Biodiversidade (neologismo do inglês Biodiversity, a sua vez do grego βιο-, vida, e do latín diversĭtas, -ātis, variedade), também chamada diversidade biológica,ou prepagos da natureza comola biodiversdad é o termo[1] pelo que se faz referência à ampla variedade de seres vivos sobre a Terra e os padrões naturais que a conformam, resultado de milhares de milhões de anos de evolução segundo processos naturais e também da influência crescente das actividades do ser humano. A biodiversidade compreende igualmente a variedade de ecosistemas e as diferenças genéticas dentro da cada espécie que permitem a combinação de múltiplas formas de vida, e cujas mútuas interacções e com o resto do meio fundamentam o sustento da vida sobre o planeta.
A Cimeira da Terra celebrada por Nações Unidas no Rio de Janeiro em 1992 reconheceu a necessidade mundial de conciliar a preservación futura da biodiversidade com o progresso humano segundo critérios de sostenibilidad ou sustentabilidad promulgados no Convênio internacional sobre a Diversidade Biológica que foi aprovado em Nairobi o 22 de maio de 1972 , data posteriormente declarada pela Assembleia Geral da ONU como Dia Internacional da Biodiversidade. Com esta mesma intenção, no ano 2010 foi declarado Ano Internacional da Diversidade Biológica pela 61ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em 2006 , coincidindo com a data da Objectivo Biodiversidade 2010.[2]
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Segundo a RAE, o termo biodiversidade define a "Variedade de espécies animais e vegetales em seu médio ambiente"[3]
No entanto o conceito, por seu carácter intuitivo, tem apresentado certas dificuldades para sua definição precisa, tal como assinalou Fermín Martín Piera[4] ao argumentar que o abuso de em seu emprego poderia o esvaziar de conteúdo, já que em suas palavras: costuma acontecer na história do pensamento que os novos paradigmas convivem durante um tempo com as velhas ideias, considerando junto a outros autores que o conceito de biodiversidade foi já apontado pela própria Teoria da evolução.
A princípios do século XX, os ecólogos Jaccard e Gleason propuseram em diferentes publicações os primeiros índices estatísticos destinados a comparar a diversidade interna dos ecosistemas. Em meados do século XX, o interesse científico crescente permitiu o desenvolvimento do conceito para descrever a complexidade e organização, até que em 1980 , Thomas Lovejoy propôs a expressão diversidade biológica.[5]
Se no campo da biologia a biodiversidade refere-se ao número de populações de organismos e espécies diferentes, para os ecólogos o conceito inclui a diversidade de interacções durables entre as espécies e seu ambiente imediato ou biotopo, o ecosistema em que os organismos vivem. Na cada ecosistema, os organismos viventes são parte de um todo actuando reciprocamente entre si, mas também com o ar, a água, e o solo que os rodeiam.
Distinguem-se habitualmente três níveis na biodiversidade
Há que incluir também a diversidade interna dos ecosistemas, à que se refere tradicionalmente a expressão diversidade ecológica.
A biodiversidade que hoje se encontra na Terra é o resultado de quatro mil milhões de anos de evolução.[6]
Ainda que a origem da vida não se pode datar com precisão, a evidência sugere que se iniciou muito temporão, uns 100 milhões de anos após a formação da Terra[cita requerida]. Até faz aproximadamente 600 milhões de anos, toda a vida consistia em bactérias e microorganismos[cita requerida].
A história da diversidade biológica durante o Fanerozoico -últimos 540 milhões de anos- começa com o rápido crescimento durante a explosão cámbrica, período durante o que apareceram pela primeira vez os phylum de organismos multicelulares[cita requerida]. Durante os seguintes 400 milhões de anos a biodiversidade global mostrou um relativo avanço, mas esteve marcada por eventos pontuas de extinções em massa[cita requerida].
A biodiversidade aparente que mostram os registos fósseis sugere que uns poucos milhões de anos recentes incluem o período com maior biodiversidade da história da Terra. No entanto, não todos os cientistas sustentam este ponto de vista, já que não é fácil determinar se o abundante registo fóssil se deve a uma explosão da biodiversidade, ou -simplesmente- à melhor disponibilidade e conservação dos estratos geológicos mais recentes.[cita requerida]
Alguns, como Alroy e outros[7] pensam que melhorando a tomada de mostras, a biodiversidade moderna não difere demasiado da de 300 milhões de anos atrás. As estimativas sobre as espécies macroscópicas actuais variam de 2 a 100 milhões, com um valor lógico estimable em 10 milhões de espécies, aproximadamente.
