Chama-se estilo románico em arquitectura ao resultado da combinação razonada e harmônica de elementos construtivos e ornamentales de procedência latina, oriental (bizantinos, sírios, persas e árabes) e setentrional (celtas, germánicos, normandos) que se formou na Europa cristã durante os primeiros séculos da baixa Idade Média.
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Recebe o nome de románica por coincidir sua floração com o aparecimento das línguas románicas ou romances. Outras fontes afirmam que foi no século XIX quando o arqueólogo Charles de Gerville deu este nome à arquitectura cristã ocidental dos séculos V ao X, por alusão à arquitectura romana, na que se supunha que se tinha inspirado.
A época em que se considera que se desenvolve o estilo románico compreende nos séculos XI e XII, sem exclusão de outros séculos anteriores e posteriores, pois ainda que alguns edifícios do século X talvez já possam se qualificar de románicos, se erigieron outros verdadeiramente tais em diversas zonas (especialmente, nas Astúrias e Galiza) durante a época gótica até quase atingir o Renacimiento.
A divisão mais comum que pode manter do estilo Románico é entre o Románico singelo e o Románico de transição dando a este segundo grupo um valor secundário e o considerando como uma variante do primeiro, com tal de incluir nele os edifícios de aspecto románico que ostenten alguns arcos ojivales ou apontados sem se cobrir com abóbadas de crucería. Este segundo grupo começa no século XI mas não se faz comum até mediados do mesmo século e inclusive então coexiste com o primeiro.
Cabe também distinguir por outro conceito o estilo Románico em duas variantes, com os nomes de singelo e florido, pois se observa que na primeira época do estilo, até já entrado no século XII, se apresentam os edifícios com relativa singeleza nos adornos de portas e janelas e com verdadeiro aspecto de pesadez e tosquedad, que vão perdendo à medida que avança dito século; mas não pode se estabelecer isto como uma norma constante, por obedecer a muito diferentes causas: regionais ou locais, a perfección e elegancia própria da cada construção, ou por corresponder sua filiación a diferente escola artística. Não obstante, a divisão entre Románico singelo e Románico florido servirá em multidão de casos para determinar a cronología dos edifícios deste tipo em uma mesma região ou localidade que tenha de se estudar; e desde depois podem-se atribuir em Espanha ao segundo grupo (correspondente em meados do século XII até bem entrado o seguinte) os edifícios románicos que ostenten exuberancia ornamental ou grande finura de execução dos detalhes.
Entre os elementos arquitectónicos que destacam no estilo Románico os mais característicos do mesmo são:
A seguir outros dos elementos arquitectónicos próprios o estilo:
A planta típica de uma igreja románica é a basilical latina com três ou cinco naves e cruzeiro de braços salientes. No testero ou cabeceira, que sempre olha a oriente, se acham três ou cinco ábsides semicirculares de frente ou formando coroa, levando a cada um deles três janelas em seu muro. E nos pés ou entrada do templo alça-se um pórtico ou nártex flanqueado por duas torres quadradas. Mas bem como as igrejas rurais ou menores só constam de uma singela nave e um ábside sem cruzeiro saliente e sem torres junto à portada, assim as maiores sobretudo, as de grandes monasterios ou os santuários visitados por numerosas peregrinaciones costumam oferecer muito amplo o transepto e cruzeiro, como também têm prolongadas as naves laterais em torno da capilla maior constituindo a girola ou nave semicircular que dá passo a diferentes capillas absidiales, abertas em torno dela a modo de coroa. Algumas igrejas têm os braços do cruzeiro convertidos em sendos ábsides que com o central formam uma espécie de grande trifolio. As igrejas de templarios e de outras ordens caballerescas afines acham-se, pelo comum, sobre planta poligonal ou circular e são de escassas dimensões. Assim mesmo, existem pequenos oratorios de planta circular que foram capillas funerarias ou que estiveram unidas a fortificações como oratorios militares e não faltam outras que seguindo o estilo ou inspiração bizantina se dispõem a modo de cruz grega e de cuadrifolio.
