Centro, em ciência política, é o conjunto de partidos, políticas e ideologias que se caracteriza por se considerar a si mesma intermediárias, no espectro político, a posições tanto de direita como de esquerda política.[1] É conveniente não confundir o centro com o reformismo. Enquanto o centro valoriza as posições consensuales como um fim em se mesmas -as políticas do "justo médio"[2] - o reformismo mantém objectivos de longo prazo para as quais tais posições seriam só um momento em um processo progressista de avanço moderado ou paulatino. Na prática política contemporânea, o centro propõe e defende políticas de economia mista e de profundización da democracia.;[3] [4] e[5]
Com frequência alegou-se que muitos partidos políticos ou políticos individuais mesmos estão a adoptar posições centristas, de tal maneira que, de facto, na actualidade, em alguns países ocidentais, se chegou no ponto que as diferenças entre os principais partidos anteriormente vistos como direitas e de esquerda são pequenas, defendendo ambos o mercado e a democracia representativa, com diferentes matizes de regulação e projectos de profundización. Isto, se alega, poder-se-ia dever já seja à suposta carência de posições definidas do centro (o que levá-lo-ia a mover na medida que as outras posições se movem[6] ) ou quiçá devido a oportunismo político[7] e[8] Outros, vêem a causa de tal "progresso" ao centro na suposta "derrota" de posições que parecem considerar opostas[9]
No entanto não todos aceitam que tal convergência seja real. Tanto desde partidos situados no que se considera a esquerda, especialmente os de Esquerda revolucionária, se assinala a todo o espectro formado pelo centro político como uma ideologia de direitas. Igualmente, desde posições que se consideram de direita, especialmente os de direita conservadora, lha considera como ideológicamente de esquerda. Citando a Margaret Thatcher pode-se dizer que ""Estar no meio da estrada é muito perigoso; te atropella o tráfico de ambos sentidos". Para outros movimentos o que exista algo que se declare de centro" é limitar as alternativas políticas só a uma "linha" desde a esquerda e a direita e fechar o caminho à diversidade de alternativas propostas nas ciências sociais e políticas. (ver, por exemplo: Espectro político)
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O termino tem tido tradicionalmente -não do todo correctamente- uma connotación de ser uma posição vadia, carecendo de princípios[10] ou fundamentos filosóficos e se baseando, ao mais, em uma aspiração - com frequência percebida como utópicas[11] e[12] - de encontrar acordos baseando na esperança (racional ou não) da "boa fé" kantiana[13] ou a virtude que se supõe é inherente no justo médio aristotélico.
Desde este ponto de vista percebe-se comummente ao centro como uma posição política própria da democracia representativa que se caracteriza por ser uma ideologia que carece de concepções dogmáticas[14] [15] dos indivíduos; sociedade e ordem política;[16] baseando-se em ideias que se rastrean a Aristóteles (o homem é um animal político[17] ) e Kant (a característica do homem é a faculdade de julgar[18] ) procurando estabelecer assim uma ordem política social baseado na perseguição das políticas do consenso.[19] e o diálogo racional,[20] praticas que, se alega, paulatinamente melhorassem as características éticas dos indivíduos e, através disso, a sociedade[21] o que pode levar a posições que às vezes parece ser possível denunciar como elitistas. Assim, por exemplo, Eugenio Trías argumenta:Essa situação está a começar a alterar para través do trabalho de vários pensadores norte-americanos baseados na Filosofia analítica, tais como Linda Trinkaus Zagzebski; Alvin Goldman, Alvin Plantinga, e Ernest Sosa, que procuram resolver o que vêem como expressões de dilemas falsos, através do encontro do terceiro excluído. (como introdução a esta percepción, ver Rizoma (filosofia)).[23] Isto tem dado origem a posições que se definem como de centro radical", baseadas na percepción que a afirmação simultanea dos princípios dos extremos políticos não só não é contradictoria, baseada em uma esperança utópica, senão que é um acto valido de Virtude epistémica" que permite a superação de aparente dicotomías tais como , por exemplo, "ou socialismo ou capitalismo".[24]