A maioria dos biólogos coincidem no entanto em que o período desde o aparecimento do homem faz parte de uma nova extinção em massa, o evento de extinção holocénico, causado especialmente pelo impacto que os humanos têm no desenvolvimento do ecosistema. Calcula-se que as espécies extinguidas por acção da actividade humana é ainda menor que as observadas durante as extinções em massa das eras geológicas anteriores[cita requerida]. No entanto, muitos opinam que a taxa actual de extinção é suficiente para criar uma grande extinção em massa no termo de menos de 100 anos[cita requerida]. Os que estão em desacordo com esta hipótese sustentam que a taxa actual de extinção pode se manter por vários milhares de anos dantes que a perda de biodiversidade supere o 20% observado nas extinções em massa do passado[cita requerida].
Descobrem-se regularmente novas espécies -uma média de três aves por ano[cita requerida]- e muitas já descobertas não têm sido ainda classificadas: estima-se que o 40% dos peixes de água doce de Sudamérica permanecem sem classificação[cita requerida].
O valor essencial e fundamental da biodiversidade reside em que é resultado de um processo histórico natural de grande antigüedad. Por esta sozinha razão, a diversidade biológica tem o inalienable direito de continuar sua existência. O homem e sua cultura, como produto e parte desta diversidade, deve velar pela proteger e a respeitar.
Ademais a biodiversidade é garante de bem-estar e equilíbrio na biosfera. Os elementos diversos que compõem a biodiversidade conformam verdadeiras unidades funcionais, que contribuem e asseguram muitos dos “serviços” básicos para nossa sobrevivência.
Finalmente desde nossa condição humana, a diversidade também representa um capital natural.[8] O uso e benefício da biodiversidade tem contribuído de muitas maneiras ao desenvolvimento da cultura humana, e representa uma fonte potencial para subvenir a necessidades futuras.
Considerando a diversidade biológica desde o ponto de vista de seus usos presentes e potenciais e de seus benefícios, é possível agrupar os argumentos em três categorias principais.
Faz referência ao papel da diversidade biológica desde o ponto de vista sistémico e funcional (ecosistemas). Ao ser indispensáveis a nossa própria sobrevivência, muitas destas funções costumam ser chamadas “serviços”:
Os elementos que constituem a diversidade biológica de uma área são os reguladores naturais dos fluxos de energia e de matéria. Cumprem uma função importante na regulação e estabilização das terras e zonas litorais. Por exemplo, nas laderas montanhosas, a diversidade de espécies na capa vegetal conforma verdadeiros tecidos que protegem as capas inertes subjacentes da acção mecânica dos elementos como o vento e as águas de escorrentía. A biodiversidade joga um papel determinante em processos atmosféricos e climáticos. Muitos intercâmbios e efeitos das massas continentais e os oceanos com a atmosfera são produto dos elementos vivos (efeito albedo, evapotranspiración, ciclo do carbono, etc).
A diversidade biótica de um sistema natural é um dos factores determinantes nos processos de recuperação e reconversión de desechos e nutrientes. Ademais alguns ecosistemas apresentam organismos ou comunidades capazes de degradar toxinas, ou de fixar e estabilizar compostos perigosos de maneira natural.
Ainda com o desenvolvimento da agricultura e a domesticación de animais, a diversidade biológica é indispensável para manter um bom funcionamento dos agroecosistemas.[9] A regulação trofo-dinâmica das populações biológicas só é possível respeitando as delicadas redes que se estabelecem na natureza. O desequilíbrio nestas relações já tem demonstrado ter consequências negativas importantes. Isto é ainda mais evidente com os recursos marinhos, onde a maioria das fontes alimenticias consumidas no mundo são capturadas directamente no médio. A resposta às perturbaciones (naturais ou antrópicas) tem lugar a nível sistémico, mediante vias de resposta que tendem a voltar à situação de equilíbrio inicial. No entanto, as actividades humanas têm aumentado dramaticamente quanto à intensidade, afectando irremediavelmente a diversidade biológica de alguns ecosistemas e vulnerando em muitos casos esta capacidade de resposta com resultados catastróficos.
A investigação sugere que um ecosistema mais diverso pode resistir melhor à tensão medioambiental e portanto é mais produtivo. É provável que a perda de uma espécie diminua a habilidade do sistema para se manter ou se recuperar de danos ou perturbaciones. Simplesmente como uma espécie com a diversidade genética alta, um ecosistema com a biodiversidade alta pode ter uma oportunidade maior de adaptar à mudança medioambiental. Em outros termos: quantas mais espécies compreende um ecosistema, mais provável é que o ecosistema seja estável. Os mecanismos que estão embaixo destes efeitos são complexos e calurosamente disputados. No entanto, nos recentes anos, deixou-se claro que realmente há efeitos ecológicos de biodiversidade.