Suporte-los característicos de um edifício románico são o pilar composto e o estribo ou contrafuerte aderido exteriormente ao muro. Os contrafuertes têm por objecto reforçar os muros e servir ao mesmo tempo de estribo ou contrarresto aos arcos e abóbadas (serviço que também prestam os pilares compostos): são visíveis ao exterior, lisos e de forma prismática. Mas quando se aderem aos ábsides aparecem frequentemente a modo de colunas que sustentam o alero. Os muros estão formados de sillarejo ou de sillares desiguais com pouca regularidade nas hiladas.
O referido pilar monta ordinariamente sobre um zócalo cilíndrico ou de pouca altura e compõe-se de uma pilastra simples ou composta que leva adosadas à cada frente ou a algum deles uma ou duas colunas semicilíndricas (ou em vez destas, outras pilastras mais estreitas) com objecto de dar pé aos arcos formeros e aos transversais ou fajones. Ditas colunas têm baseia e capitel igualmente adosados ao núcleo central prismático. Há também colunas exentas e pareadas, de duas em duas, ou de quatro em quatro mas não se acham destas formas ordinariamente senão nos claustros, pórticos, galerías e ajimeces.
Os capiteles románicos oferecem especial interesse pelo variado de suas formas e pelas curiosísimas labores com que costumam se decorar. Alguns deles conservam reminiscências clássicas de sabor corintio degenerado mas em sua grande maioria se formam de um grosso prisma ou de um tronco piramidal ou de cone investido em cujas frentes leva esculpidas labores geométricos entrelazadas ou motivos vegetales que em forma de folhas lhe rodeiam ou assuntos simbólicos e históricos. Vai coroado o capitel por um ábaco grosso, denominado cimacio, o qual se acha quase sempre decorado com molduras ou outros ornamentos próprios do estilo e frequentemente leva por sua vez inferior uma série de modillones quadrados que parecem almenas. Nas colunas geminadas ou yuxtapuestas costuma cobrir o ábaco a todo o grupo delas unindo assim seus capiteles.
Baseia-las das colunas têm a forma toscana ou ática mas com o touro inferior largo e aplastado e costumam levar nas enjutas ou ângulos do plinto uma figurilla caprichosa ou bem uma garra que aparenta sujeitar com o plinto a moldura curva ou touro que nele descansa. No século XII se ornamentan frequentemente baseia-las com diferentes labores próprios do estilo o qual já se usou alguma vez na arquitectura visigoda (e bem mais na romana) segundo se observa na igreja de San Pedro da Nave.
Os arcos de construção apoiam-se imediatamente sobre o referido ábaco e são de médio ponto ou peraltados e quase sempre dobros ou triplos, isto é, que a cada um deles consta de dois ou três semianillos aderidos um embaixo de outro sendo mais largo o de em cima. Quando se enfeita com molduras propriamente ditas, se denuncia a segunda época do estilo e se apresentam elas em forma de um baquetón grosso, bordeando o canto do arco. Próprio assim mesmo da segunda época (século XII) é o arco apontado, também chamado ojival, que às vezes se acha em edifícios románicos como médio construtivo para diminuir o empurre lateral (sem que por isto seja indício de estilo gótico se falta a abóbada de crucería) e nunca como ornamento. Acham-se, não obstante, em alguns edifícios románicos, influídos pela arquitectura arábiga, arcos lobulados e entrelazados, já ornamentales, já construtivos. Mas estes últimos só em arcadas de claustros ou em obras equivalentes.
