María do Carmen Cerdeira Morterero, política espanhola pertencente ao PSOE, (Ceuta, 1958 - 2007)
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Nasceu em Ceuta o 27 de setembro de 1958 no seio de uma família de grande tradição republicano-socialista. Não em balde, seu pai Clemente Cerdeira García da Torre é um histórico do socialismo da cidade, seu avô paterno Clemente Cerdeira Fernández se assinalou como um dos diplomatas mais activos da II República para abortar o golpe militar de 1936 desde a retaguarda africana, e seu avô materno Justo Morterero Felipe membro de FETE-UGT foi assassinado pelos falangistas ao início da Guerra Civil em Écija (Sevilla) por Bando de Guerra. Era, assim mesmo, bisnieta de Joaquín García da Torre e Almenara prefeito de Ceuta nos anos 20, sobrinha-neta de David Valverde Soriano, prefeito republicano de Ceuta assassinado em 1937, e de Emilio Millán Rivero, depurado depois da Guerra Civil por sua militancia socialista.
Licenciou-se em Direito pela Universidade de Sevilla, e foi professora-tutora de Direito Civil do Centro Associado da UNED de Ceuta (1981-1985), localidade onde exerceu de advogada. Nunca chegou a descadastrar no Colégio de Advogados de Ceuta, já que o exercício da abogacía foi uma de suas grandes paixões junto à família e a política.
Filiada ao PSOE e à UGT, nas eleições municipais de 1983 foi eleita Vereadora de sua cidade pela lista socialista encabeçada por Francisco Fraiz, sendo durante dita legislatura Tenente de Prefeito. Não chegou a finalizar seu mandato já que seria eleita senadora da III Legislatura (1986/1989), repetindo na seguinte (IV Legislatura 1989/1993). Uma das iniciativas mais sobresalientes apresentadas por Cerdeira ante o Pleno do Senado foi a proposição de lei para a reforma do Código Civil em aplicação do princípio de não discriminação por razão de sexo em 1989. Desde o Senado, foi membro das Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da UEO (1990/1993).
No XXXIV Congresso Federal do PSOE (1997) foi eleita secretária de movimentos sociais na candidatura encabeçada por Joaquín Almunia, desde onde desenvolveu uma série de iniciativas que finalmente cristalizariam durante o governo de José Luis Rodríguez Zapatero em matéria de igualdade, como o apoio às pessoas homossexuais, e transsexuais.
Depois de sua etapa no Senado, foi designada assessora executiva do Ministério de Justiça, sendo nomeada em 1994 Delegada do Governo em Ceuta, a segunda vez que dita responsabilidade a ostentaba uma mulher após María de Eza no século XVI, da que cessaria depois das eleições gerais ganhadas pelo PP em 1996. A crise mais complexa que teve que gerir durante seu mandato foi a revolta de um grupo de imigrantes de outubro de 1995 nas Muralhas Reais do Ângulo, que se saldó com dezenas de feridos e o agente da Polícia Nacional Antonio Arrebola Alcántara, ferido grave por ferida de uma bala que tinha partido de uma arma oficial do calibre 9.[1]
Nas Eleições Européias de 1999 (e até 2003) foi eleita deputada ao Parlamento Europeu por seu partido, sendo membro da Comissão de Liberdades, Justiça e Assuntos de Interior.
Em 2004 foi nomeada presidenta da Sociedade Estatal para a Acção Cultural Exterior (SEACEX), responsabilidade que manteria até sua fallecimiento.
Faleceu o 2 de agosto de 2007 aos 48 anos de idade em sua cidade natal devido a um cancro que padecia desde fazia em vários anos.
Modelo:ORDENAR:Cerdeira, Carmen