A curva da demanda é a representação gráfica da relação matemática entre a máxima quantidade de um determinado bem ou serviços que um consumidor estaria disposto a pagar à cada preço desse bem.
A curva de demanda, junto com a curva de oferta, é uma das ferramentas de análise teórico empregadas em economia neoclásica para predizer a determinação de preços. O ponto de interseção entre ambas curvas se conhece com o nome de equilíbrio entre a oferta e a demanda.
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A curva de demanda é um constructo útil em para predizer o efeito provável de certas medidas económicas, e o impacto de certas situações. Frequentemente fala-se da curva de demanda como um objecto realmente existente, ainda que realmente é um objecto abstrato cuja existência se deriva de supostos matemáticos concretos que às vezes se cumprem só muito aproximadamente. Ademais a curva de demanda e suas propriedades dependem de que os consumidores apresentem racionalidad perfeita, as mercadorias sejam infinitamente dividibles e outra série de supostos, criticables. No entanto, ainda com as limitações que possam impor as abstracções anteriores, a curva de demanda é um constructo teórico útil para compreender o comportamento dos mercados, e em muitos casos podem ser inclusive uma descripcidión empiricamente adequada.
Convém recordar que os factores que determinam a demanda de um bem são o preço do mesmo, o preço dos demais bens, a renda pessoal do consumidor e também as preferências ou gustos dos indivíduos. As deslocações ao longo da curva de demanda expressam a variação da quantidade demandada por efeito do preço, assumindo que os demais factores se mantêm constantes.
A curva de demanda aprecio normalmente tem uma trajectória descendente que mostra como, à medida que sobe o preço, vai descendo o consumo do produto. Excepcionalmente existem uns bens, denominados bens giffen, para os que a curva de demanda aprecio não é decreciente. Um bem Giffen só pode existir em um mercado com outros bens substituibles.
Quando a curva de demanda se desloca para a direita, explica um aumento na demanda devido à variação de um factor diferente do preço, e quando a curva se desloca para a esquerda isto manifesta uma diminuição na demanda devida também à variação de um factor diferente do preço. Outros factores externos que influem na deslocação da curva são: o aumento da população demandante do bem. Mudanças nas perspectivas de preços futuros.
Para que o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda seja único, há várias características que deve cumprir a curva de demanda:
Baixo certos supostos matemáticos idealizados pode demonstrar-se a existência de uma "curva" de demanda para um consumidor racional para o que podem se definir "curvas" de indiferença contínuas. Em um mercado com n bens disponíveis a "curva" de demanda ao igual que as "curvas" são hipersuperficies de n dimensões, e não uma curva como sucede em um mercado de um único bem que não é nem complementar nem substitutivo de outros bens. Usualmente supõe-se que um consumidor racional idealizado conhece de antemão a renda disponível e planifica seu consumo durante um verdadeiro período de tempo elegendo consumir nele uma quantidade que maximiza sua "satisfação" e ao mesmo tempo cumpre a restrição orçamental de que o custo das quantidades consumidas não supera a renda disponível. Matematicamente isso implica encontrar o máximo de utilidade () sobre um verdadeiro conjunto
(que é o conjunto compatível () com a restrição orçamental):
(1)![]()
(2)![]()
Baixo certas condições razoáveis sobre a função de utilidade
pode demonstrar-se que o problema anterior admite uma solução única para um nível de renda e um conjunto de preços dados e, por tanto, define uma função ou "curva" de demanda.
Ademais pode demostarse sem requerê-lo a priori que se as funções de utilidade são diferenciables e convexas então cumprir-se-á a função de demanda
é "decreciente" no preço ou mais exactamente que:
A existência e unicidad da curva de demanda baixo as condições anteriores pude provar-se a partir do teorema da função implícita. Para provar isso pode é necessário propor um problema de extremos condicionados, mediante o método dos multiplicadores de Lagrange. Para isso se define a função auxiliar:
A função anterior tem um máximo relativo quando a utilidade atinge um máximo, isso implica que se cumprem as seguintes relações entre utilidades marginales:
Das relações anteriores pode despejarse de uma delas
por exemplo:
Agora definimos uma função
à que aplicar o teorema da função implícita:
É fácil comprovar que se a função de utilidade é estritamente convexa:
O teorema da função implícita aplicado à função anterior implica que existe uma função
tal que:
A função
é precisamente a função que dá curva de demanda para o vetor de preços e a renda disponível do consumidor.
Se incluem-se alguns supostos básicos sobre as funções de utilidade consideradas anteriormente pode-se demonstrar que a curva de demanda tem pendente negativa, ou mais exactamente que para qualquer bem:
As equações anteriores interpretam-se como que as quantidades demandadas de um bem devem diminuir ao aumentar o preço deste, se mantendo todo o demais igual (isto é, mantendo o nível de renda e o preço do resto de bens). As magnitudes anteriores são precisamente os termos da matriz jacobiana que faz de diferencial da função
Isto é:
Pela regra da corrente de funções de várias variáveis e o teorema da função implícita, a matriz jacobiana anterior pode expressar-se como produto de matrizes jacobianas:
(*)![]()
Em general a expressão anterior resulta muito complicada para uma função de utilidade totalmente geral. Para uma função de utilidade separable:
A expressão (), é mais facilmente calculable resultado por exemplo para o primeiro bem:
(**)![]()
Se admitimos que a utilidade marginal é estritamente decreciente:
Então se
é par o numerador é postivo e o denominador de () é postivo e o numerador negativo, se é ímpar o numerador é negativo e o denominador positivo, e por tanto em todos os casos baixo a condição anterior a expressão resulta ser negativa, e por tanto fica provado nesse caso que a curva de demanda tem pendente negativa.
Nesta secção considera-se aplicar a teoria dos apartados anteriores a um mercado de dois bens. Neste caso a função de utilidade e a restrição orçamental virão dadas por:
A matriz jacobiana de quantidades em frente a preços virá dada por:
Sendo:
Admitindo que a função de utilidade é não-decreciente e convexa[1] se têm as condições:
E nesse caso pode-se provar que a "curva" de demanda tem pendente negativa em todos seus pontos já que: