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As serpentes cegas

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As serpentes cegas
Formato Álbum em cartoné, de 24x32cms.
Primeira edição 2008
Editorial Bd banda e Dargaud
Nº páginas 72 páginas a cor.
Preço facial 16 €
ISBN/ISSN 9788461249787

Tradição Espanhola
Género policíaco

Roteirista(s) Felipe Hernández Cava
Desenhista(s) Bartolomé Segui


As serpentes cegas é uma historieta do roteirista Felipe Hernández Cava e o desenhista Bartolomé Segui publicada pela primeira vez em 2008 que narra "uma história de vinganças com a Guerra Civil espanhola e o Nova York da Grande Depressão como telón de fundo".[1]


Conteúdo

Criação e trajectória editorial

Foi Bartolomé Segui quem em maio de 2006[2] fixou-lhe a Felipe Hernández os parámetros sobre os que queria trabalhar: o Nova York dos anos trinta e a Guerra Civil espanhola. Também encarregou o colorido a Gabi Beltrán, e juntos começaram a ilustrar a história, com vistas ao mercado francês, mais potente que o autóctono.[3]

Em janeiro do 2007, Segui optou por voltar a colorir as páginas que tinha terminadas, justo dantes da publicação do primeiro capítulo na revista BDbanda.[4] Depois de um par de meses e entre seus trabalhos como ilustrador, pôde iniciar o segundo capítulo[5] que terminaria o 29 de maio.[6]

Terminado o terceiro capítulo em setembro, Dargaud adquiria os direitos de publicação.[7] Em março de 2008 publicavam-se simultaneamente o segundo e terceiro capítulos na revista BDBanda, enquanto a primeira edição da obra completa não apareceria até agosto na França.[8]

Argumento

"As serpentes cegas" apresenta uma trama policíaca, "protagonizada por uma misteriosa personagem que procura a Ben Koch",[9] ao mesmo tempo que, como explica seu próprio roteirista, serve de
pretexto para falar de algo que está de rabiosa actualidade: os excessos que cometem as pessoas em nome das ideologias".[10]

A trama estrutura-se em 7 capítulos de 8 páginas a cada um, os quais alternam presente e passado da narração:

I. Nova York, 1939. Um homem de traje vermelho empreende a busca de Ben Koch, alojándose para isso na pensão de Rede, um íntimo amigo do susodicho.

II. Nova York, verão de 1936. Depois de ter fugido de Denver , Ben Koch contacta, graças a Rede , com um grupo comunista liderado por Curtis Rusciano e vertebrado ao redor do Daily Worker. Quando em uma colada de cartazes propagandísticos, Curtis assassina a um polícia, Ben se marcha com a ideia de participar na Guerra de Espanha.

III. Nova York, 1939. O anónimo homem de vermelho contínua na pensão, esperando o aparecimento de Ben Koch, enquanto este procura a sua vez a Curtis, visitando a casa da mãe de seu filho Roy. Tal casa está a ser vigiada ademais pelos federais.

IV. Barcelona, fevereiro de 1937. Recém alistado no POUM, um ferido Ben, agora com o nome de Allan, é acolhido em um andar compartilhado por membros da CNT: Pere, Virginia e Eulalia. Com esta última entablará uma relação sentimental. Todos eles, acompanhados por Curtis, se enfrentam às forças da Generalidad de Cataluña pelo controle da Central de Comunicações, mas Pere, Virginia e Eulalia morrem quando estalla o arsenal que guardavam no andar.

V. Nova York, 1939. Curtis, harto de viver na clandestinidade, solicita que o saquem de EEUU. Desconfia, no entanto, dos que vêm ao procurar e os mata, se dirigindo então à pensão de Rede para sonsacarle, mediante tortura, o paradeiro de Ben.

VI. Serra de Pandols (Terra Alta), Espanha, 1938. Ben ficou-se isolado na trinchera com outro brigadista estadounidense. Recebem no entanto a visita de Curtis, agora um comissário comunista, quem finge lhes trazer provisões para poder se acercar a eles e os matar, como já fizesse com Pere, Virginia e Eulalia.

