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Copyleft

copyleft - Wikilingue - Encydia

Uma letra C investida ("reversed c"), símbolo sem reconhecimento legal, é o mais comum como contrapartida do símbolo copyright.

Copyleft é uma forma de licença e pode ser usado para modificar o direito de autor de obras ou trabalhos, tais como software de computadores, documentos, música, e obras de arte.

Baixo tais licenças podem proteger-se uma grande diversidade de obras, tais como programas informáticos, arte, cultura e ciência, isto é praticamente quase qualquer tipo de produção criativa.

Seus partidários propõem-na como alternativa às restrições que impõem as normas propostas nos direitos de autor, à hora de fazer, modificar e distribuir cópias de uma obra determinada. Pretende-se garantir assim uma maior liberdade para que a cada receptor de uma cópia, ou uma versão derivada de um trabalho, possa, a sua vez, usar, modificar e redistribuir tanto o próprio trabalho como as versões derivadas do mesmo. Assim, e em um meio não legal, pode se considerar como oposto ao copyright ou direitos de autor tradicionais.

Conteúdo

História

Pese a que hoje em dia o conceito se aplica a uma ampla variedade de campos como a produção literária ou a cinematográfica, sua origem se encontra na década dos anos setenta no incipiente desenvolvimento de software para a ainda embrionaria indústria informática.

Por aquele então Richard Stallman estava a elaborar um intérprete de Lisp que interessou à companhia Symbolics, este acedeu a lhes proporcionar uma versão do intérprete baixo domínio público, sem restrições iniciais. Mais tarde, a empresa ampliou e melhorou o software original, mas quando Stallman quis aceder a ditas modificações, a companhia se negou.

Foi então, em 1984 , quando Stallman decidiu se pôr a trabalhar para erradicar este tipo de comportamento, ao que baptizou com o nome de acaparamiento do software (software hoarding).

Como a Stallman lhe pareceu pouco viável, em curto prazo, eliminar as leis do copyright bem como as injustiças que considerava provocadas por sua perpetuamiento, decidiu trabalhar dentro do marco legal existente e criou assim sua própria licença de direitos de autor, a Licença Pública General de GNU (GPL). Segundo o projecto GNU:[1]

A forma mais simples de fazer que um programa seja livre é pôr no domínio público, sem direitos reservados. Isto lhe permite compartilhar o programa e suas melhoras à gente, se assim o desejam. Mas permite-lhe a gente não cooperativa converter o programa em software privativo. Eles podem fazer mudanças, muitos ou poucos, e distribuir o resultado como um produto privativo. As pessoas que recebem o programa com essas modificações não têm a liberdade que o autor original lhes deu; o intermediário tem-lhas tirado. No projecto GNU, nosso objectivo é o dar a todo o utente a liberdade de redistribuir e mudar software GNU. Se os intermediários pudessem tirar essa liberdade, nós teríamos muitos utentes, mas esses utentes não teriam liberdade. Assim em vez de pôr software GNU no domínio público, nós o protegemos com Copyleft. Copyleft diz que qualquer que redistribui o software, com ou sem mudanças, deve dar a liberdade do copiar e o modificar mais. Copyleft garante que a cada utente tem liberdade.

Pela primeira vez recolhia-se o direito a que o titular dos direitos de autor pudesse transferir de forma permanente e a obras derivadas surgidas, o máximo número de direitos possível àqueles que recebam uma cópia do programa. Isto é, impedir juridicamente ao material oferecido nestes termos que em um futuro se possa apropriar parte dele a direitos de autor. Ainda que é a primeira licença copyleft, será posteriormente, com novas licenças inspiradas nesta e com a popularización do software livre quando começar-se-ia a fazer frequente este termo.

Métodos de aplicação

A prática habitual para conseguir este objectivo de exploração sem travas, cópia e distribuição de uma criação ou de um trabalho (e seus derivados) é a de oferecê-lo junto com uma licença ou contrato. Esta deveria estipular que a cada proprietário de uma cópia do trabalho pudesse:

  1. Usar sem nenhuma limitação.
  2. (re)distribuir quantas cópias deseje.
  3. Modificar da maneira que cria conveniente.

