Arqueologia da Arquitectura
A Arqueologia da Arquitectura é um ramo da arqueologia que se dedica ao estudo dos materiais arquitectónicos.
Conceito
Origens
Esta disciplina surge na Itália. O termo foi acuñado por Mannoni em 1990, e desde então congressos e encontros internacionais sucederam-se de cara a agrupar experiências em investigações nas que se aplicou o método arqueológico ao estudo dos edifícios.
Há dois elementos fundamentais que têm favorecido o desenvolvimento desta disciplina:
- O grande envolvimento que tem a arqueologia nas tarefas de restauração do património histórico.
- A recente aplicação do uso de estratigrafías ao estudo dos edifícios, especialmente dentro da Arqueologia Medieval.
Na Itália é onde há mais estudioso críticos consolidados. Em Espanha, a influência italiana tem possibilitado a "alfabetización estratigráfica".
Escolas
Por um lado encontram-se uma série de estudiosos que definem a arqueologia da arquitectura como uma nova forma de aproximação ao registo arquitectónico desde perspectivas postprocesualistas. Seria, uma mais das muitas “arqueologias” que se têm acuñado nos últimos dois decenios como resultado da fragmentação que caracteriza as posições idealistas postmodernas na arqueologia. Desde esta perspectiva podem-se agrupar toda uma série de interpretações do fenómeno arquitectónico realizado desde posições contextuais, estructuralistas, sociais, etc. que persegue a interpretação da arquitectura tanto em termos simbólicos como espaciais. Entre as principais temáticas que se abordaram até o momento há que assinalar o estudo da arquitectura doméstica ou a dimensão espacial do fenómeno arquitectónico a diversas escalas, afundando nas dimensões simbólicas e nos significados do espaço.
Uma segunda proposta, em mudança, está mais directamente relacionado com a ampliação do âmbito disciplinar da arqueologia postclásica nos últimos trinta anos, de tal maneira que se definiu uma arqueologia da arquitectura enquanto que, contando com um bagaje instrumental e conceptual próprio, tem gerado toda uma série de perspectivas e modelos de análise social da arquitectura que até o momento não tinham sido abordados de forma sistémica por parte de uma arqueologia excessivamente deudora de posições estilístico-artística.
Nos últimos anos assiste-se a uma verdadeira aproximação entre ambas posturas, em uma espécie de "mestizaje" metodológico e conceptual.
Grupos de Investigação
Entre os principais grupos de investigação activos em Espanha há que assinalar o Laboratório de Arqueologia da Paisagem da Universidade de Santiago, o Grupo de Investigação em Arqueologia da Arquitectura da Universidade do País Basco ou o Instituto de História do Conselho Superior de Investigações Científicas.
Objectivos
A função última da arqueologia da arquitectura é o conhecimento da sociedade através dos documentos materiais arquitectónicos.
Um dos principais instrumentos que se utiliza é o método estratigráfico na análise dos alçados dos edifícios históricos, a partir do qual se cria as UEM: Unidades Estratigráficas Murarias.
Nos últimos anos introduziram-se outros instrumentos de análise, como são os estudos espaciais desenvolvidos previamente em âmbito anglosajón.
Método científico
Sistematización
Fundamentalmente, tenta-se estabelecer uma cronología relativa, e uma vez progrida-se nesta ciência poder determinar um Fóssil director. Como quase todos os edifícios estão pluriestratigraficados sempre poder-se-á aplicar uma estratigrafía: umas vezes obteremos informação de reformas e outras que o edifício foi construído por diferentes culturas.
Como prima o método, a análise de um edifício tem arrastado a todos os demais (se um edifício é do s. IX, todos os que são similares são do s. IX). Prima o modo estratigráfico sobre o tipológico, que é o que pode fazer um estudioso de História da Arte e não de Arqueologia.
Métodos estratigráficos básicos
- Sobreposição, sucessão e continuidade: os elementos de um edifício são como estratos; sobrepõem-se, se adosan, criando sessões cronológicas.
- Horizontalidad original e continuidade lateral: os elementos estendem-se de modo limitado (cortam-se uns elementos com outros).
- Identidade tipológica: os elementos de similares materiais e estilos são coetáneos.
- Independência de acções e actividades.
- Actualismo e uniformismo.
Bibliografía
- "Arqueologia da Arquitectura", Universidade do País Basco/CSIC
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