| Concilio Ecuménico Vaticano II | |
|---|---|
| XXI Concilio Ecuménico | |
| Data de abertura | 11 de outubro de 1962. |
| Data de clausura | 8 de dezembro de 1965. |
| Reconhecido por | Católicos |
| Concilio anterior | Concilio Vaticano I |
| Concilio posterior | Nenhum |
| Convocado por | Papa Juan XXIII |
| Presidido por | Papa Juan XXIII (1962) Papa Pablo VI (1963-1965) |
| Participação | 2450 bispos |
| Tema principal | Promover o desenvolvimento da fé católica. Conseguir uma renovação moral da vida cristã dos fiéis. Adaptar a disciplina eclesiástica às necessidades e métodos de nosso tempo. |
| Cánones | |
O Concilio Vaticano II foi um concilio ecuménico da Igreja católica convocado pelo papa Juan XXIII, quem anunciou-o no mês de janeiro de 1959 . Foi um dos eventos históricos que marcaram no século XX.
O Concilio constou de quatro sessões: a primeira delas foi presidida pelo mesmo Papa no outono de 1962 . Ele não pôde concluir este Concilio já que faleceu em um ano depois, (o 3 de junho de 1963 ). As outras três etapas foram convocadas e presididas por seu sucessor, o Papa Pablo VI, até seu clausura em 1965 . A língua oficial do Concilio foi a língua latina.
Foi o Concilio que contou com mais representação de todos, com uma média de assistência de uns dois mil pais conciliares procedentes de todas as partes do mundo e de uma grande diversidade de línguas e raças. Assistiram ademais membros de outras confesiones religiosas cristãs.
Conteúdo |
O Concilio convocou-se com os fins principais de:
Pretendeu-se que fosse um aggiornamento ou posta ao dia da Igreja, renovando os elementos que mais necessidade tivessem disso, revisando o fundo e a forma de todas suas actividades.
Pretendeu proporcionar uma abertura dialogante com o mundo moderno, actualizando a vida da Igreja sem definir nenhum dogma, inclusive com nova linguagem conciliatorio em frente a problemas actuais e antigos.
O Concilio Vaticano I (1869-1870) não tinha terminado devido à suspensão imposta pelo estallido da guerra franco-prusiana. Alguns queriam que se continuasse este concilio mas não foi assim. Os sectores mais liberais ou modernistas dentro da Igreja consideram-no um dos 5 concilios mais importantes (Niceno I, Calcedonense, Lateranense IV, Tridentino e Vaticano II). Tratou da Igreja, a revelação, a liturgia, a liberdade religiosa, etc. sendo suas características mais importantes a renovação e a tradição.
Em mudança os sectores mais conservadores aplicam um termo chamado a hermenéutica da continuidade para ler os textos conciliares à luz da Tradição e o Magisterio bimilenario para que não entre em contradição.
Mas os sectores tradicionalistas, como a Hermandad San Pío X denunciam que o Concilio ensina erros e que há pontos que devem ser condenados porque contradizem abertamente a Tradição, o Magisterio Papal e dos anteriores Concilios da Igreja católica.
Ao longo dos anos 1950, a investigação teológica e bíblica católica tinha começado a apartar-se do neoescolasticismo e o literalismo bíblico que a reacção ao modernismo tinha imposto desde o Concilio Vaticano I. Esta evolução pode apreciar-se em teólogos como os jesuitas Karl Rahner ou John Courtney Murray, que se tinham vindo esforçando por integrar a experiência humana moderna com o dogma cristão, bem como em outros como o dominico Yves Congar, ou Joseph Ratzinger (agora Papa com o nome Benedicto XVI) e Henri de Lubac que procuravam o que viam como um entendimento mais ajustado da Escritura e dos Santos Pais, uma volta às fontes (ressourcement) e uma actualização (aggiornamento).
Ao mesmo tempo os bispos de todo mundo vinham enfrentando tremendos desafios associados à mudança política, social, económico e tecnológico. Alguns deles aspiravam a formas novas de responder a essas mudanças. O Concilio Vaticano I, desenvolvido quase em um século dantes, tinha sido interrompido quando o exército italiano entrou em Roma nos momentos finais da unificação italiana. Só tinham concluído as deliberaciones relativas ao papel do papado, deixando sem resolver os aspectos pastorais e dogmáticos concernientes ao conjunto da Igreja.
O papa Juan XXIII manifestou sua intenção de convocar um concilio o 25 de janeiro de 1959, só três meses após sua eleição, ocorrida em outubro de 1958. Ainda que seu propósito encontrou muitas formas de manifestar-se durante os três anos seguintes, uma de suas expressões mais conhecidas é a que, perguntado pelos motivos, apresentou ao mesmo tempo em que abria uma janela: «Quero abrir as janelas da Igreja para que possamos ver para afora e os fiéis possam ver para o interior». Convidou a outras igrejas a enviar observadores ao concilio, aceitando-o tanto igrejas protestantes como ortodoxas. A Igreja Ortodoxa Russa, por temor ao governo soviético comunista, só aceitou depois de receber seguranças de que o concilio seria apolítico.
Desde fevereiro de 1959 a novembro de 1962 é a etapa de preparação do Concilio, responsabilidade da Curia Romana.
Durante a celebração da festa da Conversão de san Pablo o 25 de janeiro de 1959 e em um consistorio que o Papa Juan XXIII teve com os cardeais depois da celebração na basílica de san Pablo Extramuros, anuncia[1] sua intenção de convocar um concilio ecuménico.[2] Apresenta a iniciativa como algo absolutamente pessoal:
Os cardeais reagiram com um «impressionante e devoto silêncio».[4] O anúncio causou uma grande surpresa em todos: ainda não passavam três meses desde a eleição de Juan XXIII.[5] Os meios de comunicação, a excepção de L'Osservatore romano,[6] deram grande eco à notícia sublinhando diversos elementos do discurso do Papa.
Em seus discursos posteriores, o Papa vai pouco a pouco delineando os objectivos do concilio e recalcando especialmente que se trata de um concilio pastoral e ecuménico.[7]
O 17 de maio de 1959, Juan XXIII anuncia a criação da comissão antepreparatoria: encarregou a presidência da comissão ao Cardeal Domenico Tardini e a secretaria a mons. Pericle Felici. Os secretários de vários dicasterios da curia foram os demais membros da comissão. O 26 de maio seguinte reuniu-se pela primeira vez e decidiu-se dar luz verde a duas cartas: uma aos organismos da curia para que preparassem comissões de estudo sobre os temas a tratar no Concilio e outra a todos os bispos para que dantes do 30 de outubro indicassem suas sugestões para o Concilio. A estas duas consultas acrescentou-se depois uma terça às faculdades de teología e de direito canónico que tinham prazo até o 30 de abril de 1960 para enviar suas propostas.
O 15 de julho de 1959, o Papa Juan XXIII comunicou a Tardini que o concilio chamar-se-ia «Vaticano II» e que, por tanto não devia se considerar como uma continuação do Vaticano I (que tinha ficado suspendido).
Para o 30 de outubro seguinte tinham-se recebido 1600 respostas de bispos, superiores generais e faculdades teológica ou de direito canónico. A última data, de abril de 1960, tinham-se 2109 respostas. Trabalhou-se depois para catalogá-los e ordená-los de maneira que fosse possível os sintetizar. O documento final chamou-se Analyticus conspectus consiliorum et votorum quae ab episcopis et praelatis data sunt.[8]
A fase preparatoria propriamente tal inicia o 5 de junho de 1960 com a publicação do motu proprio Superno Dei nutu[9] que foi redigido pelo Cardeal Tardini. Este documento fixa as comissões preparatorias por temas em 10 com uma comissão central que supervisionava e coordenava os trabalhos de todas. Pericle Felici foi nomeado secretário geral desta comissão central. Os presidentes das comissões temáticas preparatorias eram os prefectos dos dicasterios correspondentes da curia.
A estes organismos acrescentou-se, para cobrir o desejo do Papa de que as demais igrejas cristãs participassem no concilio, um «Secretariado para a união dos cristãos» presidido pelo Cardeal Augustin Bea quem solicitou a Mons. Johannes Willebrands que lhe ajudasse como secretário do novo ente.[10] Também se criou um Secretariado para os meios de comunicação.
O 14 de outubro de 1960, o Papa constituiu um secretariado administrativo do concilio e encarregou-lhe tratar os assuntos de financiamento e desenvolvimento material do Concilio. O 7 de novembro criou-se a comissão para o ceremonial que trataria os temas relacionados com a liturgia e os lugares a ocupar na Basílica de san Pedro por parte dos pais conciliares. O presidente desta última comissão foi o cardeal Eugène Tisserant.
Os trabalhos das comissões começaram oficialmente o 14 de novembro de 1960, depois de um discurso de Juan XXIII.[11] A principal missão destas comissões era elaborar os documentos que depois de passar pelo visto bom do Papa seriam apresentados para a discussão em aula. As temáticas eram tão variadas que foi necessário inclusive criar subcomisiones.
