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Cultura

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A cultura é o conjunto de todas as formas, os modelos ou os padrões, explícitos ou implícitos, através dos quais uma sociedade regula o comportamento das pessoas que a conformam. Como tal inclui costumes, práticas, códigos, normas e regras da maneira de ser, vestimenta, religião, rituales, normas de comportamento e sistemas de crenças. Desde outro ponto de vista pode-se dizer que a cultura é toda a informação e habilidades que possui o ser humano (Ainda que alguns autores pretendem atribuir condutas culturais a outros animais -tipos de primates-, o verdadeiro é que se entende por cultura um padrão conductual não instintivo e variável). O conceito de cultura é fundamental para as disciplinas que se encarregam do estudo da sociedade, em especial para a antropologia e a sociologia.

A Unesco, em 1982, declarou:

...que a cultura dá ao homem a capacidade de reflexionar sobre si mesmo. É ela a que faz de nós seres especificamente humanos, racionais, críticos e eticamente comprometidos. Através dela discernimos os valores e efectuamos opções. Através dela o homem se expressa, toma consciência de si mesmo, se reconhece como um projecto inacabado, põe em questão suas próprias realizações, procura incansavelmente novas significações, e cria obras que o trascienden.
(UNESCO, 1982: Declaração de México)

Ainda que muitas das concepções sobre cultura na linguagem comum têm sua origem no debate das ciências sociais, ou bem, existiram primeiro na fala quotidiana e depois foram retomadas pelas segundas, aqui se apresenta um repaso sobre a construção histórica do conceito de cultura nas disciplinas sociais.

Conteúdo

Formação do conceito de cultura

Origem do termo

Desde a antigüedad podem-se encontrar metáforas que relacionam a prática de algumas actividades com o «cultivo» do espírito humano, e as faculdades sensíveis e intelectuais do indivíduo –por exemplo, com o «cultivo» da terra, que é a agricultura, o cultivo foi o princípio da modalidade cultural. Nesta acepción conserva-se ainda na linguagem quotidiana, quando se identifica cultura com sensibilidade. Desta sorte, uma pessoa «culta» é aquela que possui extensos conhecimentos nos mais variados «campos» do saber.

Concepção clássica da cultura

Em suas primeiras acepciones, cultura designava o cultivo dos campos.

O termo cultura prove do latín cultus que a sua vez deriva da voz colere que significa cuidado do campo ou do ganhado. Para o século XIII, o termo empregava-se para designar uma parcela cultivada, e três séculos mais tarde tinha mudado seu sentido como estado de uma coisa, ao da acção: o cultivo da terra ou o cuidado do ganhado (Cuche, 1999: 10), aproximadamente no sentido em que se emprega no espanhol de nossos dias em vocablos como agricultura, apicultura, piscicultura e outros. Ao meio do século XVI, o termo adquire uma connotación metafórica, como o cultivo de qualquer faculdade. De qualquer maneira, a acepción figurativa de cultura não estender-se-á até o século XVII, quando também aparece em certos textos académicos.

No Século das Luzes (século XVIII) é a época em que o sentido figurado do termo como "cultivo do espírito" se impõe em amplos campos académicos. Por exemplo, o Dictionnaire de l'Academie Française de 1718. E ainda que a Enciclopedia inclui-o só em seu sentido restringido de cultivo de terras, não desconhece o sentido figurado, que aparece nos artigos dedicados à literatura, a pintura, a filosofia e as ciências. Ao passo do tempo, como cultura entender-se-á a formação da mente. Isto é, converte-se novamente em uma palavra que designa um estado, ainda que nesta ocasião é o estado da mente humana, e não o estado das parcelas.

Voltaire, um dos poucos pensadores franceses do século XVIII que se mostravam partidários de uma concepção relativista da história humana.

A clássica oposição entre cultura e natureza também tem suas raízes nesta época. Em 1798, o Dictionnaire inclui uma acepción de cultura em que se estigmatiza o "espírito natural". Para muitos dos pensadores da época, como Jean Jacques Rousseau, a cultura é um fenómeno distintivo dos seres humanos, que os coloca em uma posição diferente à do resto de animais. A cultura é o conjunto dos conhecimentos e saberes acumulados pela humanidade ao longo de seus milénios de história. Em tanto uma característica universal, o vocablo emprega-se em número singular, já que encontra-se em todas as sociedades sem distinção de etnias, localização geográfica ou momento histórico.

Cultura e civilização

Também é no contexto da Ilustração quando surge outra das clássicas oposições em que se envolve à cultura, desta vez, como sinónimo da civilização. Esta palavra aparece pela primeira vez na língua francesa do século XVIII, e com ela se significava a refinación dos costumes. Civilização é um termo relacionado com a ideia de progresso. Segundo isto, a civilização é um estado da Humanidade no qual a ignorância tem sido abatida e os costumes e relações sociais se acham em sua mais elevada expressão. A civilização não é um processo terminado, é constante, e implica o perfeccionamiento progressivo das leis, as formas de governo, o conhecimento. Como a cultura, também é um processo universal que inclui a todos os povos, inclusive aos mais atrasados na linha da evolução social. Desde depois, os parámetros com os que se media se uma sociedade era mais civilizada ou mais selvagem eram os de sua própria sociedade. Nos albores do século XIX, ambos termos, cultura e civilização eram empregados quase de modo indistinto, sobretudo em francês e inglês (Thompson, 2002: 186).

Johann Gottfried Herder. Segundo ele, a cultura podia se entender como a realização do génio nacional (Volksgeist).

É necessário assinalar que não todos os intelectuais franceses empregaram o termo. Rousseau e Voltaire mostraram-se reticentes a esta concepção progressista da história. Tentaram propor uma versão mais relativista da história, ainda que sem sucesso, pois a corrente dominante era a dos progressistas. Não foi na França, senão na Alemanha onde as posturas relativistas ganharam maior prestígio. O termo Kultur em sentido figurado aparece na Alemanha para o século XVII -aproximadamente com a mesma connotación que em francês. Para o século XVIII goza de grande prestígio entre os pensadores burgueses alemães. Isto se deveu a que foi empregue para denostar aos aristócratas, aos que acusavam de tratar de imitar as maneiras "civilizadas" do corte francesa. Por exemplo, Immanuel Kant apontava que "nos cultivamos por médio da arte e da ciência, nos civilizamos [ao adquirir] bons modais e refinamientos sociais" (Thompson, 2002: 187). Portanto, na Alemanha o termo civilização foi equiparado com os valores cortesanos, qualificados de superficiais e pretenciosos. Em sentido contrário, a cultura identificou-se com os valores profundos e originais da burguesía (Cuche, 1999:13).

No processo de crítica social, o acento na dicotomía cultura/civilização translada-se das diferenças entre estratos sociais às diferenças nacionais. Enquanto França era o palco de uma das revoluções burguesas mais importantes da história, Alemanha estava fragmentada em múltiplos Estados. Por isso, uma das tarefas que se tinham proposto os pensadores alemães era a unificação política. A unidade nacional passava também pela reivindicação das especificidades nacionais, que o universalismo dos pensadores franceses pretendia apagar em nome da civilização. Já em 1774 , Johann Gottfried Herder proclamava que o génio da cada povo (Volksgeist) se inclinava sempre pela diversidade cultural, a riqueza humana e na contramão do universalismo. Por isso, o orgulho nacional radicaba na cultura, através da que a cada povo devia cumprir um destino específico. A cultura, como a entendia Herder, era a expressão da humanidade diversa, e não excluía a possibilidade de comunicação entre os povos.

Durante o século XIX, na Alemanha o termo cultura evolui baixo a influência do nacionalismo.[1] Enquanto, na França, o conceito ampliou-se para incluir não só o desenvolvimento intelectual do indivíduo, senão o da humanidade em seu conjunto. De aqui, o sentido francês da palavra apresenta uma continuidade com o de civilização: não obstante a influência alemã, persiste a ideia de que para além das diferenças entre "cultura alemã" e "cultura francesa" (por pôr um exemplo), há algo que as unifica a todas: a cultura humana.[2]

Definições de cultura nas disciplinas sociais

Para efeito das ciências sociais, as primeiras acepciones de cultura foram construídas no final do século XIX. Por esta época, a sociologia e a antropologia eram disciplinas relativamente novas, e a pauta no debate sobre o tema que aqui nos ocupa a levava a filosofia. Os primeiros sociólogos, como Émile Durkheim, recusavam o uso do termo. Há que recordar que em sua perspectiva, a ciência da sociedade devia abordar problemas relacionados com a estrutura social.[3] Conquanto é opinião generalizada que Carlos Marx deixou de lado à cultura, isso se vê refutado pelas mesmas obras do autor, sustentando que as relações sociais de produção (a organização que adoptam os seres humanos para o trabalho e a distribuição social de seus frutos) constituem a base da superestructura jurídico-política e ideológica, mas em nenhum caso um aspecto secundário da sociedade. Não é concebible uma relação social de produção sem regras de conduta, sem discursos de legitimación, sem práticas de poder, sem costumes e hábitos permanentes de comportamento, sem objectos valorizados tanto pela classe dominante como pela classe dominada. O desvelo das obras juvenis de Marx , tanto da ideologia alemã (1845-1846) em 1932 pela célebre edição do Instituto Marx-Engels da URSS baixo direcção de David Riazanov, como dos Manuscritos económicos e filosóficos (1844) possibilitou que vários partidários de suas propostas teóricas desenvolvessem uma teoria da cultura marxista (se veja mais adiante).

O conceito de cultura geralmente é relacionado com a antropologia. Uma dos ramos mais importantes desta disciplina social encarrega-se precisamente do estudo comparativo da cultura. Quiçá pela centralidad que a palavra tem na teoria da antropologia, o termo tem sido desenvolvido de diversas maneiras, que supõem o uso de uma metodología analítica baseada em premisas que em ocasiões distan muito as unas das outras.

Os etnólogos e antropólogos britânicos e estadounidenses das postrimerías do século XIX retomaram o debate sobre o conteúdo de cultura. Estes autores tinham quase sempre uma formação profissional em direito, mas estavam particularmente interessados no funcionamento das sociedades exóticas com as que Occidente se encontrava nesse momento.[4] Na opinião destes pioneiros da etnología e a antropologia social (como Bachoffen, McLennan, Maine e Morgan), a cultura é o resultado do devir histórico da sociedade. Mas a história da humanidade nestes escritores era fortemente deudora das teorias ilustradas da civilização, e sobretudo, do darwinismo social de Spencer .

Definições descritivas de cultura

Definição de Tylor

E. B. Tylor, etnólogo britânico, disse: "A principal tendência da cultura desde as origens aos tempos modernos tem sido do salvajismo para a civilização." (1995:43).

