| Atentado contra Augusto Pinochet | |
|---|---|
| Lugar | |
| Blanco(s) | Augusto Pinochet e sua comitiva |
| Data | 7 de setembro de 1986 18:35 - 18:40 (UTC-3) |
| Tipo de ataque | Emboscada |
| Arma(s) | Fuziles M-16 Granadas de mão caseiras Lanzacohetes M72 LAW 20 kilogramos de explosivos plásticos |
| Morridos | 5 |
| Feridos | 11 |
| Perpetrador(é) | |
| Motivo | Político |
O atentado contra Augusto Pinochet do 7 de setembro de 1986 , foi um episódio ocorrido durante o regime militar de Chile , do qual o General Augusto Pinochet foi vítima na custa de «as Achupallas», caminho a Cajón do Maipo (a 40 quilómetros de Santiago ). Sofreu um ataque armado enquanto regressava de um fim de semana de descanso em sua residência no Melocotón. O ataque realizou-o contra sua comitiva a Frente Patriótico Manuel Rodríguez, braço armado do Partido Comunista de Chile. É considerado a maior tentativa de magnicidio na história de Chile .
Conteúdo |
O ramo armado do Partido Comunista de Chile, e um núcleo fechado de pessoas como Gladys Marín, Guillermo Teillier e Luis Corvalán, devido à repressão na contramão de pessoas que pudessem atentar contra a segurança do Governo Militar, decidiu a fins de 1984 planear um atentado para assassinar a Pinochet, o qual foi patrocinado pelo líder cubano Fidel Castro proporcionando planejamento estratégica além de armamento. A acção foi denominada Operação Século XX, e estaria a cargo de José Joaquín Valenzuela Levi (chamado Comandante Ernesto), membro da Direcção Nacional do FPMR. Apesar que se vinha pensando desde 1980, o atentado só se decidiu 4 anos depois.
Os dirigentes comunistas, férreos opositores de Pinochet e os poucos que sabiam desta operação, declaravam que «no ano 1986 seria o decisivo na luta contra a ditadura». Ademais entre outras causales que determinavam tal decisão, uma era que o Governo Militar não falaria com o Partido Comunista, e só o fez com o bloco Aliança Democrática que agrupava aos partidos da Direita chilena que co-adyudaba com o Governo de Pinochet. Formou-se um grupo operativo de homens, que liderariam Valenzuela Levi e Cecilia Magni, quem receberam treinamento militar em Cuba para tal propósito. De facto diz-se que hoje existiria um completo registo do atentado, incluindo a etapa de planejamento que se realizou na ilha, em Havana .
Em um mês dantes do atentado, a polícia chilena encontrou uma adega com arsenais de guerra em um sector costero da III Região de Atacama, que serviu durante meses de povo de passagem para a internación de armas de grosso calibre por parte de Cuba. Este mesmo tipo de arsenal usar-se-ia no atentado, com a excepção de que para este ataque se tinham treinado com lanzacohetes RPG-7, no entanto se levou a cabo com M72 LAW estadounidenses. Ainda que a acção foi destacada pelo governo como um perfeito operativo de inteligência, mais adiante ficou ao descoberto que a internación de armas foi descoberta por duas razões: o relaxo nas medidas de segurança dos frentistas, quem chegaram inclusive a sacar-se fotos com o armamento, e a ambição por parte da direcção central comunista que ordenou internar mais armas das que podia manejar o aparelho logístico disposto em um primeiro momento.
A conformación do grupo de fusileros que devia atentar contra Pinochet ficou inteiramente a cargo da Frente Patriótico Manuel Rodriguez, que se dedicou a seleccionar com pinzas a seus mais comprometidos militantes. No entanto, as fortes medidas de segurança do governo entorpecían as tarefas de treinamento e logística dentro de território nacional, não assim em Cuba, pelo que muitos dos fusileros foram convidados de última hora, contando por isso com muito pobre treinamento. Baixo um rigoroso treinamento, alguos fusileros participavam periodicamente em sessões de acondicionamiento físico realizadas no Parque Ou´Higgins. Ainda que alguns estavam melhor preparados que outros, o comando do Frente empreendeu a missão com a convicção de que mudariam a história de Chile.
A Operação Século XX ou Pátria Nova foi levada a cabo por uma veintena de membros da Frente Patriótico Manuel Rodríguez, com elementos provenientes da Internación de armas de Carrizal Baixo que não atingiu a ser confiscada pelos serviços de segurança.
O General Pinochet durante os fins de semana costumava dirigir a sua casa de descanso no Melocotón (Cajón do Maipo) junto com parte de sua família e protegido por sua escolta dirigida pelo Capitão de Exército Juan Mac Leiam Vergara. Determinou-se então que o atentado realizar-se-ia durante o trajecto de regresso a Santiago.