Depois de um ano e médio de trabalhos, as comissões e o secretariado para a união dos cristãos produziram um total de 75 esquemas. Estes esquemas foram revisados depois pela comissão central que incluo diversas modificações e recortes.
O 25 de dezembro de 1961, o papa Juan XXIII convoca a celebração do concilio para 1962 com a bula Humanae salutis e o 2 de fevereiro seguinte, por médio do motu proprio Consilium diu fixa a data de abertura para o 11 de outubro.
Uma novidade do Concilio Vaticano I foi que o regulamento a seguir durante as sessões não foi votado pelos mesmos pais conciliares. Dado este precedente e depois do código de direito canónico de 1917 que dava muitos mais poderes em relação com o concilio ao Papa, não se contemplou que neste novo concilio o regulamento fosse submetido ao que parece de seus participantes. Assim, em março de 1961 mons. Felici solicitou à comissão preparatoria central que se manifestasse sobre alguns temas relacionados com o regulamento. Em junho seguinte o Cardeal Arcadio Larraona solicitou a formação de uma subcomisión para a redacção do regulamento. O 7 de novembro a subcomisión foi criada e trabalhou desde o 11 de novembro até o 27 de junho. Dois dias depois o texto foi entregado ao P. Felici quem a sua vez fazer ver ao Papa Juan XXIII. Depois de integrar algumas mudanças solicitadas pelo mesmo pontífice, o regulamento foi oficializado mediante motu proprio o 6 de agosto de 1962, Ordo Concilii oecumenici Vaticani II celebrandi.
O texto estava dividido em três partes: participantes, normas e procedimentos.
Além dos bispos diocesanos, contemplava-se que os bispos titulares tivessem voto deliberativo bem como os superiores generais de congregaciones de direito pontificio com mais de 3000 membros. Os experientes e teólogos convidados pelo Papa podiam participar nas congregaciones gerais e inclusive, se solicitava-se-lhes, intervir no aula ou na redacção de esquemas para as diversas comissões. Os observadores podiam participar só nas congregaciones gerais e sessões públicas. Gozavam de tradução simultânea. Os peritos convidados pela cada bispo não podiam participar nas congregaciones gerais.
Mantinha-se o segredo sobre o discutido no Concilio. A língua oficial seria o latín, ainda que nas comissões podiam empregar-se outras línguas. O direito a falar dava-se em ordem eclesiástico: os cardeais primeiro, logo os patriarcas, a seguir os arcebispos, bispos, etc.
Criava-se uma «presidência do concilio formada por 10 cardeais e uma secretaria geral. Existiriam ademais 10 comissões (segundo as 10 comissões preparatorias ainda que com alguma variante) com 24 membros a cada uma: 16 eleitos pela assembleia e 8 nomeados pelo Papa (entre os quais o presidente da cada comissão). A estas comissões acrescentou-se um secretariado para assuntos extraordinários.
Os textos preparados pelas comissões preparatorias, depois do visto bom do Papa eram enviados aos pais conciliares para seu conhecimento dantes de que se tratassem nas congregaciones gerais. Na sessão correspondente um relator, normalmente o secretário da comissão preparatoria respectiva, apresentava o esquema à assembleia. A cada pai conciliar podia, a seguir e durante 10 minutos, intervir para admitir, recusar ou solicitar emendas gerais do esquema apresentado. No entanto, tais intervenções deviam ser indicadas com três dias de antelación à secretaria do concilio. Depois votavam-se as mudanças propostas e analisavam-se os resultados da votação. Finalmente dava-se uma votação do esquema completo e se este obtinha a maioria necessária, se deixava pendente sua aprovação solene para a seguinte sessão pública com a presença do Papa.
O texto do regulamento não previa com clareza os passos a seguir em caso que um esquema fosse recusado mas sim os passos para incluir as emendas propostas
A primeira sessão começou com a inauguração solene na Basílica de san Pedro o 11 de outubro de 1962. Juan XXIII presidiu a Missa e ofereceu um discurso programático, o Gaudet Mater Ecclesia, onde falou do posto dos concilios na história da Igreja, da situação do mundo e de alguns aspectos gerais que deviam se ter em conta durante o concilio: trata-se de custodiar o depósito da fé católica e ensinar de uma maneira adequada aos tempos empregando para isso os métodos mais eficazes. Também recordou que não era uma atitude de condenação dos erros senão de misericordia, o que se esperava do concilio. Alude ao tema do ecumenismo que era um dos que tinham causado maior expectativa nos meios de comunicação.