Como assinala Thompson (2002: 190), a definição descritiva de cultura encontrava-se presente a esses primeiros autores da antropologia decimonónica. O interesse principal na obra destes autores (que abordava problemáticas tão disímbolas como a origem da família e o matriarcado, e as sobrevivências de culturas antiquísimas na civilização ocidental de seu tempo) era a busca dos motivos que levavam aos povos a se comportar de tal ou qual modo. Nessas explorações, meditarente, ou entre a tecnologia e o resto do sistema social.

Um dos mais importantes etnógrafos da época foi Gustav Klemm. Nos dez tomos de sua obra Allgemeine Cultur-Geschichte der Menschheit (1843-1852) tentou mostrar o desenvolvimento gradual da humanidade por médio da análise da tecnologia, costumes, arte, ferramentas, práticas religiosas. Uma obra monumental, pois incluía exemplos etnográficos de povos de todo mundo. O trabalho de Klemm teria de ter eco em seus contemporâneos, empenhados em definir o campo de uma disciplina científica que estava a nascer. Uns vinte anos mais tarde, em 1871 , Edward B. Tylor publicou em Primitive Culture uma das definições mais amplamente aceitadas de cultura. Segundo Tylor, a cultura é:

...aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, o direito, os costumes, e qualquer outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem. A situação da cultura nas diversas sociedades da espécie humana, na medida em que pode ser pesquisada segundo princípios gerais, é um objecto apto para o estudo das leis do pensamento e a acção do homem.
(Tylor, 1995: 29)

Desta sorte, uma das principais contribuições de Tylor foi a elevação da cultura como matéria de estudo sistémico. Apesar deste notável avanço conceptual, a proposta de Tylor adolecía de duas grandes debilidades. Por um lado, sacou do conceito seu énfasis humanista ao converter à cultura em objecto de ciência. Pelo outro, seu procedimento analítico era demasiado descritivo. No texto citado acima, Tylor propõe que "um primeiro passo para o estudo da civilização[5] consiste em diseccionarla em detalhes, e classificar estes nos grupos adequados" (Tylor, 1995:33). Segundo esta premisa, a mera recopilación dos "detalhes" permitiria o conhecimento de uma cultura. Uma vez conhecida, seria possível classificá-la em uma graduación a mais a menos civilizada, premisa que herdou dos darwinistas sociais.

Definição dos culturalistas

Uma mulher hopi arranja o peinado de uma jovem soltera de sua tribo. Os antropólogos estadounidenses da primeira metade do século XX estavam muito interessados na documentação etnográfica dos povos índios, alguns dos quais estavam em processo de extinção.

A proposta teórica de Tylor foi retomada e reelaborada posteriormente, tanto em Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. Neste último país, a antropologia evoluía para uma posição relativista, representada em primeiro lugar por Franz Boas. Esta posição representava um rompimiento com as ideias anteriores sobre a evolução cultural, em especial as propostas pelos autores britânicos e o estadounidense Lewis Henry Morgan. Para este último, contra quem Boas dirigiu suas críticas em um de seus poucos textos teóricos, o processo da evolução social humana (tecnologia, relações sociais e cultura) podia ser equiparado com o processo de crescimento de um indivíduo da espécie. Portanto, Morgan comparava o salvajismo com a "infância da espécie humana", e a civilização, com a maturidade.[6] Boas foi sumamente duro com as propostas de Morgan e o resto dos antropólogos evolucionistas contemporâneos. Ao que seus autores chamavam teorias" sobre a evolução da sociedade, Boas as qualificou de "puras conjecturas" sobre o ordenamento histórico de fenómenos observados conforme a princípios admitidos [de antemão]" (1964:184).

A crítica de Boas na contramão dos evolucionistas é um eco da perspectiva dos filósofos alemães como Herder e Wilhelm Dilthey. O núcleo da proposta radica em sua inclinação a considerar a cultura como um fenómeno plural. Em outras palavras, mais que falar de cultura, Boas falava de culturas. Para a maior parte dos antropólogos e etnólogos adscritos à escola culturalista estadounidense, o estado da arte etnográfico ao princípio do século XX não permitia a conformación de uma teoria geral sobre a evolução das culturas. Portanto, o labor mais importante dos estudiosos do fenómeno devia ser a documentação etnográfica.[7] De facto, Boas escreveu muito poucos textos teóricos, em comparação com seus monografías sobre os povos indígenas da costa pacífica da América do Norte.

Os antropólogos formados por Robin Reid tiveram de herdar muitas das premisas de seu maestro. Entre outros casos notáveis, estão o de Ruth Benedict. Em sua obra Patterns of culture (1939), Benedict assinala que a cada cultura é um todo comprensible só em seus próprios termos[8] e constitui uma sorte de matriz que dá sentido à actuação dos indivíduos em uma sociedade. Alfred Kroeber, retomando a oposição entre cultura e natureza, também assinalava que as culturas são fenómenos sui generis mas, em sentido estrito, eram de uma categoria exterior à natureza. Portanto, segundo Kroeber, o estudo das culturas devia sair do domínio das ciências naturais e encarar às primeiras como o que eram: fenómenos superorgánicos.[9] Melville Herskovits e Clyde Kluckhohn retomaram de Tylor sua definição cientificista do estudo da cultura. Para o primeiro, também a recolección de rasgos definitorios das culturas permitiria sua classificação. Ainda que, neste caso, a classificação não se realizava em sentido diacrónico, senão espacial-geográfico que teria de permitir o conhecimento das relações entre os diferentes povos assentados em uma área cultural. Kluckhonn, por sua vez, resume em seu texto Antropologia a maior parte dos postulados vistos nesta secção, e reclama o domínio do cultural como o campo específico da actividade antropológica.