Assim, por exemplo, um centrista poderia afirmar que tanto a cooperação do socialismo como a competição do capitalismo são necessárias para o Desenvolvimento económico, a fim de produzir uma solução "que alente ao capital e às forças sociais a produzir em harmonia as riquezas para vencer a miséria e pobreza que pressiona à Nação.[25]
Congruentes com essa visão há uma variedade de estudos que exploram a contribuição que uma aproximação que enfatize o uso combinado de ambos princípios poderia fazer a fim de obter esse progresso. O caso mais geral pode-se ver no documento de Maria Bengtssona and Walter W. Powellb[26] Entre os estudos relevantes ao desenvolvimento em general podem-se mencionar aqueles que procuram dilucidar como implementar elementos de concorrência em acordos comerciais, já seja gerais[27] ou específicos a alguma área de interesse, por exemplo, estudos cientificos[28] energia[29] novas tecnologias.[30] De possível interesse para os interessados em projectos de mobilização ou acção social poderiam ser os estudos que se referem às cooperativas[31]
Na prática política isto tem dado lugar ao aparecimento de uma constelação não formal de grupos e partidos que geralmente têm como programa os seguintes princípios ou aspirações:
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Os partidos puros de centro são mais próprios de monarquias parlamentares, com parlamentos proporcionais, já que o bipartidismo favorece a polarización em partidos de direita (democristianos ou conservadores) e esquerda (social-democratas ou laboristas).
Na prática, considera-se que os governos aplicam geralmente um programa próximo ao centro político, com matizes de centro-esquerda ou centro direita, por ser este o ponto no que se situa a maioria da sociedade, incluindo àqueles que não costumam participar activamente em política.
Entre os partidos mais representativos do centro encontram-se a UDF francesa (fundando agora o Movimento Democrata), o FDP alemão, os liberaldemócratas ingleses e certos partidos italianos, coaligados na Margarita (os quais, agora passam a fazer parte do Partido Democrata, junto com os social-democratas).
Em Espanha , desde o desaparecimento do Parlamento do Centro Democrático e Social (CDs) não existe um partido explícito de centro de âmbito estatal com representação parlamentar, ainda que há partidos de recente criação que se disputam este espaço como União Progrido e Democracia[cita requerida] (com representação no Congresso dos Deputados) e Cidadãos-Partido da Cidadania[cita requerida] desde o centro-esquerda. Ademais existem alguns partidos de representação testimonial, como o Centro Democrático Liberal, e organizações carentes de toda representação institucional, que também se reclamam centristas, como o próprio Centro Democrático e Social ou União Centrista Liberal.
Como se sugeriu mais acima, se fizeram uma variedade de críticas ao centro. Como veremos, algumas destas se podem considerar facilmente como inválidas, já seja baseadas em concepções erróneas do que o termo ou inclusive o quehacer político implica, outras representando concepções diferentes do que política é ou deve ser.
Por exemplo, o centro é com frequência criticado por carecer de princípios e/ou basear suas posições nas de outros. Isto leva à sugestão que as posições centristas são mutables. ("A terceira opção, o centro, não é ideológica. Não parte de uma concepção do homem e do Estado, como o liberalismo ou o socialismo. O centro é em si mesmo situacional, já que se define em função da posição ideológica de outros. Pode defender uma coisa ou a contrária, segundo a oportunidade.) No entanto um centrista poderia facilmente retrocar que se o centro muda em relação às mudanças de outras posições, em realidade todos estão a mudar. Por que séria então tal situação só criticable nos centristas?
O termino "centroderecha" ou "direita moderada" é bastante confuso, tendo-se usado em vários sentidos. Aqui entender-se-á como se referindo à as pessoas ou organizações que compartilham ideologias tanto de direita como mas centristas ou um intermediário entre ambas. Este sector geralmente percebe o papel do estado não só como garante da ordem senão também como garante de última instância em matérias de bem-estar social (ver, por exemplo, Escola de Friburgo) Ao mesmo tempo partidários deste ponto de vista enfatizam as qualidades éticas que os indivíduos devem possuir a fim de participar plena e fructuosamente na vida económica, política e social de uma nação, por exemplo, responsabilidade tanto pessoal como social.[32]
Esta versão de centroderecha parece traçar suas raízes a duas visões disimilares -ainda que possivelmente procurem expressar uma visão comum:
A) "um partido moderno de centro-direita, reformista e liberal, ... responde sempre ao mesmo protótipo: rigor nos princípios, flexibilidade nas estratégias e eficácia na gestão.... centro-liberal e reiterou a vocação de seu partido em defesa da sociedade aberta, bem como o compromisso inequívoco dos populares com a Constituição e a soberania nacional que nela se proclama.[33] ou "Espanha precisa um centro-direita moderno; um Partido Popular centrado, moderado, livre de complexos do passado; aberto à modernização real da sociedade espanhola, que ele tem contribuído a consolidar, e sem medos nem perversiones maiores que as lógicas na confrontación política parlamentar. Um Partido Popular que valorize, sobretudo, seu profundo sentido do Estado; isto é, que não colabore em estratégia alguma, e muito menos a impulsione, que procure, consciente ou inconscientemente, ganhar o Governo ainda pagando o impagable preço de desprestigiar sequer subrepticiamente a excelencia do sistema institucional da democracia espanhola."[34]
B) "Na centroderecha, dirigentes como o saliente Vicente Fox em México, Elías Antonio Saca em El Salvador e Álvaro Uribe em Colômbia entendem que a economia de mercado e o Estado de Direito são os alicerces da prosperidade. Os líderes da centroderecha têm escolhido preservar o status quo dantes que o reformar. Têm mantido uma disciplina monetária e tentado seduzir a investidores estrangeiros. Mas têm feito pouco para transformar as instituições fundamentais de seus países, incluído o poder judicial, ou de incorporar às massas à economia global."[35]
O anterior tem dado origem a sugestões que a centro direita possui muitos aspectos ou matizes ( "A nova centroderecha se apresenta de muitas maneiras no mundo. Desde o primário e brutal Pervez Musharraf até o mediático e leve Nicolás Sarkozy, passando pelo friamente numérico Silvio Berlusconi. Todos fazem parte de uma mesma ideologia, mas mostram matizes marcados.[36] ) ou que compreende amplos e diversos sectores: "O Parlamento Europeu 2004-2009 achar-se-á dominado pelo centro-direita, representado pelo Partido Popular Europeu (Democrata Cristão) - Democratas Europeus (EPP-ED), com uns 285 cadeiras dos 732 existentes, e pelo Partido Europeu dos Democratas, Liberais e Reformistas (ELDR), que obteria uns 73 cadeiras."[37]
Na actualidade a centroderecha nos países desenvolvidos distingue-se por ter posições tais como:
A) Redução dos impostos para estimular o consumo, a poupança e o investimento (gerando maior crescimento económico, emprego e arrecadação tributária).
B) Redução da despesa pública (despesa do Estado) para frear a inflação, o endividamento do Estado e o déficit fiscais, mantendo o equilíbrio fiscal.
Suas maiores diferenças com as forças de centroizquierda radican em que estas últimas querem maior despesa pública, menos reduções de impostos e um equilíbrio fiscal mais flexível, bem como a defesa do estado do bem-estar. Adicionalmente, apoia uma política penal mais dura com os delinquentes, procurando corrigir mas que prevenir.
A diferença com o centro puro, a centroderecha tende a por um lado a ser nacionalista -ou regionalista- e ao mesmo tempo incorpora posições ou valores "de princípio". Nesse sentido, herda da direita o conceito de que o melhor governo é aquele que esta mais cerca dos costumes e valores do povo (o que às vezes se traduz em uma influência de percepciones religiosas no accionar político)
A diferença com a direita, a centroderecha reconhece um papel legitimo -ainda que limitado- ao actuar económico do governo e ao actuar político das instituições que na tradição cristã se vêem como intermediárias entre o indivíduo ou a família e o estado: desde associações de vizinhos a organismos sindicais e partidos políticos- têm não só o direito a actuar em representação de seus membros senão a que o estado delegue poderes a eles e subsidie sua existência (ver princípio de subsidiariedade) Adicionalmente, propõe uma postura menos conservadora que a direita política em temas sociais, em que aceita uma concepção mais ampla do direito dos indivíduos a perseguir seus interesses ou inclinações na medida que não rompam a lei.
Em países menos desenvolvidos o termo centroderecha às vezes é usado para designar a forças que na Europa e Estados Unidos não seriam chamadas como tais. Assim, por exemplo, em Chile algumas das forças políticas que apoiaram a Augusto Pinochet se autodefinen como "centroderecha : Dizer a verdade, com tranquilidade, com acalma, com argumentos, com solidez e o melhor possível desde o ponto de vista comunicacional: para a centroderecha não é uma vergonha ter apoiado ao governo militar. Ao revés. Para muita gente como eu, civis, militares, jovens, é uma enorme tarefa, que orgulha.[39]
Denomina-se centro esquerda em ciência política ao espectro político onde se localiza a formações políticas de esquerda moderada, afastadas das denominadas esquerdas revolucionárias ou do comunismo. As ideologias típicas do centro esquerda em ocidente e especialmente na Europa seriam as tendências geralmente denominadas reformistas: a socialdemocracia, o socioliberalismo, a nova esquerda. O electorado essencial do centro esquerda compõe-no a classe trabalhadora urbana, a classe intelectual académica e, inclusive, a população rural.
O ecologismo e inclusive o democristianismo poderia estar incluídos no centro esquerda dependendo o país. Nos Estados Unidos, a diferença de outros países, o liberalismo como tal costuma ser enquadrado no centro esquerda, devido à preponderancia do conservadurismo e o ultraconservadurismo nesse país. (em EEUU a direita utiliza a palavra "liberal" como sinónimo de "esquerda")
No caso de coalizões eleitorais ou parlamentares, o centro esquerda identificaria ao conjunto de formações de centro e esquerda, posições que na actualidade em general promovem a terceira Via.
O termo centroizquierda nasceu a princípios do século XX para descrever as ideologias políticas próximas ao socialismo, mas com matizes capitalistas, ainda que a partir da época da queda do Muro de Berlim tem sido usada mais pelos promotores do "capitalismo com rosto humano" ou o "capitalismo popular"; e tem substituído assim ao termo "esquerda moderada".
A maioria das forças políticas da centroizquierda são social-democratas; muitos destes partidos (como o Partido Laborista do Reino Unido) em suas origens defendiam o chamado "Socialismo democrático", que propõe a transição pacífica e gradual a uma economia socialista dentro do sistema democrático dos países ocidentais (em oposição à mudança violenta e revolucionário acompanhado de ditadura que supunha o comunismo).
No entanto, com o passo do tempo estas forças começaram a renunciar ao objectivo de socializar totalmente a economia, especialmente quando se fez evidente o falhanço da economia centralizada nos países comunistas. A queda do Muro de Berlim acelerou o processo pelo qual os partidos socialistas democráticos renunciavam a essa visão derivada do marxismo e aceitaram mais amplamente os postulados da terceira via.
Na actualidade as principais características da centroizquierda nos países ocidentais (principalmente na Europa) são as seguintes:
A) Mantención de um nível relativamente alto de impostos e rejeição a recortes fiscais excessivos; ainda que a centroizquierda -desde o ponto de vista económico da terceira via- não se opõe necessariamente a reduzir os impostos (e de facto, alguns Governos de centroizquierda têm reduzido os impostos quando têm governado), em general prefere manter o nível de impostos necessários para actuar como instrumento de redistribución do rendimento na sociedade (através de despesas sociais ou políticas redistributivas)
B) Defesa dos princípios básicos do "Estado de bem-estar". Historicamente tem sido a centroizquierda a que impulsionou a criação de tal estado, dado que considera um dever essencial da sociedade implementar políticas a favor da igualdade de oportunidades e desenvolvimento de seus membros, incluindo o acesso de todos os cidadãos a benefícios sociais básicos. (políticas sociais)
C) Equilíbrio fiscal (tentar não cair em déficit fiscal) como objectivo geral mas mantendo a legitimidade da intervenção estatal (incluindo dívida fiscal) se a situação o amerita.