Para o 13 de outubro tinha-se programada a eleição da percentagem de membros das comissões que correspondia nomear à assembleia conciliar. A secretaria geral do concilio entregou então uma lista com os nomes de todos os pais conciliares e outra lista com os nomes dos membros das respectivas comissões preparatorias. No entanto, o cardeal Achille Liénart, depois de receber uma solicitação de um grupo de bispos franceses e alemães, solicitou ao conselho de presidência mais tempo de maneira que os participantes pudessem se conhecer e fazer uma votação concienzuda. Por tanto, a eleição foi posposta para o 16 de outubro e depois das contagens de votos e intervenções sobre qual maioria seria tomada em conta, se elegeram os membros respectivos das comissões.
O 20 de outubro, tomando em conta o interesse mostrado por alguns pais conciliares de oferecer uma mensagem de parte do concilio ao mundo, votou-se rapidamente uma proposta que obteve a maioria necessária e foi assumida como Mensagem dos pais conciliares a todos os homens. Depois começou a discussão do esquema sobre a liturgia (De sacra liturgia que depois chamar-se-á Sacrosanctum concilium).
As discussões, com diversos pontos de vista enfrentados, prolongaram-se até o 14 de novembro em que se fez uma primeira votação exploratoria. O texto foi amplamente aprovado (2162 placet contra 46 non placet)
Nesse mesmo dia, apresentou-se em aula o esquema De fontibus revelationis (que depois será o Dei Verbum). As diferenças dentro do concilio fizeram-se ainda mais claras durante as discussões sobre este esquema de maneira tal que parecia que o documento seria recusado completamente. Esta possibilidade não estava contemplada no regulamento o qual fazia mais tensas as discussões desses dias. Depois de uma votação exploratoria, não se atingiu a quota necessária para que o texto voltasse à comissão e o mesmo papa Juan XXIII interveio o 21 de novembro, criando uma comissão mista que refaria o texto da constituição dogmática.
O 23 de novembro entregou-se aos pais conciliares dois esquemas para seu estudo dantes da discussão em aula: era o De Ecclesia (logo a constituição dogmática Lumen Gentium) e um adendo com um esquema sobre a Virgen María (De beata Maria Virgine).
Nesse mesmo dia começa-se a discutir a constituição sobre os meios de comunicação social (que depois será o decreto Inter mirifica). O texto foi aprovado em seus grandes rasgos ainda que solicitou-se que fosse reduzido consideravelmente e que se tratasse mais amplamente do papel dos laicos nos meios de comunicação. A votação exploratoria deixou 2138 placet e 15 non placet.
Para o 27 de novembro iniciou a discussão do esquema sobre a unidade dos cristãos, Ut omnes sint. O texto causou desilusión[12] já que, dado que tinha sido preparado pela comissão preparatoria para as Igrejas orientais, tratava unicamente dessas igrejas sem falar, por exemplo, dos protestantes. O patriarca Maximos dos melquitas criticou o esquema que considerava mediocre. Dado que a comissão preparatoria teológica e o secretariado para a unidade tinham preparado outros esquemas sobre os mesmos temas, os pais conciliares solicitaram que fossem fundidos em um sozinho documento reelaborado por uma comissão mista. Esse foi o resultado da votação que a propósito se realizou: 2068 placet e 36 non placet.
O 1 de dezembro começou-se a discutir o esquema De ecclesia. O cardeal Ottaviani tinha tentado em dias anteriores que a discussão em aula do esquema se atrasasse à seguinte sessão, mas o conselho de presidência preferiu manter a ordem do dia como tinha sido proposto inicialmente. A discussão foi menos acalorada que a das fontes da revelação. Mas de qualquer jeito à medida que prosseguia o debate as críticas de aspectos gerais do esquema faziam-se mais populares. Assim, por exemplo, mons. Emil de Smedt que considerava que o esquema era triunfalista, clericalista e juridicista. No entanto, era o tema do episcopado o que mais discussão gerava. O debate não chega a porto e as discussões se concluem o 7 de dezembro, véspera da clausura da primeira sessão conciliar.
Em uns dias dantes, tanto o cardeal Suenens como o cardeal Montini tinham intervindo em aula solicitando uma direcção mais clara para o concilio e propondo para isso uma visão eclesiológica: tratar-se-ia da Igreja ad intra e ad extra e esta temática poderia dar unidade e finalidade aos trabalhos. Isto deixava ao documento De ecclesia como o mais importante e programático do concilio.