Definição funcionalista-estrutural

A característica mais peculiar do conceito funcionalista de cultura refere-se precisamente à função social da mesma. O suposto básico é que todos os elementos de uma sociedade (entre os que a cultura é um mais) existem porque são necessários. Esta perspectiva tem sido desenvolvida tanto em antropologia como em sociologia ainda que, sem dúvida, suas primeiras características foram delineadas involuntariamente por Émile Durkheim. Este sociólogo francês muito poucas vezes empregou o termo como unidade analítica principal de sua disciplina. Em seu livro As regras do método sociológico (1895), propõe que a sociedade está composta por entidades que têm uma função específica, integradas em um sistema análogo ao dos seres vivos, onde a cada órgão está especializado no cumprimento de uma função vital. Do mesmo modo em que os órgãos de um corpo são susceptíveis à doença, as instituições e costumes, as crenças e as relações sociais também podem cair em um estado de anomia . Durkheim e seus seguidores, no entanto, não se ocupam exclusiva nem principalmente da cultura como objecto de estudo, senão de factos sociais. Apesar deles, suas propostas analíticas foram retomadas por autores conspicuos da antropologia social britânica e a sociologia da cultura dos Estados Unidos.

Mais tarde, o polaco Bronislaw Malinowski retomou tanto a descrição de cultura de Tylor como alguns das propostas de Durkheim relativos à função social. Para Malinowski, a cultura podia ser entendida como uma «realidade sui generis» que devia se estudar como tal (em seus próprios termos). Na categoria de cultura incluía artefactos, bens, processos técnicos, ideias, hábitos e valores herdados (Thompson, 2002: 193). Também considerava que a estrutura social podia ser entendida analogamente aos organismos vivos mas, a diferença de Durkheim, Malinowski tinha uma tendência mais holística. Malinowski achava que todos os elementos da cultura possuíam uma função que lhes dava sentido e fazia possível sua existência. Mas esta função não era dada unicamente pelo social, senão pela história do grupo e o meio geográfico, entre muitos outros elementos. O reflito mais claro deste pensamento aplicado à análise teórica foi o livro Os argonautas do Pacífico Ocidental (1922), uma extensa e detalhada monografía sobre as diferentes esferas da cultura dos isleños trobriandeses, um povo que habitava nas ilhas Trobriand, ao oriente de Nova Guiné.

Anos mais tarde, Alfred Reginald Radcliffe-Brown, também antropólogo britânico, retomaria algumas das propostas de Malinowski, e muito especialmente as que se referiam à função social. Radcliffe-Brown recusava que o campo de análise da antropologia fosse a cultura, mais bem se encarregava do estudo da estrutura social, uma malha de relações entre as pessoas de um grupo. No entanto, também analisou aquelas categorias que tinham sido descritas anteriormente por Malinowski e Tylor, seguindo sempre o princípio da análise científica da sociedade. Em seu livro Estrutura e função na sociedade primitiva (1975) Radcliffe-Brown estabelece que a função mais importante das crenças e práticas sociais é a da manutenção da ordem social, o equilíbrio nas relações e a trascendencia do grupo no tempo. Suas propostas foram retomadas mais tarde por muitos de seus alunos, especialmente por Edward Evan Evans-Pritchard etnógrafo dos nuer e os azande, povos do centro da África. Em ambos trabalhos etnográficos, a função reguladora das crenças e práticas sociais está presente à análise dessas sociedades, à primeira das quais, Evans-Pritchard chamou "anarquía ordenada".

Definições simbólicas

As origens das concepções simbólicas de cultura remontam-se a Leslie White, antropólogo estadounidense formado na tradição culturalista de Boas. Apesar de que em seu livro A ciência da cultura afirma, em um princípio, que esta é «o nome de um tipo preciso ou classe de fenómenos, isto é, as coisas e os acontecimentos que dependem do exercício de uma habilidade mental, exclusiva da espécie humana, que temos chamado 'simbolizante'», em decorrência de seu texto, White irá abandonando a ideia da cultura como símbolos para orientar para uma perspectiva ecológica.[10]

Definição estructuralista

Segundo a teoria estructuralista, a mente humana classifica todos os fenómenos do mundo, estabelecendo conjuntos clasificatorios aos que se aderem ónus semánticas (se convertem em símbolos). Por exemplo, Héritier propunha que um par de grupos clasificatorios universal é o que distingue homens de mulheres, baseado nas diferenças fisiológicas. O que muda são as atribuições da cada grupo: em algumas culturas, como a ocidental, a mulher se encarrega de criar aos meninos; em outras, esta tarefa corresponde aos homens.

O estructuralismo é uma corrente mais ou menos estendida nas ciências sociais. Suas origens remontam-se a Ferdinand de Saussure, lingüista, quem propôs grosso modo que a língua é um sistema de signos. Depois de sua conversão à antropologia (tal como o lume em Tristes trópicos), Claude Lévi-Strauss –influído por Roman Jakobson– teria de retomar este conceito para o estudo dos factos de interesse antropológico, entre os que a cultura era só um mais. De acordo com Lévi-Strauss, a cultura é basicamente um sistema de signos[11] produzidos pela actividade simbólica da mente humana (tese que compartilha com White).

