equivalente ao estudo da flora e a fauna desses lugares. É por isto que podemos compreender que Lewis Henry Morgan escrevesse tanto uma monografía sobre A une dos iroqueses, como um texto sobre O castor americano e suas construções.

Um facto importante no nascimento da antropologia como uma disciplina institucionalizada é que a maior parte de seus primeiros autores foram biólogos (como Herbert Spencer), ou bem juristas de formação (como Bachoffen, Morgan, McLennan). Estas vocações académicas influíram na construção do objecto antropológico da época e na definição de dois temas cruciais para a antropologia ao longo de sua história, a saber: a natureza da mudança social no tempo e do direito (analisado baixo a forma do parentesco) e os mecanismos de herança.

Dado que as primeiras aproximações da antropologia institucional tendiam a estender os conceitos europeus para compreender à enorme diversidade cultural de outras latitudes não européias, se incurrió no excesso de classificar aos povos por um suposto grau de maior ou menor progresso. Por isso, nesses primeiros tempos de indagación etnográfica, produtos da cultura material de nações «civilizadas» como Chinesa, foram exibidos nos museus dedicados à arte, junto a obras européias; enquanto, que seus similares da África ou das culturas nativas da América se mostravam nos museus de história natural, ao lado dos ossos de dinossauro ou os dioramas de paisagens (costume que permanece em alguns lugares até nossos dias). Dito isto, a prática curatorial tem mudado dramaticamente em anos recentes, e seria incorreto ver a antropologia como fenómeno do regime colonial e do chovinismo europeu, pois sua relação com o imperialismo era e é complexa.

A antropologia continuou refinando da história natural e, no final do século XIX, a disciplina começava a cristalizar-se —em 1935, por exemplo, T.K. Penniman escreveu a história da disciplina titulada 100 anos da Antropologia—. Nesta época dominava o «método comparativo», que assumia um processo evolutivo universal desde o primitivismo até a modernidad; isso qualificava a sociedades não européias como «vestígios» da evolução que refletiam o passado europeu. Os eruditos escreveram histórias de migrações prehistóricas, algumas das quais foram valiosas e outras muito fantásticas. Foi durante este período quando os europeus puderam, pela primeira vez, rastrear as migrações polinésicas através do oceano Pacífico. Finalmente, discutiram a validade da raça como critério de classificação pois decantaba aos seres humanos atendendo caracteres genéticos; pese a coincidir o auge do racismo.

No século XX, as disciplinas académicas começaram a organizar-se ao redor de três principais domínios: ciência, humanismo e as ciências sociais. As ciências, segundo o falsacionismo dogmático e ingénuo, explicam fenómenos naturais com leis falsables através do método experimental. As humanidades projectava o estudo de diversas tradições nacionais, a partir da história e as artes. As ciências sociais tentam explicar o fenómeno social usando métodos científicos, procurando bases universais para o conhecimento social. A antropologia não se restringe a nenhuma destas categorias.

Tanto baseando nos métodos das ciências naturais, como também criando novas técnicas que envolviam não só entrevistas estruturadas senão a consabida «observação participante» desestructurada, e baseada na nova teoria da evolução através da selecção natural, propuseram o estudo científico da humanidade concebida como um tudo. É crucial para este estudo o conceito de cultura. A cultura tem sido definida na antropologia das formas mais variadas, ainda que é possível que exista acordo em sua conceptualización como uma capacidade social para aprender, pensar e actuar. A cultura é produto da evolução humana e elemento distintivo do Homo sapiens e, quiçá, a todas as espécies do género Homo, de outras espécies, e como uma adaptação particular às condições locais que tomam a forma de credos e práticas altamente variáveis. Por isto, a «cultura» não só trasciende a oposição entre a natureza e a consolidação; trasciende e absorve peculiarmente as distinções entre política, religião, parentesco, e economia européias como domínios autónomos. A antropologia por isto supera as divisões entre as ciências naturais, sociais e humanas ao explorar as dimensões biológicas, linguísticas, materiais e simbólicas da humanidade em todas suas formas.

O devir da antropologia durante o século XX

Neste apartado considera-se a consolidação da antropologia como uma disciplina por direito próprio. No entanto, não é, nem de longe, um edifício monolítico. Como todas as correntes de pensamento, se relaciona directamente com o contexto social no que se produz. Desta maneira pode-se entender a divergência entre as várias escolas nacionais da antropologia, que se foram consolidando durante os últimos anos do século XIX e a metade do século XX.

O desenvolvimento da sociologia e a etnología francesa

A antropologia francesa tem uma genealogia menos clara que as tradições inglesa ou estadounidense. Muitos comentaristas consideram falsamente a Marcel Mauss como o fundador da tradição antropológica francesa. Mauss era um membro do grupo do Annee Sociologique, a revista dirigida por seu tio Émile Durkheim e enquanto Mauss estudava a situação das sociedades modernas, Mauss e seus colaboradores (como Henri Hubert e Robert Hertz) recorreram à etnografía e filología para analisar as sociedades que não estavam tão diferenciadas como as nações-estado européias. Em particular, no Ensaio sobre os dons provar-se-ia de relevância permanente nos estudos antropológicos a respeito das redistribución dos bens e a reciprocidad.

No período de entreguerras, o interesse na França pela antropologia coincidia em movimentos culturais mais amplos como o surrealismo e o primitivismo que recorriam à etnografía como fonte de inspiração. Marcel Griaule e Michel Leiris são exemplos de pessoas que misturaram a antropologia e a vanguardia francesa. Neste período a maior parte do que se conhece como etnología se restringia aos museus, e a antropologia teve uma estreita relação com as investigações do folclore.

No entanto, foi sobretudo Claude Lévi-Strauss quem ajudou a institucionalizar esta ciência na França. Além da trascendencia do estructuralismo, Lévi-Strauss estabeleceu vínculos com antropólogos estadounidenses e ingleses. Ao mesmo tempo estabeleceu centros e laboratórios por toda a França para proveer de um contexto institucional para a antropologia enquanto treinava a estudantes influentes como Maurice Godelier ou Françoise Héritier que voltar-se-ia muito influente em sua escola. Muitas particularidades da antropologia francesa actual são consequência de que se pesquise em laboratórios privados mais que em universidades.

O culturalismo estadounidense

Os primeiros antropólogos estadounidenses viraram-se ao estudo dos indígenas de seu país. Na foto, uma jovem zuñi, povo de Novo México.

A corrente culturalista foi chamada dessa maneira pelo especial interesse que pôs na análise da cultura, a diferença da antropologia social britânica (interessada no funcionamento das estruturas sociais), e a etnología francesa desenvolvida por Émile Durkheim e Marcel Mauss.

Os pioneiros da antropologia estadounidense foram membros do staff do Bureau of Indian Affairs ('Agência de Assuntos Índios') e do Smithsonian Institution's Bureau of American Ethnology ('Agência de Etnología Estadounidense do Instituto Smithsoniano'), como John Wesley Powell e Frank Hamilton Cushing. A antropologia académica nos Estados Unidos foi estabelecida por Franz Boas, quem aproveitou seu posto na Universidade de Columbia e o Museu Americano de História Natural para treinar e desenvolver múltiplas gerações de estudantes.

A antropologia de Boas era politicamente activa e suspeitava das investigações do governo ou os mecenas. Também era rigorosamente empírica e céptica de generalizações e tentativas de estabelecer leis naturais. Boas estudou filhos de imigrantes para demonstrar que as raças biológicas não eram inmutables e que a conduta e o comportamento da cada grupo humano eram resultado de sua própria história e das relações que hubera estabelecido ao longo do tempo com seu meio social e natural, e não da origem étnica dos grupos ou leis naturais. Para Franz Boas raça, língua e cultura eram variáveis independentes que não podiam se explicar em relação com as demais.

Partindo da filosofia alemã, Boas (que era austriaco) sustentou a diversidade de culturas cuja evolução não podia ser medida com respeito à civilização européia. Boas propôs como premisa básica que a cada cultura devia ser estudada em sua particularidad; e que não era possível generalizar sobre culturas diferentes, tal como se tinha vindo fazendo na naciente antropologia por imitação das ciências naturais (Boas, 1964: Cap. III).