O 5 de dezembro a secretaria geral comunicou que os 75 esquemas seriam reduzidos a 20. Assim mesmo deram-se a conhecer os modos de trabalho das comissões durante o período de intersesión. Elaborar-se-iam novos esquemas de acordo com o sentir manifestado pela maioria dos bispos durante o concilio e passariam a aprovação do Papa. Este fá-los-ia chegar aos pais conciliares pára que estes indicassem as emendas consideradas oportunas à comissão dantes do início da segunda sessão. Para organizar todo este trabalho, Juan XXIII criou uma comissão de coordenação a cargo da Secretaria de Estado.
O 8 de dezembro conclui-se oficialmente a primeira sessão com um discurso do Papa.
As comissões continuaram o trabalho de elaboração e agrupamiento de esquemas. O Papa enviou uma carta, a Mirabilis ille (6 de janeiro de 1963) onde recordava aos pais conciliares que o concilio continuava durante o período entre sessões.
A comissão de coordenação começou seus trabalhos o 21 de janeiro. O 22 de abril, Juan XXIII aprovou 12 dos 17 esquemas que a comissão lhe tinha feito chegar. Estes foram enviados aos bispos em maio e se iniciaram reuniões de grupos de bispos em todo mundo para discutir juntos os esquemas e chegar assim à segunda sessão com propostas conjuntas de emendas.
O 3 de junho, o papa Juan XXIII faleceu. O 21 de junho seguinte foi eleito o cardeal Montini, que tomou o nome de Pablo VI. Ao dia seguinte, em seu primeiro radiomensaje, assegurou que o concilio continuaria e o 27 anunciou a data de abertura da segunda sessão: o 29 de setembro de 1963.
No período imediatamente anterior ao início da segunda sessão, Pablo VI introduziu algumas modificações no regulamento. Ampliou-se o número de observadores integrando inclusive laicos que foram chamados a participar ainda que sem voto deliberativo. A comissão de coordenação ficava como organismo permanente do concilio. E, dada a ineficacia mostrada pelo conselho de presidência, nomeava-se um grupo de quatro delegados ou moderadores que agilizarían e dirigiriam os debates.
O 29 de setembro, depois de uma singela cerimónia inaugural e um discurso de Pablo VI, os trabalhos recomeçaram em San Pedro. Ao dia seguinte reiniciou-se a discussão em aula do esquema De ecclesia. O novo texto foi apresentado pelo cardeal Ottaviani e atraiu maior consenso que o anterior. O texto a modo de base para a discussão foi votado e obteve 2231 placet contra 43 non placet.
Então, de acordo com o regulamento, começou a discussão da cada capítulo. Para a cada capítulo foram declarando-se as objeciones dos pais ou os aspectos que convinha acrescentar. O tema da natureza sacramental do episcopado já tinha obtido a quase unanimidade dos consensos mas o da colegialidad episcopal permanecia discutido (como alguns o consideravam um atentado contra o primado pontificio) e se deram intervenções a favor e na contramão durante as sessões. O mesmo em relação com a possibilidade de reactivar o diaconado permanente.
As discussões continuaram até o 15 de outubro sem chegar a acordo. Nesse dia o cardeal Suenens propôs verificar o apoio que as diversas posturas tivessem na assembleia por médio de uma votação de alguns pontos discutidos. Indicou inclusive que ao dia seguinte ter-se-ia tal votação, mas mons. Felici obteve que o Papa permitisse impedir essa votação. Suenens também foi a Pablo VI que mandou reunir à comissão de coordenação, ao conselho de presidência e ao secretariado geral para tratar o assunto. Era já o 23 de outubro. Nesses dias fixou-se o texto das perguntas e o Papa aprovou que se fizesse a consulta para o 30 de outubro. A ideia era que da votação se saísse com uma indicação clara para a comissão teológica sobre os conteúdos discutidos do esquema. A grande maioria dos pais manifestou-se a favor da definição da colegialidad e, ainda que menos, também da reactivação do diaconado permanente.[13]
A seguir discutiram-se os demais capítulos do De Ecclesia e tratou-se sobre a possibilidade de integrar o esquema sobre a Virgen María ao final deste. A assembleia dividiu-se completamente (a votação explorativa deu 1114 placet e 1074 non placet).
O 2 de novembro começou-se a tratar o esquema sobre o episcopado. Era evidente que não podia ser discutido sem ter decidido o concerniente à colegialidad no esquema De Ecclesia: de facto, as discussões sobre esse ponto continuaram já que o cardeal Ottaviani procurava minimizar os resultados da votação do 30 de outubro. Produziram-se discussões de tom mais elevado e o cardeal Josef Frings inclusive questionou durante uma sessão em aula, o modo de actuar do Santo Oficio, provocando uma áspera resposta do cardeal Ottaviani. [14] A discussão do esquema prolongou-se até o 15 de novembro.
Um novo esquema sobre o ecumenismo apresentou-se para a discussão. O novo texto tinha cinco capítulos e incluía também o tema dos não cristãos especialmente os judeus. Também se incluiu neste esquema o texto sobre a liberdade religiosa. Ainda que a discussão inicial foi difícil, finalmente aprovou-se em linha de princípio o texto ainda que solicitou-se à comissão mista que melhor separasse o aplicável às denominações cristãs dos não cristãos.
Durante os debates destes esquemas realizavam-se também as votações dos capítulos dos esquemas sobre a liturgia e sobre os meios de comunicação. Ambos obtiveram finalmente o consenso requerido e foram oficialmente promulgados na sessão pública do 4 de dezembro.
Dantes da cerimónia conclusiva da segunda sessão, Pablo VI anunciou que aumentar-se-ia o número de participantes nas comissões. No discurso conclusivo resumiu os resultados, que considerava positivos, da sessão e anunciou sua intenção de visitar Terra Santa.
Ao concluir os trabalhos da segunda sessão, o papa Pablo VI tinha mencionado seu interesse em reduzir o tempo requerido para concluir o concilio por médio da redução dos esquemas ou da elaboração de textos que seguissem as directoras já consideradas maioritárias. Por isso encarregou ao cardeal Julius August Döpfner que elaborasse uma proposta nesse sentido. A ideia indicada por ele era reduzir a seis os esquemas mais amplos a se discutir e deixar os demais em uma série de proposições que já não discutir-se-iam senão só votariam. A comissão de coordenação analisou a proposta do 28 de dezembro ao 15 de janeiro, aprovou-a e indicou às demais comissões que procedessem desse modo. O Papa nos meses seguintes teve que tranquilizar aos bispos que consideravam que isto era uma medida para concluir «expeditivamente» o concilio.[15]
Já em abril se enviaram os primeiros textos (dos esquemas mais importantes: De Ecclesia, De fontibus revelationis e sobre a Igreja no mundo actual, chamado Esquema XIII) aos bispos para que preparassem sua análise durante o concilio.
Por sua vez, os cardeais Larraona, Micara e Ruffini enviaram cartas a Pablo VI pára que reservasse ao magisterio pontificio o tema da colegialidad e mandasse retirar o capítulo correspondente do esquema De Ecclesia.
A terceira sessão do concilio inaugurou-se o 14 de setembro de 1964. A missa, já aplicando a constituição Sacrosanctum concilium foi concelebrada por 24 pais conciliares com o Papa. O discurso de Pablo VI resultou esclarecedor de sua posição dado que empregou a expressão colégio episcopal apoiando assim a posição da maioria conciliar.
Ao dia seguinte iniciou-se a discussão dos últimos capítulos do esquema De Ecclesia. O capítulo sobre a escatología foi rápido e sem problemas. Em mudança o da Virgen María ainda que foi também breve manteve as diferenças de conceito entre os pais conciliares que se tinham manifestado na segunda sessão e na última intersesión dentro da comissão teológica.[16] Optou-se por uma solução de compromisso com um texto que pudesse comprazer a ambas partes. O 16 de setembro começaram as votações por capítulo do esquema ainda que o capítulo terceiro (sobre a hierarquia), que era o mais discutido, foi votado número por número (38 votações).
O 18 de setembro retomou-se o esquema sobre os bispos que passou as votações quase sem problemas.
O 23 de setembro apresentou-se um esquema novo sobre a liberdade religiosa. Ainda que todos estavam de acordo no princípio, o texto dividia à assembleia conciliar pela forma de apresentar a doutrina e as consequências que podia ter (por exemplo, nos países onde por concordato a Igreja católica tinha privilégios). O 9 de outubro, mons. Felici indicou de parte do Papa, que o texto devia ser reformulado por uma comissão mista onde se incluiu ao maior opositor do texto, o arcebispo Marcel Lefebvre.