Estas três liberdades básicas, no entanto, não são suficientes ainda para assegurar que uma obra derivada seja distribuída baixo as mesmas condições não restrictivas: com este fim, a licença deve assegurar que o proprietário do trabalho derivado distribui-lo-á baixo o mesmo tipo de licença.

Outras condições de licença adicionais que poderiam evitar possíveis impedimentos às três liberdades básicas anteriores são:

Na prática, para que estas licenças copyleft tivessem algum tipo de efeito, precisariam fazer um uso criativo das regras e leis que regem os direitos de autor, p.e., quando nos referimos às leis do copyright (que é o caso mais comum), todas as pessoas que de alguma maneira têm contribuído ao trabalho com copyleft converter-se-iam em (co) titulares dos direitos de autor, mas, ao mesmo tempo, se nos atemos à licença, também renunciariam deliberadamente a alguns dos direitos que normalmente se derivam dos direitos de autor, por exemplo, o direito a ser o único revendedor das cópias do trabalho.

Ainda que depende das leis que regem os direitos de autor, que podem ser diferentes de um país a outro, a licencia final, que não é mais que um método para atingir os objectivos do copyleft, também pode diferir de um país a outro. Por exemplo, em alguns países pode ser aceitável vender um produto software sem nenhuma garantia, ao estilo da licença GPL (vejam-se os artigos 11 e 12 da versão 2 da licença GPL[2] ), enquanto na maioria de países europeus não é possível que um revendedor de software se desentienda de todas as garantias vinculadas a um produto vendido, razão pela qual o alcance de ditas garantias é descrito explicitamente na maioria de licenças copyleft européias (a licença CeCILL, permite usar a GPL - artigo 5.3.4 de CeCILL - em combinação com uma garantia limitada - artigo 9).

Etimología

Segundo algumas fontes, o termo copyleft prove de uma mensagem contida no programa Tiny BASIC, uma versão de BASIC distribuída livremente e escrita pelo Doutor Li-Chen Wang no final dos anos setenta. A listagem do programa continha as frases "@COPYLEFT" e "TODOS Os PREJUÍZOS RESERVADOS", em contraposição a "copyright" e "todos os direitos reservados", termos estes usados habitualmente nos textos de direitos de autor.

Richard Stallman assegura que a palavra prove de Dom Hopkins, ao que considera um colega muito imaginativo, o qual lhe enviou em 1984 ou 1985 uma carta na que podia se ler: Copyleft-revogados todos os direitos (Copyleft-all rights reversed). O termo copyleft com a anotação revogados todos os direitos foi utilizado também a princípios dos anos setenta dentro do Principia Discórdia, texto que talvez inspirasse a Hopkins.

Há alguns problemas com a definição do termo copyleft que contribuem a criar controvérsia a seu ao redor. O termo, em sua origem um nome, criou-se como uma transformação chistosa ou parodía do termo copyright, querendo abarcar os termos da GPL criada por Stallman como parte de seu trabalho para a Free Software Foundation. Os vocablos em inglês right e left, direita e esquerda respectivamente, acentuam a diferença entre copyleft e copyright. A tradução proposta, esquerdo de autor ou esquerdos de autor, tenta manter este sentido em contraste com os direitos de autor ou o direito de autor. Curiosamente, left também se pode traduzir como deixado ou abandonado, enquanto right é direito ou recto.

Assim, o facto de que um programa esteja coberto pelo copyleft se considera praticamente o mesmo que pôr dito programa baixo GPL (sendo o regular de facto de todos os tipos de licenças surgidas posteriormente e difundidas como copyleft). Quando se utiliza como verbo, seu significado é menos preciso e pode se referir a qualquer dentre uma variedade similar de licenças, ou inclusive a uma teórica licença imaginaria para propósitos de discussão. Veja-se também a seguinte secção, que entra em detalhe sobre alguns aspectos da definição.