Uma elevada disponibilidade de recursos no ambiente favorece uma maior biomasa, mas também a dominancia ecológica e frequentemente ecosistemas relativamente pobres em nutrientes apresentam uma maior diversidade, algo que é verdadeiro sistematicamente nos ecosistemas acuáticos. Uma maior biodiversidade permite a um ecosistema resistir melhor às mudanças ambientais maiores, fazendo-o menos vulnerável, mais resiliente porquanto o estado do sistema depende das interrelaciones entre espécies e o desaparecimento de qualquer delas é menos crucial para a estabilidade do conjunto que em ecosistemas menos diversos e mais marcados pela dominancia.
Para todos os humanos, a biodiversidade é o primeiro recurso para a vida diária. Um aspecto importante é a diversidade da colheita que também se chama a agrobiodiversidad.
A maioria das pessoas vê a biodiversidade como um depósito de recursos útil para a fabricação de alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos. Este conceito sobre os recursos biológicos explica a maioria dos temores de desaparecimento dos recursos. No entanto, também é a origem de novos conflitos que tratam com as regras de divisão e apropiación de recursos naturais.
Alguns dos artigos económicos importantes que a biodiversidade proporciona à humanidade são:
Os ecólogos e activistas ecológicos foram os primeiros em fazer questão do aspecto económico da protecção da diversidade biológica. Assim, E. Ou. Wilson escreveu em 1992 : "A biodiversidade é uma das riquezas maiores do planeta, e não obstante a menos reconhecida como tal...".
A estimativa do valor da biodiversidade é uma condição prévia necessária a qualquer discussão na distribuição de suas riquezas. Este valor pode ser discriminado entre valor de uso (directo como o turismo ou indirecto como a polinización) e valor intrínseco.
Se os recursos biológicos representam um interesse ecológico para a comunidade, seu valor económico também é crescente. Desenvolvem-se novos produtos devido às biotecnologías e os novos mercados. Para a sociedade, a biodiversidade é também um campo de actividade e ganho. Exige um arranjo de direcção apropriado para determinar como estes recursos serão usados.
A maioria das espécies tem que ser avaliada ainda pela importância económica actual e futura. No entanto, devemos ser conscientes de que ainda nos falta muito para saber valorizar, não só o económico, se não mais ainda o valor que tem para os ecosistemas e esse valor ou preço não o podemos nem sequer imaginar.
Considera-se geralmente que a expansão demográfica e económica da espécie humana está a pôr em marcha uma extinção em massa, de dimensões incomparavelmente maiores que as de qualquer extinção anterior. As causas concretas estão no desaparecimento indiscriminado de ecosistemas , por devasta-a de bosques, a degradação dos solos, a contaminação ambiental, a caça e pesca-a excessivas,...etc. A comunidade científica julga, em general, que tal extinção representa uma ameaça para a capacidade da biosfera para sustentar a vida humana através de diversos serviços naturais e recursos renováveis.
Por isso o entendimento da biodiversidade cultural em sua relação com os ecosistemas é chave, sempre que não se desassociem os recursos naturais de seu contexto cultural, histórico e geográfico.
A biodiversidade é importante porque a cada espécie pode dar uma pista aos cientistas sobre a evolução da vida. Ademais, a biodiversidade ajuda à ciência a entender como funciona o processo vital e o papel que a cada espécie tem no ecosistema.
A diversidade é uma propriedade fenomenológica que pretende expressar a variedade de elementos diferentes. Como qualidade fundamental de nossa percepción, sentimos a necessidade da quantificar. O desenvolvimento de uma medida que permita expressar de maneira clara e comparável a diversidade biológica apresenta dificuldades e limitações. Não se trata simplesmente de medir uma variação de um ou vários elementos comuns, senão de quantificar e ponderar quantos elementos ou grupos de elementos diferentes existem. As medidas de diversidade existentes pois, não são mais que modelos cuantitativos ou semi-cuantitativos de uma realidade cualitativa com limites muito claros quanto a suas aplicações e alcances. O desenvolvimento de um conceito matemático lógico e coerente para a modelación da diversidade biológica a nível específico e genético tem sido bastante explorada e apresenta um corpo sintético e robusto. A modelación da diversidade a nível de ecosistemas é mais recente, e viu-se beneficiada pelos progressos tecnológicos (como os SIG.[10] As medidas de diversidade mais singelas consistem em índices matemáticos que expressam a quantidade de informação e o grau de organização da mesma. Basicamente as expressões métricas de diversidade têm em conta três aspectos:
A cada um destes índices da diversidade é unidimensional e de leitura limitada. As comparações e valorações da diversidade biológica são forçadamente incompletas nestes termos. Usam-se por seu carácter prático e sintético, mas insuficiente em frente a modelos analíticos alternativos multiescalares e multidimensionales que respondem melhor às necessidades específicas de conservação e manejo. Assim, a modelación bidimensional (riqueza e abundância relativa) pode se considerar como o regular "clássico" de medida e expressão da diversidade. De acordo à escala espacial na que se mede a diversidade biológica, se fala de diversidade alpha (diversidade pontual, representada por α), beta (diversidade entre hábitats, representada por β) e gama (diversidade a escala regional, representada por γ). Estes termos foram acuñados por Robert Whittaker em 1960 e gozam em general de uma grande aceitação.
