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Civilização

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Para outros usos deste termo, veja-se Civilização (desambiguación).
Vista sobre a cidade de Nova York. A cidade (civitas) é a origem do conceito de cidadão e com ele de civilização.

Civilização, utilizando o termo em um sentido restringido, é uma sociedade complexa.[1] As civilizações diferenciam-se das sociedades tribales baseadas no parentesco pelo predominio do modo de vida urbano (a cidade, que impõe relações sociais mais abertas) e o sedentarismo (que implica o desenvolvimento da agricultura e a partir dela o desenvolvimento económico com a divisão do trabalho, a comercialização de excedentes e, mais tarde, a industrialización e a terciarización). Com poucas excepções, as civilizações são históricas, isto é, utilizam a escritura para o registo de sua legislação e sua religião (aparecidas com o poder político -reis, estados- e religioso -templos, clero-) e para a perpetuación da memória de seu passado (incluindo o aparecimento dos conceitos de tempo histórico e calendário).

Se utiliza-se em um sentido amplo, civilização passa a ser sinónimo de Cultura (englobando as visões do mundo ou ideologias, as crenças, os valores, os costumes, as leis e instituições); que se costuma aplicar com carácter mais geral.

Deriva indirectamente do latín civis (cidadão) através de civil e civilizar

Conteúdo

Civilização em singular ou civilizações em plural

Civilização, um conceito fundacional das ciências sociais, é entendido: bem em singular, como grau superior de desenvolvimento da sociedade humana; ou bem em plural, como equivalente à cada uma das civilizações, entendidas geográfica, temporária, religiosa ou culturalmente (civilização micénica, civilização peruana, civilização grecorromana, civilização chinesa, civilização islâmica etc.). Esta diferenciación em seu uso pode fazer-se intencionalmente, implicando uma concepção oposta do termo.[2]

Civilização como estádio da evolução cultural

A descrição tradicional da evolução cultural da humanidade incluía seu passo por três estádios: salvajismo, barbarie e civilização. O predominio europeu desde era-a das descobertas (século XV); mas sobretudo desde a Revolução industrial (século XVIII) e a partilha colonial da África (século XIX), parecia fazer evidente para os contemporâneos a supremacía de todas suas particulares formas de organização: fossem económicas, sociais, políticas, inclusive suas crenças e sua raça (misionerismo e racismo). Desde esse ponto de vista, o conceito ilustrado de civilização universal passa a impor-se como um esquema particular ao que todas as partes do mundo devem amoldarse por seu próprio bem, baixo a protecção do que se baptiza como Civilização Ocidental, na fase do capitalismo que se conhece como Imperialismo (definição de Lenin ).

Relativismo cultural

O surgimiento de dúvidas neste esquema é paralelo a sua própria formulación, e podem rastrearse desde a Junta de Burgos e a Junta de Valladolid, em que se realizou o debate dos justos títulos no que Bartolomé das Casas tomou partido pelos conquistados em vez de por seus colegas de conquista (ainda que desde depois pensava em sua religião como única verdadeira). O relativismo cultural que se faz cientista com a antropologia moderna (Bronislaw Malinowski) se vai ampliar ao conceito de civilização, que começa a se usar em plural, e em pé de igualdade relativa, para definir à cada uma das organizações humanas, vinculadas a uma forma de entender a vida, para além inclusive do conceito de Religião ou de Cultura.

Tanto o Oxford Dictionary como o DRAE coincidem em que civilizar é sacar a algo ou alguém de um estado bárbaro ou selvagem, instruindo nas artes da vida -acrescenta o livro inglês- de modo que possa progredir na escala humana. Ou seja que, ainda que uma civilização seja o conjunto de crenças e valores que conformam uma comunidade, à civilização em sim podemos a definir como o progresso a secas. As civilizações, em mudança, constituem um conceito mais ambiguo e impuro: fazem referência não só aos valores culturais, éticos ou de qualquer outro tipo que sustentam a sociedade, senão também a sistemas ou mecanismos de organização da mesma. Têm, por isso, que ver com a cultura e a educação, mas também, e em grande parte, com o poder. Na história das culturas desempenha, a não duvidar, um papel relevante a das religiões, e daí se deriva o frequente abuso intelectual que tende a confundir estas com as civilizações propriamente ditas. Seria absurdo negar que a religião, e sua prática, têm tido enorme influência no devir dos humanos.
[3]

Entendido deste modo, em plural, a cada civilização é uma entidade cultural que aglutina um sentido semiinconsciente de unidade, e que agrupa em seu seio a várias nações e povos diferentes.

Determinadas sociedades, por seus especiais lucros culturais e pela capacidade destes de se impor como comuns a um espaço mais ou menos amplo, são consideradas pelos historiadores como civilizações independentes. Um exemplo claro dá-lo-ia a anfictionía que unificava a todas as poleis gregas em torno de determinados lugares de culto (o oráculo de Delfos), festividades (as Olimpiadas) ou textos (as obras de Homero ) e que as opunha ao que consideravam bárbaro (estrangeiro, que fala com sons ininteligibles: bar-bar) e não helénico, como os persas.

