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| Atentados do 11 de março de 2004 | |
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Fachada norte da Estação de Atocha (Madri), um dos lugares onde se produziram os atentados. | |
| Lugar | Atocha, Madri, Comunidade de Madri, |
| Blanco(s) | civis |
| Data | 11 de março de 2004 07:36 - 07:40 (UTC+1) |
| Tipo de ataque | Atentado yihadista. |
| Arma(s) | mochilas bomba, (com dinamita tipo borracha). |
| Morridos | 191 |
| Feridos | 1.858 |
| Perpetrador(é) | célula local |
Os atentados do 11 de março de 2004, também conhecidos como 11-M, foram uma série de ataques terroristas em quatro comboios da rede de Cercanias de Madri. A sentença da Audiência Nacional atribuiu sua autoria a membros de células ou grupos terroristas de tipo yihadista.
Trata-se do maior atentado cometido na Europa até a data, com 10 explosões quase simultâneas em quatro comboios à horário de pico da manhã (entre as 07:36 e as 07:40). Mais tarde, depois de uma tentativa de desativação, a polícia detonaria, de forma controlada, dois artefactos que não tinham estallado, desactivando um terceiro que permitiria, graças a seu conteúdo, iniciar as primeiras pesquisas que conduziriam à identificação dos autores. Faleceram 191 pessoas, e 1.858 resultaram feridas.
Poucas semanas depois, a polícia localizou e rodeou a vários membros do comando terrorista em Leganés . Ao ver-se acorralados, seus membros suicidaram-se, fazendo estallar o andar no que se tinham atrincherado —sendo isto o primeiro atentado suicida da Europa—, precisamente quando se percataron de que os Geos iniciavam o assalto. Nesta acção morreu um agente do grupo policial, além de todos os membros da célula islamista ali presentes.
Não foi o primeiro atentado de corte islamista perpetrado em Espanha. Anteriormente produziu-se o Atentado islamista do restaurante "O Descanso" , em 1985 que deixou 18 mortos.
Na manhã da quinta-feira 11 de março de 2004 produziram-se 10 explosões provocadas por dez mochilas carregadas com alto explosivo. As análises científicas dos restos depois das explosões deram como resultado que se tratava de um explosivo do tipo da dinamita. As investigações posteriores, baseadas tanto na mochila que não estalló como nos restos achados no veículo utilizado pelos autores, determinaram que o explosivo utilizado pelos islamistas foi Borracha-2 ECO, do que se usa habitualmente nas canteras.
Como já se indicou, as explosões tiveram lugar em horário de pico, entre as 07:37 e as 07:39. Na Estação de Atocha (comboio n° 21431) (3 bombas), segundo a fita de vídeo do sistema de segurança de dita estação, às 7:37:47 já se tinha produzido a primeira explosão; às 7:38:36 produz-se a segunda, no carro 5; e às 7:38:40 produz-se a terça, no carro 4; ao todo produziram-se três explosões de ditas características.
Os artefactos estavam situados nos carros 1, 4, 5 e 6 (sobre o artefacto localizado no primeiro carro do convoy, cabeceira de comboio, e que não estalló inicialmente, se realizaram manobras para sua desativação pelas equipas T.E.D.A.X. do Corpo Nacional de Polícia, explodindo às 9:59:18 (segundo a fita de vídeo do sistema de segurança); anteriormente, às 10:57:27 procede-se, pelas equipas T.E.D.A.X do C.N.P., a realizar manobras de desativação sobre o que consideraram um artefacto explosivo (que não resultou tal), no segundo carro da composição.
Na estação do Poço do Tio Raimundo fizeram explosão 2 bombas; na estação de Santa Eugenia, uma; e em um quarto comboio, junto à rua de Téllez, nas vias que se encaminham à estação de Atocha desde o sul, outras quatro bombas. As forças de segurança encontraram, no interior dos mesmos comboios, outros dois artefactos que tinham falhado. Ambos foram detonados por motivos de segurança.
Também se encontrou uma terceira bomba na estação do Poço do Tio Raimundo, que, depois de realizar, inadvertida, um periplo entre o IFEMA e várias delegacias de polícia, pôde ser examinada. Continha 500 gramas de explosivo plástico Borracha-2 ECO, metralla, um detonador e um telefone móvel que fazia de temporizador, manipulado para que o alarme activasse o detonador. Os indícios achados nessa mochila permitiram estabelecer as primeiras hipóteses firmes, e desencadearam a perseguição policial sobre os supostos autores.
O número oficial de mortos, a 23 de março de 2004, é de 191 (deles, 177 no acto ou durante os primeiros minutos depois do atentado), e a contagem definitiva de feridos foi de 1.857 pessoas lesionadas, com o que este atentado supõe o segundo atentado mais letal pelo número de vítimas mortais, e o primeiro atendendo ao número de feridos, que tinha sofrido Europa até a data em tempos de paz (depois do derrubo de um avião da Pan Am em Lockerbie , o 21 de dezembro de 1988 ). O número de 202 falecidos que se proporcionou em um princípio foi se reduzindo devido a uma melhor identificação de alguns restos.
Os feridos foram transladados a diversos hospitais de Madri. O número de afectados foi tão grande que foi preciso instalar um hospital de campanha nas instalações desportivas Daoíz e Velarde, próximas à rua Téllez, para proporcionar as primeiras ajudas e planificar a evacuação a instalações hospitalarias.
O número final de mortos seria de 191 (mais dois fetos de três e oito meses de gestación), já que um menino, morrido o 10 de maio, às 48 horas de nascer, devido às feridas sofridas por sua mãe no atentado, se contabilizó também como vítima do atentado.