Tipos e relação com outras licenças

Software de código aberto

Alguns têm querido ver o copyleft como uma pedra de toque no conflito ideológico entre o movimento do código aberto e o movimento do software livre. Por um lado, Eric Raymond, fundador da Open Source Initiative, manifestou em 2005 que "já não precisamos a GPL"[1]. Por outro lado, as licenças publicadas pela Free Software Foundation são unicamente licenças copyleft[2].

No entanto, é difícil caracterizar ao copyleft como ponto de discórdia entre as duas posturas filosóficas, já que na prática ambas aceitam as licenças copyleft e não copyleft por igual:

Forte e débil

O copyleft que rege um trabalho se considera "mais forte" quanto maior é a eficiência com a que faz cumprir as condições da licença a todos os tipos de trabalhos derivados. O "copyleft débil" faz referência às licenças que não se herdam a todos os trabalhos derivados, dependendo com frequência da maneira em que estes se tenham derivado.

Este último tipo de licenças é o que se utiliza geralmente para a criação de bibliotecas de software, com o fim de permitir que outros programas possam enlaçar com elas e ser redistribuídos, sem o requerimiento legal de ter que o fazer baixo a nova licença copyleft. Somente requer-se distribuir as mudanças sobre o software com "copyleft débil", não as mudanças sobre o software que enlaça com ele. Isto permite a programas com qualquer licença ser compilados e enlaçados com bibliotecas com copyleft tais como glibc (uma biblioteca regular requerida por muitos programas) e ser redistribuídos depois sem necessidade de mudar a licença.

Exemplos de licenças de software livre que utilizam copyleft "forte" são a Licença Pública General de GNU e a Licença Pública Q. Por outra parte, entre as licenças de software livre que usam copyleft "débil" temos a Licença Pública Geral Reduzida de GNU (LGPL) e a Licença Pública de Mozilla. Exemplos de licenças de software livre que não são copyleft são a licença X11 e as licenças BSD.

Completo e parcial

O copyleft "completo" e "parcial" tem que ver com outra questão: O copyleft completo é aquele que permite que todas as partes de um trabalho (excepto a licença) sejam modificadas por seus sucessivos autores. O copyleft parcial implica que algumas partes da própria criação não estão expostas a sua modificação ilimitada, ou visto de outro modo, que não estão completamente sujeitas a todos os princípios do copyleft, p.e., na criação artística o copyleft completo é em ocasiões impossível ou indeseable.

Compartilhar-Igual

Muitas licenças do tipo compartilhar-por-igual (share-alike) são licenças copyleft parciais (ou não completas). O conceito de compartilhar-igual implica, no entanto, que qualquer liberdade outorgada sobre o trabalho original (ou suas cópias) se mantém intacta em qualquer trabalho derivado: isto implica ademais que qualquer licença copyleft completa é automaticamente uma licença de tipo compartilhar-por-igual (mas não ao invés!). Em lugar de usar consigna-a "todos os direitos reservados" própria do copyright, ou a de "todos os direitos investidos", do copyleft completo, as licenças compartilhar-igual costumam usar o lema de "alguns direitos reservados". Certas combinações da licença Creative Commons, ou no caso da música, as Licenças de Música Livre (LML) são um exemplo de licença do tipo compartilhar-por-igual.

Ideologia

Para muita gente, é uma técnica que utiliza os direitos de autor como médio para subvertir as restrições impostas tradicionalmente pelo copyright sobre a diseminación e o desenvolvimento do conhecimento. Com este enfoque, o copyleft é principalmente uma ferramenta em uma operação de maior envergadura: a intenção é investir permanentemente ditas restrições.

