Bárbaro é um exónimo peyorativo que procede do grego e sua tradução literal é "o que balbucea". Ainda que os gregos empregavam o termo para referir-se a pessoas estrangeiras, que não falavam o grego e cuja língua estrangeira soava a seus ouvidos como um balbuceo incompresible ou onomatopeya (bar-bar- similar a bla-bla- ). Neste sentido o termo é similar ao exónimo peyorativo popoluca (de pol-pol- ) que os mexicas deram a outros povos vizinhos que consideravam inferiores. Existem escritos, como os de Isócrates , que demonstram uma abertura deste povo para conceber aos bárbaros não como "estrangeiros", senão como indivíduos que careciam de educação, independentemente de seu lugar de nascimento.
Os romanos tomaram posteriormente a palavra e seu significado para o trato com os povos que invadiram o Império romano. Os clássicos deram o nome de bárbaros a todos os estrangeiros das comarcas fronteiriças com o Império, e com os que lutaram, conquanto se limita a consideração aos que, ocupando na Europa as comarcas ao norte do Império, invadiram este, apoderando de sua parte ocidental.
Estes povos formavam três grupos:
A etnología e antropologia tradicionais, com uma terminología já defasada e uma eurocéntrica visão das sociedades primitivas, denominou barbarie a um estádio de evolução cultural das sociedades humanas, intermediário entre o de salvajismo e de civilização.
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Os galos eram os povos que habitaram o que hoje é a França, Bélgica, o oeste de Suíça e as zonas de Holanda e Alemanha ao oeste do Rin, bem como uma faixa ainda pouco determinada deste último país, à orla direita do rio. Os gregos chamaram-nos keltoi (celtas), enquanto os romanos lhes apodaron “galos”, e a sua grande região, a Galia. Mas hoje em dia, os historiadores e arqueólogos têm convindo que as Galias eram múltiplas, isto é, que não todas as regiões se correspondiam com um mesmo grau de celtitud. Já os mesmos romanos tinham notado isto, pelo que faziam uma diferença entre a Galia Cisalpina (aquém dos Alpes) e a Transalpina (do outro lado dos Alpes). A sua vez, a Transalpina era dividida em quatro partes que, segundo a época de Roma, chamaram Galia Bélgica (de celtas menos ortodoxos), a Galia Comata ou Melenuna (a netamente celta ou tradicional), a Galia Aquitana (com celtas de características diversas ou pouco definidas) e a Galia Luguria ou Celtoligur, a primeira em ser anexada a Roma como a Provintia.
Os galos (ou celtas) estenderam-se por toda a Europa desde séculos dantes da chegada dos romanos. Eram gentes em contínua migração a quem os gregos chamaram keltoi, ainda que pensa-se que com este nome não estavam a assinalar a um único povo, senão a umas gentes que se moviam e se situavam em determinados territórios, lhes identificando realmente com os hiperbóreos. Por isso os historiadores e geógrafos gregos, ao observar as migrações e escrever sobre os keltoi (galos) diziam: “A Céltica está para além dos Alpes”, “A Céltica está cerca dos Ligures, na Itália”, “A Céltica está na Ásia Menor [Turquia]”, “A Céltica está para além das Colunas de Hércules”.
Estes celtas assentados no território que actualmente ocupa toda a França, foram chamados na Antigüedad pelos romanos galos, e o território, Galia Transalpina. Assim mesmo outros grupos de galos se tinham assentado no norte e centro da Itália, sendo denominados pelos romanos galos da Galia Cisalpina. Outros grupos celtas tinham seguido seu caminho cruzando os Pirineos até Hispania, onde se misturaram com os povos indígenas e cuja fusão deu lugar ao que os historiadores chamaram celtíberos.
Alguns autores explicam a confusão que teve entre o termo latino gallus com o significado de galo e seu homónimo gallus com o significado de galo (ave de corral), em francês coq. Segundo explica o lingüista francês Paul Robert, até o ano 1138 utilizava-se na França o termo jal (derivado do latín gallus) para designar ao galo. A partir de então empregou-se o nome onomatopéyico coq. Mas no Renacimiento usou-se o jogo de palavras da homonimia e tomou-se como emblema da França o galo. Segundo M. Robert, a partir do século XV começou-se a usar na França a palavra gaulois como sinónimo de celta ou galo.
Os iberos ou íberos foi como chamaram os antigos escritores gregos às gentes do levante e sul da Península Ibéria para distinguir dos povos do interior, cuja cultura e costumes eram diferentes. Destes povos escreveram Hecateo de Mileto, Heródoto, Estrabón ou Rufo Festo Avieno, citando com estes nomes, ao menos desde o século VI a. C.: elisices, sordones, ceretanos, airenosinos, andosinos, bergistanos, ausetanos, indigetes, castelani, lacetanos, layetanos, cossetanos, ilergetas, iacetanos, suessetanos, sedetanos, ilercavones, edetanos, contestanos, oretanos, bastetanos e turdetanos.
Geograficamente, Estrabón e Apiano denominaram ¨Iberia ao território da Península Ibéria.
Os germanos eram um povo guerreiro de raiz indoeuropea, diferenciables do tronco eslavo mais que por rasgos físicos por padrões culturais (a religião dos germanos era diferente à dos eslavos, por pôr um exemplo). Praticavam a agricultura e a ganadería nos tempos de paz e o saque nos de guerra. Geralmente, ao ser vindos do norte, a escassez e o frio impulsionavam-nos a grandes expansões territoriais.
Segundo recolhe-se nos textos germanos primitivos, tinha castas, mas não tão fechadas como em um feudalismo: Por um lado estavam os guerreiros (desta casta surgiam os reis), por outro os homens livres, geralmente artesãos e camponeses (que se se dedicavam à guerra passavam à primeira). E finalmente os prisioneiros de guerra, que eram serventes (de uma forma mais parecida ao servo feudal que ao escravo romano). Desconhece-se se a servidão era ou não hereditaria.
Sua sociedade era basicamente tribal e clánica, e seu sistema de governo era o Conselho, conhecido como o Thing, dos sacerdotes e os chefes militares, ou o Allthing, reunião de todos os membros do clã. O Allthing elegia aos chefes, que tomavam as decisões nos Things menores.
Todos os delitos eram julgados a instâncias de parte, dado que sem denúncia não tinha delito. Careciam completamente de forças policiais ou militares estáveis, seus exércitos costumavam ser mercenários ao serviço de um rei que prometia uma parte do botim. Por isso, os julgamentos se faziam em tribunais adhoc, resultando geralmente em uma compensação material (verghel) ou nos casos mais graves em exílio ou execução. A noção de cárcere ou trabalho forçado era absolutamente desconhecida para os germanos.
Sua religião e suas lendas eram politeístas e baseadas na natureza (ao igual que a maioria das crenças paganas), reconhecendo diversas classes de seres sobrenaturales:
Sua estrutura familiar conhecia uma pátria potestade bastante rígida, e podiam praticar-se indistintamente a poligamia e a monogamia, ainda que a baixa densidade de população fazia que se tendesse para esta última. Ao final, isso dependia dos usos tribales.
A raça germánica pode considerar-se dividida em dois ramos:
Ao despoblarse os campos, também foram assentados neles como colonos. Depois vem o período das invasões, sendo das mais terríveis a de suevos, vándalos e alanos (405), e a dos visigodos, que entraram na Itália acaudillados por Alárico (410)
À península Ibéria só vieram representantes da raça germánica tanto gótica como teutónica ou escita, isto é, os visigodos (2) e suevos (3) da primeira raça e da segunda os alanos, vándalos e hérulos. Em Aragón, a época da invasão dos bárbaros estende-se desde o ano 409 ao 466, em que Eurico agregou a suas tropas os ostrogodos e tomou o título de Rei.
No ano 406 teve lugar a invasão dos bárbaros no Império de Occidente. Durante três anos saquearam as Galias e no ano 409 invadiram a península Ibéria (1).
Os povos do norte da África também foram chamados bárbaros aliás a palavra bereber é uma palavra árabe que procede do grego bárbaros 'bárbaro' e foi usada pelos árabes para referir aos povos de língua bereber que habitavam as terras desde o oeste do Egipto até Marrocos.
Fora da Europa outros povos usaram a mesma metáfora de 'o que balbucea' a povos que falavam línguas diferentes da sua e que consideravam culturalmente inferiores, assim os aztecas chamaram popolucas (< pol-pol-) a vários povos diferentes e sem relação entre si que não falavam náhuatl e os aztecas consideravam inferiores ou inimigos.
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