A primeira geração de estudantes de Boas incluiu a Alfred Kroeber, Robert Lowie e Edward Sapir. Eles produziram estudos muito detalhados que foram os primeiros em descrever aos índios da América do Norte. Ao fazer isso, deram a conhecer uma grande quantidade de detalhes que foram usados para atacar a teoria do processo evolutivo único. Seu énfasis nos idiomas indígenas contribuiu ao desenvolvimento da linguística moderna (começada por Ferdinand de Saussure) como uma verdadeira ciência geral.

A publicação do livro Anthropology (Antropologia), escrito por Alfred Kroeber, marcou um ponto finque na antropologia estadounidense. Depois de décadas de recopilación cresceram as vontades de generalizar. Isso foi mais evidente nos estudos sobre cultura e personalidade levados a cabo por boasianos como Margaret Mead (1967), Ralph Linton (1972) e Ruth Benedict (1964). Influenciados por Sigmund Freud e Carl Jung. Estes autores analisaram como as forças sócio-culturais forjam a personalidade individual.

O funcionalismo britânico

Arquivo:Zulu men eating 1920s.JPG
Os antropólogos britânicos especializaram-se no estudo das sociedades colonizadas pela Coroa britânica. Radcliffe-Brown dizia que a antropologia social tinha por objecto o conhecimento daquelas sociedades para apoiar a tarefa dos administradores coloniales. Na imagem, um grupo de zulúes comendo.

Teses centrais do funcionalismo

O funcionalismo inspirou-se na obra de Émile Durkheim. Apelava ao paralelismo estrito entre as sociedades humanas e os organismos vivos (Radcliffe-Brown, cap.8; Durkheim, 2000: cap. V), relativo à forma de evolução e conservação. Tanto nas estruturas sociais como nos organismos biológicos, a harmonia depende da interdependencia funcional das partes. As funções, à luz deste enfoque, são analisadas como obrigações (comportamentos necessários) nas relações sociais. A função sustenta a estrutura social, permitindo a coesão fundamental, dentro de um sistema de relações sociais.

Uma mirada histórica sobre o funcionalismo britânico

Enquanto o antropólogo particularista Franz Boas fazia questão de prestar atenção aos detalhes, em Grã-Bretanha a antropologia moderna foi formada mediante a rejeição de reconstrução histórica no nome de uma ciência da sociedade que se concentrava em analisar como se mantinham as sociedades no presente.

As duas pessoas mais importantes nesta tradição foram Alfred Reginald Radcliffe-Brown e Bronislaw Malinowski, quem lançaram suas obras seminales em 1922 . As investigações iniciais de Radcliffe-Brown nas ilhas Andamán foi realizada ao estilo antigo, mas depois de ler a Émile Durkheim publicou o relato de sua investigação (simplesmente titulado The Andaman Islanders) que estava muito influenciado pelo sociólogo francês.

Ao passar o tempo foi desenvolvendo um enfoque conhecido como funcionalismo estructuralista que se concentrava em como as instituições das sociedades procuravam balançar ou criar um equilíbrio no sistema social para que seguisse funcionando harmoniosamente. Malinowski, em mudança, defendia um funcionalismo que examinava a forma em que a sociedade funcionava para satisfazer as necessidades individuais. No entanto, Malinowski não é conhecido por esta teoria, senão por sua etnografía detalhada e seus avanços em metodología . Seu clássico Os argonautas do Pacífico Ocidental defendia a ideia de que há que obter "o ponto de vista do nativo" e um enfoque que procurava que os pesquisadores fizeram seu trabalho na sociedade correspondente, o qual se converteu o estandarte nesta disciplina (Malinowski 1973: Introdução).

Tanto Malinowski como Radcliffe-Brown tiveram sucesso graças a que, como Boas, treinaram activamente a seus estudantes e desenvolveram instituições que ajudaram a suas ambições programáticas, em especial no caso de Radcliffe-Brown, que espalhou seus planos para a antropologia social ensinando em universidades ao longo de todo o Mancomunidad Britânica de Nações. Desde fins dos anos 1930 até o período posguerra editaram-se uma série de monografías e volumes editados que estabeleceram o paradigma da antropologia social britânica. As etnografías mais famosas incluem Os Nuer, de Edward Evan Evans-Pritchard, e The Dynamics of Clanship Among the Tallensi por Meyer Fortes, enquanto os volumes mais conhecidos que foram editados incluem Sistemas africanos de parentesco e casal e Sistemas políticos africanos.