O coberta interior das naves e estadias diferentes consiste pelo geral na abóbada de médio canhão —às vezes, apontada como os arcos— para a nave central; de aresta ou de quarto de canhão para os laterais e de concha ou de quarto de esfera para os ábsides, alçando sobre o cruzeiro uma cúpula poligonal apoiada em trompas (a estilo persa) que se colocam nos ângulos ou rincões resultantes do encontro dos arcos torales. Ditas trompas constituem-se por uma bovedilla semicónica ou por uma série de arquitos em degradação que fazem o mesmo oficio. Algumas vezes, segundo a escola a que pertença o edifício, a nave central leva techumbre de madeira ou carece de cúpula ou pelo contrário, a tem verdadeiramente esférica e elevada sobre pechinas a estilo bizantino. A dificuldade e a diferença maior que se acham nestes edifícios estriban no problema de combinar o abovedamiento de todas as naves com a iluminação suficiente da central e, ademais, em dar ao cruzeiro ou ao encontro das naves um equilíbrio muito estável e uma coberta proporcionada: as soluções várias que se dão a este duplo problema constituem as diferenças principais das escolas arquitectónicas do estilo románico.
A coberta exterior ou tejado insiste sobre as abóbadas mediante uma armadura singela de madeira que se apoia nelas, mas no século XII se faz independente esta armadura e é sustentada só pelos muros para não carregar de importância as abóbadas e cúpulas. Sobre a cúpula poligonal do cruzeiro eleva-se uma linterna prismática já formando corpo com ela, já estando independente a modo de domo. Dita linterna termina-se por uma coberta piramidal, semejando o conjunto uma torre de base larga e pouca altura que, às vezes, exerce também funções de campanario.
As portas acham-se formadas por uma série de arcos redondos concêntricos e em degradação apoiados em sendas columnillas de sorte que todo o conjunto forma uma espécie de arco abocinado e moldurado contribuindo ao maior efeito visual a mesma espessura do muro que costuma formar ali um corpo saliente. Algumas portadas carecem de dintel e de tímpano mas pelo geral acham-se provistas de um e outro e então se esculpem sobre os último relevos simbólicos ou iconísticos e aos lados da portada ou nas jambas e ainda no mesmo arco abocinado se dispõem variadas séries de labores ornamentales em relevo, flanqueándose, às vezes, com estátuas o rendimento nas igrejas mais suntuosas.
As janelas abrem-se quase sempre na fachada e no ábside e algumas vezes nos muros laterais. São bastante mais altas que largas e terminam por acima em arco dupla, geralmente plano ou de aresta viva apoiado sobre columnitas como as da portada e quando estes arcos se rodeiam de molduras finas ou baquetones ou bem as janelas têm deixado a primitiva estrechez, pertencem à segunda época do estilo. Há também ajimeces, óculos e pequenos rosetones, correspondendo estes últimos ao último período.
Fecham-se as janelas com vidrieras incoloras ou de cor em algumas igrejas suntuosas ou com lâminas translúcidas de alabastro ou yeso cristalino ou com simples celosías de pedra perfurada e nas igrejas pobres com simples teias brancas enceradas ou impregnada com trementina. De aqui que tenham de ser pouco extensas as janelas desta época (o mesmo que na precedente) até que se foi ensayando e generalizando o uso de grandes vidrieras.
As cornisas, longínqua lembrança dos clássicos arquitrabes formam como uma imposta corrida sobre pilastras e muros e a seguir dos ábacos dos capiteles e enfeitam o frontispicio colocadas em cima da portada ou embaixo das janelas. Levam adornos e molduras e com frequência (ao igual que o frontón e o alero ou tejaroz, que também são cornisas) estão sustentadas por canecillos ou por séries de arquitos cegos.
A ornamentación típica do estilo románico manifesta-se principalmente nas cornisas, arquivoltas, capiteles, portas e janelas e consiste em um conjunto de linhas geométricas avariadas ou em sisas, bilhetes, ajedrezados, dentes de serra, pontas de diamante, lacerías, arquerías ou arquitos cegos, rosetoncitos, follaje serpenteante e outros motivos vegetales sempre estilizados ou com escassa imitação da natureza. Também se utilizam os relevos e estátuas iconísticas, os mascarones ou canecillos, os bestiarios (monstruosas figuras de animais) e os relevos simbólicos.