Evolución de las civilizaciones antiguas. Se aprecia que distintas civilizaciones históricas comparten el mismo grado de desarrollo político, social y cultural.

Civilizações em perspectiva histórica

A perspectiva histórica utilizada para classificar a uma civilização (mais que a um país) como uma unidade, é de origem relativamente recente. A partir da Idade Média, a maior parte dos historiadores adoptaram um ponto de vista religioso ou nacional. O ponto de vista religioso prevaleceu até o século XVIII entre os historiadores europeus, que consideravam a revelação cristã como o acontecimento histórico mais importante, o tomando como referência para sua classificação. Os primeiros historiadores europeus não estudaram outras culturas mais que como curiosidades ou como áreas potenciais de actividade misionera.

O ponto de vista nacional, a diferença do religioso, desenvolveu-se a princípios do século XVI a partir da filosofia política do estadista e historiador italiano Nicolás Maquiavelo, quem sustentava que o objecto adequado de estudo histórico era o Estado. O espanhol Francisco de Vitoria, fundador do Direito internacional, abordou o tema dos direitos da Coroa de Espanha na conquista da América. No entanto, os múltiplos historiadores que mais tarde realizaram a crónica dos estados nacionais da Europa e América só estudaram as sociedades à margem da cultura européia, para descrever sua sumisión às potências européias, a sua entender mais progressistas. Caso aparte é o dos misioneros e teólogos espanhóis que aprofundaram no conhecimento e análise das civilizações recém descobertas, às vezes de difícil caracterização.

Civilizações históricas
Civilização Estados
Sumeria-Caldea-Semita Sumer, Babilonia, Asiria, Fenicia, Reino de Israel.
Egípcia Antigo Egipto
Vale do Indo Harappa
Egea (Cicládica- Minoica- Micénica) e Helénica Thera, Creta; Micenas, Tirinto; poleis gregas, Império de Alejandro Magno e reinos helenísticos (Egipto ptolemaico, Pérgamo, Síria, Macedonia, etc.)
Carpato-danubiana Dacia, Tracia
Hitita Hititas
China Império chinês, submetido durante milénios a um repetido ciclo dinástico (que terminou com a Dinastía Ming e a Dinastía Qing), e desde o século XX, a República da China e a República Popular Chinesa
Indiano Império Maurya, Gupta
Austronesia Champa
Celta Europa danubiana, méditerranea, Anatolia, ilhas britânicas
Persa Império persa
Romana Roma Antiga, Império romano
Camboyana Império jemer
Arabe-islâmica Islão, Califato Omeya, Califato Abbasí, Ao Andalus, Império otomano. Na actualidade Mundo árabe, Turquia, Irão, Paquistão, Indonésia, Ásia Central...
Mesoamericana Olmeca, Tolteca, Azteca, Antigos mayas
Andina Império inca, Nasça, Huari, Tiahuanaco, Aimara, Chimú, Chavín
Japonesa História do Japão, Shogunato Tokugawa e Era Meiji (converge com a Ocidental)
Africana Império Kanem-Bornu, Benín, Ashanti, Zulú
Mongol Império mongol
Ocidental (Idade Média), em formação desde a Antigüedad tardia por fusão de elementos greco-romanos, germánicos e judeo-cristãos Império bizantino, povos germánicos, Império carolingio, Papado, monarquias feudales, monarquias autoritarias
Magiar (dificilmente separable da ocidental, com a que confluye) Magiares
Vikinga (dificilmente separable da ocidental, com a que confluye) Vikingo
Eslava (dificilmente separable da ocidental, com a que confluye) Povos eslavos, Império búlgaro, Reino da Polónia, República das Duas Nações, História da Sérvia,

História da Rússia, Império russo, URSS, Federação russa

Ocidental (Idade Moderna) Império português, Império espanhol, Império francês, Império britânico, monarquia absoluta
Ocidental (Idade Contemporânea) Revolução francesa, Unificação alemã, Unificação italiana
Ocidental (desde mediados do século XX) Estados Unidos, União Européia, Japão, bloco soviético, países emergentes, subdesarrollo, globalização

Veja-se também

Referências

Enlaces externos

Notas

  1. Tainter em seu estudo sobre o colapso das sociedades complexas, define uma civilização como o sistema cultural de uma sociedade complexa, e por isso sustenta que a civilização emerge com a complexidade, existe por ela e desaparece quando esta se reduz O qual lhe leva a dizer que o estudo do incremento e da perda da complexidade de uma sociedade serve como monitorización do fenómeno denominado civilização.
    Citado por Josep Antequera O potencial de sostenibilidad dos assentamentos humanos, em eumed.net
  2. Savater, Álvarez Junco, Aznar, Rodríguez Zapatero op. cit.
  3. Juan Luis Cebrián, Barbarie, religião e progresso, O País, 17/09/2006
  4. Duas obras de grande impacto sobre o tema são as de Vere Gordon Childe (As origens da civilização) e Samuel Noah Kramer (A história começa em Sumer).
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