Estes atentados foram cometidos três dias dantes das eleições gerais. Durante as primeiras horas os meios de comunicação espanhóis e os partidos políticos atribuíram o atentado à banda terrorista ETA, e desde o Ministério do Interior não se deu a possibilidade de outra autoria que não fosse ETA, considerando «intolerável», qualificando de «intoxicación» própria de «miseráveis», toda a atribuição do atentado diferente à organização terrorista ETA.[1]
Nas jornadas prévias ao atentado, as Forças e Corpos de Segurança do Estado encontravam-se em situação de máxima alerta, à espera de um atentado da organização terrorista ETA coincidindo com a campanha eleitoral, como esta prática já tinha sido utilizada anteriormente pelo grupo. De facto, as operações policiais recentes reafirmavam esse temor, já que em dezembro tinha-se detido uma tentativa de ETA de explodir 50 kg de Titadine em duas malas colocadas em comboios com destino a Madri.[2]
Quinta-feira dia 11
Em um primeiro momento todos os partidos políticos e meios de comunicação espanhóis atribuíram a autoria dos atentados a ETA excepto HB (braço político de ETA), que mediante comunicado de seu dirigente Arnaldo Otegi, às 12 do meio dia, negou a participação de ETA nos mesmos.[3] Nem o Governo, nem os partidos políticos, nem os meios de comunicação deram crédito a esse comunicado. Às 12.30, o ministro do Interior Ángel Acebes atribui a ETA a autoria dos atentados, acrescentando: «Parece-me absolutamente intolerável qualquer tipo de intoxicación que vá dirigida, por parte de miseráveis, a desviar o objectivo e os responsáveis por esta tragédia, deste drama».[4] Imediatamente depois, às 13:42 o líder da oposição, José Luis Rodríguez Zapatero, condena os atentados sem entrar em sua autoria: «Quero-lhes transmitir minha firmeza e determinação para acabar com o terrorismo»'.[5] O presidente do Governo José María Aznar, às 14.40, diz: «Todos sabemos que este assassinato em massa não é a primeira vez que se tenta.[...] Conseguiremos acabar com a banda terrorista».[6] Às 17:04 Gaspar Llamazares realiza umas declarações nas que manifesta: «a democracia acabará com os bárbaros, com os nazistas de ETA».[7]
Ao redor das 10.30 desse mesmo dia a polícia tinha sido alertada de que uma furgoneta tinha sido abandonada às 7:00 por uns indivíduos que portavam mochilas e tinham acedido à estação de cercanias de Alcalá de Henares. Sobre ela se realizou uma inspecção ocular e um rastreamento de explosivos com cães sem resultados. Depois de seu selo para as 14:15, a furgoneta foi levada até o complexo policial de Canillas, onde chegou em torno das 15:30 horas. Em decorrência de uma nova inspecção, detectar-se-ia uma fita de audio com caracteres em árabe em seu carátula, 7 detonadores e um extremo de um cartucho de dinamita plástica envolvidos embaixo de um dos assentos. Aproximadamente às 17:00 os experientes determinam que os detonadores de cobre e de produção espanhola são diferentes aos utilizados habitualmente por ETA. A fita, gravada em árabe, foi remetida para sua tradução às 18.00, comprovando-se posteriormente que seu conteúdo eram versículos do Corán.
Essa mesma tarde, passadas as 5 da tarde, a ministra de Exteriores, Ana Palácio, enviou uma nota aos embaixadores na que se assinalava:
Às 18.40h o Conselho de Segurança de Nações Unidas, a propostas de Espanha e França, aprova por unanimidade, e sem debate, a Resolução 1530, condenando os atentados. Incluindo a responsabilidade de ETA a proposta do governo de Espanha:[9]
Segundo o jornal O País, Ana Palácio aquela tarde, pediu encarecidamente a seus homólogos do Conselho que apoiassem a hipótese baralhada por Madri.[10]
No dia 16 de março, Inocencio Arias, embaixador de Espanha na ONU, após que os membros do Conselho se sentissem «muito incómodos», enviou uma carta ao Conselho de Segurança explicando que Espanha, no momento de se aprovar a resolução tinha a firme convicção de que «a banda terrorista ETA estava por trás dos terríveis acontecimentos do 11 de março» em função de «os antecedentes imediatos, da informação da que nesse momento dispunha e da análise que da mesma faziam os experientes». Acrescentando que «se descobriram novos elementos que têm aconselhado abrir outras linhas de investigação, que apontam à intervenção nos atentados de cidadãos de outros países».[11]
Uma carta do 16 de março do Círculo de Corresponsales Estrangeiros expressava seu «mal-estar com a actuação da direcção geral de comunicação da área internacional do Ministério da Presidência» como alguns corresponsales acreditados na Moncloa e membros do Círculo, receberam ao longo da tarde do 11 de março «um telefonema desde sua direcção geral com o explícito apelo de apontar em nossas crónicas e difusões que ETA foi o autor dos atentados de Madri».[12]
Kofi Annan (Secretário Geral da ONU), Romano Prodi (presidente da Comissão Européia), Jacques Chirac (presidente da França), George Bush (presidente de EEUU), Jack Straw (ministro do Interior britânico), entre outros, condenaram os atentados terroristas sem mencionar sua possível autoria. O Rei dom Juan Carlos às 20:30, em declaração pública, condenou os atentados sem nomear explicitamente a ETA.[13]
Para as 8 da noite, em sua segunda comparecencia do dia, o ministro do Interior, Ángel Acebes, informa do achado da furgoneta e da existência da fita e os detonadores, sem mencionar que estes fossem diferentes aos habitualmente utilizados por ETA. Informa além de que tinha dado ordem às Forças e Corpos de Segurança de que trabalhassem também em outras linhas de investigação, ainda que ETA seguia sendo a «linha de investigação prioritaria».[14] [15] Também, a perguntas de jornalistas assinala que o explosivo é «dinamita e por tanto a habitual da organização terrorista ETA». E sobre a possível existência de uma reivindicação indica que «ninguém tem reivindicado o atentado. ETA não sempre reivindica seus atentados e nunca o faz, em qualquer caso, imediatamente».
Às 21.30 o jornal Ao Quds Ao Arabi A o-Quds em sua sede em Londres recebe uma carta que afirma que as Brigadas de Abu Hafs Ao Masri, em nome da o Qaeda, a rede terrorista de Osama bin Laden, está por trás dos atentados perpetrados em Madri.[16]
Rodrigo Momento, ante a possibilidade de que o atentado não tivesse sido cometido por ETA manifestou que «Contra o terrorismo. O terrorismo é tudo igual», enquanto Eduardo Zaplana (porta-voz do PP) faria questão de que a polícia «segue convencida» de que a autora do massacre é ETA e «mantém a hipótese de ETA», mas reconhecendo que depois do aparecimento da fita e a suposta carta enviada pela o Qaeda a um diário árabe de Londres, se abriam novas vias de investigação.[14]
A Corrente SER, às 22h, informa que «três fontes diferentes da luta antiterrorista têm confirmado à Corrente SER que no primeiro vagão do comboio que explodiu dantes de chegar a Atocha, ia um terrorista suicida. Interior não o confirma».[17] Mais tarde, depois de completar-se as autópsias, a directora do Instituto Anatómico Forense, Carmen Baladía, confirmaria que não teve nenhum suicida entre os falecidos do 11 de março.[18]
Sexta-feira dia 12
Nessa sexta-feira, todos os meios de comunicação espanhóis anunciavam novos indícios que apontavam à autoria de grupos islamistas. Os meios de comunicação estrangeiros (por exemplo: The New York Times, Lhe Monde, Lhe Figaro, Correio della Sera, Financial Times, The Washington Pós.[19] ) também se faziam eco destas hipóteses, pondo em dúvida a possível autoria de ETA, e já alguns apontavam directamente ao possível envolvimento da o Qaeda. No editorial do Mundo podia ler-se: «Se demonstrasse-se que tem sido Ao Qaeda, o ministro do Interior teria cometido um grave erro ao se precipitar e dar por sentado que ETA era culpado da acção». E em um artigo do País: «A eventualidade de que os atentados sejam obra de grupos fundamentalistas islâmicos unidos à o Qaeda flutuou ontem como um fantasma em todos os comentários dos círculos políticos e jornalísticos. O governo foi rotundo em seus desmentidos, ainda que nem o Rei nem o Presidente do Governo citaram a ETA em suas primeiras alocuciones ao país. Se confirmasse-se que há elementos do radicalismo islâmico unidos aos factos, seria lícito suspeitar que se manipulou a informação desde instâncias oficiais».