VII. Nova York, 1939. O anónimo homem de vermelho acorda a Ben, avisando-lhe de que Curtis se dirige ao almacén onde se esconde. Ben roga-lhe que lhe dê mais tempo, lhe assegurando que cumprirá seu pacto de matar a Curtis. Assim o faz, prendendo fogo ao almacén com eles dentro, e corre a um tugurio de jazz a encontrar com o homem de vermelho, pois ambos têm de voltar ao inferno.

Estilo

As serpentes cegas possui "uma elegante estética do Nova York dos anos 30", mostrando um tom realista emparentado com a série negra.[11] Bartolomé Segui recorreu ao livro de fotografias de Berenice Abbott como documentação.[12] Entre suas referências plásticas, o próprio desenhista tem citado ao Miguelanxo Prado de Traço de tiza", a Daumier e Brueghel.[13]

Todo isso supõe uma "mudança de registo a nível de traço"[3] para Segui, com o objectivo de "que as imagens traduzissem a degradação das personagens e de seu meio".[10] Abandona, e como explica Álvaro Pons, seu
tradicional alvo e negro para adentrarse em uma cor potente, cheio de sombras e matizes, que joga com uma paleta de tonalidades rojizas para transmitir uma atmosfera agobiante e opresiva, calurosa como o inferno. O traço vitalista e nervoso ao que Segui nos tinha habituado em suas obras de corte costumbrista, é substituído por uma pincelada dura, grossa, que acompanha perfeitamente à história de Cava em forma discreta, invisível, mas dando o plano adequado, o ritmo perfeito e a composição necessária.[14]

Valoração e prêmios

A obra obteve o prêmio ao melhor guião e ao melhor autor no XV Salão da Banda desenhada de Barcelona e o Prêmio Nacional de Banda desenhada Espanhol do 2009,[1] bem como o Prêmio ao melhor guião de historieta realista 2009 do Diário de Avisos e o IX Prêmio da crítica 2009 ao melhor roteirista e à melhor obra nacional. Também foi seleccionado pelos livreiros franceses como um dos 15 melhores álbuns do 2008.[3]

Referências

  1. a b EFE, "As serpentes cegas", Prêmio Nacional de Banda desenhada", recolhido, por exemplo em ABC , 5/11/2009.
  2. Segui, Bartolomé nas serpentes cegas Prêmio Nacional de Banda desenhada 2009, entrada de seu próprio blog, 29/05/2007.
  3. a b c Europa Pres. "O horror do totalitarismo como "seductora utopia", 5/11/2009.
  4. Segui, Bartolomé nas serpentes cegas II, entrada de seu próprio blog, 06/02/2007.
  5. Segui, Bartolomé nas serpentes cegas III, entrada de seu próprio blog, 06/02/2007.
  6. Segui, Bartolomé em serpentes 24, entrada de seu próprio blog, 29/05/2007.
  7. Segui, Bartolomé em Serpentes 16, entrada de seu próprio blog, 29/05/2007.
  8. Segui, Bartolomé em Serpents Aveugles Ano 1, entrada de seu próprio blog, 24/08/2008.
  9. Faro, Mónica em "'As serpentes cegas' vontade o Prêmio Nacional de Banda desenhada para Diário de Cádiz, 06/11/2009.
  10. a b Tramullas, Gemma em "Uma obra política, Prêmio Nacional" para "O jornal de Aragón", 06/11/2009.
  11. Polido, Natividad em «As serpentes cegas» alça-se com o prêmio Nacional de Banda desenhada para ABC.é.
  12. Segui, Bartolomé em serpentes 11, entrada de seu próprio blog, 25/04/2007.
  13. Segui, Bartolomé em Serpentes 23, entrada de seu próprio blog, 25/04/2007.
  14. Pons, Álvaro em Serpentes cegas para O cárcere de papel, 17/02/2009 e como A banda desenhada como análise descreído] para O País, 05/11/2009.

Modelo:ORDENAR:Serpentes

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