Ainda que o copyleft não é um termo reconhecido pela lei, seus defensores o vêem como uma ferramenta legal em um debate político e ideológico sobre as obras intelectuais. Alguns vêem no copyleft um primeiro passo para suprimir qualquer tipo de lei relacionada com o copyright. No domínio público, a ausência de uma protecção como a que oferece o copyleft deixa ao software em um estado desprotegido. Os programadores não teriam nenhum problema pois em difundir e vender binários sem documentação e sem proporcionar o código fonte. Se abolissem-se as leis do copyright, e a falta de outros meios, não teria maneira de fazer cumprir uma licença copyleft, ainda que também seria menos necessário.

Muitas licenças de software livre, como as que utilizam os sistemas operativos BSD, o Sistema de Janelas X e o servidor site Apache, não são licenças copyleft já que não exigem ao titular da licença a distribuição dos trabalhos derivados baixo a mesma licença. Na actualidade, se debate sobre que licença proporciona maior grau de liberdade. Neste debate consideram-se questões complexas como a própria definição de liberdade e daí liberdades são mais importantes. Às vezes diz-se que as licenças copyleft tratam de maximizar a liberdade de todos aqueles destinatários potenciais no futuro (inmunidad contra a criação de software privativo), enquanto as licenças de software livre sem copyleft maximizam a liberdade do destinatário inicial (liberdade para criar software privativo). Com um enfoque similar, a liberdade do destinatário (que é limitada pelo copyleft) pode distinguir da liberdade do próprio software (a qual é garantida pelo copyleft).

O efeito vírico

Às licenças copyleft costuma-se-lhes atribuir um efeito "vírico", como qualquer trabalho derivado de um trabalho com copyleft deve a sua vez ater aos princípios do copyleft. Em particular, os trabalhos com copyleft não podem ser incorporados legalmente em trabalhos que sejam distribuídos sem o código fonte, como passa com a maioria de produtos comerciais, sem a permissão específica de seus autores. Como resultado, seu uso na indústria está maioritariamente limitado a uso interno.

O termo "vírico" implica propagación como a de um vírus biológico por um organismo vivo. No contexto das licenças e os contratos legalmente vinculantes, "vírico" faz referência a qualquer coisa que se propaga se aderindo a qualquer outra coisa, sem ter em conta se as contribuições víricas acrescentam algum valor ao trabalho particular.

Os partidários do copyleft sustentam que fazer extensiva a analogia entre as licenças copyleft e o vírus informáticos resulta inapropiado, já que o vírus informáticos geralmente infectam os computadores sem que o utente se percate disso e tentam causar dano, enquanto os autores de trabalhos derivados são conscientes da licença copyleft do trabalho original e seus utentes podem obter benefício dela. Muitos evitam usar o termo "vírico" dadas seus connotaciones negativas.

Microsoft, entre outros, ao descrever a GPL como uma "licença vírica", também pode se estar a referir à ideia de que qualquer lançamento de um trabalho novo baixo GPL pudesse criar um efeito rede com realimentación positiva, no que com o passo do tempo teria uma ingente quantidade de código copyleft que continuasse se expandindo. A reutilização de código é uma meta importante em engenharia do software pela qual se poupam esforços usando componentes genéricos que já existem para ter um produto pronto em pouco tempo. Aqueles que não aplicam copyleft em seus programas, com frequência têm que "reinventar a roda" em muitas partes destes, devido principalmente a que a quantidade de software livre que carece de copyleft é relativamente pequena. Isto é considerado frequentemente uma desventaja do desenvolvimento de software sem copyleft.

Alguns oponentes do copyleft sem formação legal, afirmam que o simples facto de usar uma sozinha linha de código copyleft em um projecto de milhões de linhas de código sem copyleft, converte automaticamente este último em código copyleft. Pode-se ver então que este comportamento é similar ao de um vírus informático ou biológico, o qual infecta uma entidade muito maior apesar de que suas dimensões são pequenas em comparação.

