A arquitectura de Mesopotamia faz referência às características comuns das construções desenvolvidas na cuenca dos rios Tigris e Éufrates desde o assentamento dos primeiros pobladores para o VII milénio a. C. até a queda do último Estado mesopotámico, Babilonia.
Os mesopotámicos construíam sem morteiro, e quando um edifício já não era seguro ou não cumpria sua tarefa se derrubava e voltava a construir na mesma localização. Ao longo dos milénios esta prática deu lugar a que as cidades mesopotámicas se encontrassem elevadas em suaves colinas sobre o território que as circundava; a estes promontórios chama-se-lhes tells.
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Dada a importância da vida terrenal bem como a preocupação pela morte, as edificaciones mais representativas eram o templo e o palácio. No entanto, como em toda a sociedade tinham grande importância as moradias, urbanas ou não, e os sistemas de defesa.
Fosse qual fosse o sistema construtivo eleito, nem no centro nem no sul de Mesopotamia se utilizaram alicerces, dado o pantanoso dos terrenos.[1]
A arquitectura mesopotámica tem passado à História como um sistema de muros de ónus. Utilizavam arcos e abóbadas que construíam sem cimbra, apaisando os tijolos para que não caíssem ao ser colocados, ou recheando o espaço entre dois muros de varro e palha até que a abóbada estivesse terminada; este sistema dava lugar a espaços estreitos e longos. Para isto utilizavam em tijolo, que inventaram ao igual que o arco, e o adobe. Esmaltaban os tijolos para grandes ocasiões, e compunham mosaicos pintados em vivas cores. Os muros portantes não permitiam janelas, e a luz era cenital.
Com este método de abóbadas construiu-se, por exemplo, a Porta de Ishtar em Babilonia , e sobreviveu até a Idade Média, sendo utilizado e perfeccionado pelos bizantinos.
Não obstante, também construíram com vigas e pilares, sendo habituais em construções monumentales as colunas do apreciado cedro das montanhas do Líbano. Conhece-se das culturas mesopotámicas o capitel eolio, uma das influências das ordens gregas.
Com este sistema construía-se a estrutura baseando-se também em um muro portante e de fechamento exterior, apoiando as vigas nele e em uns pilares de madeira interiores, que se aproveitavam para situar o perímetro do pátio. A repetição deste método criava o edifício, recheando-se os ocos e a coberta ou teto de adobe.
O urbanismo regulado esteve presente a algumas cidades, como a Babilonia de Nabucodonosor II, maioritariamente em damero. Pode dividir-se em três grupos, associados a sua vez a três tipos culturais. Em qualquer deles há que distinguir uns elementos planeados e outros (o grosso residencial, dividido em bairros) que não. Observaram-se grandes diferenças entre as parcelas e as moradias de um mesmo bairro, propondo-se a hipótese de que alguns bairros podem responder dantes uma determinada moradia, de maior posição, ou a servir.
Típico do sul de Mesopotamia, cujas populações (Ur, Uruk, Lagash, etc.) converteram-se cedo em cidades-Estado. Parecem nascer de uma primitiva cidade-tempero de contorno ovalado e traçado ortogonal, protegida por torres defensivas e fossos. O templo, em uma posição central e que costuma ser um zigurat, domina toda a cidade.
É o urbanismo da zona central de Mesopotamia, e reúne qualidades tanto do urbanismo do norte como do sul. O templo coloca-se no centro da cidade, mas as fortalezas e os palácios dispõem-se junto às muralhas. A cidade ordena-se mediante uma série de ruas principais, como a Avenida das Procissões de Babilonia, que delmitan uns bairros cujo crescimento não está planeado.
Deu-se no norte de Mesopotamia e é o mais rigoroso. As cidades, amuralladas e com fossos navegables, colocam seus edifícios públicos (palácios e templos) em suas bordas, em forma de torres ou fortalezas; exemplo disso é o complexo palaciego de Sargón II em Dur Sharrukin.
Quanto às obras de engenharia, destaca a extensísima e antiga rede de canais que uniam os rios Tigris, Éufrates e suas afluentes, propiciando a agricultura e a navegação. Os mesopotámicos remontaram a construção dos primeiros às épocas prévias ao Diluvio, quando a Terra estava ocupada pelos "deuses" (as criaturas que tinham chegado do espaço e que conformaram sua religião); atribuindo a Ea-Enki sua construção.
Outras obras destacables são os portos fluviales, como os da cidade de Ur, remetidos nas muralhas e a forma da cidade, e as pontes, como o que unia os dois lados da Babilonia caldea.