O Lendakari basco, Juan José Ibarretxe, essa manhã declararia: «Ontem o governo espanhol atribuiu a ETA, sem nenhum género de dúvidas, a autoria dos atentados e, de boa fé, fizemos as correspondentes declarações… Ao longo do dia veio depois a confusão».[20] [21] Às 11.00 da manhã Aznar disse que «o Executivo não descarta nenhuma linha de investigação -ETA ou terroristas islâmicos-». Comenta que um governo «com dois dedos de frente, após 30 anos de terrorismo, ante um atentado como o de ontem tem que pensar logicamente, razoavelmente, que tem que ser essa banda [ETA] a autora» ainda que se negou a se pronunciar sobre se a via de investigação de ETA tinha maior força que a do terrorismo islâmico.[22] Rodríguez Zapatero, perguntado sobre a autoria dos atentados responderia: «Acho que a imensa maioria da sociedade o que está é com as vítimas, com as famílias e na contramão de qualquer tipo de terrorismo».[21]
Essa mesma manhã, seguiram difundindo-se novos indícios sobre a possível autoria. A Corrente SER, às 13.10, informa da desativação, na madrugada, de um artefacto explosivo conteúdo em uma mochila recuperada da estação do Poço. Anuncia ademais que nem o detonador nem o explosivo são dos habitualmente empregados por ETA, também não o dispositivo, accionado por um telefone móvel, e que segundo fontes da investigação, esta se centra prioritariamente em grupos terroristas islâmicos. O ministério do Interior só confirma o aparecimento da mochila sem oferecer dados sobre o detonador e o explosivo.
Às 18.30 ETA, através de um comunicante anónimo, lume telefonicamente ao diário Gara e a Euskal Telebista (ETB), a televisão pública vascã, assegurando que a organização terrorista «não tem nenhuma responsabilidade» no 11-M.
Na tarde dessa mesma sexta-feira, crescem as críticas sobre a gestão informativa do Governo. Felipe González, ex presidente do Governo, comentaria: «Nestes casos, o Governo, após as vítimas e os familiares, é o que mais sofre. Um tem a tendência a crer, e eu a tenho, que o Governo está a transmitir o que está a suceder... O problema é que os indícios que vão aparecendo a cada dia, a cada momento, a cada minuto são mais sérios de que pudesse ser [a autora dos atentados] uma organização islamista terrorista... Ao Governo há que lhe pedir transparência e prudência. Ouço informação na rádio, da que estão a dar vocês, que obviamente, o Governo a tem que ter». Respondendo a uma pergunta diria: «A hipótese de trabalho na gente que é muito experiente em isto, é quase seguro que já está estabelecida". Terminando: "O terrível seria que dentro de quatro dias em uma ou em outra direcção soubéssemos o que de qualquer jeito tarde ou cedo se vai saber e que não fosse o que nos induziram a crer. Espero que isso não ocorra de jeito nenhum». Rosa Aguilar de IU, também comentaria: «O que está a passar, é que a informação que se está a dar, a conhecemos pelos meios de comunicação. Informação que o Governo conhece. O Governo vai detrás, informando ao povo por trás dos meios de comunicação».[23]
Às 18.14 inicia-se uma nova roda de imprensa do Ministro do Interior. Nela anuncia que «durante a noite tem aparecido uma carteira de desportos que continha um explosivo, em concreto dinamita. A dinamita é Borracha-2, é Borracha-2 ECO, é uma modalidade mais recente que a dinamita Borracha-2. Esta dinamita estava reforçada com metralla para multiplicar o efeito e também tinha detonador e um telefone para actuar como temporizador». Também faz referência a que se está a analisar o modus operandi do atentando em relação com outros precedentes, citando explicitamente os atentados de ETA na Nochevieja do 2002, na Nochebuena do 2003 e o frustrado atentado em Baqueira.
A perguntas de um jornalista sobre as linhas de investigação, o ministro assinala que:Nessa sexta-feira pela tarde, nas manifestações convocadas como repulsa aos atentados, puderam se ver numerosos cartazes contra ETA junto a algumas que faziam alusão à o Qaeda.
Sábado 13
Posteriormente saber-se-ia que nesse sábado, às 13h do meio dia, José Manuel García Varela, chefe de informação da Policia civil se reuniu com o ministro Acebes e o secretário de Estado de Segurança para informar das detenções que estavam a ponto de se produzir.[26]
O diário O Mundo publica uma entrevista a Mariano Rajoy, candidato a Presidente do Governo pelo Partido Popular, na portada é titulada: Rajoy: «Tenho a convicção moral de que foi ETA»[27]
No sábado 13, ao meio dia, O ministro porta-voz do Governo, Eduardo Zaplana, declarou que «alguns querem descartar a ETA quando tudo aponta a que seja essa banda a autora dos atentados»[28]
Às 14.43 inicia-se uma nova comparecencia de Ángel Acebes nas que declara a perguntas sobre sobre se há novos dados sobre a pista da o Qaeda que:Minutos mais tarde, a Corrente SER informava que, segundo fontes do CNI, a linha de investigação se centrava em um 99% em grupos islamistas radicais. O director do CNI difundiria mais tarde uma nota na que desmentia tal informação.[30]
Às 14:01 a Agência EFE distribui um teletipo titulado: «As pistas apontam a ETA e descartam à o Qaeda».
Para as 6 da tarde desse dia 13 (jornada de reflexão prévia às eleições gerais) milhares de manifestantes concentram-se, convocados mediante SMS e desde foros de internet, ante as sedes do PP, acusando ao governo de mentir e atrasar deliberadamente informação relativa à responsabilidade do massacre.
Às 7:45, a Corrente SER adiantava a detenção de três marroquinos e dois índios em relação com os atentados. Suas detenções tinham-se produzido para as 15:30 (só uma hora após a comparecencia de Ángel Acebes). Às 8:15, o ministro do Interior compareceria novamente ante a opinião pública dando conta destas detenções, informando de que se tratava de três marroquinos e dois espanhóis de origem índio. A perguntas dos jornalistas assinalaria que «a Polícia vai seguir trabalhando todas as vias, ainda que as detenções abrem uma importante via de investigação».[31] [32] O País informou ao dia seguinte, que aquela mesma tarde do sábado, Rodríguez Zapatero chamou ao ministro Acebes lhe dizendo que sabia desde fazia horas que a autoria era do terrorismo islâmico.[33]
Igualmente, durante as sessões do julgamento oral celebradas entre fevereiro e julho de 2007, diversos comandos policiais testemunhariam assinalando que o Ministério de Interior soube para as 18:00 horas da quinta-feira 11 que o explosivo empregado não era Titadine e que nem no dia 11 nem o 12 a investigação contribuiu dados objectivos que apontassem a ETA».[34] [35] [36]
Às 19.40, Telemadrid informa ao 091 de um telefonema telefónico anónima na que se comunica o depósito de uma fita de vídeo reivindicativa do atentado em um ponto concreto de Madri.
As declarações dos ministros Zaplana e Acebes provocaram a reacção da maioria dos partidos políticos do arco parlamentar excepto o PP.[37] Suspeitavam que o governo retinha informação e em casos o acusavam de manipular essa informação em benefício do PP. O porta-voz do PSOE, Rubalcaba, disse que os espanhóis se mereciam um governo que não lhes minta, que lhes dissesse a verdade,[38] IU acusou ao governo de «dar um golpe de estado informativo ao empecinarse em que ETA era a autora dos atentados». Román Rodríguez, de Coalizão Canaria disse ter a impressão de que «o PP utiliza o atentado terrorista de forma partidário». Outros partidos propunham acusações parecidas. O PSC formulou uma acusação directa dizendo que o governo do PP «tem tentado dirigir todas as suspeitas em uma sozinha direcção» com a finalidade de «favorecer» suas posições políticas em matéria antiterrorista e de «evitar que ninguém pudesse relacionar este atentado com a participação de Espanha na guerra e a ocupação ilegal do Iraque», também pediu o despedimento do ministro do Interior.[39] [40]
Domingo 14
Às 00.45, o Ministro do Interior informa de que um suposto «porta-voz militar» da o Qaeda na Europa, tinha assumido a responsabilidade dos atentados terroristas cometidos na quinta-feira em uma fita de vídeo localizada depois do telefonema telefónico a Telemadrid.[41]
Essa noite, Televisão Espanhola e Telemadrid[42] emitiram vídeos de vítimas de ETA e documentales sobre o terrorismo deste grupo em várias ocasiões.
Conquanto em um primeiro momento se priorizó a hipótese da possível autoria de ETA, às poucas horas abrir-se-iam diferentes linhas de investigação alternativas. A partir do achado da primeira prova, a furgoneta abandonada em Alcalá, os sucessivos indícios e dados objectivos que iriam aparecendo descartariam a possível autoria etarra enquanto se ia paulatinamente confirmado a hipótese islamista, ficando esta consolidada com as primeiras detenções a tarde do sábado 13, incluída a de Jamal Zougam, já pesquisado no marco de outro sumário por terrorismo yihadista.[43]
As razões que se esgrimiram em favor desta tese são as seguintes:
As razões que se esgrimiram em favor desta tese são as seguintes:
No mesmo dia dos atentados a telefonia fixa e móvel registaram incrementos de 725% entre as nove e as dez da manhã, ficando as redes colapsadas. Também o tráfico por Internet registou um forte aumento, colapsándose numerosos servidores apesar de que Telefónica reforçasse as conexões de banda larga das grandes empresas.[51]
Internet mostrou agilidad durante esses dias. Os diários digitais incrementaram seu número de páginas dando informação sobre os atentados; numerosos lugares site, incluídos estes diários, mostraram banner contrários ao terrorismo e de solidariedade com as vítimas e desde diversas páginas puderam-se descarregar consignas e gráficos de laços para possibilitar sua impressão.
Nos dias seguintes não pôde se detectar um aumento de SMSs já que como média se superavam os 25 milhões de mensagens diários, mas não se descartou que o conteúdo dos mesmos variasse, centrando no tema dos atentados. Em Internet sim observou-se um significativo aumento do tráfico, batendo-se record na consulta aos meios de comunicação digitais.[52]
No sábado, «o móvel foi a ferramenta fundamental para convocar as manifestações em frente às sedes do PP em diferentes cidades espanholas com o fim de protestar pela falta de transparência informativa em torno da autoria do 11-M». Ainda que desde lugares em Internet informava-se das mobilizações, tendo como efeito o aumentar essas mobilizações, estas não se explicam sem as correntes de mensagens entre amigos chamando a se manifestar e terminado todos eles com um «o passa».[53] [54] [55]
No dia das eleições Internet seguiu sendo o médio escolhido por numerosos internautas para informar-se das diferentes encuestas e sondagens que foram se realizando. «A contagem foi instância, rapidísimo e o site do Ministério funcionou à perfección convertendo-se no autêntico centro informativo da noite dantes da confirmação definitiva do resultado. De novo as tecnologias ocupavam um espaço na vida política como nunca o tinham feito».[51]
A lista que o ministério do Interior pendurou na Rede com os nomes das vítimas, o 17 de março já tinha recebido mais de quatro milhões de visitas.[56]
Diversos líderes mundiais expressaram sua condenação pelos atentados de Madri e se solidarizaron com as vítimas. Também o fizeram organismos internacionais como Amnistia Internacional ([4])
O Parlamento Europeu declarou no dia 11 de março "dia das vítimas do terrorismo".
Estados Unidos ofereceu seu apoio na luta antiterrorista para localizar aos responsáveis. Israel oferece a experientes para o reconhecimento dos cadáveres e a análise de DNA.
Na França, todas as bandeiras nacionais ondean a média hasta durante os três dias de luto em Espanha. A bandeira da União Européia também ondeó nesse dia a média hasta.
A maior parte das carteiras européias caíram o 11 de março entre um 2 e um 3% como consequência dos ataques de Madri. O índice Dow Jones caiu um 1,6%. As acções de empresas relacionadas com a aviação e o turismo foram as mais afectadas.
Polónia e Portugal declararam o 12 de março dia de luto nacional.
Personalidades como Romano Prodi, Silvio Berlusconi, Jean-Pierre Raffarin e Joschka Fischer viajaram o 12 de março para Madri para participar às multitudinarias protestos silenciosos das 7 da tarde.
Em uma entrevista televisada, o 13 de março, Fidel Castro acusou ao governo espanhol de enganar a seus cidadãos sobre os ataques para conseguir créditos eleitorais; e afirmou que José María Aznar tinha sabido que um grupo islâmico estava por trás dos atentados, mas que tinha preferido acusar a ETA.
Na Romênia, todas as bandeiras nacionais ondearon a média hasta e o governo declarou o 14 de março dia de luto nacional solidarizando com as vítimas espanholas e rumanas (9 mortos, 8 desaparecidos e 24 dos 76 feridos ainda hospitalizados).
No dia 12 de março, a Guarda Real britânica fez soar os conformes do Hino de Espanha como homenagem e solidariedade com o povo espanhol. Em um ano depois, com motivo dos atentados de Londres o 7 de julho, a Guarda Real espanhola tocou o God Save the Queen, devolvendo assim o gesto britânico e homenageando a seu povo.
Sucederam-se concentrações silenciosas em rejeição pelo atentado nas universidades espanholas.
Em toda Espanha tiveram lugar manifestações espontáneas, sobretudo contra ETA, assim que se deu a conhecer a notícia do atentado, dantes da manifestação convocada pelo Governo para o dia seguinte às 19.00.[57]
A tarde do 11 de março o compositor luxemburgués Pierre Even escreveu um "Agnus Dei, para as vítimas do 11 de março de 2004 em Madri" para voz aguda e órgão.
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Esta manifestação, convocada pelo governo, foi provavelmente o protesto mais multitudinaria da história de Espanha junto com a realizada depois da tentativa inesperadamente de Estado do 23-F, a manifestação de repulsa depois do assassinato de Miguel Ángel Blanco ou as manifestações contra a guerra de Iraq. Durante a manifestação da sexta-feira 12 já se fizeram sentir muitas das divergências.
O 12 de março, tiveram lugar concentrações contra o terrorismo às 12.00. A maior parte dos comércios fecharam às 18.30, e penduraram bandeiras de Espanha com um laço negro ou cartazes para expressar solidariedade para as vítimas.
Às 19.00, 2,3 milhões de pessoas manifestaram-se em Madri (população de 4 milhões) baixo uma chuva intensa, gritando "todos íamos nesse comboio", "não estamos todos: faltam 200", "Espanha unida jamais será vencida", "ETA não!", "A o-Qaeda não!" ou "Assassinos, assassinos". Em um princípio a manifestação ia ter lugar entre a praça de Colón e Atocha, de facto encheram-se também as ruas adjacentes. De forma poética, dizia-se que não llovía em Madri, senão que Madri chorava. O Príncipe Felipe e as Infantas Elena e Cristina de Borbón uniram-se à manifestação, sendo esta a primeira vez na história que um membro da família real espanhola o faz. O cardeal Rouco Varela, Arcebispo de Madri, também se manifestou pela primeira vez. Também estiveram ali o Presidente do Governo José María Aznar, o Presidente da Comissão Européia Romano Prodi, o Premiê italiano Silvio Berlusconi, o Premiê português José Manuel Durão Barroso e o Premiê francês Jean-Pierre Raffarin, bem como os ministros de Exteriores alemão, sueco e marroquino.[58]
Nove milhões de pessoas manifestaram-se em outras cidades espanholas, com o que ao todo foram 11,4 milhões os manifestantes em toda Espanha.[59] Em Barcelona manifestaram-se 1,5 milhões, com o lema Avui jo també sóc madrileny (Hoje também sou madrileno). É especialmente significativo que em várias cidades, o número de manifestantes superou a população normal das mesmas, como ocorreu em Cádiz (140.000 habitantes; 350.000 manifestantes).
O lema da manifestação foi "Com as vítimas, com a Constituição, pela derrota do terrorismo". A parte de "com a Constituição" foi muito protestada pela oposição, já que, dados os debates políticos que teve em Espanha em meses anteriores, se podia intuir uma condenação implícita a ETA mais que ao terrorismo em general e um apoio ao Governo do PP, que tinha recusado reformar a Constituição enquanto outros partidos tinham proposto diversas reformas.
Muitos cartazes condenaram expressamente a ETA e algumas, também, a dirigentes de partidos nacionalistas. Outras, no entanto, condenavam o terrorismo e apoiavam a paz, ou condenavam a violência em general. Devido à percepción de alguns de que o governo manipulava a informação para defender a hipótese de que o atentado tinha sido provocado por ETA, teve também cartazes de protesto contra o Partido Popular e contra a guerra em Iraq. Alguns cartazes expressaram uma rejeição contra o lema oficial: "Barcelona com Madri, Barcelona pela paz, a Constituição é outro tema" ou "Que pinta a Constituição aqui?".[60]
A só dois dias das eleições e com suspeitas de que se tinha manipulado informação, numerosos manifestantes exigiam saber quem tinha sido o autor do atentado dantes de votar. A gritos de "Quem tem sido?" ou "O PP mente, queremos a verdade!" os manifestantes mostraram sua indignação ante a suposta ocultação de dados por parte do governo de José María Aznar.
Também se produziram manifestações em outras cidades da Europa e América.
Nesse sábado já existiam indícios, adiantados em algum caso pelos meios de comunicação,[61] que apontavam a cada vez com mais força à autoria islâmica; não obstante, o governo fazia questão de não descartar a ETA como a principal via de investigação.[62] [63] Também, diversos meios de comunicação estrangeiros dão à hipótese do terrorismo islâmico maior relevância que à hipótese de ETA. A maioria da população sabia já que podia tratar de um atentado de terroristas integristas islâmicos. Partidos políticos da oposição duvidavam da gestão informativa do Governo, membros destacados do PSOE declaravam seu temor a que o governo tentasse adiar a comunicação dessa conclusão inevitável até a segunda-feira a fim de proteger da repercussão nos votantes, e se publica a declaração de Esquerda Unida, segundo a qual, o Governo, estaria a manipular a informação para evitar que se lhe relacionasse com a guerra do Iraque.
José Blanco, por aquele então, deputado do PSOE no Congresso, declara à corrente SER, pertencente ao grupo PRESSA: "Isto não teria ocorrido se meu partido tivesse estado governando", fazendo uma declaração de carácter político no chamado dia de reflexão.
O diário Mundo publica uma entrevista em profundidade com o candidato do PP, Mariano Rajoy, na que este, diz ter a "convicção moral "de que tem sido ETA a autora dos atentados.
Posteriormente saber-se-ia que às 13h do meio dia, José Manuel García Varela, chefe de informação da Policia civil se reuniu com o ministro Acebes e o secretário de Estado de Segurança para informar das detenções que estavam a ponto de se produzir.[26]
Às 13:45 produz-se o assassinato de Ángel Berrueta em Pamplona por parte de um polícia nacional, que estava fora de serviço, e seu filho, depois de uma discussão política da mulher do polícia, em que tinha tentado lhe forçar a pôr um cartaz contra ETA em sua panadería. Isto produziu incidentes em Pamplona e em outras cidades bascas.
Ao meio dia, o porta-voz do Governo, Eduardo Zaplana, faz questão de que ETA é a principal linha de investigação. A SER e os meios do grupo PRESSA, contradizendo ao porta-voz do governo, informa que segundo o CNI (Centro Nacional de Inteligência) a investigação se centra um 99% em grupos islâmicos radicais. E posteriormente, com os cinco detentos já na delegacia de Canillas, o director do CNI desmente à SER assegurando que a principal via de investigação segue sendo ETA.
Neste ambiente de confusão, iniciam-se correntes de SMS e apelos desde foros de Internet para concentrasse ante as sedes de PP.
Às 18.00 da tarde começam a concentrar-se milhares de pessoas em frente às sedes de PP. Os eslóganes que se corearon foram, maioritariamente, do tipo: “Que nos digam a Verdade!”, “Mentirosos!”, “Dantes de votar, queremos saber!”, “Aznar, tu o sabes!”, “Espanha não se merece um governo que minta!”, mas também se puderam escutar outros que relacionavam ao governo Aznar com a guerra do Iraque.
A SER, às 18.30, informa: “A notícia está na rua Génova de Madri em frente à sede do PP onde centos de pessoas se estão a manifestar de forma espontánea. São 3.000 ou 4.000 pessoas…”. CNN+ e TV3 emitiram imagens das concentrações[5].[64] [65]
Mariano Rajoy, candidato do PP à presidência, qualificou as manifestações de factos gravemente antidemocráticos [...] que têm por objectivo influir e coaccionar a vontade do electorado no dia de reflexão". O Partido Popular denunciou-o ante a Junta Eleitoral Central, já que no dia dantes das eleições é dia de reflexão, e por tanto, não se permite nenhum pronunciamiento partidário por parte dos políticos nem manifestações ou anúncios que peça o voto. A Junta Central Eleitoral (JCE) declarou ilegais essas manifestações no dia posterior, passando as actuações à Promotoria do Estado sem que esta chegasse a actuar contra ninguém.[66] [67] [68]
Imediatamente após as declarações de Mariano Rajoy, compareceu ante a opinião pública o então porta-voz do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, manifestando: “Os cidadãos espanhóis merecem-se um governo que não lhes minta, que lhes diga sempre a Verdade.” Bem como: "Dirigir-nos, de forma especial, aos cidadãos para que mantenham a serenidad que têm vindo mostrando nestes últimos dias".[69] [70]|
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As concentrações produziram-se, também, em outras cidades; no caso de Madri, os manifestantes deslocaram-se, posteriormente, à Porta do Sol e Atocha. Em Barcelona , uma marcha de 150 pessoas, que começou às 19.40 na rambla de Canaletas, cresceu em número até 3.000 pessoas dantes de se converter em manifestação na praça de Sant Jaume. Milhares de manifestantes concentraram-se ante a sede do PP dessa mesma cidade. Existiram manifestações similares em outras cidades como Santiago de Compostela, Sevilla ou Valencia. Essa noite produziram-se caceroladas em várias cidades e, em casos, estiveram acompanhadas pelo claxon dos carros. Avançada a noite os manifestantes foram-se dissolvendo sem que possam reseñarse actos de violência.[71] [72]
Radiotelevisión Espanhola, a televisão pública, manteve em sua programação a Cinema de Bairro para posteriormente prosseguir, já em horário de máxima audiência, com a emissão do filme "Assassinato em fevereiro", que trata sobre o assassinato por ETA do deputado autonómico basco Fernando Buesa e de seu escolta.[73]
Ao dia seguinte, no domingo 14, dia das eleições, a imprensa fez-se eco destas manifestações. O diário ABC saía à rua com o titular: “O Governo e o PP acusam ao PSOE de alentar o acosso a suas sedes em toda Espanha”, O diário O Mundo, em seu editorial, acusa ao grupo PRESSA (editor do País e proprietário da Corrente SER e CNN) de estimular aos manifestantes, e O País, também em seu editorial, manifesta: “Carece de justificativa, e supõe ir na pior das direcções, acusar ao governo dos atentados, como gritavam ontem algumas das pessoas que se manifestaram irresponsable e indevidamente, na jornada de reflexão, ante a sede central do PP".[74]
Celebram-se as eleições gerais. Desde diversos meios de comunicação anima-se aos cidadãos a votar nas urnas para que "os terroristas não coarten a democracia".
Entre os incidentes da jornada, destacam as críticas que se dirigiram a Aznar por parte de detractores quando foi a votar a seu colégio eleitoral junto a sua esposa, Ana Garrafa, e que lhe responsabilizavam dos atentados. Esta não pôde evitar as lágrimas. No mesmo momento também se escutaram vítores de partidários do então presidente do Governo.[75]
O escrutinio outorgou a vitória ao PSOE em umas eleições marcadas pela maior participação em número de votantes de Espanha (uns 25 milhões), ainda que em percentagem não foi o maior (75,66%). Outro efeito importante nestas eleições foi a polarización do voto, acumulando os dois grandes partidos, PSOE (10.909.687) e PP (9.630.512) o 82% de todos os votos emitidos.
Depois dos atentados, criou-se o Escritório de Atenção às Vítimas. Em um ano depois, esta tinha indemnizado a 851 vítimas por um total de 44.219 milhões de euros. Também concedeu 449 cartões de residência a vítimas e 451 a seus familiares, dos 2.590 que as solicitaram.
Por sua vez, a Delegacia Geral de Extranjería e Documentação recolheu até o 1 de maio de 2004, 1.209 solicitações de nacionalidade, que remeteu à Direcção Geral dos Registos e do Notariado.
A maioria de familiares e vítimas de ditos atentados uniu-se à Associação 11-M Afectados do Terrorismo que presidiria Pilar Manjón. Meses mais tarde fundou-se a Associação de Ajuda às Vítimas do 11-M presidida por Anjos Domínguez à que se uniram algumas vítimas afines à de Francisco José Alcaraz quem presidia a Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) associação à qual também foram uns poucos afectados. A associação de Manjón fez questão da responsabilidade de José María Aznar e de seu governo, por ter implicado a Espanha na Guerra de Iraq [cita requerida].
Zapatero nomeou a Gregorio Peixes-Barba (ex Presidente do Congresso dos Deputados, reitor da Universidade Carlos III e militante do PSOE) como Alto Comisionado de Apoio às Vítimas do Terrorismo.[cita requerida]
Enquanto em democracias mais antigas como Estados Unidos e Grã-Bretanha, atentados similares (11-S e 7-J, respectivamente) não produziram mal fractura social, senão que uniram à sociedade civil em torno de suas instituições, em Espanha teve lugar o cenit da tensão social e política que se tinha ido incrementando durante a segunda legislatura de Aznar (Se veja VII Legislatura de Espanha).
Este fenómeno, denominado "agrupamiento depois da bandeira", não se produziu no caso espanhol, devido entre outros factores, e segundo os experientes em terrorismo, à má gestão da crise levada a cabo pelo então presidente José Mª Aznar (má gestão demonstrada também em outras emergências a que teve que fazer frente, como o acidente do Prestige ou do Yakovlev Yak-42).[76]
Depois dos atentados rompeu-se de facto o Pacto Antiterrorista que o PP e o PSOE tinham assinado, pois este proibia expressamente o uso electoralista dos atentados. O PSOE acusou então ao PP de mentir e manipular, enquanto o PP acusá-lo-ia a sua vez de instigar e participar nas manifestações contra as sedes e membros do PP.[cita requerida]
Existe a teoria, amplamente aceitada, de que o resultado eleitoral se viu influído pelos atentados que tiveram lugar três dias dantes em Madri. Há duas posturas a este respecto:
No que sim parece coincidir todas as análises é que os atentados actuaram como revulsivo entre muitos dos indecisos e entre cidadãos tradicionalmente abstencionistas, ainda que mais próximos à esquerda, que nesse dia foram em massa às urnas incrementando a participação acima de toda a previsão, provocando a vitória clara do PSOE.
A veracidad de uma ou outra hipótese resulta impossível de provar dado que não existe maneira de saber cuales tivessem sido exactamente os resultados de não se ter produzido os atentados. O verdadeiro é que nas últimas sondagens prévias apresentados no sábado anterior davam uma vitória justa para o PP com perda de maioria absoluta mas assim mesmo arrojavam outra dúvida já que se apreciava de novo um verdadeiro crescimento no voto ao PSOE. Resulta impossível de medir em que medida se disparou essa tendência a partir da quinta-feira já que na última semana dantes das eleições Espanha tem proibida por lei a realização de sondagens eleitorais.
No entanto é sabido que todos os atentados terroristas cometidos ao longo da história têm uma componente de arma política.
O assassinato do archiduque Francisco Fernando (1914), herdeiro do império Austro-Húngaro pelo grupo terrorista sérvio a mão negra, o de Carrero Blanco (1973) por ETA , os atentados de ETA nas proximidades de eleições territoriais (1998) ou nacionais (2000) ou os atentados em Iraq na jornada de eleições (2005) são alguns dos exemplos mais claros nos que os terroristas procuravam efeitos políticos. Em certas ocasiões conseguiram-nos e em outras conseguiram justo o efeito contrário ao procurado.
No caso do 11-M o atentado produziu-se três jornadas dantes das eleições nacionais do 14 de março, procurando possivelmente influenciar o resultado das mesmas.