No entanto, dita reclamação é incorreta por dois motivos. Em primeiro lugar, na maioria de jurisdições é improvável que uma sozinha linha de código seja considerada suficiente para justificar a protecção do copyright. Em segundo lugar, inclusive quando o código que se inclui em um projecto é o suficientemente importante para justificar a protecção do copyright, o resto do código nunca passará a ter automaticamente uma licença copyleft. O que ocorrerá é que não será legal distribuir o trabalho derivado, a não ser que o proprietário do trabalho que recebe o código copyleft o ponha baixo uma licença compatível (que não tem por que ser necessariamente uma licença copyleft). Se o trabalho é distribuído de todos modos, isto será considerado uma simples violação do copyright, e não afectará para nada à licença do trabalho.

De maneira adicional, algumas licenças copyleft populares como a GPL incluem uma cláusula que especifica que os componentes com copyleft podem interactuar com componentes sem copyleft sempre que a comunicação seja relativamente simples, como por exemplo executar uma ferramenta de linha de ordens mediante uma singela estrutura de controle. Como consequência, inclusive se um módulo de um produto com intenções de não aplicar copyleft está posto baixo GPL, ainda existe uma possibilidade legal para que outros componentes se comuniquem com ele de uma forma restringida.

Fora do contexto do software

Arte e documentação

O copyleft também tem inspirado às artes, com movimentos emergentes como a Livre Society e os selos discográficos open-source. Por exemplo, licencia-a Arte Livre é uma licença copyleft que pode ser aplicada a qualquer obra de arte.

Entre as licenças copyleft para materiais alheios ao software temos as licenças Creative Commons compartilhar-igual e a Licença de Documentação Livre de GNU (abreviada como GNU FDL, GFDL, ou FDL). A licença GFDL pode utilizar-se para proteger com copyleft aqueles trabalhos que não têm código fonte distinguible (ainda que o requisito que estabelece a GPL de libertar o código fonte não tem muito sentido quando se trata de trabalhos onde não se pode distinguir entre código compilado, código objecto, código executável ou código binário). A licença GFDL si que distingue entre uma "cópia transparente" e uma "cópia opaca", usando uma definição diferente à dada pela GPL para código fonte" e "código objecto".

Vale a pena destacar que pára que o copyleft faça sentido, requer de alguma maneira que exista um espaço onde seja algo comum o poder fazer cópias baratas de forma singela (ficheiros de computador ou fotocópias, etc.), ou, pondo de outro modo, onde um possa oferecer algo sem "perder" esse algo (como o conhecimento): p.e., o copyleft é mais difícil de pôr em prática naquelas artes que se caracterizam pela produção de objectos únicos, que não podem ser copiados tal como são (a não ser que não se tema pela integridade do trabalho original). Pode-se ilustrar esta ideia com o seguinte exemplo: suponha que há uma exposição pública de alguns quadros mundialmente famosos, p.e., algumas das muitas cópias e trabalhos derivados que Andy Warhol fez de suas próprias obras de arte, e suponha que alguém que tem acesso a esses quadros (sem ter plena propriedade dos direitos destes), decide "melhorar com alguns efeitos pictóricos de seu gosto (sem esquecer a correspondente assinatura com pintura em aerosol). Dada esta situação, não teria maneira (legal) de deter a este tipo se lhe pode considerar o titular baixo copyleft completo de ditas obras.

Este e outros exemplos parecem assinalar que o copyleft não é a pedra filosofal definitiva capaz de resolver todos os assuntos relacionados com os direitos de autor de uma vez por todas: especialmente na arte, que possui também uma tradição de criação como um processo solitário (junto com, mas de maneira separada, uma tradição de criatividade cooperativa), as obras "dirigidas à comunidade" não é o que se deseja em todos os casos.

As licenças copyleft para a arte são conscientes geralmente de tais limitações, pelo que diferem das licenças copyleft para o software. Algumas diferenças consistem, p.e., em distinguir entre a obra original e as cópias (onde algumas condições imprescindibles do copyleft são aplicáveis somente às cópias) ou em descansar sobre ideias que são menos objectivas à hora de pôr em prática (mais como declarações de intenções), por exemplo, estipulando que o copyleft seja sujeito de consideração - no mundo dos programadores a implementação do copyleft constitui em si mesma a máxima consideração que um pode obter. Em outras palavras: na arte o copyleft tem que depender de noções mais generais referentes aos direitos de autor, as quais são inclusive mais complexas (e mais cambiantes entre países) que as leis do copyright, como por exemplo, os direitos morais, intelectuais, etc.

