O autoritarismo é, em termos gerais, uma modalidade do exercício da autoridade nas relações sociais, por parte de algum ou alguns de seus membros, na qual se extremam a ausência de consenso, a irracionalidad e a falta de fundamentos nas decisões, originando uma ordem social opresivo e carente de liberdade para outra parte dos membros do grupo social.
Em ciência política o autoritarismo refira-se a "a doutrina política que aboga pelo princípio do governo absoluto: absolutismo, autocracia, despotismo, ditadura, totalitarismo."[1] O termo utiliza-se para qualificar a organizações ou estados que pretendem conservar e gerir o poder político mediante mecanismos que se encontrem em aberta contradição com a liberdade.
É muito conhecida a divisão de Juan J. Linz entre regime autoritario e regime totalitario, paralela à de Hugh Trevor-Roper entre fascismo e fascismo clerical.
Conteúdo |
Em um sentido estritamente técnico, é a forma política na que o Estado, isto é, o conjunto de instituições que ostentan o poder político em uma delimitação territorial sobre um conjunto de cidadãos, se identifica com um partido político, cuja função seria servir de nexo entre o poder político e o cidadão.
Esta concepção do Estado e sua identidade com o partido pode-se contrapor aos sistemas políticos ocidentais de hoje em dia, nos que o Estado funciona como um ente superior, sendo assim separado do partido, que apesar de ter certo nível de controle sobre o Estado, não pode invadir concorrências alheias e fazer com o controle absoluto, isto é, fundir com o Estado.
Apesar de que a maior parte dos autoritarismos actuais funcionam como um sistema monopartidista, o facto de que só exista um partido não é o suficientemente concluyente como para dizer que tal Estado é autoritario. Igualmente, não é correcto dizer que um Estado, pelo mero facto de dispor de vários partidos, não é autoritario. Não há mais que recordar aqueles turbulentos momentos acaecidos durante a Revolução francesa, nos que apesar de existir vários partidos, se apresentava um autoritarismo evidente. O partido que chegava ao poder passava a ser o Estado, e graças a isso, se deram tremendas atrocidades, delitos capitais por motivos políticos e com efeitos retroactivos, o exterminio administrativo dos rivais dos demais partidos.
Ao longo dos séculos, a preocupação principal dos estudos da teoria política tem sido a teoria do Estado. Platón contribuiu aos alicerces desta teoria com seu discurso da República, no que tentava reconciliar a teoria moral com a prática política mediante o desenho de uma comunidade na que a propriedade fosse comum e o governo estivesse em mãos de uma aristocracia de reis-filósofos que educassem aos mais jovens. Estas doutrinas, em uma versão muito tergiversada, têm sido utilizadas nos tempos modernos como sustrato do sistema de governo denominado 'autoritarismo.
As diferentes escolas políticas e ideologias possuem diversos enfoques e soluções contra o autoritarismo.
Desde a perspectiva anarquista é um regime autoritario todo o regime que imponha o poder económico e político de um sector (e.g. Estado, cártel, etc.), e que por tal razão subordine involuntariamente a acção voluntária não-agressiva do indivíduo, que limite a capacidade dos grupos sociais de se associar livremente e determinar seu destino em autonomia. Estes desequilíbrios seriam possíveis graças à existência do poder coactivo, já seja mediante a violência ou intimidação, sem o qual ninguém estaria obrigado a submeter a uma autoridade deste tipo.
Os anarquistas consideram que o autoritarismo institucionalizado é um problema estrutural complexo que não se soluciona mudando de autoridades senão através de uma transformação profunda do modelo de desenvolvimento humano se baseando em leis, administrações, associações, cooperação e instituições voluntárias.
Desde a perspectiva comunista a raiz do autoritarismo radica na luta de classes. A classe capitalista, proprietária e em controle dos meios de produção (empresas, fábricas, centros financeiros, transportes, meios de comunicação, etc.) utiliza esse poder para dominar à maior parte a população, e impor seus interesses, muitas vezes na contramão do interesse da maioria.
A principal política antiautoritaria do comunismo é a eliminação das classes sociais e o estabelecimento de uma sociedade sem classes, abolindo a propriedade privada dos meios de produção.
O liberalismo tende a considerar que o núcleo principal do autoritarismo radica na concentração de poder político. Portanto seus principais políticas antiautoritarias orientam-se a limitar, dividir e controlar o poder do Estado. Por isso o liberalismo concede especial importância à Constituição e o constitucionalismo e a reduzir em todo o que seja possível o Estado.
Um derivado do antiautoritarismo liberal são as políticas antitrust ou antimonopólicas, que consideram que a concentração do poder económico é uma modalidade do autoritarismo, e que também deve ser limitado, dividido e controlado.
Em general o socialismo e a socialdemocracia consideram que a principal fonte de autoritarismo radica na desigualdade social, principalmente no mundo económico.
As principais políticas antiautoritarias do socialismo e a socialdemocracia orientam-se a atenuar as desigualdades sociais, já seja mediante uma maior intervenção do Estado, como por uma política de distribuição progressiva do rendimento e a promoção de mecanismos de negociação colectiva e diálogo social no mundo do trabalho.