Segundo o relatório policial de conclusões terminado o 3 de julho de 2006, remetido ao juiz Juan do Olmo e incorporado ao sumário judicial do 11-M, entre o magma de objectivos e ameaças por parte do islamismo internacional que os ejecutores materiais do atentado tomaram como inspiração, um documento de Global Islamic Média (uma página site consultado pelos ejecutores do atentado) propunha no caso espanhol uma série de objectivos estratégicos: [77]
Ainda que é difícil assegurar qual foi o efeito conseguido pelos atentados, podem servir como indicador do mesmo as encuestas encarregadas pelos meios de comunicação na semana anterior.[78] Todas elas davam como ganhador ao PP variando só na percentagem de pessoas (de 59% a um 70%) que opinavam que ganharia este partido (em frente a um 6-12 % de pessoas que pensavam que venceria o PSOE). As encuestas posteriores ao 14-M indicavam que o 64% das pessoas achavam que "o PSOE não tivesse ganhado as eleições se não tivessem tido lugar os acontecimentos do 11-M" (em frente a um 23% que opinavam o contrário).[79]
A diferença entre os partidos maioritários tinha ido experimentando um sustentado descenso à medida que acercava-se no dia das eleições. Nos primeiros dias de março estava criptografada em aproximadamente 5 pontos a favor do PP. No entanto, tinha encuestas que reduziam esta vantagem a mal 2,5 pontos.[80] obtendo finalmente o PSOE uma diferença de 7 pontos no resultado das eleições, um 12% de diferença em frente às previsões. Nunca se tinha dado uma diferença tão grande entre as encuestas e o resultado final.
Outro indicador útil poderia ser o voto por correio, emitido dantes dos atentados. Esses votos davam como vencedor ao PP (44,9%) em frente ao PSOE (36,1%), com dados muito similares às encuestas prévias aos atentados citadas.
A cuantificación da influência política é algo evidentemente difícil. Uma análise[79] que quantifica essa influência indicou vários aspectos, resumidos nos seguintes efeitos sobre os votantes:
O número de votantes nessas eleições foi o mais alto da história da democracia espanhola (com 25 milhões) em número, mas não na percentagem de votantes (74%) que participaram nas mesmas com respeito ao censo eleitoral total (1977 - 78%, 1982 - 78%, 1993 - 76%, 1996 - 78%). Uma percentagem tão elevada só se dá em condições do que se deu em chamar viro eleitoral ou desejo de mudança.
Outra influência importante dos atentados nas eleições foi o do apelo do "voto útil" que provocou a polarización mais importante em umas eleições nacionais. Aliás o 82% dos votos repartiram-se entre o PSOE (10.909.687) e o PP (9.630.512). O total dos outros partidos somaram 3.827.501 votos. O PSOE conseguiu o maior número de votos jamais conseguido em umas eleições nacionais, e ainda assim não obteve a maioria absoluta devido ao grande número de votos obtido pelo PP.
As hipóteses que se propuseram para explicar o efeito produzido nas eleições são quatro, a saber:
Todas elas são necessárias para conseguir o efeito que se produziu nas eleições.
Em outras ocasiões (EE. UU., Reino Unido) produziu-se o efeito inverso, o chamado agrupamiento depois da bandeira. Nessas ocasiões a gestão da emergência levou-se a cabo seguindo estritos procedimentos políticos que não se deram em Espanha. As chaves na gestão de uma emergência como a do 11-M são:[81]
Nenhum destes pontos foi correctamente aplicado pelo governo nos dias posteriores ao atentado:
As investigações sobre os atentados permanecem abertas e são actualmente dirigidas pelo juiz Eloy Velasco que tem substituído a Juan do Olmo, à frente do Julgado Central de Instrução número 6. Continuam instruindo-se cinco diligências separadas relacionadas com o Sumário 20/2004, já concluído. Moutaz Almallah Davas, tem sido o primeiro processado depois do primeiro julgamento por motivo dos atentados. Assim mesmo, espera-se que Abdelilah Hriz, Hicham Ahmmidan e Saad Huseini sejam julgados nos próximos meses em Marrocos por sua suposta relação com os ataques.[82] [83]
Permanecem fugidos Amer Azizi, Mohamed Belhadj, Said Berraj, Mohamed Afalah e Daoud Ouhnane. A investigação estima, não obstante, que algum dos citados poderia ter morrido em Iraq.[84] [85] Ademais, cinco perfis genéticos "especialmente relevantes" permanecem ainda sem identificar.[86]
Em relação com a investigação judicial posterior aos atentados, podem assinalar-se as seguintes metas:
Na terça-feira 10 de abril de 2006 o magistrado da Audiência Nacional, Juan do Olmo, conclui que o atentado foi inspirado mas não executado pela rede A o-Qaeda justificando a acção na participação espanhola na Guerra de Iraq.[94]
O juiz instrutor determina a existência de duas grandes redes na investigação. "Uma que teve participação, mais ou menos directa nos factos (...) e outra que teria intervindo na fugida dos reclamados e que aparentemente também apresentaria conexões com a malha terrorista islâmico em Espanha, fundamentalmente com o GICM. Ambas redes apresentariam conexões comuns, por diferentes indivíduos ou pontos de contacto, todos eles vinculados também ao GICM, entendido máximo referente do Movimento Salafista Yihadista em nosso país."[95]
Depois de mais de dois anos de investigações, o auto de processamento incluiu finalmente a 29 dos 116 imputados na causa. Jamal Zougam e Abdelmajid Bouchar foram processados por 191 assassinatos terroristas, 1.755 em grau de tentativa, 4 delitos de estragos terroristas e por pertence a organização terrorista.[96] Bouchar, seria, não obstante, condenado finalmente só por integração em banda armada, organização ou grupo terrorista e por tenencia ou depósito de substâncias explosivas.[97]
Nove espanhóis foram processados por sua vinculação à denominada pelos meios de comunicação 'trama asturiana', que teria fornecido os explosivos, e que estaria encabeçada pelo ex mineiro José Emilio Suárez Trashorras.[98] Finalmente, só seriam condenados o citado Suárez Trashorras; Antonio Touro Castro por tráfico de explosivos; e Sergio Álvarez e Antonio Iván Reis Palicio por transporte de explosivos.[99] Aos que teria que somar a condenação de Gabriel Montoya Vidal, em um processo independente, por um delito de fornecimento de explosivos a grupo terrorista.[100]
Rabei Osman 'Mohamed O Egípcio', Hassan o Haski e 'Youssef Belhadj, considerados os ideólogos do atentado, foram processados por conspiração para delito terrorista. A sentença condenou aos dois últimos a 15 (rebajada a 14 em casación) e 12 anos de cárcere respectivamente por pertence a banda armada, o primeiro em condição de dirigente. Em mudança, Rabei Osman 'Mohamed O Egípcio', que já cumpria condenação na Itália pelo mesmo delito, foi absolvido em aplicação do princípio non bis inidem ). A todos eles se lhes exculpó da participação directa no atentado.
O 20 de setembro de 2008 fez-se público o auto de processamento contra Moutaz Almallah Davas, por colaboração com organização terrorista. Almallah Davas, sírio nacionalizado espanhol, foi detido em Londres o 18 de março de 2005 e entregado pela justiça britânica em março de 2007.