Ao igual que o sistema de licenças Creative Commons compartilhar-igual, a GFDL permite aos autores estabelecer limitações em certas secções de seu trabalho, deixando exentas a algumas partes de sua criação do mecanismo do copyleft completo. No caso da licença GFDL, estas limitações incluem o uso de secções invariantes, que não podem ser alteradas por futuros editores. Estes tipos de licenças copyleft parciais podem ser utilizadas também fosse do contexto da arte: de facto, esse era o propósito inicial para a GFDL, já que foi originalmente concebida como um mecanismo para apoiar a documentação de software (com copyleft). No entanto, pode ser utilizada para qualquer tipo de documento.

Muitos artistas aplicam copyleft em seu trabalho tendo em mente que aqueles que o copiem e o modifiquem de algum modo reconhecerão o trabalho ao artista inicial. No entanto, isto pode trazer problemas: o trabalho do artista poderia utilizar-se de maneira contrária a sua vontade, p.e., pondo uma fotografia regular em um cartaz racista. Se o artista é reconhecido, será então associado aparentemente com um grupo e uma ideologia que talvez não compartilhe. Assim mesmo, também não há garantia de que se lhe atribua o mérito de seu trabalho quando gostaria.

Patentes

As ideias do copyleft estão a ser também sugeridas a cada vez mais para sua aplicação em patentes (e por tanto, dependendo de um marco legal de patentes em lugar de um marco legal de direitos de autor). Exemplos destas iniciativas são os fundos de patentes abertas que permitem o uso livre de royalties de patentes contribuídas ao fundo baixo certas condições (como renunciar ao direito de solicitar novas patentes que não têm sido contribuídas a dito fundo). No entanto, esta iniciativa parece não ter descolado, talvez porque as patentes são relativamente caras de obter, enquanto os direitos de autor se obtêm de maneira gratuita.

Não obstante, já que a maioria de criações com copyleft adquirem a característica de copyleft exclusivamente das leis do copyright, os mecanismos de patentes podem ameaçar as liberdades que outorga o copyleft a ditas criações quando se permite às leis de patentes anular às de copyright, que poderia ser o caso das novas regras referentes a patentes desenvolvidas pela União Européia a princípios do século XXI. Não parece ter uma resposta fácil a tais ameaças, ainda que geralmente se considera que as comunidades que desenvolvem produtos com copyleft não têm nem os recursos nem a organização necessária para os complexos trámites de patentes.

Exploração comercial

A exploração comercial de trabalhos com copyleft difere da exploração comercial tradicional que se obtém dos direitos de autor. A exploração de trabalhos com copyleft pode conseguir-se, por exemplo, construindo um modelo de serviços -incluindo assessoria e suporte- ao redor do trabalho com copyleft. Geralmente, espera-se que um negócio "copyleft" gere uns benefícios económicos mais baixos que um negócio que utilize trabalhos privativos. As empresas que trabalham com produtos privativos podem gerar rendimentos exclusivamente com as vendas, as licenças individuais e transferibles, e os lucrativos litigios sobre direitos do trabalho.