Em Antropologia estrutural (1958) Lévi-Strauss irá definindo as relações que existem entre os signos e símbolos do sistema, e sua função na sociedade, sem prestar demasiada atenção a este último ponto. Em resumem, pode-se dizer que na teoria estructuralista, a cultura é uma mensagem que pode ser decodificado tanto em seus conteúdos, como em suas regras. A mensagem da cultura fala da concepção do grupo social que a cria, fala de suas relações com internas e externas. No pensamento selvagem (2002), Lévi-Strauss aponta que todos os símbolos e signos de que está feita a cultura são produtos da mesma capacidade simbólica que possuem todas as mentes humanas. Esta capacidade, basicamente consiste na classificação das coisas do mundo em grupos, aos que se atribuem certo ónus semánticas. Não existe grupo de símbolos ou signos (campo semántico) que não tenha um complementar. Os signos e seus significados podem ser associados por metáfora (como no caso das palavras) ou metonimia (como no caso dos emblemas da realeza) a fenómenos significativos para o grupo criador do sistema cultural. As associações simbólicas não necessariamente são as mesmas em todas as culturas. Por exemplo, enquanto na cultura ocidental, o vermelho é a cor do amor, em Mesoamérica é o da morte.

Segundo a proposta estructuralista, as culturas dos povos "primitivos" e "civilizados" estão feitas da mesma matéria e, por tanto, os sistemas do conhecimento do mundo exterior dominantes na cada um –magia nos primeiros, ciência nos segundos– não são radicalmente diferentes. Ainda que são várias as distinções que se podem estabelecer entre culturas primitivas e modernas: uma das mais importantes é o modo em que manipulam os elementos do sistema. Enquanto a magia improvisa, a ciência procede sobre a base do método científico.[12] O uso do método científico não quer dizer –segundo Lévi-Strauss– que as culturas onde a ciência é dominante sejam superiores, ou que aquelas onde a magia joga um papel fundamental sejam menos rigorosas ou metódicas em sua maneira de conhecer o mundo. Simplesmente, são de índole diferente umas de outras, mas a possibilidade de entendimento entre ambos tipos de culturas radica basicamente em uma faculdade universal do género humano.

Na perspectiva estructuralista, o papel da história na conformación da cultura de uma sociedade não é tão importante. O fundamental é chegar a dilucidar as regras que subyacen na articulação dos símbolos em uma cultura, e observar a maneira em que estes dotam de sentido a actuação de uma sociedade. Em vários textos, Lévi-Strauss e seus seguidores (como Edmund Leach) parecem insinuar, como Ruth Benedict, que a cultura é uma sorte de padrão que pertence a todo o grupo social mas não se encontra em ninguém em particular. Esta ideia também foi retomada do conceito de linguagem proposto por Saussure.

Definição da antropologia simbólica

A antropologia simbólica é um ramo das ciências sociais cujo desenvolvimento se relaciona com a crítica ao estructuralismo lévi-straussiano. Um dos principais expoentes desta corrente é Clifford Geertz. Compartilha com o estructuralismo francês a tese da cultura como um sistema de símbolos mas, a diferença de Lévi-Strauss, Geertz assinala que não é possível para os pesquisadores o conhecimento de seus conteúdos:

Ao crer tal como Max Weber que o homem é um animal suspendido em tramas de significação tecidas por ele mesmo, considero que a cultura se compõe de tais tramas, e que a análise desta não é, por tanto, uma ciência experimental em procura de leis, senão uma ciência interpretativa em procura de significado.
(Geertz, 1988:)

Baixo a premisa anterior, Geertz e a maior parte dos antropólogos simbólicos põem em dúvida a autoridade da etnografía. Assinalam que ao que podem se limitar os antropólogos é a fazer interpretações plausibles" do significado da trama simbólica que é a cultura, a partir da descrição densa da maior quantidade de pontos de vista que seja possível conhecer com respeito a um mesmo acontecimento. Em outro sentido, os simbólicos não acham que todos os elementos da trama cultural possuam o mesmo sentido para todos os membros de uma sociedade. Mais bem acham que podem ser interpretados de modos diferentes, dependendo, já da posição que ocupem na estrutura social, já de condicionamientos sociais e psíquicos anteriores, ou bem, do mesmo contexto.[13]

Definições marxistas

Tal como se assinalou anteriormente, Karl Marx apesar da opinião generalizada, pôs atenção na análise das questões culturais, especificamente em sua relação com o resto da estrutura social. Segundo a proposta teórica de Marx, o domínio do cultural (constituído sobretudo pela ideologia) é um reflito das relações sociais de produção, isto é, da organização que adoptam os seres humanos em frente à actividade económica. A grande contribuição do marxismo na análise da cultura é que esta é entendida como o produto das relações de produção, como um fenómeno que não está separado do modo de produção de uma sociedade. Assim mesmo, considera-a como um dos meios pelos quais se reproduzem as relações sociais de produção, que permitem a permanência no tempo das condições de desigualdade entre as classes.

Em suas interpretações mais simplistas, a definição da ideologia em Marx tem dado lugar a uma tendência a explicar as crenças e o comportamento social em função das relações que se estabelecem entre quem dominam o sistema económico e seus subalternos. No entanto, são muitas as posturas onde a relação entre a base económica e a superestructura cultural é analisada em enfoques mais amplos. Por exemplo, Antonio Gramsci chama a atenção à hegemonía, um processo por médio do qual, um grupo dominante se legitima ante os dominados, e estes terminam por ver natural e assumir como desejável a dominación. Louis Althusser propôs que o âmbito da ideologia (o principal componente da cultura) é um reflito dos interesses da elite, e que através dos aparelhos ideológicos do Estado se reproduzem no tempo.