A seguir examinou-se o esquema sobre os hebreus que tinha sido refeito e ampliado tomando em consideração as religiões não cristãs. As posições encontradas (mais por motivos de oportunidade pastoral que por antisemitismo[17] ) fizeram que o texto voltasse ao secretariado para ser reescrito. No secretariado refez-se o texto sobre os hebreus e acrescentaram-se parágrafos relacionados com as demais religiões (indianas e budistas). O novo texto foi votado o 20 de novembro e obteve a maioria necessária para aprovar-se definitivamente.
O texto do esquema sobre a Revelação foi representado e depois de cinco sessões foi aprovado ainda que ficavam vários elementos discutidos e que deviam se tratar em sede da comissão teológica. Esta terminou as emendas em meados de novembro, já demasiado tarde para que se pudesse discutir de novo em aula.
Enquanto, e já desde o 7 de outubro, se tinha começado a estudar o documento sobre o apostolado dos laicos. As opiniões eram variadas e as críticas ao texto vinham de todas as sensibilidades. O 20 de outubro outro texto complexo, o chamado esquema XIII foi apresentado em aula. A maioria das críticas consideravam-no um esquema aceitável mas pouco fundado teologicamente. As discussões sobre os problemas particulares tratados no esquema (o ateísmo, a guerra, a família, o casal) foram mais ásperos.
Nesse mês de outubro trataram-se os esquemas mais breves que tinham sido reduzidos a proposições a votar. Assim, por exemplo, os que tratavam dos presbíteros, a formação sacerdotal, as igrejas de rito oriental, as missões, os religiosos, a educação cristã e o casal. Este último foi convertido em uma série de observações que se fizeram chegar ao Papa para que ele decidisse que fazer.
No mês de novembro viu o renacer do problema da colegialidad. As discussões na comissão não chegavam a porto pelo que se encarregou a Mons. Gérard Philips que redigisse uma nota explicativa que aclarasse os elementos empregados na redacção proposta, que era uma solução que procurava contentar a todas as partes. O Papa pensava introduzir esta nota como explicação do capítulo III da Lumen Gentium e depois de fazer algumas modificações ao texto a mandou ao concilio. Esta se apresentou o 14 de novembro e causou perplexidade pelo que implicava de intervenção pontificia no concilio. Depois da leitura do texto e as votações o texto da Lumen gentium aprovou-se.
No entanto, o 19 de novembro apresentava-se o texto da declaração sobre a liberdade religiosa que em vez de ser corrigido segundo as intervenções anteriores, tinha sido quase completamente refeito. Solicitou-se então que fosse votado de novo mas a presidência do concilio anunciou que não votar-se-ia o novo texto até a seguinte sessão. Isto causou moléstia em vários pais (os cardeais Meyer, Ritter, [Paul-Émile Léger|Léger,]] Suenens e Frings por exemplo) que tentaram por todos os meios de persuadir a Pablo VI de que se procedesse à votação, mas o Papa não cedeu. O descontentamento cresceu quando se informou à assembleia que o Papa tinha introduzido 19 modificações ao esquema sobre o ecumenismo que já tinha sido votado e aprovado pelos pais (ainda que ainda não tinha sido oficialmente promulgado).
Estes factos –ainda que à luz da história posterior não se manifestaram tão importantes (o texto da nota explicativa realmente não muda o indicado no texto final da Lumen gentium, o maior tempo de elaboração do esquema sobre a liberdade religiosa permitiu o perfilar melhor e as modificações incluídas no esquema sobre o ecumenismo eram de mera forma)– criaram um clima de descontentamento e desilusión nos bispos e experientes da assim chamada «maioria» conciliar.[18]
A sessão pública conclusiva viu a aprovação de novos documentos (a Lumen gentium, os dois decretos sobre o ecumenismo e o das Igrejas orientais). Ademais o Papa proclamou a María como Mãe da Igreja.
Ao concluir a terceira sessão conciliar, as comissões combinavam com 11 esquemas sobre os que trabalhar para a quarta, segundo as orientações recebidas de parte da assembleia conciliar. Alguns textos como o que tratava da revelação, requeriam retoques mais ou menos importantes; outros, como o que falava dos presbíteros devia ser refeito a partir das proposições que se tinham votado.
Os textos elaborados foram enviados em meados de junho aos bispos para que preparassem suas intervenções ou fizessem chegar directamente seus comentários às comissões.
O 14 de setembro de 1965 retomaram-se os trabalhos em San Pedro. No discurso de abertura, Pablo VI anunciou a criação do sínodo dos bispos (que alguns inicialmente consideraram a aplicação da colegialidad) e que visitaria a sede da ONU para o XX aniversário de sua criação.