Decoravam-se os muros interiores com várias pinturas de ditos motivos e de cenas religiosas ou bíblicas e os pavimentos alguma vez com mosaicos. Por regra geral, acha-se intimamente unida com a estrutura nos edifícios románicos seu decoración escultórica, de maneira que sirva esta para acentuar os membros mais salientes daquela e não seja como vestidura postiza do edifício. Não obstante, observam-se em alguns edifícios esculpidas várias figuras de monstros como aplastados pelas baseias das colunas ou de relevo no zócalo das fachadas com ideia evidentemente simbólica ou moral já que não a têm arquitectónica.
A estrutura geral de uma igreja románica pode inferir-se do dito sobre a planta, suportes e abóbadas. Só falta advertir que toda a composição interior se acusa exteriormente pelos contrafuertes que assinalam os trechos da planta. Assim mesmo, pelas impostas corridas que indicam as divisões da alçada. Pelas janelas e arquerías, que respondem aos triforios interiores ou a seus equivalentes e às diferenças de altura nas naves, etc.
Nas fachadas bem dispostas se adverte uma grande cornisa sustentada por canecillos sobre a portada, uma ou três janelas ou um rosetoncito no alto, dois ou três séries de arquerías cegas a diferentes níveis e um frontón ou piñón demarcado por uma cornisa no termo superior do muro.
Em Espanha o románico está muito desenvolvido, sobretudo no norte. Difunde-se através do caminho de Santiago, o mais importante nas peregrinaciones. A conquista de Toledo assegura a paz ao norte do Duero.
Em Navarra e Aragón nota-se mais a influência de Cluny. Destacam as igrejas de San Juan da Peña, San Salvador de Leyre, San Millán da Cogolla (A Rioja) e San Pedro de Lárrede. São igrejas rurais de uma sozinha nave, ábside semicircular e arcos cegos. É frequente a presença de torres altas e quadradas, com janelas no alto, que recordam aos minaretes árabes.
Em Valencia não existem edifícios puramente románicos, já que a reconquista durante o século XIII, e a mudança de gosto arquitectónico fazem que alguns edifícios de planta románica sejam finalizados em período gótico. Exemplo disso é a igreja San Juan do Hospital[1] de Valencia , iniciada em 1238 pela ordem hospitalaria depois da conquista da cidade por Jaime I.
Em León o románico engarza com a tradição asturiana, na que se obtiveram lucros notáveis. Destaca a Real Colegiata de Santa María de Arbás, em pleno porto de Pajares, a médio caminho entre Oviedo e a que era a capital do reino, León. Também é notável a igreja de Coladilla pelo pouco usual temática erótica dos canecillos e pela simplicidad de suas linhas.
O románico do caminho de Santiago é o mais importante. Aparece a alternancia de pilares e colunas, o taqueado jaqués como motivo decorativo e a cúpula no cruzeiro. Em Espanha representa o románico pleno. É um estilo autenticamente internacional, com um modelo clássico e uma linguagem comum ao do resto da Europa. O protótipo é a abadia de Cluny. Aqui encontramos as típicas igrejas de peregrinación, com três ou cinco naves, cruzeiro, girola, absidiolos, tribuna, abóbadas de canhão e aresta, etc. Em Castilla e León predomina a planta basilical de três naves. A central é mais alta e larga, e têm triplo ábside. No caminho de Santiago as igrejas são urbanas: a catedral de Jaca , monasterio de Silos,a Basílica Real de San Isidoro de León, a igreja de San Martín de Frómista(em Palencia, tomada como exemplo para o estudo do Románico) e a catedral de Santiago de Compostela, ainda que também as há rurais; claro que são mais pequenas e de uma sozinha nave, como as de San Esteban de Corullón, Santa Marta de Tera ou San Esteban de Gormaz.
Para o sul encontramos influências islâmicas. Trata-se de um románico tardio que dará passo ao gótico. Agora aparecem novidades técnicas induzidas pela reforma cisterciense, como as cúpulas sobre trompas ou pechinas.Também são interessantes as influências provenientes do Périgord.Este fenómeno se vai dar especialmente no Reino de León, onde encontraremos o Grupo de Cimborrios Leoneses composto pela Catedral de Zamora, a Catedral Velha de Salamanca, a Colegiata de Touro e a Catedral Velha de Plasencia. Por outro lado, o románico faz-se definitivamente urbano, sendo fruto dessa transformação as mencionadas catedrais de Zamora , Salamanca, Plasencia, Cidade Rodrigo,Ávila, etc. Nestes lugares, além das catedrais, constroem-se numerosas igrejas parroquiales.
Também para o norte se estende o románico, com um sentido mais rural. Como as catedrais de Tuy e Lugo, e as igrejas da colegiata de Santillana do Mar, San Estíbaliz de Lasarte ou Santa María de Arbás.
Mas onde mais se nota a influência islâmica é no románico mudéjar, uma arte urbana cujos templos têm a estrutura das igrejas cristãs e os motivos decorativos da arte islâmica. No entanto, esta arte não está dominada pela concepção cristã da vida, já que são conversos, muçulmanos e judeus, os que constroem estes templos. Destacam as igrejas de Sahagún , Arévalo, Olmedo e Touro. Ainda que em seu conjunto a arte mudéjar é contemporâneo do gótico.
Em Cataluña se conjuga o tradicional estilo carolingio com o recém importado románico dos primeiros anos do século XI. Os primeiros tempos da arquitectura viram-se fortemente influenciados pela arte carolingio e o árabe da península Ibéria. Estima-se como caso excepcional e modélico a fundação do monasterio benedictino de San Pedro de Roda em Gerona . A começos do século XI adverte-se uma grande actividade arquitectónica por parte dos grupos compostos de maestros e canteros lombardos que trabalham por todo o território catalão, erigiendo templos bastante uniformes. O grande impulsor e difusor (bem como patrocinador) desta arte foi Oliba, monge e abad do monasterio de Ripoll, que em 1032 manda que se amplie este edifício com um corpo de fachada onde se levantaram sendas torres, mais um cruzeiro onde se incluem sete ábsides, todo isso decorado ao exterior com ornamentación lombarda de arquillos cegos e faixas verticais.As edificaciones costumam ser de uma ou mais naves abovedadas, separadas por pilares; às vezes levam a construção de um pórtico e sempre no exterior se vê a decoración de arquillos cegos, esquinillas e lesenas (faixas verticais). As torres correspondentes são especialmente belas; umas vezes vão unidas ao edifício e outras exentas, com planta quadrada ou excepcionalmente cilíndrica como a de Santa Coloma de Andorra.
Na França dão-se todas as tipologías, e apresenta o tipo clássico, não em vão aqui nasce o estilo románico. As fachadas da escola de Provenza são as mais antigas. Constrói-se em pedra. As naves laterais fazem as vezes de contrafuertes da central. No cruzeiro levanta-se torres ou cimborrios de dois andares. Seu aspecto exterior é austero. As igrejas mais destacadas são as de San Trófimo de Arlés, San Víctor de Marselha e a catedral de Aviñón. Na escola de Languedoc aparecem as primeiras igrejas de peregrinación, com cinco naves e girola. Templos importantes são: San Sernin de Toulouse e Santa Fé de Conques. O tipo clássico de románico encontra-se na região central: a escola de Auvernia. As igrejas têm ábside e girola. As naves laterais têm dois andares, nos que se encontra o triforio. A nave central tem abóbada de canhão. Os arcos são de grandes dimensões. E as pedras utilizadas são de cores. Destaca a catedral de Puy e a igreja Notre-Dá-me a Grande em Poitiers . Na escola de Aquitania e o Perigord aparecem as cúpulas, como na catedral de Angulema e San Front de Perigueux. A escola de Borgoña possui o modelo típico románico, o que mais se difundiu. Aqui encontram-se a abadia de Cluny, a catedral de Autun e a igreja de Vezelay. A escola do domínio real na que se encontra a igreja de San Denis. E a escola de Normandía, que influiria na Inglaterra. Suas igrejas são mais altas, armoniosas e, pelo tanto, com mais luz. No exterior destacam as três portadas, que correspondem a sendas naves. Destacam as igrejas de Sant-Etienne de Caem e a Trinidad de Caem.