Assim mesmo, Michel Foucault –no conhecido debate de novembro de 1971 em Holanda com Noam Chomsky– respondendo a pergunta de que se a sociedade capitalista era democrática, além de contestar negativamente –argumentando que uma sociedade democrática se baseia no efectivo exercício do poder por uma população que não esteja dividida ou ordenada hierarquicamente em classes– sustenta que, de maneira geral, todos os sistemas de ensino –os quais aparecem simplesmente como transmissores de conhecimentos aparentemente neutros–, estão factos para manter a certa classe social no poder, e excluir dos instrumentos de poder a outras classes sociais.

Definição neoevolucionista ou ecofuncionalista

Plataforma petrolera no Mar do Norte. White propunha que a energia de que dispusesse uma sociedade é a que determina em boa medida a cultura. Occidente, por exemplo, tem modificado suas tecnologias para poder aproveitar diversas fontes energéticas ao longo de sua história. A maior quantidade de energia disponível tem permitido a sua vez o desenvolvimento de novas tecnologias, crenças e formas de relações sociais. No entanto, como assinalam Rappaport e Morán, é possível que a expansão no consumo energético produza uma desadaptación ecológica e conduza à civilização Ocidental a seu desaparecimento.

Conquanto o estudo da cultura nasceu como uma inquietude pela mudança das sociedades ao longo do tempo, o desprestigio no que caíram os primeiros autores da antropologia foi um terreno fértil para que arraigaran na reflexão sobre a cultura as concepções ahistóricas. Salvo os marxistas, interessados no processo revolucionário para o socialismo, o resto das disciplinas sociais não prestaram maior atenção ao problema da evolução cultural.

Para introduzir as definições neoevolucionistas de cultura, é necessário recordar que os evolucionistas sociais de finais do século XIX (representados, entre outros, por Tylor), pensavam que as sociedades "primitivas" de sua época eram residuos de antigas formas culturais, pelas que necessariamente teria passado a civilização de Occidente dantes de chegar a ser o que era nesse momento. Como se indicou dantes, Boas e seus discípulos jogaram por terra estes argumentos, assinalando que nada provava a veracidad destas suposições. No entanto, nos Estados Unidos, para a década de 1940 teve lugar uma nova viragem do enfoque temporário da antropologia. Este novo rumo é o neoevolucionista, interessado entre outras coisas, pela mudança sócio-cultural e as relações entre cultura e médio ambiente.

White e Steward

Segundo o neoevolucionismo, a cultura é o produto das relações históricas entre um grupo humano e seu médio ambiente. Desta maneira podem-se resumir as definições de cultura propostas por Leslie White (1992) e Julian Steward (1992), quem encabeçaram a corrente neoevolucionista em seu nascimento.[14] O énfasis da nova corrente antropológica moveu-se do funcionamento da cultura a seu carácter dinâmico. esta mudança de paradigma representa uma clara oposição ao funcionalismo estructuralista, interessado no funcionamento actual da sociedade; e o culturalismo, que adiava a análise histórica para um momento em que os dados etnográficos o permitissem.

Tanto Steward como White concordam em que a cultura é só um dos âmbitos da vida social. Para White, a cultura não é um fenómeno que deva se entender em seus próprios termos, como propunham os culturalistas. O aprovechamiento energético é o motor das transformações culturais: estimula a transformação da tecnologia disponível, tendendo sempre a melhorar. Assim, a cultura está determinada pela forma na que o grupo humano aproveita seu meio. Este aprovechamiento traduz-se a sua vez em energia. O desenvolvimento da cultura de um grupo é proporcional a quantidade de energia que a tecnologia disponível lhe permite aproveitar. A tecnologia determina as relações sociais e essencialmente a divisão do trabalho como uma prístina forma de organização. A sua vez, a estrutura social e a divisão do trabalho refletem-se no sistema de crenças do grupo, que formula conceitos que lhe permitem compreender o meio que lhe rodeia. Uma modificação na tecnologia e a quantidade de energia aproveitada traduz-se, por tanto, em modificações em todo o conjunto.

Steward, por sua vez, retomava de Kroeber a concepção da cultura como um facto que se encontrava por em cima e fora da natureza. No entanto, Steward sustentava que tinha um diálogo entre ambos domínios. Opinava que a cultura é um fenómeno ou capacidade do ser humano que lhe permite se adaptar a seu médio biológico. Um dos principais conceitos em sua obra é o de evolução. Steward propunha que a cultura segue um processo de evolução multilineal (isto é, não todas as culturas passam de um estado selvagem à barbarie, e daí à civilização), e que este processo se baseia no desenvolvimento de tipos culturais derivados das adaptações culturais ao médio físico de uma sociedade. Steward introduz nas ciências sociais o termo de ecología , assinalando com ele: a análise das relações existentes entre todos os organismos que compartilham um mesmo nicho ecológico.

Evolução cultural

Tinha pelo menos uma grande distância conceptual entre a proposta de White e de Steward. O primeiro inclinava-se pelo estudo da cultura como fenómeno total, enquanto o segundo se mantinha mais proclive ao relativismo. Por isso, entre as limitações que tiveram que superar seus sucessores esteve a de concatenar ambas posturas, para unificar a teoria dos estudos da ecología cultural. Desta sorte, Marshall Sahlins propôs que a evolução cultural segue duas direcções. Por um lado, cria diversidade "através de uma modificação de adaptação: as novas formas diferenciam-se das velhas. Por outra parte, a evolução gera progresso: as formas superiores surgem das inferiores e ultrapassam-nas".[15]

A ideia de que a cultura se transforma seguindo duas linhas simultâneas foi desenvolvida por Darcy Ribeiro, que introduziu o conceito de processo civilizatorio[16] para compreender as transformações da cultura.

