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Canto lírico

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Canto lírico é o conjunto de técnicas vocais utilizadas para cantar o repertorio da música douta. O termo deriva da lira, um instrumento de sensata punteada primitivo, com forma de ábaco que servia para acompanhar ao cantor em concursos na antiga Grécia. Como a harpa, a lira se tocava com as duas mãos.

O canto lírico distingue-se do canto popular pela tesitura e a extensão vocal do cantor. A tesitura de uma voz define-se pelo bom timbre, o volume considerável, um vibrato igualado, a possibilidade de um mezza dei voce e a possibilidade de agilidad e coloratura. A extensão vocal é intervalo entre o som mais grave e o mais agudo alcanzables. Nos cantores líricos a extensão costuma ser de duas oitavas ou mais, ainda que nos tenores pode ser de pouco menos de duas oitavas.

A formação de cantor lírico é uma carreira em conservatorio . Dura comummente entre cinco e oito anos e em muitos países termina com um grau académico.

Na classificação de matizes vocais no canto operístico, o uso do termo lírico é mais estreito. Costuma-se distinguir entre vozes líricas e vozes dramáticas. Com a diferenciación das óperas em ópera buffa e ópera séria diferenciaram-se também vozes sérias e buffas. Essa diferença foi-se convertendo nas categorias básicas da voz lírica e dramática. As vozes líricas se caracterízan pela voz de cabeça e a voz de apito ou voz flageolet, podendo utilizar a técnica do mezza dei voce. Nas vozes dramáticas, em mudança, predomina a voz de peito.

História

A arte do canto nasceu com o homem mesmo, com sua primeira expressão vocal. Em suas origens foi uma forma mais elevada da linguagem, provavelmente inspirada pelo culto primitivo. Há inclusive quem afirmam que o canto existiu dantes da linguagem falada, bem como existe em espécies inferiores ao homem, por exemplo as aves. Se arguye que o canto era uma melhor forma de comunicação para grandes distâncias e, ademais, se diz que o canto precedeu à linguagem como transmite conteúdos emocionais em vez de conteúdos textuais, algo que é mais complexo e veio depois.

Neurologicamente, o canto é manejado pelo hemisfério contrário ao da linguagem, isto é, pelo direito, na maioria de pessoas (só uma percentagem de zurdos tem as funções da linguagem e o canto trocadas). Por isto mesmo, em doenças nas que se afecta um destes hemisférios, a pessoa poderá cantar ou falar mas será incapaz de efectuar as duas.

Mais adiante o canto respondeu às necessidades das religiões e as estéticas, condicionadas naturalmente ­por exemplo por diferentes línguas­, as que levaram a diferentes maneiras de emitir a voz (nasalización e elevação artificial da laringe nas culturas do Oriente Médio).

Na antigüedad mediterránea a arte do canto teve influência na retórica; na Grécia os discursos deviam ser rendidos em um determinado tom. Para a tragédia e comédia gregas precisavam-se cantores formados, que junto com o drama ofereciam secções cantadas.

O contribua mais importante da Igreja Católica à arte do canto é, possivelmente, o canto litúrgico e seu desenvolvimento polifónico em séculos posteriores, dantes de concluir a Idade Média. A fins deste mesmo período, na Europa, apareceu um tipo de canto profano que poder-se-ia denominar de arte e que praticam os troubadours, trouvères e minnesänger. A improvisación livre do século XVI sentou as bases técnico-vocais para o amplo e diferenciado desenvolvimento que teve a arte do canto a partir de 1600, com o florecimiento da ópera, o oratorio, a cantata e o aria. Nesse período, no qual o canto teve um desenvolvimento musical tão grande, a principal preocupação era a expressão e a comprensibilidad do texto.

O virtuosismo vocal desenvolveu-se simultaneamente com o instrumental, e seus grandes cultores foram os castrati com sua enorme habilidade na execução de coloraturas. Recém o novo dramatismo do clasicismo restaurou a relação original entre música e declamación e substituiu ao castrato pelo cantor dramático, bem como permitiu a integração das mulheres, que foram excluídas do canto desde o século VII pela Igreja Católica.

No século XIX apareceu a canção artística (lied, kunstlied), a que com suas exigências técnicas e expresivas enriqueceu a arte do canto. Na arte vocal francês, em todas as épocas, o acento estava posto na declamación da palavra. A escola belcantística italiana, em mudança, ensinava o livre desenvolvimento do melos vocal, em detrimento do declamatorio.

Com o nascimento da ópera no ano 1600 em Florencia (Itália), o canto lírico adquiriu outra importância. As óperas ou operetas representavam-se nos cortes. Grandes expoentes de seu nascimento foram Henry Purcell, Claudio Monteverdi e Wolfgang Amadeus Mozart. A ópera foi levada aos teatros em meados do século XVII. Desde então compuseram-se várias óperas baseadas em obras de William Shakespeare e muitos autores da época. Mas a época de ouro da ópera e o canto lírico chegaria de 1800 (século XIX) ao 1950 (mediados do século XX) aproximadamente, com autores como Vincenzo Bellini, Gioacchino Rossini, Richard Wagner, Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini, Charles Gounod e Gaetano Donizetti, entre outros.

Foi durante estes séculos que o canto lírico se converteu em arte de culto. As vozes apareciam primeiro como por arte de magia. Depois começaram a formar-se os primeiros maestros ou professores de canto e as formas de emitir a voz foram estabilizando-se e passando por convencionalismos na cada época.

O som falsete quase feminino era utilizado desde a época de Mozart e até a chegada do cantor Gilbert Duprez. Até então os tenores passavam à zona aguda sem quase utilizar voz de peito, pelo que depois do A3 a voz se tornava instável e sucediam todo o tipo de problemas, gerando um som desagradable.

Muitos dos cantores do século XX transitaram esse caminho sem uma técnica depurada. Evitaram trabalhar a zona do bilhete ou passaggio e utilizaram sua voz aberta, quase sem cobrir até a zona aguda do registo. Entre os exemplos mais notorios esteve Giuseppe Dei Stefano, quem teve uma intensa carreira ainda que curta pelo uso indiscriminado da voz aberta e não coberta, o que lhe implicou um desgaste vocal.

No entanto, outros cantores, dos quais o mais destacado internacionalmente por sua popularidade fora dos palcos líricos foi o tenor Luciano Pavarotti, conseguiram uma técnica depurada e um bilhete à zona aguda sem tropiezos e conseguindo explodir ao máximo o uso dos resonadores faciais, conseguindo assim um som bem mais claro, com volume e uma união sonora entre os registos graves, meios e agudos, obtendo assim uma voz que parece ser a mesma em todas as zonas e que permitiu a estes cantores continuar suas carreiras decentemente até idades muito avançadas.

Pessoas que têm sido reconhecidas internacionalmentemente por dedicar ao canto lírico são Luciano Pavarotti, Enrico Caruso, Plácido Domingo, Maria Calas, Elena Obraztsova, Teresa Berganza, Alfredo Kraus, Montserrat Caballé, José Carreiras, Giuseppe Dei Stefano, Franco Corelli e Cristian Herrera, entre outros.

Veja-se também

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