Na Itália há uma profunda influência bizantina e da arquitectura clássica. Dão-se as escolas de: Piamonte, Toscana e Lombardía com construções de tijolo e um sistema triplo de edifícios, à maneira paleocristiana, de: igreja, baptisterio e campanario. Destacam as igrejas de San Ambrosio de Milão, San Abundio de Como, San Zenón de Verona, San Miguel de Lucca, e as catedrais de Parma , Calca e Módena. Na escola toscana o mármol é o material construtivo por excelencia. No exterior destaca a combinação de elementos arquitectónicos repetidos: faixas horizontais, arquillos cegos e frontones e colunas.
Na Alemanha os edifícios são muito grandes, altos e desenvolvidos em longitude, construídos em tijolo. Os muros arrematam-se com arquerías. Persistem, aqui, as formas carolingias, com a planta basilical e as colunas de imitação clássica. A coberta é plana, de madeira e está pintada. As naves dividem-se por médio de fileiras de colunas, que se alternam com pilares. Possuem dois ábsides, um à cada extremo da nave, isto obriga a abrir as portas nos laterais do templo, pelo que carecem de fachada. Possui, também, duplo transepto. Destacam as igrejas de Santa María de Laach em Colónia, o grupo de Ratisbona e as catedrais de Worms , Maguncia e Espira, e a capilla palatina de Aquisgrán.
Em Hungria , a arte Románico surgiu propriamente depois da cristianización dos húngaros no 1000, baixo o rei San Esteban I de Hungria. Esta arte evoluiu com profundas influências germánicas e em enormes construções principalmente eclesiásticas, que foram achadas em cidades como Esztergom, Székesfehérvár e Veszprém, onde suas enormes catedrais (agora já destruídas depois das invasões dos tártaros de 1241 e turcos após 1526) fungieron de centros do Cristianismo no reino. Todas estas catedrais foram fundadas principalmente por San Esteban I e por seus sucessores Pedro Orseolo de Hungria, Andrés I, Géza I entre outros, quem reinaram durante os Séculos XI, XII e XIII.
Desta maneira, para mediados e finais do século XI era um panorama comum ver em Hungria tanto pequenas construções como a Igreja de Egregy, como outras de enormes dimensões, todas com ábsides fechados, portais com três arcos semicirculares sustentados por pilares, bem como a construção de igrejas de três naves. Entre as obras que têm sobrevivido até a actualidade se acha a Igreja de Lébény, construída no final do Século XII e começos do Século XIII, bem como a Igreja de Ják, a qual acha suas origenes a começos do Século XIII, a Igreja de Velemér no Século XII e a Igreja de Felsőörs no Século XIII.
Na Inglaterra sente-se a influência normanda, até o ponto de conhecer-se também como «estilo anglonormando». Os templos atingem uma maior altitude e longitude. As naves laterais estão separadas da central por sendas fileiras de pilares alternando com grossas colunas. Os fustes têm uma decoración em ziguezague. No cruzeiro aparece uma torre que faz as vezes de linterna. A cabeceira costuma ser quadrada ou utiliza o arco ojival. Destacam as catedrais de Winchester , Worcester e Durham, e a cripta da catedral de Canterbury.
Em Escandinavia também se nota o influjo normando. As plantas são de cruz latina, com uma torre no cruzeiro que faz de linterna. Destacam as catedrais de Lund, Uppsala e Trondheim.
Na Bélgica a catedral de Tournai antecipa o gótico.