Inicialmente concebeu-se o plano de executar o atentado colocando explosivos na estrada à altura do autódromo As Vizcachas, mas finalmente eliminou-se a ideia. De acordo com algumas versões, este plano foi abortado porque o explosivo que utilizar-se-ia na operação foi confiscado quando se descobriram os arsenais clandestinos de Carrizal Baixo.
Posteriormente optou-se por uma emboscada em custa-a As Achupallas, para o qual os frentistas César Bunster (filho de um ex-diplomático de Salvador Além) e Cecilia Magni encarregaram-se de conseguir os veículos necessários, como também arrendar uma casona no sector da Obra, onde permaneceu a totalidade da equipa.
O lugar do atentado foi minuciosamente seleccionado. Ao custado norte (à direita do caminho no sentido Cajón do Maipo-Santiago) encontrava-se um pequeno cerro onde se parapetarían os atacantes, enquanto ao custado sul do caminho tinha um barranco de cerca de 20 metros de altura. Desta forma, lós acidentes geográficos dificultariam a retirada, a protecção e o rendimento do armamento de escolta-a de Augusto Pinochet. Paralelamente, um veículo com uma casa rodante acoplada e uma camioneta todo o terreno bloqueariam qualquer possível saída.
O atentado estava planificado para o domingo 31 de agosto de 1986 durante a tarde. No entanto, a noite anterior falece o Ex-Presidente Jorge Alessandri Rodríguez, pelo que o General Pinochet regressou a Santiago durante a madrugada, o que não pôde ser previsto. Devido a isso, os frentistas se caracterizaram como seminaristas de uma ordem religiosa e se transladaram à localidade de San Alfonso, permanecendo assim até o domingo 7 de setembro de 1986.
O armamento com que contavam os frentistas eram 16 fuziles M-16, 10 lanzacohetes M72 LAW, 1 Fuzil SIG calibre 7,62 mm, 1 subametralladora P25, e um número indeterminado de granadas de mão caseiras.
Por sua vez, escolta-a presidencial contava com subametralladoras Uzi e Mini Uzi, granadas de mão, revólveres Rossi, e fuzis Galil.
A comitiva precedida por 2 motoristas de Carabineros estava então conformada de acordo ao seguinte:
Os atacantes estavam conformados de acordo ao seguinte:
Cerca das 18:20 horas (UTC-3) duas mulheres frentistas que alojaban na residencial "Inesita" em San José de Maipo comunicaram telefonicamente ao Comandante Ernesto que a comitiva presidencial estava nesses momentos passando em frente a eles, e imediatamente o grupo guerrilheiro se dirigiu ao lugar da emboscada, a Custa As Achupallas, localizada entre o sector da Obra e o povo As Vertentes.
Uma vez no sector, os frentistas se percataron da presença de uma patrulha de Carabineros dirigindo o trânsito no cruze San Juan de Pirque, que foram neutralizados com ráfagas de fuzis M-16.
Às 18:35 horas (UTC-3) a comitiva de presidencial chegava ao sector do atentado. Em custa-a As Achupallas foi interceptado pela Unidade 501, que depois de deixar passar aos dois motoristas de Carabineros obstruye o trânsito com um automovil que levava acoplada uma casa rodante, a fim de evitar que seguisse seu rumo e imediatamente abrem fogo contra o primeiro veículo. Já quando a comitiva se posicionou sobre o ponto, as unidades 502 e 503 que estavam parapetados nos faldeos de um cerro da custa começaram o ataque.
Escolta-a presidencial reagiu de imediato respondendo ao fogo, mas os frentistas estavam tão bem parapetados que se fazia muito difícil repeler o ataque. Ademais o sector foi tão bem escolhido que devido a suas características geográficas se producjo silêncio radial, fazendo impossível se comunicar desde aí com outras unidades policiais ou militares.
Pinochet e seu neto, que iam no primeiro Mercedes Benz blindado, em uma ágil manobra de seu condutor, giram para regressar ao Melocotón, recebendo o impacto de um lanzacohetes M72 LAW que finalmente não estalló, resultando com feridas leves, passando a escassos metros de um grupo de bloqueio que permaneceu no lugar por se o auto de Pinochet pensava empreender rumo de volta, conseguindo escapar do lugar. 5 escoltas morrem no atentado enquanto 11 resultam feridos. O atentado durou entre 5 a 6 minutos.
Uma vez que cessou o tiroteio, os frentistas, convencidos de ter conseguido seu objectivo (a morte de Augusto Pinochet), abandonaram o sector colocando balizas em seus veículos e assomando suas armas pelas janelas para assim se fazer passar por gente de Pinochet. Desta forma conseguiram burlar à polícia e aos serviços de segurança, para posteriormente chegar a Santiago e refugiar-se em diferentes casa de segurança.
Depois do atentado Pinochet regressou ao lugar dos factos acompanhado de um móvel do noticiario 60 minutos de Televisão Nacional de Chile explicando o sucedido e mostrando os danos que recebeu o auto blindado no qual ia. Assim mesmo, Rádio Cooperativa foi o único médio de oposição em informar o atentado contra Pinochet.
Escolta-los falecidos foram:
Com feridas de diferente consideração resultaram:
Imediatamente após o atentado em Santiago , declarou-se o estado de lugar e produziu-se uma frenética carreira entre efectivos de Investigações e a CNI para capturar aos responsáveis pelo atentado, conseguindo-se apreender alguns dos veículos empregados pelos frentistas. Para esse momento só se tinha conseguido identificar a César Bunster, quem então já se encontrava fora do país. Esta onda repressiva motivou a detenção de Ricardo Lagos, Germán Correia e Patricio Hales, entre outros. A CNI, por sua vez, deteve a quatro pessoas. Foram assassinadas várias pessoas durante a noite por parte dos serviços de segurança, um deles foi o jornalista José Carrasco, quem foi executado por agentes da CNI.
Posteriormente seguiu-se com uma busca de responsáveis, a maioria fugiram a Argentina por passos fronteiriços ilegais. Ademais chamou-se a declarar a dirigentes políticos como o democrata cristão Jorge Lavandero.
Em pleno estado de lugar, o que supunha seria um acto heroíco de libertação nacional terminou por evidenciar que a estratégia da Sublevación de Massas seguida pela Frente seria um verdadeiro falhanço. De formação militar cubana -alguns com graus de Estado Maior- e com experiência de guerra na Nicarágua, os oficiais do frente extrapolaram a realidade da guerrilha latinoamericana dos anos 50 e 60 ao Chile de 1986.
Fidel Castro por então encontrava-se de gira por Zimbabue e Jugoslávia, e conhecendo os planos, foi informado em Belgrado de que o atentado contra Pinochet tinha sido um falhanço.
Existiram muitas falhas por parte do aparelho do FPMR para cumprir com o assassinato de Pinochet. Primeiro se presume que a falha do atentado se deve a que participaram pessoas inexpertas do Partido Comunista, o qual desde Cuba se tinha ordenado que assim não fora. Além da mudança de força explosiva e de não colocar explosivos nas pontes que dividiam o epicentro do ataque com o regresso do auto de Pinochet ao Melocotón. Por último argumenta a CIA e o mesmo Governo cubano, que o falhanço do atentado se deveu a que primeiro se atacou com fusilería e posteriormente com material explosivo, quando deveu ser ao revés. Um grande erro foi o uso de lanzacohetes LAW os quais foram disparados a curta distância, o qual impediu que o foguete tivesse distância suficiente para se activar e penetrar o auto blindado onde ia Pinochet e seu neto. Não obstante, as últimas versões indicam que se utilizou o lanzacohetes norte-americano devido ao mau estado do armamento soviético (originalmente planeado com lanzacohetes RPG-7), questão que confundiu aos inexperimentados fusileros em seu accionar.
A investigação do caso ficou em mãos do então Promotor Militar Fernando Torres Silva, cujo primeiro grande acerto foi o de registar partes de impressões digitais achadas ao interior da casona arrendada o A Obra. Isto foi possível apesar de que os atacantes tinham adoptados medidas de segurança para evitar deixar evidências que os pudessem identificar.
Em outubro de 1986 são detidos a maioria dos frentistas que participaram no atentado, a maioria deles enquanto se encontravam realizando acondicionamiento físico no Parque Ou'Higgins. A identificação de um deles (Juan Moreno Ávila ou "Sacha") mediante peritos em dactiloscopía permitiu dar com seu paradeiro e posteriormente identificar ao resto, já que a CNI possuía um arquivo dactiloscópico de pessoas que tinham sido anteriormente detidas por sua participação em atentados, sabotagem ou protestos.
Em umas semanas mais tarde caem detidos os frentistas que se encarregaram da distribuição do armamento, entre eles Vasili Carrillo.
Em junho de 1987 morre José Joaquín Valenzuela Levi no marco da Operação Albânia. A fins de 1988 corre a mesma sorte Cecilia Magni junto a Raúl Pellegrin (não participou no atentado) dias após o atentado ao Retém de Carabineros dos Queñes. Dos frentistas detentos, grande parte conseguiu escapar da Ex Cárcere Público de Santiago durante a Grande Fuga de 1990. Os demais foram indultados ou foi-lhes comutada sua pena pela de Extrañamiento. Um destes últimos, Juán Ordens Narváez morreu na Bélgica em 1990 em um acidente automobilístico enquanto cumpria sua condenação.
Mauricio Hernández Norambuena encontra-se cumprindo pena de cárcere no Brasil por sua participação no sequestro do empresário brasileiro Washington Olivietto. Com excepção deste último frentista, nenhum dos participantes na preparação e/ou execução do atentado se encontra cumprindo pena de cárcere.
Mauricio Areias Bejas faleceu na Argentina em 1991, vítima de um cancro ao pulmão.