Denomina-se democracia popular a um tipo de regime político. Sua expressão institucional são os autodenominados estados socialistas, que tiveram um grande desenvolvimento durante o século XX, ainda que alguns têm sobrevivido no século XXI. Costumavam dispor no nome oficial do Estado a expressão República Popular ou República Democrática (que por tanto, pode se considerar como uma forma de governo). As democracias populares, a diferença de outros regimes contemporâneos não liberais que também proclamam ser democráticos, costumam ancorar seu discurso legitimador na construção de uma sociedade socialista atendendo às características peculiares da cada país, respeitando sempre os princípios do internacionalismo proletario.
Estes regimes têm sido institucionalmente variados, ainda que segundo seus críticos, em todos eles o pluralismo é limitado ou na prática inexistente. Em ocasiões só se permite a existência de um partido político, em outras podem coexistir dois, um urbano e outro agrário, unidos pelo Estado e sem competir entre eles. Em grande parte dos casos (por exemplo, a República Democrática Alemã) existiam vários partidos políticos de diferente ideologia unidos baixo uma Frente Nacional ou Popular. Ainda assim, desenvolve-se um processo electivo desde a base, onde os habitantes se reúnem em conselhos para designar a seus representantes. Os meios de comunicação são propriedade do Estado, o partido ou organizações vinculadas com ele —sindicatos, federações estudiantiles—, feito que seus críticos associam com a falta de liberdade de imprensa. Por outro lado, fontes opositoras assinalam que os organismos de segurança estatal se dedicam à vigilância política de seus cidadãos.
A utilização do vocablo democracia por estes regimes, como na República Democrática Alemã, se considerou um abuso por parte de quem identificam a democracia com o que o politólogo Robert Dahl denomina poliarquía. No entanto, segundo seus partidários, estes regimes seriam democráticos em vários sentidos: o pertence pleno à comunidade política é universal, não está mediada por critérios censitarios; há mecanismos orgânicos de participação política, mediados pelo partido, e o Estado define-se por um programa de políticas públicas: educação e cultura, previdência, desportos, etc., também orientadas a essa participação universal.
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O termo "democracia popular" outorgou-se aos regimes surgidos na Europa do Leste depois da Segunda Guerra Mundial. A definição deu-a a Internacional Comunista. Segundo os documentos do XXII Congresso do PCUS, uma democracia popular reflete "a particularidade do desenvolvimento da revolução socialista em circunstâncias em que o imperialismo se debilita e a correlação de forças se modifica em favor do socialismo".
Nela têm encontrado assim mesmo seu reflito as particularidades históricas e nacionais de diversos países". Definia-se a democracia popular como uma variante da ditadura do proletariado (não algo diferente) na que as classes se aliavam baixo a direcção do proletariado como classe dominante em pró do desenvolvimento do socialismo. Para representar às diferentes classes há sistemas, habitualmente, de vários partidos (não só o comunista, como na URSS), possuindo o "partido de classe marxista-leninista" o papel de vanguardia da sociedade, plasmado nas constituições.
O regime institucional de Cuba é uma democracia popular. Não cumpre os critérios de uma poliarquía, mas para seus defensores se trata de um sistema verdadeiramente democrático. Ainda que os detractores da Revolução cubana afirmam que não há liberdade de imprensa nem de associação, sim há eleições periódicas a todos os órgãos do Estado nos que se pretende representar as intenções e aspirações da população toda. Ao mesmo tempo, o Partido Comunista de Cuba tem proibido realizar propaganda eleitoral ou apresentar candidatos.
Para isso se desenvolve um processo electivo desde a base, desde o próprio bairro ou comunidade, onde os habitantes se reúnem em conselho de vizinhos para designar aquelas pessoas que vivem entre eles para ser postulados e eleitos para ocupar diferentes cargos de governo nas instâncias municipal, provincial e nacional. Por isso não é estranho se encontrar em Cuba ocupando um cargo de presidente ou vice-presidente de governo municipal, provincial ou de deputado ao parlamento a um operário, a um estudante, a um intelectual, a um artista, a um cientista ou a um camponês.
Para seus opositores de corte liberal, no entanto, o nome de democracia popular não é mais que um modo de denominar benévolamente o que consideram um regime totalitario e dictatorial[1] que, segundo argumentam, impede por lei a crítica ao regime, exclui eleições livres, pratica execuções extrajudiciais, encarcera dissidentes e, em general, ocupa as escalas mais baixas quanto ao respeito à liberdade civis e os direitos humanos.[2]