Com o tempo, o neoevolucionismo serviu como uma das principais articulações entre as ciências sociais e as ciências naturais, especialmente coma ponte com a biologia e a ecología. De facto, sua própria vocação como enfoque holístico lhe converteu em uma das correntes mais interdisciplinarias das disciplinas que estudam a humanidade. A partir da década de 1960, a ecología entrou em uma relação muito estreita com os estudos culturais de corte evolutivo. Os biólogos tinham descoberto que os seres humanos não são os únicos animais que possuem cultura: tinham-se encontrado indícios dela entre alguns insectos, mas especialmente entre os primates. Roy Rappaport introduziu na discussão do social a ideia de que a cultura faz parte da mesma biologia do ser humano, e que a evolução mesma do ser humano se deve à presença da cultura. Assinalava que:

...superorgánica ou não, se deve ter presente que a cultura em sim pertence à natureza. Emergiu no curso da evolução mediante processos de selecção natural diferentes só em parte daqueles que produziram os tentáculos do pulpo […] Ainda que a cultura está altamente desenvolvida nos seres humanos, estudos etológicos recentes têm indicado alguma capacidade simbólica entre outros animais. […] Ainda que as culturas podem impor aos sistemas ecológicos, há limites para essas imposições, já que as culturas e seus componentes estão sujeitos a sua vez a processos selectivos.
(Rappaport, 1998: 273-274)

As novas descobertas na etología (ciência que estuda o comportamento dos animais) animaram a muitos biólogos a intervir no debate sociológico da cultura. Alguns deles procuravam estabelecer relações entre a cultura humana e as formas primitivas de cultura observadas, por exemplo, entre os macacos do Japão. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Sherwood Washburn, professor de antropologia da Universidade de Califórnia. À frente de uma equipa multidisciplinario, empreendeu a tarefa de procurar quais eram as origens da cultura humana. Como primeira parte de seu projecto, analisou o comportamento social dos primates superiores. Em segundo lugar, supondo que os bosquimanos !kung eram os últimos redutos das formas mais primitivas de cultura humana, procedeu ao estudo de sua cultura. A terceira etapa do programa de Washburn (no que colaboraram Richard Lê e Irven de Vore, e que se prolongou durante a primeira metade dos anos sessenta) foi proceder à comparação dos resultados de ambas investigações, e especulou sobre esta base a respeito da importância da caçada na construção da sociedade e a cultura.

Esta hipótese foi apresentada em um congresso chamado Man, the Hunter, realizado na Universidade de Chicago em 1966. Fora porque a investigação apoiava-se em premisas sobre a evolução cultural que foram eliminadas desde os tempos de Boas, ou porque era uma tese que negava a importância da mulher na construção da cultura, a tese de Washburn, Lê e De Vore não foi bem recebida.[17]

Esta definição, atende à característica principal da cultura, que é uma obra estritamente de criação humana, a diferença dos processos que realiza a natureza, por exemplo, o movimento da terra, as estações do ano, os ritos de apareamiento das espécies, as marés e inclusive a conduta das abejas que fazem suas panales, elaboram mel, se orientam para encontrar o caminho de regresso mas, que apesar disso, não constituem uma cultura, pois todas as abejas do mundo fazem exactamente o mesmo, de maneira mecânica, e não podem mudar nada. Exactamente o contrário ocorrem no caso das obras, ideias e actos humanos, já que estes transformam ou se agregam à natureza, por exemplo, o desenho de uma casa, a receita de um doce de mel ou de chocolate, a elaboração de um plano, a simples ideia das relações matemáticas, são cultura e sem a criação humana não existiriam por obra da natureza.

Marvin Harris e o materialismo cultural

Dentro do tipo de ideias introduzidas por Steward, cabe assinalar o materialismo cultural propugnado por Marvin Harris e outros antropólogos estadounidenses. Esta corrente pode ser assimilada a uma forma de ecofuncionalismo no que se encaixam certas divisões introduzidas por Marx. Para o materialismo cultural, entender a evolução cultural e a configuração das sociedades depende basicamente de condições materiais, tecnológicas e infraestructurales. O materialismo cultural estabelece um triplo divisão entre grupos de conceitos que atende a sua relação causal. Esses grupos chamam-se: infra-estrutura (modo de produção, tecnologia, condciones geográficas,...), estrutura (modo de organização social, estrutura hierárquica,...) e supraestructura (valores religiosos e morais, criações artísticas, leis,...)

O conceito científico de cultura

O conceito científico de cultura fez uso desde o princípio de ideias da teoria da informação, da noção de meme introduzida por Richard Dawkins, dos métodos matemáticos desenvolvidas na genética de populações por autores como Luigi Luca Cavalli-Sforza e dos avanços na compressão do cérebro e da aprendizagem. Diversos antropólogos, como William Durham, e filósofos, como Daniel Dennett e Jesús Mosterín, têm contribuído decisivamente ao desenvolvimento da concepção científica da cultura. Mosterín define a cultura como a informação transmitida por aprendizagem social entre animais da mesma espécie. Como tal, se contrapõe à natureza, isto é, à informação transmitida geneticamente. Se os memes são as unidades ou trozos elementares de informação adquirida, a cultura actual de um indivíduo em um momento determinado seria o conjunto dos memes presentes no cérebro desse indivíduo nesse momento. A sua vez, a noção vadia de cultura de um grupo social é analisada por Mosterín em várias noções precisas diferentes, definidas todas elas em função dos memes presentes nos cérebros dos membros do grupo.[18]

Indústria cultural

É a cultura que está, como um mercado, sujeita às leis da oferta e a demanda da economia capitalista.