Novos produtos

A competitividade dos trabalhos com copyleft nos negócios pode parecer excessivamente débil, sendo incapaz de gerar investimentos para investigação e desenvolvimento, nem de acaparar exclusivamente os benefícios obtidos do resultado. Economicamente, o copyleft considera-se o único mecanismo capaz de competir com as empresas monopolísticas que dependem da exploração económica do copyright, marcas registadas e leis de patentes. O copyleft permite a programadores voluntários contribuir e sentir-se envolvidos no desenvolvimento de software, fazendo parte de um projecto bem mais grande, como o desenvolvimento do núcleo de um sistema operativo. Ademais, asseguram-se de que qualquer derivado que surja de seu esforço no futuro permanecerá acessível a eles graças ao copyleft. Portanto, o desenvolvimento de software com copyleft deixa clara sua intenção de nunca ocultar ou abusar de qualquer conhecimento que se contribua. A sua vez, o copyleft também garante que as companhias e programadores que se decidem a colaborar não possam criar suas próprias versões privativas do trabalho para tomar vantagem sobre outros. Em seu lugar, a competitividade baseia-se em outros aspectos do fornecimento de produtos comerciais com copyleft.

Comercialização industrial

Os revendedores comerciais de sistemas baseados em GNU/Linux (como Rede Hat e Mandrake) podem ter tido suas mais e suas menos à hora de encontrar uma estratégia exitosa (ou modelo de negócio) para sacar adiante seus negócios, mas com o tempo tem ficado demonstrado que é possível basear um negócio em um serviço comercial em torno de uma criação com copyleft. Um exemplo bem conhecido é o de Mandrake, que foi uma das primeiras companhias em ter sucesso na carteira de valores depois da implosión de grandes partes do mercado da Tecnologia da Informação (TI) a princípios do século XXI. A companhia também conseguiu convencer aos organismos governamentais para alterar para sua distribuição de GNU/Linux.

No entanto, e deixando a um lado excepções como Debian, a maioria de revendedores de GNU/Linux não limitam seu negócio ao software com copyleft. Parece não ter uma verdadeira razão pela qual, a exploração de serviços comerciais em torno de criações com copyleft, não pudesse ser possível em negócios a pequena escala. Dita estratégia, como conceito de negócio, não seria mais complexa que a de fazer dinheiro com uma receita para preparar café de domínio público", e que tão satisfatoriamente têm sabido explodir os proprietários de muitas cafeterías. UserLinux, um projecto de Bruce Perens, apoiou o aparecimento de tais negócios a pequena escala baseados em software livre, isto é, programas informáticos com copyleft ou com algum outro tipo de licença livre.

Comercialização artística

Em arte, o conceito de serviço comercial em torno de uma criação com copyleft" pode ser (inclusive) mais difícil de pôr em prática que no desenvolvimento de software. As representações públicas poderiam ser consideradas como uma das poucas possibilidades de proporcionar ditos "serviços".

A indústria da música, por exemplo, parece ter encontrado um obstáculo a seu desenvolvimento nos programas de intercâmbio de ficheiros em redes P2P. A Fundação Fronteira Electrónica (Electronic Frontier Foundation, EFF) propõe algumas sugestões para resolver este problema:

Licenciamiento voluntário colectivo: Soa óbvio: as principais casas discográficas poderiam reunir-se e oferecer umas licenças justas e não discriminatorias para sua música. A isto se lhe chama "licenciamiento voluntário colectivo", e é o que se leva praticando 70 anos para manter legal a rádio e ao mesmo tempo remunerar aos compositores. Protege às estações de possíveis pleitos enquanto reúne o dinheiro pelas canções que estas reproduzem.

Licenças individuais obrigatórias: Se aos artistas, compositores, e titulares de direitos de autor exigisse-se-lhes permitir a cópia on-line a mudança de uns honorarios fixados pelo governo, as companhias poderiam arranjar-lhas sem problemas para reunir ditos honorarios, fazer a contabilidade, e remeter aos artistas. O pagamento à cada artista não tem que refletir directamente o que paga a cada consumidor, sempre que o total entre todos os artistas e consumidores fique equilibrado. (...)

Compartilhar os rendimentos por publicidade: Lugares como Internet Underground Music Archive, EMusic.com, Soundclick, e Artistdirect.com põem a disposição dos fãs um espaço onde escutar fluxos de música (streaming), descarregar ficheiros, e se pôr em contacto com os artistas. Enquanto, estes fãs vêem publicidade cujos benefícios se repartem entre o próprio lugar e os titulares dos direitos de autor.