Ao dia seguinte o Papa participou na congregación geral onde assinou o decreto de criação do sínodo.
Depois que Pablo VI se retirasse da basílica, se iniciou a discussão do esquema sobre a liberdade religiosa. O debate foi tenso e depois de cinco dias não se chegava ao consenso. A comissão de coordenação reuniu-se para discutir se podia-se fazer a votação do esquema como base e o resultado foi não fazer a votação. Mas o Papa interveio e indicou que votar-se-ia de todos modos. O esquema recebeu luz verde (1997 a favor e 224 na contramão) para ser usado como base ainda que devia «ser perfeccionado segundo a doutrina católica sobre a verdadeira religião e em base às mudanças propostas durante o debate» segundo indicava a pergunta.
O 21 de setembro chega-se à discussão sobre o esquema XIII, debate que se prolongou durante duas semanas. A votação sobre o esquema assim que tal (dantes de passar aos capítulos) foi positivo (2100 placet e 44 non placet). O debate sobre o capítulo do casal foi mais breve como o Papa tinha reservado a sim o tema do controle da natalidad. Os demais capítulos passaram sem maiores dificuldades.
Desde o 7 de outubro discutiu-se o esquema sobre as missões. O texto foi bem acolhido e se sugeriram uma série de melhoras. No entanto, um texto do documento que falava de como universalizar o dicasterio de Propaganda fidei foi modificado pela comissão como a reforma da curia era concorrência exclusiva do Papa segundo tinha indicado a Comissão pontificia para a reforma da Curia romana. Ao redor de 300 pais assinaram um manifesto de protesto por esta mudança em um documento aprovado com 2070 placet.
Depois discutiu-se o documento sobre os presbíteros. Voltou a discutir-se o tema do celibato ou ao menos da possibilidade de ordenar sacerdotes a homens casados. O 11 de outubro, Pablo VI mandou ler um comunicado pelo que solicitava que não se discutisse publicamente o argumento e que as propostas lhe fossem enviadas através do conselho de presidência.
Nos dias seguintes dedicaram-se só a votações de esquemas ou de capítulos destes sem debates. O 28 de outubro teve-se uma sessão pública de promulgación solene da Christus Dominus, a Perfectae caritatis, a Optatam totius, a Gravissimum educationis e a Nostra aetate.
O 29 de outubro reiniciaram-se as votações, desta vez do documento sobre a revelação, Dei Verbum. Novamente chegou-se a um ponto morrido pelas emendas que consentia o sistema de votação iuxta modum. Então Pablo VI enviou uma série de propostas de redacção (teologicamente aceitáveis) para que a comissão teológica, com a ajuda do cardeal Bea, escolhesse a mais apropriada. Assim, apesar ainda do disenso de uns poucos pais (55 na votação preliminar) se conseguiu passar a constituição.
Desde o 9 de novembro votou-se o esquema sobre o apostolado dos laicos. O documento sobre as missões foi novamente proposto e recebeu 712 placet iuxta modum que obrigava à comissão a emendar o texto.
O 18 de novembro teve-se outra sessão pública onde se promulgaron a Dei Verbum e a Apostolicam actuositatem. O Papa, na homilía, anunciou a abertura dos processos de beatificación de Pío XII e de Juan XXIII.
Nos dias seguintes continuaram-se as esgotadoras votações. A declaração sobre a liberdade religiosa mas não foi possível vencer a oposição de um grupo de 250 pais.
A votação da constituição Gaudium et spes foi ainda sofrida devido às petições de incluir uma condenação expressa do comunismo e por uma nova intervenção do Papa no capítulo sobre o casal. Mas finalmente conseguiram o consenso sobre o texto.
Nos últimos dias do concilio desenvolveram-se entre agradecimientos. O 7 de dezembro foi a última sessão pública solene: se promulgó a constituição pastoral Gaudium et spes, os decretos Ad gentes e Presbyterorum ordinis, a declaração Dignitatis humanae. Assim mesmo leu-se a declaração comum que retirava as excomuniones recíprocas com a Igreja ortodoxa.
O concilio concluiu com uma missa presidida por Pablo VI o 8 de dezembro.
É um concilio bastante documentado. Podem-se ver «Lhe fonti ufficiali» que são conservadas em um arquivo dividido em:
Depois de um longo e duro trabalho, redigiram-se 16 documentos, cujo conjunto constitui uma tomada de consciência da situação actual da Igreja e define as orientações que se impõem.
Estes documentos são: