A Arqueologia cognitiva é um ramo do estudo arqueológico iniciada com a Nova Arqueologia ou Arqueologia procesual que pretende conhecer não só o pensamento de nossos antepassados (o que), senão o sistema cognitivo que com o passo do tempo tem ido se desenvolvendo e compondo as capacidades que conformam o entresijo do comportamento humano (o como);[1] para isso utiliza principalmente os restos materiais.
Conteúdo |
Os novos métodos interpretativos têm ido cobrando uma forma sólida ao longo das últimas décadas do século XX (veja-se cita-a anterior) obrigado, pelo geral, à Arqueologia procesual ao centrar no conhecimento das causas dos avanços e mudanças culturais. Ainda que dentro do próprio movimento arqueólogos como Lewis Binford recusassem os estudos cognitivos pelos considerar próximos à Psicologia, outros como Colin Renfrew propuseram estudar os possíveis processos mentais que conduzem à conduta baixo um estudo de tendência objectiva.
Mas o estudo da cognición leva consigo dois problemas que a Arqueologia procesual não tem podido solucionar:[1]
Ante a imposibilidad de evitar a subjetividad, a Arqueologia postprocesual ou Arqueologia interpretativa abandonou o entendimento da cognición e, em resposta ao falhanço da existência de leis do pensamento globais, interpretaram o comportamento humano centrando-se em contextos detalhados e particulares (claro que isto não supõe um método que ponha travão ao subjetivismo).
Em uma tentativa por recuperar um sistema de leis gerais o Estructuralismo de Lévi-Strauss definiu a existência inconsciente de umas estruturas gerais de funcionamento determinantes na conduta. Assim, o Estructuralismo realiza uma interpretação objectiva que resta importância ao sujeito e pretende entender a percepción da realidade da cada grupo social.
Em general, a Arqueologia cognitiva baseia-se nos princípios estructuralistas da existência de um modelo psicobiológico encarregado de reger o pensamento global; uma vez o pesquisador indaga o factor comum desenvolve-se e fica enredado na complexidade.
A natureza biológica e cultural do humano fica reduzida nos quatro pontos deste modelo cuja intenção é compreender a origem e desenvolvimento das formas conductuales graças à interdisciplinariedad entre a Biologia evolutiva, a Neurología, a Psicologia e a Sociologia:
Enquanto os historiadores da arte encarregam-se de analisar as obras que nos chegaram das sociedades passadas ou os historiadores das fontes escritas, que há daquelas populações que não nos deixam ver seu presente tão claro através destes meios simbólicos? Neste caso, que compreende geralmente as primitivas, a Arqueologia cognitiva serve para conhecer em certa medida sua forma de pensamento.
A Arqueologia cognitiva, de enfoques interdisciplinarios (Linguística, Psicologia, Biologia evolutiva, Neurología, Sociologia), pode definir-se como "o estudo arqueológico que, apoiado pelos fundamentos do modelo psicobiológico, tenta compreender a origem e desenvolvimento da conduta simbólica humana ao longo de seu processo evolutivo. A conduta pode entender-se como a resposta que oferece o indivíduo, por médio de seus processos cognitivos ou mentais, aos estímulos sócio-culturais e ambientais que sente ou recebe do médio onde vive. A acção humana e seu pensamento estão estreitamente relacionados, pelo que o conhecimento de um de seus componentes pode nos servir para analisar o outro (Rivera, 1998, 2002, 2005).[4] "
No entanto, existem dúvidas sobre se a informação que contribui o registo arqueológico é suficientemente acertada e evidencial quanto à explicação do desenvolvimento das capacidades cognoscitivas. Claro que, ao estudar a conduta primitiva e a comparar com os diferentes graus da evolução anatómica, é possível obter informação sobre o grau de desenvolvimento (por exemplo, com o tamanho do cráneo e o tamanho do cérebro que pode albergar). Para isso é necessário um enquadre metodológico.
Os elementos culturais, pelo geral, são inicialmente simples e o passo do tempo faz que passem a um estatus de complexidade. Estes se transmitem dentro de uma sociedade às seguintes gerações por médio das formas culturais da cada período. Até aqui a ideia de uma estrutura geral fica estabelecida mas há que reconhecer que, graças a trabalhos etnológicos, ao longo da história se foram desenvolvendo pensamentos de maneira diferente em função do lugar ou do tempo.
O exemplo mais evidente que explica a diferença entre a existência de uma estrutura geral e seu desenvolvimento particular e diferente é o sistema simbólico da linguagem e a fala. Enquanto, em grandes dimensões, utiliza-se para transmitir a cultura entre os próprios membros de uma sociedade ou estabelecer vínculos entre sociedades, dentro da cada população os significantes e significados podem variar abismalmente se comparam-se com outras. Mas a linguagem é, ademais, um dos inícios da mudança cognitivo que oferece ao humano uma habilidade especial de autoconciencia, percepción do espaço e o tempo, elaboração de ideias, etc. Tendo em conta que os conceitos podem (normalmente é assim) se desenvolver de maneira diferente na cada grupo humano, as criações culturais tomam caminhos diferentes e diversificados de tal modo que o desenvolvimento das capacidades cognitivas difere em infinitos campos populacionais. Assim, a Arqueologia cognitiva se serve dos yacimientos arqueológicos para conhecer as condutas humanas já que a evidência mateiral tende a ser um reflito destas; por tanto, esta base metodológica utiliza-se para interpretar a conduta humana plasmada no registo arqueológico por médio das considerações do modelo psicobiológico: por exemplo, um desenvolvimento cognitivo baixo (pensamento não simbólico) significa que a influência dos factores medioambientales é bem mais elevada que em um desenvolvimento cognitivo alto (pensamento simbólico) que, ao ter mais aptidões sociais, tecnológicas ou culturais, se adapta e desenvolve muito melhor no médio em que viva, consequência que fica manifestada e registada na evidência arqueológica.[5]