Assinaturas P2P: Alguns vendedores de software P2P poderiam começar a cobrar por seu serviço. Os amantes da música poderiam pagar uma quantidade fixa pelo software ou pela cada canção descarregada. Os fundos poderiam ser distribuídos aos artistas e titulares de direitos de autor mediante acordos de licença com os estudos ou assinaturas discográficas ou através de licenças obrigatórias. Em 2001, Napster propôs-se este serviço de assinatura. Ainda que as batalhas legais de Napster contra a indústria do disco deixaram-no fora de jogo, (junto com muitos outros lugares e sistemas P2P), os serviços de assinatura (como o iTunes Music Store de Apple) mostram que os consumidores estão dispostos a pagar pela música que descarregam.

Patrocinio digital e propinas on-line: A contribuição directa dos amantes da música é uma maneira muito antiga de compensar aos artistas. Já que o conteúdo transformou-se em digital, assim deve o fazer também a forma de pagamento. Com um bote de propinas on-line como o Amazon Honra System, os artistas podem pedir doações directamente desde suas páginas site, em quantidades tão pequenas como um dólar. Os lugares que oferecem patrocinio como MusicLink e QuidMusic emergem com este propósito permitindo aos consumidores seleccionar aos músicos e compositores que gostariam de apoiar. De qualquer forma, proporciona-se aos consumidores um método fácil e seguro para dar dinheiro directamente aos artistas que admiram.

Impostos por largo de banda: Algumas pessoas têm proposto aos ISPs como pontos de arrecadação pelo intercâmbio P2P. Todo o utente de Internet obtém acesso site através de um ISP. A maioria mantém também um acordo financeiro regular com algum deles. A mudança de protecção contra possíveis pleitos ou julgamentos, os ISPs poderiam vender contas "autorizadas" (com um cargo extra) aos utentes de P2P.

Tarifas sobre os meios: Outro lugar onde gerar rendimentos é nos meios físicos que se utilizam para armazenar a música. Canadá e Alemanha gravam todos os discos grabables e distribuem depois os fundos entre os artistas. Nos Estados Unidos têm discos grabables com direitos pagos e discos de dados. É difícil pagar aos artistas de forma precisa com este sistema por si só, mas outros dados (como estatísticas das redes P2P, por exemplo) poderiam ajudar à hora de fazer mais justo o desembolso dos fundos.

Concertos: Está comprovado, os concertos são uma enorme fonte de rendimentos para os artistas. Alguns, como as bandas Grateful Dead[3] e Phish,[4] têm construído suas carreiras ao redor de suas giras, ao mesmo tempo que animavam a seus fãs a gravar e trocar sua música. A distribuição por paridade encaixa à perfección com este modelo, constituindo um sistema de distribuição e promoção para aquelas bandas que elegem se ganhar a vida na estrada.

Alguns se mostram mais firmes sobre o comércio de ideias e dizem: As ideias não funcionam igual que os objectos. Se eu te dou um objecto físico deixo de poder usar e controlar dito objecto, e posso pedir algo a mudança, algum tipo de pagamento ou compensação. Em mudança, quando te dou uma ideia, não perco nada. Ainda posso utilizar essa ideia como deseje. Não preciso pedir nada a mudança.

Alguns artistas usam licenças, como Creative Commons Reconhecimento Não comercial Compartilhar Igual,[5] que não permitem um uso comercial. Desta maneira, podem escolher vender suas criações sem ter que competir com outras cópias em venda do mesmo trabalho.

Veja-se também

Referências

  1. Extraído de GNU: The GNU Project (em inglês)
  2. GPL versão 2, (em inglês)
  3. Grateful Dead, página oficial, precisa Flash (em inglês)
  4. Phish, página oficial, precisa Flash (em inglês)
  5. Licença CC Reconhecimento Não comercial Compartilhar Igual 2.5, para Espanha.

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/t/e/Ate%C3%ADsmo.html"