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Cerâmica

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Para outros usos deste termo, veja-se Cerâmica (desambiguación).
Jarrón de cerâmica, Théodore Deck, século XIX.

A palavra cerâmica (derivada do grego κεραμικός keramikos, "substância queimada") é o termo que se aplica de uma forma tão ampla que tem perdido boa parte de seu significado. Não só se aplica às indústrias de silicatos (grupo de minerales de maior abundância, pois constituem mais de 95% da corteza terrestre), senão também a artigos e recubrimientos aglutinados por médio do calor, com suficiente temperatura como para dar lugar ao sinterizado. Este campo está a ampliar-se novamente incluindo nele a cementos e esmaltes sobre metal.

Conteúdo

História

Veja-se também: Rehidroxilación

A história da cerâmica vai unida à história de quase todos os povos do mundo. Abarca suas mesmas evoluções e datas e seu estudo está unido às relações dos homens que têm permitido o progresso desta arte.

A invenção da cerâmica produziu-se durante a revolução neolítica, quando se fizeram necessários recipientes para armazenar o excedente das colheitas produzido pela prática da agricultura. Em um princípio esta cerâmica modelava-se a mão, com técnicas como o pellizco, o colombín ou a placa (daí as irregularidades de sua superfície), e tão só se deixava secar ao sol nos países cálidos e cerca dos fogos tribales nos de zonas frias. Mais adiante começou a decorar-se com motivos geométricos mediante incisiones na massa seca, a cada vez mais complexa, perfeita e bela elaboração determinou, junto com a aplicação de cocción, o aparecimento de um novo oficio: o do alfarero.

Segundo as teorias difusionistas, os primeiros povos que iniciaram a elaboração de utensilios de cerâmica com técnicas mais sofisticadas e cociendo as peças em fornos foram os chineses. Desde China passou o conhecimento para a Coréia e Japão pelo Oriente, e para o Occidente, a Persia e o norte da África até chegar à Península Ibéria. Em todo este percurso, as técnicas foram se modificando. Isto foi devido a certas variantes; uma delas foi porque as arcillas eram diferentes. Na China utilizava-se uma arcilla branca muito pura, o caolín, para elaborar porcelana, enquanto em Occidente estas arcillas eram difíceis de encontrar. Outras variantes foram a influência do Islão, com suas maneiras de decoración, e os diferentes métodos utilizados para a cocción.

O invento do torno de alfarero, já na Idade dos Metais, veio a melhorar sua elaboração e acabamento, como também seu cocción ao forno que a fez mais resistente e ampliou a faixa de cores e texturas. Em princípio, o torno era somente uma roda colocada em um eixo vertical de madeira introduzido no terreno, e fazia-lha girar até atingir a velocidade necessária para elaborar a peça. Pouco a pouco foi evoluindo, introduziu-se uma segunda roda superior e fazia-se girar o torno mediante um movimento do pé; posteriormente acrescentou-se um motor, que dava à roda diferente velocidade segundo as necessidades.

Com frequência a cerâmica tem servido aos arqueólogos para datar os yacimientos e, inclusive, alguns tipos de cerâmica têm dado nome a culturas prehistóricas. Um dos primeiros exemplos de cerâmica prehistórica é a chamada cerâmica cardial. Surgiu no Neolítico, devendo sua denominação a que estava decorada com incisiones feitas com a concha do cardium edule, uma espécie de berberecho. A cerâmica campaniforme, ou de copo campaniforme, é característica da idade dos metais e, mais concretamente, do calcolítico, ao igual que a cerâmica do Argar (argárica) o é da Idade do Bronze.

Os ceramistas gregos trabalharam a cerâmica influenciados pelas civilizações do Antigo Egipto, Canaán e Mesopotamia. Criaram recipientes com belas formas que cobriram de desenhos que narravam a vida e costumes de sua época. A estética grega foi herdada pela Antiga Roma e Bizancio, que a propagaram até o Extremo Oriente. Uniu-se depois às artes do mundo islâmico, das que aprenderam os ceramistas chineses o emprego do belo azul de cobalto.

Desde o norte da África penetrou a arte da cerâmica na Península Ibéria, dando pé à criação da loza hispano-morisca, precedente da cerâmica mayólica com esmaltes metálicos, de influência persa, e elaborada pela primeira vez na Europa em Mallorca (Espanha), introduzida depois com grande sucesso em Sicília e em toda a Itália, onde perdeu a influência islâmica e se europeizó.

Usos

Seu uso inicial foi, fundamentalmente, como recipiente para alimentos; mais adiante utilizou-se para fazer figuras supostamente de carácter mágico, religioso ou funerario. Também se empregou como material de construção em forma de tijolo, teça, baldosa ou azulejo, tanto para paramentos como pára pavimentos. A técnica do vidriado proporcionou-lhe grande atractivo, utilizou-se também para a escultura. Actualmente também se emprega como aislante eléctrico e térmico em fornos, motores e em blindaje.

Utensilios

Interruptor de luz antigo, faziam-se de cerâmica por ser um bom aislante eléctrico.

O torno e o forno são os elementos fundamentais e importantes para a fabricação da cerâmica precisam-se ademais pinceles e varetas para a decoración. as principais ferramentas ou utensilios são:


Técnicas e materiais

Simulation of the outside of the Space Shuttle as it heats up to over 1.500 °C during re-entry into the Earth's atmosphere.

As diferentes técnicas que se foram utilizando têm dado como resultado uma grande variedade de acabamentos:

A matéria prima é a arcilla. Emprega-se água, sílice, chumbo, estaño e óxidos metálicos. Para a cerâmica chamada gres utiliza-se uma arcilla não calcárea e sal. Outro material importante para outro tipo de cerâmica é o caolín misturado com cuarzo e feldespato. Também se emprega o pó de alabastro e mármol. Para as porcelanas utilizam-se os óxidos de potasio , magnésio e alumínio.

Decoración

Uma vez terminado o objecto em alguns casos procede-se a seu decoración. Para este novo trabalho empregam-se diferentes técnicas que fazem que se obtenha um resultado muito variado:

Classificação

O produto obtido dependerá da natureza da arcilla empregada, da temperatura e das técnicas de cocción às que tem sido submetido. Assim temos:

- Arcillas cocidas. De cor rojizo devido ao óxido de ferro das arcillas que a compõem. A temperatura de cocción é dentre 700 a 1.000 °C. Se uma vez cocida recobre-se com óxido de estaño (similar a esmalte branco), denomina-se loza estannífera. Fabricam-se: baldosas, tijolos, teças, jarrones, cazuelas, etc.
- Loza italiana.- Fabrica-se com arcilla entre amarillenta e rojiza misturada com areia, podendo recobrir-se de barniz transparente. A temperatura de cocción varia entre 1.050 a 1070 °C.
- Loza inglesa. Fabricada de arcilla arenosa da que se elimina mediante lavagem o óxido de ferro e se lhe acrescenta silex (25-35%), yeso, feldespato (baixando o ponto de fusão da mistura) e caolín para melhorar a blancura da massa. A cocción realiza-se em duas fases:
1) Cocido entre 1.200 e 1.300 °C.
2) Extrai-se do forno e cobre-se de esmalte. O resultado é análogo às porcelanas, mas não é impermeable.
- Refractarios. Trata-se de arcillas cocidas porosas em cujo interior há umas proporções grandes de óxido de alumínio, torio, berilio e circonio. A cocción efectua-se entre os 1.300 e os 1.600 °C. O enfriamiento deve-se realizar lenta e progressivamente para não produzir agrietamientos nem tensões internas. Obtêm-se produtos que podem resistir temperaturas de até 3.000 °C. As aplicações mais usuais são:
a) Tijolos refractarios, que devem suportar altas temperaturas no interior de fornos.
b) Electrocerámicas: Com as que na actualidade se estão a levar a cabo investigações em motores de automóveis, aviões, geradores eléctricos, etc., com vistas a substituir elementos metálicos por refractarios, com os que se podem obter maiores temperaturas e melhor rendimento. Uma aplicação não muito longínqua foi seu uso por parte da NASA para proteger a parte delantera e lateral do Challenger na aterragem.
- Gres cerámico comum.- Obtém-se a partir de arcillas ordinárias, submetidas a temperaturas de uns 1.300 °C. É muito empregado em pavimentos.
- Gres cerámico fino.- Obtido a partir de arcillas refractarias (contendo óxidos metálicos) às que se lhe acrescenta um fundente (feldespato) com objecto de rebajar o ponto de fusão. Mais tarde introduzem-se em um forno a uns 1.300 °C. Quando esta a ponto de finalizar a cocción, se impregnam os objectos de sal marinha. O sal reage com a arcilla e forma uma fina capa de silicoalunminato alcalino vitrificado que confere ao gres seu vidriado característico.
- Porcelana. Obtém-se a partir de uma arcilla muito pura, denominada caolín, à que se lhe acrescenta fundente (feldespato) e um desengrasante (cuarzo ou sílex). São elementos muito duros costumando ter uma espessura pequena (de 2 a 4 mm), sua cor natural é branco ou translucido. Para que o produto se considere porcelana é necessário que sofra dois cocciones: uma a uma temperatura dentre 1.000 e 1.300 °C e outra a mais alta temperatura podendo chegar aos 1.800 °C. Tendo multidão de aplicações no lar (pilhas de cozinha, vajillas, etc.) e na indústria (toberas de reactores, aislantes em transformadores, etc.). Segundo a temperatura distinguem-se dois tipos:
  • Porcelanas macias. Cocidas a uns 1.000 °C, sacam-se aplica-se-lhes esmalte e voltam-se a introduzir no forno a uma temperatura de 1.250 °C ou mais.
  • Porcelanas duras. Se cuecen a 1.000º C, a seguir sacam-se, se esmaltan, e se reintroducen no forno a uns 1.400 °C ou mais. Se decoram-se realiza-se esta operação e depois voltam-se a introduzir no forno a uns 800 ºC.

Centros alfareros

Veja-se também

Bibliografía

  • Angulo Íñiguez, Diego. história da arte. raycar s.a. Madri 1982. isbn 84-400-8644-x
  • CASTALDO PARIS, Lluis.- Necessidade e importância da cerâmica como manifestação humana. Edicios do Castro, Cadernos do Seminário de Sargadelos nº72, 1996, A Corunha. 24x17. 113 pgs.

Enlaces externos

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