Augusto Boal (Rio de Janeiro, Brasil, 16 de março de 1931 - 2 de maio de 2009 ), dramaturgo, escritor e director de teatro brasileiro, é conhecido pelo desenvolvimento do Teatro do Oprimido, método e formulación teórica de um teatro democrático, do povo. Boal tem sido nominado para o Prêmio Nóbel da Paz 2008.
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Em 1953 translada-se aos EEUU com a intenção de cursar estudos de Engenharia Química, mas ali terminará por estudar teatro. Escreve obras teatrais e as escenifica com o “Writer’s Group”, uma associação de jovens escritores, entre elas "A casa do outro lado da rua na que se vai configurando os rasgos característicos de sua obra.
Em 1955 volta a Brasil e assume a direcção artística do Teatro de Areia em São Paulo onde funda, junto com Gianfrancesco Guarnieri, o Seminário de Dramaturgia do teatro de Areia (1958-1961). Em 1960 escreve Revolução em América do Sul escenificada em 1961 no teatro de Areia, na que o protagonista, José dá Silva, um homem do povo, é vítima de toda a classe de explorações por classe dominante. Desta época são José, do parto à sepultura, a adaptação da obra de Lope de Vega O melhor juiz, o Rei (Boal, Guarnieri, Paulo José), Julgamento no novo sol (Boal e Nelson Xavier) e Golpe a galope ( adaptação de “Condenado por desconfiado” de Tirso Molina). Em 1965, junto a Guarnieri inicia a série Areia Conta, na que narra através de personagens históricos brasileiros a luta pela libertação do povo.
A direcção do show Opinião acordou seu interesse pelos musicais. Surgem, assim, Areia canta Baía (com Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tomzé e Piti), Tempo de guerra e Sergio Ricardo posto em questão.
De 1968 são Tio Patinhas e a Pílula e Lua pequena e a caminata perigosa dedicada à luta do Che Guevara em Bolívia . Em 1969, em plena ditadura, escreve Bolívar, labrador do mar.
A princípios de 1971 é preso, depois de sua libertação deve exiliarse na Argentina, ali escreve Torquemada onde fala da prisão e do sistémico uso da tortura. Em Buenos Aires monta representações de peças teatrais, dá conferências e realiza investigações sobre o Teatro do Oprimido em toda América Latina.
Da década do 70 são também Milagre no Brasil e Crónica de nossa América, as adaptações da tempestade (Shakespeare) e Mulheres de Atenas (Aristófanes) com músicas de Manduka e Chico Buarque, respectivamente, e as adaptações de alguns contos de Crónicas de Nossa América- A mierda de ouro ou El homem que era uma fábrica e A mortal imortal. Em 1976 escreve Jane Spitfire. Neste ano translada-se a Portugal .
Em 1978 Boal é convidado pela Sorbonne para dar classes de Teatro do Oprimido. Translada-se a Paris onde funda o Centre d’etude et difusão dês techniques actives d’expression dedicado ao estudo e difusão do Teatro do Oprimido. Em 1979 Boal funda o Centre du Theatre de l’opprime.
Boal dirige Boses Blut, de Griselda Gambaro, no Schauspielhaus de Nurngerg, Dás Publiku de Garcia Lorca, no Schauspielhaus de Wuppertal e, no Schauspielhaus de Graz, Mit der Faust In offener Messer (de sua autoria), Zumbi (coautor com Guarnieri e Edu Lobo) e Nicht Mer Nach Calingasta de Julio Cortázar, Cândida Erendira de Garcia Marquez, no Théâtre Nacional de l’Est Perisien, Latin-American Fair of Opinion em Nova York.
Em Nova York dirige uma oficina de Produção Teatral onde teria entre seus alunos ao dramaturgo e director de teatro venezuelano Levy Rossell.
Em 1980 Boal leva a Brasil o Teatro-Fórum com seu grupo do CTO-Paris. Em 1986 volta a Brasil para dirigir a Fábrica de Teatro Popular, a proposta do Estado do Rio de Janeiro, cujo objecto era tornar acessível a todos a linguagem teatral, como método pedagógico e forma de conhecimento e transformação da realidade social. Mas este projecto fica truncado com a mudança de governo. Surge, então, o C.T.Ou. (Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro) com o objectivo de realizar estudos teórico-práticos do Teatro do Oprimido. A discussão sobre a cidadania, a cultura e suas várias formas de opresión são expressar através da linguagem teatral.
Em 1990 com o espectáculo Somos 31 milhões e agora? consolida-se definitivamente o CTO-Rio. Desde então, Boal e seu grupo trabalharam junto a organizações que lutam pela liberdade, igualdade e os direitos humanos. Nesse mesmo ano edita Méthode Boal de Théâtre et de thérapie l´arc-em-ciel du desir onde mostra as novas técnicas introspectivas de teatro-imagem.
Em 1992 se candidatura e é eleito vereador com a proposta de trabalhar teatralmente os problemas vividos pelo cidadão comum e discutir nas ruas as leis da cidade do Rio de Janeiro. Após ter transformado ao espectador em autor com o TO, inicia o projecto Teatro Legislativo, transformando ao eleitor em legislador.
Em 1999, monta uma sambópera sobre a ópera Carmen de Bizet , no CCBB, e no 2000 representa-a no Palais Royal de Paris . Nesse mesmo ano intensifica, com o CTO-Rio, o trabalho dentro das prisões de Sao Paulo.
Seu livro Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas, tem sido traduzido a mais de 25 línguas.
Actualmente levava a cabo um projecto nacional em colaboração com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que levar-se-á a cabo em 15 estados do Brasil.
Em março de 2009 recebeu o reconhecimento de Embaixador Mundial do Teatro" da Organização de Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, UNESCO. O 2 de maio de 2009, Augusto Boal faleceu no Rio de Janeiro aos 78 anos, por causa de uma insuficiencia respiratória.