Funcionalismo, Funcionalismo estructuralista, Antropologia cognoscitiva, Antropologia simbólica e Ecología cultural

A teoria funcionalista viu à cultura como um elemento para satisfazer as necessidades do indivíduo na sociedade. A teoria funcionalista estructuralista acentuou a contribuição que fazem as diferentes partes do sistema social à manutenção da sociedade total.

A antropologia cognoscitiva interpreta à cultura como um programa para a conduta, mais que a conduta em si mesma, a antropologia simbólica enfatiza à cultura como um sistema compartilhado de símbolos e significados.

Os ecólogos culturais estão primariamente interessados na cultura ou os sistemas socioculturais entendendo-os como um sistema de conduta transmitido socialmente e que serve para ligar às comunidades a seus assentamentos naturais.

Antropologia e Etnografía soviética

Durante as sete décadas que durou a experiência socialista na extinta URSS, se desenvolveu um particular método de etnografía, em particular analisando o impacto da experiência socialista na cultura, bem como o estudo da diversidade cultural na URSS. Um de seus expoentes mais importantes é Pavel Ivanov Kouchner.

A antropologia em Latinoamérica

A antropologia latinoamericana enraíza na escola culturalista estadounidense de Boas. Um de seus alunos, Manuel Gamio, fundou a tradição antropológica mexicana, e o mesmo Boas deu classes nesse país.

Seu desenvolvimento como disciplina científica em quase todos os países do subcontinente está unida com a actividade estatal. De facto, no período compreendido aproximadamente entre os anos 1930 e 1970, em muitos países da América Latina fundaram-se instituições antropológicas paraestatales que tinham a função de planificar e desenvolver programas de desenvolvimento dirigidos à integração dos indígenas na sociedade nacional.

Posteriormente, durante a década de 1960 e até 1980 aproximadamente, a antropologia iberoamericana recebeu uma forte influência do marxismo, que se converteu na corrente dominante em muitas das instituições formadoras dos antropólogos iberoamericanos. O avanço da teoria marxista na antropologia da região pôs o énfasis da investigação social em questões relacionadas com o subdesarrollo, as comunidades camponesas, a questão indígena e sua exclusão com respeito ao resto da sociedade. Ao mesmo tempo, os antropólogos voltaram a mirada à cidade, interessados no fenómeno da rápida urbanización que se vivia em países como Argentina, Brasil, México e Peru; processo que ia acompanhado de um deterioro nas condições de vida das famílias citadas de primeira geração.

A antropologia em tempos modernos

Na década dos setenta, a antropologia ecológica tomou um grande impulso. Um dos mais clássicos exemplos desta corrente é Marvin Harris e o materialismo cultural, para quem os mais misteriosos comportamentos da humanidade (como o culto às vacas na Índia) podiam ser interpretados com base em razões práticas (Harris, 1996: cap I). Friedman (2003) resume a polémica surgida em torno deste tipo de trabalhos.

Dantes da Segunda Guerra Mundial a antropologia social britânica e a antropologia cultural estadounidense mantinham posturas diferentes sobre seu método e concepção da antropologia. Depois da guerra, acercar-se-iam até criar uma antropologia sociocultural.

Nos anos 1950 e a metade da década seguinte a antropologia tendeu a modelar-se seguindo a ciência natural. Alguns, como Lloyd Fallers ou Clifford Geertz, se concentraram nos processos de modernização através dos quais desenvolver-se-iam os novos Estados independentes. Outros, como Julian Steward ou Leslie White estudaram a forma em que as sociedades evoluem sobre seu ambiente ecológico —uma ideia popularizada por Marvin Harris—.