A biodiversidade não é estática: é um sistema em evolução constante, tanto na cada espécie, bem como na cada organismo individual. Uma espécie actual pode ter-se iniciado faz um a quatro milhões de anos, e o 99% das espécies que alguma vez têm existido na Terra se extinguiram.
A biodiversidade não se distribui uniformemente na terra. É mais rica nos trópicos, e conforme um se acerca às regiões polares se encontram populações maiores e menos espécies. A flora e fauna variam, dependendo do clima, altitude, solo e a presença de outras espécies.
A distribuição da diversidade biológica actual é o resultado dos processos evolutivos, biogeográficos e ecológicos ao longo do tempo desde o aparecimento da vida na terra. Sua existência, conservação e evolução depende dos factores ambientais que a fazem possível. A cada espécie apresenta requerimientos ambientais específicos sem os quais não lhe é possível sobreviver. Ainda que as mudanças orográficos e oceanográficos, altitudinales e latitudinales permitem definir unidades de paisagem com bastante aproximação, a componente específica das espécies presentes é a que finalmente permite identificar áreas relativamente homogéneas quanto às características que apresenta ou oferece para as populações biológicas.
Estas unidades de biosfera , podem ser identificadas como unidades de biodiversidade segundo diferentes critérios de valoração: por exemplo, o número de endemismos, riqueza específica, ecosistémica ou filogenética. Ainda que é comum argumentar que tal ou qual país apresenta determinados índices de biodiversidade, as unidades espaciais da diversidade biológica são por definição independentes dos limites ou barreiras geopoliticas.
Dois das unidades espaciais vigentes da biosfera, onde o factor da biodiversidade precede em importância, são as ecoregiones de Global 200[11] identificadas pela WWF e os “pontos quentes de biodiversidade”[12] de CI.
Global 200 identifica as ecoregiones mais importantes do planeta, tanto marinhas como continentais -corpos de água doce e terrestres- de acordo à riqueza específica, o número de endemismos e os estados de conservação.[13]
O termo “ponto quente de biodiversidade” foi acuñado pelo Dr. Norman Myers em 1998 e identifica regiões biogeográficas terrestres importantes segundo o número de endemismos e o grau de ameaça sobre a biodiversidade.[14]
Durante o século XX veio-se observando a erosión a cada vez mais acelerada da biodiversidade. As estimativas sobre as proporções da extinção são variadas, entre muito poucas e até 200 espécies extinguidas por dia, mas todos os cientistas reconhecem que a proporção de perda de espécies é maior que em qualquer época da história humana.
No reino vegetal estima-se que se encontram ameaçadas aproximadamente um 12,5 % das espécies conhecidas. Todos estão de acordo em que as perdas se devem à actividade humana, incluindo a destruição directa de plantas e sua hábitat.
Existe também uma crescente preocupação pela introdução humana de espécies exóticas em hábitats determinados, alterando a corrente trófica.
Alguns exemplos de actividades de desenvolvimento que podem ter as mais significativas consequências negativas para a diversidade biológica são:
Aos anteriores pode acrescentar-se com sentido a biodiversidade cultural. Os trabalhos sobre biodiversidade biológica estão a incorporar o estudo o fomento e a protecção da biodiversidade cultural, além da biodiversidade específica, de ecosistemas e da genética.
Eugenio Reis Laranjeira[15] define a Biodiversidade Cultural como diversidade de saberes que os seres humanos têm desenvolvido através da história em sua relação com a biodiversidade
Isto inclui crenças, mitos, sonhos lendas, linguagem, conhecimentos científicos, atitudes psicológicas no sentido mais amplo possível, manejos aprovechamientos, desfrute e compressão de meio natural.
Trata-se de compreender a evolução biológica tendo em conta todos os aspectos da intervenção humana.