Comunicação intercultural
A comunicação intercultural é uma disciplina que tem como objectivo estudar a forma em que a gente de diferentes origens culturais se comunica entre si. Encarrega-se também de produzir alguns lineamientos que permitam esta comunicação intercultural.
Como muitos campos de estudo académicos se aborda desde diferentes disciplinas. Entre estas incluem-se a filosofia, a antropologia, a etnología, os estudos culturais, a psicologia, a comunicação, a linguística, etc.
Por exemplo, como uma pessoa da China se comunica com uma pessoa de Turquia? Ainda mais, que construções mentais subjacentes aparecem em ambas partes, que lhes permitem se comunicar construtivamente?
As principais teorias para a comunicação intercultural estão baseadas em trabalhos que estudam e valorizam as diferenças (ou as dimensões culturais) entre culturas. Especialmente os trabalhos de Edward T. Hall, Geert Hofstede, Harry C. Triandis, Fons Trompenaars e mais recentemente Shalom Schwartz. Clifford Geertz foi também um importante colaborador neste campo.
Estas teorias têm sido aplicadas a uma variedade de diferentes teorias comunicativas e postulados, notavelmente nas áreas de negócios e administração (Fons Trompenaars e Charles Hampden-Turner) e a mercadotecnia (Marieke de Mooij, Stephan Dahl).
Modelos teóricos
Considerando a Comunicação Intercultural como uma Comunicação Interpersonal onde intervêm pessoas com uns referentes culturais diferentes, mas percebidos como simétricos que, motivadas a um encontro intercultural, superam algumas das barreiras que produzir-se-iam para assim poder levar a cabo esta comunicação de forma eficaz, dever-se-iam ter em conta alguns dos modelos teóricos que tratá-la-iam:
Teorias baseadas no papel da linguagem
- Teoria da Gestão Coordenada de Significados e Regras: atribui-se toda a importância à gestão de significados e coordenação das normas pelo que em uma comunicação intercultural presupone que se deve encontrar a forma de uma única interpretação para evitar malentendidos
- Teoria Retórica: Analisa tanto as diferenças individuais como o contexto pelo que estuda a adaptação da mensagem em função da situação intercultural existente
Teorias baseadas na organização cognitiva dos actores (Percepción e Atribuição de Significados)
- Psicolingüística: Trata os processos cognitivos que estão implicados no entendimento e a produção mensagens; propõe a criatividade linguística para produzir e compreender em base a regras e normas.
- Constructivismo: Contribui uma visão constructivista dos esquemas mentais propondo uma participação por parte da cultura à hora de organizá-los. A construção e interpretação dos significados e acções dos demais presupone uma grande variabilidad segundo o contexto cultural.
- Teoria da categorización e atribuição social: Teoria que tenta explicar a percepción e interpretação do comportamento dos demais fazendo referência à categorización social.
Teorias que respondem à análise do processo comunicativo
- Teoria da construção da terceira cultura: Baseada no Interaccionismo Simbólico, propõe que depois da interacção de duas culturas se constrói uma nova com elementos compartilhados de suas predecessoras facilitando assim a comunicação. Segundo esta teoria, deve construir-se de forma cooperativa uma terceira cultura que facilite uma comunicação intercultural mais efectiva. Para conseguí-lo, os participantes devem ter a possibilidade de negociar suas diferenças culturais e é desejável que assim o façam. Os participantes devem ver como beneficioso o converger, se adaptar e assimilar os valores de uma terceira cultura e é necessário e desejável reconfigurar as diferenças culturais individuais como resultado da relação. Em consequência, a construção de uma terceira cultura deve ser um processo interactivo e mutuamente beneficioso para os participantes. Assim, a presença de uma terceira cultura facilita o desenvolvimento de maneiras novas, efectivas e aceitáveis de beneficiar das relações contribuindo bases comunicativas comuns.
- Teoria da redução da incerteza e a ansiedade: Propõe o controle da ansiedade que se produz no momento inicial do encontro intercultural e que dificultaria a comunicação
- Teoria da adaptação comunicativa transcultural: Descreveria e explicaria que a forma de se adaptar à nova cultura é necessária a capacidade para receber a informação do novo contexto cultural, aprender a língua e a habilidade necessária para se enfrentar a novas normas e significados. Segundo seus autores, Kim e Gudykunst (1987), é imprescindible ter a capacidade para receber e processar efectivamente a informação da sociedade receptora, capacidade que estes autores chamam concorrência comunicativa. Esta concorrência divide-se a sua vez em três tipos de concorrência: a cognitiva, a afectiva e a operacional. A primeira refere-se ao conhecimento da cultura e a língua do país de acolhida, a concorrência afectiva refere-se à capacidade de motivação para enfrentar-se aos diferentes reptos (habilidades para entender, empalizar…), e a concorrência operacional refere-se à capacidade para actuar.
Teorias que consideram o desenvolvimento de relações interpersonales
- Teoria da penetración social: Propõe que as Relações Humanas estão determinadas pela informação compartilhada assim é importante revelar informação pessoal para facilitar a relação interpersonal favorecendo o intercâmbio comunicativo
- Teoria do conflito intercultural: A cultura modelaria o tipo de conflito e determinaria sua resolução mais adequada segundo o contexto cultural. é uma sonsera
Bibliografía
- Höffe, Otfried, Direito intercultural, Barcelona, Gedisa, ISBN 978-84-9784-330-0
- Miguel Rodrigo Alsina, Comunicação Intercultural, 1999. Uma visão comprensiva da evolução deste campo de conhecimento, encontra-se neste livro do académico catalão.
- Procurar em Internet por "Conhecimento e sociedade/Sobre a comunicação intercultural"
Veja-se também
Enlaces externos