A antropologia económica, influenciada por Karl Polanyi e desenvolvida por Marshall Sahlins e George Dalton realçaram as debilidades conceptuais da economia tradicional para abordar os mecanismos de exploração e distribuição dos bens nas sociedades precapitalistas. Acusavam que as teorias ortodoxas ignoravam os factores culturais e sociais nestes aspectos da esfera económica social, e que por tanto, seus preceitos não eram universais. Na Inglaterra, o paradigma da Sociedade Britânica de Antropologia foi escindido quando Max Gluckman e Peter Worsley se inclinaram para o marxismo. O mesmo ocorreu no momento que Rodney Needham e Edmund Leach incorporaram o estructuralismo de Lévi-Strauss a sua análise antropológico (por exemplo, na faz Cultura e comunicação... do primeiro autor).

O estructuralismo também influiu em certas investigações nos anos sessenta e setenta, incluindo a antropologia cognitiva e a análise de componentes. Autores como David Schneider, Clifford Geertz, e Marshall Sahlins elaboraram um conceito mais laxo da cultura como rede de símbolos e significados, a qual se voltou muito popular dentro e fora da disciplina. Adaptando a seu tempo, certos grupos de antropólogos voltaram-se mais activos em política, sobretudo depois da guerra de independência argelina e sua oposição à guerra do Vietname. Nesse contexto, o marxismo voltou-se um dos enfoques mais difundidos na disciplina.

Na década dos anos 1980 a questão do poder analisada por Eric Wolf na Europa e os povos sem história— foi central na disciplina. Livros como Anthropology and the Colonial Encounter consideraram os vínculos entre a antropologia e a inequidad colonial, ao mesmo tempo em que a ampla popularidade de teóricos como Antonio Gramsci e Michel Foucault chamaram a atenção para os temas do poder e a hegemonía. O género e a sexualidad converteram-se em temas centrais. O mesmo ocorreu com a relação entre história e antropologia, relação analisada por Marshall Sahlins, que levou a Lévi-Strauss e Fernand Braudel a examinar a relação entre a estrutura social e o agente individual.

No final dos oitenta autores como George Marcus e Clifford Geertz questionaram a autoridade etnográfica, particularmente no como e o por que é possível o conhecimento e a autoridade da antropologia. A crítica destes autores centra-se na suposta «neutralidade» dos etnógrafos. Faz parte da tendência posmodernista contemporânea. Nos últimos anos (1990–2006) os antropólogos têm prestado mais atenção à medicina e biotecnología, a globalização, os direitos indígenas e a antropologia urbana. É importante assinalar que, em especial, os dois últimos temas (direitos indígenas e antropologia urbana) se encontravam presentes na discussão antropológica dos países latinoamericanos. Como exemplo temos a análise da cultura da pobreza, empreendido por Oscar Lewis na cidade de México na década dos cinquenta, e os trabalhos da corrente indigenista latinoamericana surgida a partir da década de 1930 e que conclui com o México profundo de Guillermo Bonfil.

Ética, política e antropologia

Alguns problemas éticos surgem da singela razão de que os antropólogos têm mais poder que os povos que estudam. Argumentou-se que a disciplina é uma forma de colonialismo na qual os antropólogos obtêm poder a expensas dos sujeitos. Segundo isto, os antropólogos adquirem poder explodindo o conhecimento e os artefactos dos povos que pesquisam. Estes, por sua vez, não obtêm nada a mudança, e no cúmulo, levam a perdida na transacção. De facto, a chamada escola britânica esteve unida explicitamente, em sua origem, à administração colonial.

Outros problemas são derivados também do énfasis no relativismo cultural da antropologia estadounidense e sua velha oposição ao conceito de raça. O desenvolvimento da sociobiología para finais da década de 1960 foi objetado por antropólogos culturais como Marshall Sahlins, quem argumentava que se tratava de uma posição reduccionista. Alguns autores, como John Randal Baker, continuaram com o desenvolvimento do conceito biológico de raça até a década de 1970, quando o nascimento da genética se voltou central nesta frente.

Recentemente, Kevin B. McDonald criticou a antropologia boasiana como parte da estratégia judia para acelerar a imigração em massa e destruir a Occidente (The Culture of Critique, 2002). Enquanto a genética tem avançado como ciência, alguns antropólogos como Luca Cavalli-Sforza têm dado actualizado o conceito de raça de acordo com as novas descobertas (tais como o traço das migrações antigas por médio do DNA da mitocondria e do cromosoma E).

Por último, a antropologia tem uma história de associações com as agências governamentais de inteligência e a política antibelicosa. Boas recusou publicamente a participação dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, o mesmo que a colaboração de alguns antropólogos com a inteligência dos Estados Unidos. Em contraste, muitos antropólogos contemporâneos de Boas foram activos participantes nesta guerra de múltiplas formas. Entre eles se contam as dúzias que serviram no Escritório de Serviços Estratégicos e o Escritório de Informação de Guerra. Como exemplo, tem-se a Ruth Benedict, autora do crisantemo e a espada, que é um relatório sobre a cultura japonesa realizado a pedido do Exército dos Estados Unidos.

Em 1950 a Associação Antropológica Estadounidense (AAA) proveyó à CIA informação especializada de seus membros, e muitos antropólogos participaram na Operação Camelot durante a guerra do Vietname.

Por outro lado, muitos outros antropólogos estiveram sumamente activos no movimento pacifista e fizeram pública sua oposição na American Anthropological Association, condenando o involucramiento do grémio em operações militares encobertas. Também se manifestaram na contramão da invasão a Iraque, ainda que ao respecto não tem tido um consenso profissional nos Estados Unidos.

Os colégios profissionais de antropólogos censuran o serviço estatal da antropologia e suas deontologías podem-lhes impedir aos antropólogos dar conferências secretas. A Associação Britânica de Antropologia Social tem qualificado certas bolsas eticamente perigosas. Por exemplo, tem condenado o programa da CIA Pat Roberts Intelligence Scholars Program, que patrocina a estudantes de antropologia nas universidades dos Estados Unidos em preparação a tarefas de espionagem para o governo. A Declaração de Responsabilidade Profissional da American Anthropological Association afirma claramente que «em relação com o governo próprio ou anfitrião (...) não devem se aceitar acordos de investigações secretas, reportes secretos ou relatórios de nenhum tipo».

Veja-se também

Notas

  1. Péron escibió um tratado chamado Observations sul l’anthropologie, ou l’Histoire naturelle de l’homme, a nécessité de s’occuper de l’avancement de cette science, et l’importance de l’admission sul a Flotte du capitaine Baudin d’um ou de plusieurs Naturalistes, spécialement chargés dês Recherches à faire sul cet objet., publicado em Paris em 1800.
  2. A etnografía consiste na recopilación e sistematización de evidências das formas de vida dos grupos humanos que são pesquisados por um ántropólogo. Constitui mais bem uma forma do trabalho de campo que uma disciplina em si, ainda que há antropólogos especializados na construção de etnografías (Barfield, 2000: 211-215).
  3. Palerm, 1974.
  4. O conde de Buffon pensava, entre outras coisas, que existe uma relação directa entre a diversidade física dos humanos, o médio ambiente e os diversos temperamentos e maneiras de ser dos povos. É uma ideia que se conhece como determinismo ecológico, recusada pela antropologia (Todorov, 1989: 127).
  5. San Martín (1995: 18-19) propõe que ao se romper o esquema do pensamento medieval, os renacentistas empreenderam a busca de novos modelos. Isto implicou entornar a atenção para outros povos com os que começaram a ter contacto e, especialmente a volta aos clássicos da Antigüedad.
  6. Helmuth, Laura. «Hominids’ African Origins, 50 Years Later». Smithsonian.com. Consultado o 26 de junho de 2010.
  7. A AAA é uma entidade que agrupa aos antropólogos nos Estados Unidos, onde a Antropologia tem tido um importante desenvolvimento. A Antropologia cultural corresponde no esquema da AAA ao que nos países britânicos se chama Antropologia social e, dentro da tradição francófona, Etnología. Sobre a definição da AAA para a Antropologia e seus campos, cfr. AAA, 2010.
  8. Barfield (coord.), 2000: 25-30
  9. Greene, 2002: 14-16.
  10. Manzanilla, 2003: 9-11.

Referências

Enlaces externos

Wikcionario

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