O auto de processamento, ditado pelo Magistrado Eloy Velasco, assinala que que a colaboração de Moutaz se produziu com a "malha terrorista na banda comandada por Serhane 'O Tunecino', e que de seguro influiu na posterior malha que concluiu no atentado do 11-M e posteriores suicídios de Leganés".
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A sentença relata em seus Factos Provados que:
"Sarhane Ben Abdelmajid Fakhet, Jamal Ahmidan, alias O Chinês, Mohamed Oulad Akcha, Rachid Oulad Akcha, Abdennabi Kounjaa, Asrih Rifaat Anouar, Allekema Lamari e uma oitava pessoa que não tem sido identificada, junto com outras que dizer-se-ão (Jamal Zougham e Otman o Gnaoui), na manhã do dia 11 de março de 2004 colocaram, em quatro comboios da rede de cercanias de Madri, treze artilugios explosivos de iniciación eléctrica compostos por dinamita plástica e detonador alimentados e temporizados por um telefone celular ou móvel.
Os nomeados, sobre as 21 horas do dia 3 de abril de 2004, ante a inminencia de sua detenção pela polícia, que lhes tinha cercados na moradia que ocupavam na rua Martín Gaite núm. 40, andar 1º A, de Leganés , decidiram suicidar-se detonando vário ónus de dinamita de marca-a Borracha 2 ECO que, além de lhes causar a morte a eles, mataram ao subinspector do Grupo Especial de Operações do Corpo Nacional de Polícia dom Francisco Javier Torronteras.
Os oito ocupantes do andar junto com os processados Rabei Osman Ao Sayed Ahmed, Hassan O Haski, Youseff Belhajd, Abdelmajid Bouchar, Jamal Zougham, Basel Ghalyoun, Otman o Gnaoui, Gnaout ou Kanoui, Mohamed Larbi Ben Sellam, Rachif Aglif, Mohannad Almallah Davas, Fouad o Morabit Anghar, Mohamed Bouharrat, Saed o Harrak e Hamed Ahmidan, são membros de células ou grupos terroristas de tipo yihadista que, pelo que agora interessa, mediante o uso da violência em todas suas manifestações, pretendem derrocar os regimes democráticos e eliminar a cultura de tradição cristão-ocidental, substituindo por um Estado islâmico baixo o império da sharia ou lei islâmica em sua interpretação mais radical, extrema e minoritária."[101]
A sentença absolveu a sete dos 29 processados, outro mais foi exculpado durante o julgamento oral, condenando a penas de milhares de anos de prisão a Otman O Gnanoui (42.919), Jamal Zougam (42.917) e José Emilio Suárez Trashorras (34.715).
A sala não achou provas, no entanto, para condenar como autores intelectuais (autores de um delito de conspiração para delito terrorista) a nenhum dos três processados aos que a Promotoria atribuía esta condição: Rabei Osman O Sayed, "Mohamed o Egípcio"E, Hassan O Haski e Youssef Belhadj.
A sentença avala a instrução de Julgado de Instrução e descarta a participação de ETA nos ataques.[102] Em relação com o explosivo empregado, o Tribunal determinou que "toda ou grande parte da dinamita dos artefactos que explodiram nos comboios no dia 11 de março e toda a que foi detonada no andar de Leganés, mais a achada no desescombro posterior, procedia de mina Conchita". "(...)O explosivo utilizado pelos terroristas foi, em todos os casos, dinamita plástica "tipo borracha".[103] A Audiência não entra a valorizar as motivações do atentado, ou a possível incidencia da participação de Espanha na Guerra de Iraq ou Afeganistão.
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A sentença 65/2007 foi impugnada pelo Ministério Fiscal, duas associações de vítimas e por particulares. Estes recursos foram revisados pelo Tribunal Supremo em vistas celebradas nos dias 30 de junho de 2008, 1 e 2 de julho do mesmo ano, ditando sentencia no dia 17 de julho desse ano. Nessa sentença recolhe-se que, ainda que a reivindicação da autoria dos atentados apresenta uma dependência ideológica respecto da o Qaeda, não aparece relação alguma com outros grupos ou dirigentes dessa organização, pelo que se considera que essa célula não dependia de nenhum grupo terrorista podendo ser identificada, a efeitos penais, como grupo terrorista independente.[104]
Sobre outros arguidos, entre os que se citam a Hassan O Haski e Youssef Belhadj, que foram condenados em primeiro lugar por seu pertence a "outras organizações terroristas, também dentro da órbita ideológico-religiosa da o Qaeda", o Tribunal não considera acreditada nenhuma relação com os atentados do 11 de março de 2004 nem com as actividades dos ocupantes do andar de Leganés.
A Sala Segunda do Tribunal Supremo ratificou[105] as condenações de Otman O Gnanoui (42.922 anos de prisão), Jamal Zougam (42.922 anos), José Emilio Suárez Trashorras (34.715 anos e seis meses de prisão), Abdelmajid Bouchar (18 anos), Rachid Aglif (18 anos), Hassan O Haski (14 anos), Youssef Belhadj (12 anos), Hamid Ahmidan (12 anos), Fouad O Morabit (12 anos), Mohamed Bouharrat (12 anos), Saed O Harrak (12 anos), Rafa Zouhier (10 anos), Mohamed Larbi Ben Sellam (9 anos), Sergio Álvarez (3 anos), Antonio Iván Reis Palicio (3 anos), Mamoud Slimane Aoun (2 anos) e Nasreddine Bousbaa (2 anos).
Decidiu, em mudança, absolver a Basel Ghalyoun e Mouhanad Almallah Dabbas (que tinham sido condenados pela Audiência Nacional a 12 anos), a Abdelillah O Fadual O Akil (que tinha sido condenado em primeiro lugar a 9 anos) e a Raúl González (que tinha sido condenado a 5).
Pelo contrário, condenou a Antonio Touro Castro (4 anos de prisão) como autor de um delito de tráfico de explosivos.
Assim mesmo, o Tribunal Supremo lembrou manter as absoluciones de Rabei Osman O Sayed alias "Mohamed O Egípcio", Emilio Plano, Iván Granados, Javier González Díaz, Carmen Touro, Mohamed Moussaten e Brahim Moussaten.
O grande impacto social dos atentados também tem tido seu reflito na literatura.[106] Assim, as seguintes obras literárias novelan situações ou personagens relacionadas com este acontecimento: O corredor de Ricardo Menéndez Salmón, Madri blues de Branca Riestra,[107] A pedra no coração de Luis Mateo Díez, Vem a noite de Óscar Esquivias,[108] Anjos humanos de Adolfo García Ortega[109] e A vida dantes de março de Manuel Gutiérrez Aragón.[110]
Na música, a banda espanhola A Orelha de Vão Gogh compôs a canção Quinta-feira, que relata uma história de amor envolvida nestes eventos. Marcos Vidal compôs duas canções em homenagem às vítimas do atentado para seu disco Dedicatoria: «Teu custado segue aberto» e «Magerit». Luz Casal compôs a canção «Ecos»
Processo judicial
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