Socialización da cultura

A importante contribuição da psicologia humanista de, por exemplo, Erik Erikson com uma teoria psicosocial para explicar os componentes socioculturais do desenvolvimento pessoal.

Assim, o ser humano tem a faculdade de ensinar ao animal, desde o momento em que é capaz de entender seu rudimentario aparelho de gestos e sons, levando a cabo novos actos de comunicação; mas os animais não podem fazer algo parecido conosco. Deles podemos aprender pela observação, como objectos, mas não mediante o intercâmbio cultural, isto é, como sujeitos.

Classificação

A cultura classifica-se, com respeito a suas definições, da seguinte maneira:

A cultura pode também ser classificada do seguinte modo:

Segundo sua extensão
Segundo seu desenvolvimento
Segundo seu carácter dominante
Segundo sua direcção

Elementos da cultura

A cultura forma todo o que implica transformação e seguir um modelo de vida. Os elementos da cultura dividem-se em:

Dentro de toda a cultura há dois elementos a ter em conta:

Mudanças culturais

As mudanças culturais: são as mudanças ao longo do tempo de todos ou alguns dos elementos culturais de uma sociedade (ou uma parte da mesma).

Veja-se também

Teorias sobre a cultura

Outras questões culturais

Referências

  1. Facto que levou inclusive a propor a superioridad da cultura alemã, que em certas más interpretações, deu origem ao nazismo.
  2. Ernest Renan, em uma conferência ditada na Sorbona, disse: "Dantes que a cultura francesa, a cultura alemã, a cultura italiana, existe a "cultura humana". (Cuche, 1999: 17).
  3. A estrutura social está constituída pelas relações entre os agentes sociais. Ditas relações são de subordinación ou de reciprocidad, e na perspectiva estructuralista das ciências sociais, são a base da sociedade
  4. O momento histórico é o do expansionismo imperialista das potências ocidentais, particularmente Grã-Bretanha e França. Estados Unidos, por sua vez, encontrava-se em uma situação de choque entre as tribos indígenas e a sociedade criolla dominante.
  5. À que considerava igual à cultura, segundo sua definição, em oposição à definição clássica.
  6. Veja-se o artigo sobre os "Períodos étnicos", em Morgan, 1990.
  7. Nesse sentido é importante assinalar o interesse desta corrente na recolección de dados sobre as culturas indígenas dos Estados Unidos, que se encontravam em processo de extinção. Quiçá um dos casos mais conhecidos é o de Alfred Kroeber, etnógrafo dos californianos, cuja relação com Ishi (último membro da tribo yahi) serviu como base para um guião cinematográfico.
  8. É muito conhecida em antropologia a metáfora de Ruth Benedict sobre a cultura, empregando uma imagem recolhida de uma lenda indígena. O bilhete em questão, que aparece em Patterns of culture, diz: "'No princípio', disse [Ramón, um chefe da tribo dos índios cavadores], ‘Deus deu à cada povoo uma vasija, uma vasija de varro, e desta vasija bebiam sua vida... Todos abrevaban na água, mas suas vasijas eram diferentes. Agora, nossa vasija está rompida [a dos índios cavadores]. Marchou-se longe' [...] Teve outras vasijas de vida que se foram, e talvez elas continham a mesmo água, mas a perda era irreparable. Não se tratava somente de um problema de reparo da vasija com um acrescentado por aqui, cortando algo por lá. A modelagem era fundamental, em verdadeiro modo era toda a peça e constitui uma sorte de matriz que dá sentido à actuação dos indivíduos em uma sociedade." A proposta de Benedict tem sido duramente criticada, sobretudo pelas correntes posmodernistas.
  9. Superorgánico significa algo que está fora e acima da natureza. Nesse sentido, a definição de cultura de Kroeber aproxima-o com a dos ilustrados.
  10. Thompson, 2002: 195.
  11. E no uso de signo e símbolo em francês há que ter cuidado, porque ainda que tem o mesmo significado que em espanhol, em inglês (a língua em que está escrita boa parte da teoria simbólica da antropologia) os termos têm connotaciones inversas.
  12. Lévi-Strauss, 2002: cap. 1.
  13. Sperber, 1996: cap. 2 e 3.
  14. Ainda que nenhum deles se proclamava a si mesmo neoevolucionista. White considerava-se continuador da perspectiva de Morgan e outros antropólogos evolucionistas do século XIX; os mesmos contra os que se lançaram Boas e seus alunos. Steward, por sua vez, considerava-se ecólogo cultural. No entanto, ao passar o tempo, foram classificados como neoevolucionistas, já que suas propostas são uma reformulación do evolucionismo social.
  15. Sahlins, 1992: 371.
  16. A grandes rasgos, este se pode resumir como a reformulación das formas culturais e de organização social, derivadas das mudanças no sistema tecnológico. As mudanças no sistema tecnológico a sua vez são influídos pelo sistema de crenças e de relações sociais preexistentes, de tal sorte que as inovações não simpre afectam grandemente na evolução cultural se uma sociedade não esta preparada para isso. O processo civilizatorio está constituído por estas inovações prístinas ou adoptadas, que tendem a difundir no área das sociedades que estão em contacto unas com outras.
  17. Uma interessante reseña da investigação destes três antropólogos e sua equipa pode encontrar-se em Kuper, 1996: cap. 3.
  18. Jesús Mosterín (1993), capítulo 5, e Jesús Mosterín (2009), capítulo 9.

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Enlaces externos

Wikcionario

mwl:Cultura

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