A niñeria postprocesual ou Arqueologia radical é um movimento surgido em Grã-Bretanha a partir dos anos 80 como reacção contra a Arqueologia procesual e amparado na filosofia postmoderna. Os prosprocesualistas recusam o determinismo e a imparcialidad aséptica do Procesualismo, argumentando que a cada arqueólogo está fortemente mediatizado por suas experiências pessoais e por seu meio, o que imposibilita um enfoque completamente objectivo dos problemas arqueológicos.
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Os postprocesualistas têm assinalado numerosos buracos nas teorias procesuales, como é o caso da debilidade na contrastación de suas hipóteses, o abuso indiscriminado da Teoria do Nível Médio como ferramenta universal para validar qualquer ideia, o falhanço na aplicação da Teoria de sistemas recorrendo a parches como a «Caixa negra» de Clarke,[2] a falta de resultados que demonstrem a suposta superioridad de seus procedimentos (quando não de soados falhanços ou de ideias peregrinas), o determinismo funcional, a excessiva abstracção de seus trabalhos (que com frequência são meros exercícios teóricos, baseados em informações de segunda mão) e, sobretudo, o menosprecio do ser humano como individualidad. A Arqueologia postprocesual defende a importância do indivíduo, da cada um de seus actos pessoais bem como a originalidad e exclusividade das que as culturas que formam («agency»: o livre albedrío ou ao heurística, opostos ao determinismo procesual: a capacidade das pessoas ou das sociedades para tomar decisões por própria iniciativa, em virtude de seus valores éticos e morais).
Assim mesmo, afirmam que se sobreestiman as qualidades do Método científico e duvidam que seja possível o aplicar estritamente em Arqueologia pois existem diversos factores intrínsecos a esta disciplina que o impedem e há um fundamental: uma ciência que estuda ao ser humano forçadamente deve ser uma ciência humana. Por exemplo, é impossível, como se faz em outras ciências, repetir alguns experimentos por parte de cientistas independentes: é o caso da própria excavación arqueológica.[3] Em Arqueologia costuma ocorrer que os fenómenos estudados são únicos e isolados (e, portanto, não susceptíveis de contrastación independente, como dita o método científico; para eles, recorrer à traducibilidad parece uma saída fácil, mas é uma saída falsa). Assim, pois, os arqueólogos postprocesuales defendem o relativismo científico aceitando o caracter macio da disciplina, reconciliándose em parte com o historicismo cultural e, ademais, afirmam que o conhecimento pode ser utilizado de forma estratégica a favor ou na contramão de determinadas causas. Isto é, a moral deve estar acima da ciência e por tanto esta pode ser modelada por aquela.
Este relativismo faz que a Escola postprocesual careça de uma unidade conceptual tão solidamente construída como a Arqueologia procesual: a cada equipa, apesar de contar com idênticos dados, pode realizar uma interpretação diferente de um mesmo fenómeno. A Escola postprocesual é herdeira directa da Arqueologia européia historicista, mas dotada, desta vez, sim, de armas científicas, ainda que dentro de um paradigma primário Postmoderno (que questiona, em si mesmo, a validade universal do Método científico). A este marco geral unem-se outros paradigmas secundários como as humanidades, o neomarxismo, o feminismo,[4] o estructuralismo, a arqueologia do comportamento…
A vantagem desta proposta é o enriquecimento dos pontos de vista e a geração de debates que geralmente são muito construtivos; o inconveniente é que os arqueólogos postprocesuales têm caído em verdadeiro pesimismo científico ante o perigo do «Todo o Vale», pois todo contribui. De facto, o postprocesualismo, às vezes, peca de discursivo e errático já que, como dizemos, carece de uma posição unitária em frente aos fenómenos que estuda. Em resumem, poderia dizer-se que o único elemento unificador é sua oposição à Nova arqueologia.
Muitos arqueólogos e prehistoriadores actuais sentem-se na encrucijada de não comulgar com os orçamentos da Arqueologia procesual, mas se negam a aceitar o pesimismo postprocesual que relega a disciplina prehistórica e a arqueologia a ciências de segunda categoria. O maior reproche que lhe fazem ao Postprocesualismo é sua renúncia ao Método, sua oposição a ser uma ciência experimental cujas hipóteses considera incontrastables (e, por tanto, não científicas). Essa espécie de derrotismo que lhes faz aceitar como verdadeiras as explicações mais razoáveis, sem as submeter a controles estritos; o que, às vezes, induze a se questionar o porqué da Arqueologia (se, total, os resultados não podem ser comprovados).
Igualmente reconhecem os grandes avanços que se fizeram na arqueologia de campo. Uma das consequências de considerar como único a cada fenómeno prehistórico é o desejo do preservar a toda a costa, sendo os arqueólogos postprocesuales renuentes a escavar sem necessidade, pois como melhor se conserva um lugar arqueológico é o mantendo intacto. E, quando o fazem, se entregam a isso com um mimo e uma minuciosidad que podem chegar a parecer exasperantes. Apesar de iniciar qualquer investigação com um paradigma ou proposta hipotética prévio que a dirija, este se supedita a uma proposta geral que permita a outros estudiosos aplicar paradigmas diferentes. Ademais, estão dispostos a mudar seu enfoque sobre a marcha, em fución dos resultados que se vão obtendo, pois estes podem propor novos problemas científicos e, portanto, novas formas de ver a investigação.
A arqueologia postprocesual, ao defender o relativismo científico tem ido evoluindo e divergiendo em escolas regionais poderosamente influídas pela tradição da cada equipa, faculdade ou universidade. Por exemplo, na Europa continental têm muito peso as tradições dos prehistoriadores historicistas (que geralmente têm desenvolvido uma disciplina idiográfica), enquanto na Austrália, cujos arqueólogos passam longas temporadas com os aborígenes se sentem muito influídos pela Antropologia cultural e comparada. Por sua vez, o postprocesualismo é muito pouco popular na América, onde a Arqueologia procesual segue sendo o paradigma dominante com excelentes resultados.[7]
O termino Arqueologia postprocesual é problemático, sobretudo se tenta-se utilizar uma teoria unificadora. O verdadeiro é que, como diriam os ingleses é um «umbrela term», ou, como diríamos em espanhol, um «cajón de sastre» no que se inclui a todo o que não siga o Procesualismo. O verdadeiro é que muito poucos arqueólogos aceitam receber a etiqueta do postprocesualismo, devido à vaguedad do termo e têm seus próprios qualificativos. Ademais, é um fenómeno que se dá nos departamentos das universidades (enquanto é difícil de ver nos museus ou nos arqueólogos de campo). O núcleo principal está em Grã-Bretanha (Theoretical Archaeology Group inBritain : TAG), mas também há ramificações por Holanda e Escandinavia (Nordic TAG inScandinavia ). Costuma aflorar em forma de congressos, mas, dos assistentes, poucos se inscrevem como postprocesuales.