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Discurso científico

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Antigo tratado de Selenografía . O discurso científico data de muitos séculos.

Discurso científico. (< latín discursus ['acção de correr de uma parte a outra']) O discurso científico é a construção textual que permite a comunicação de conteúdos científicos, por médio de uma língua especializada na que se caracterizam o léxico, a sintaxe e a configuração textual.

Para a comunucicación de ditos conteúdos, o discurso científico apela ao uso de uma língua especializada que, segundo Judith Batista et a o., deve cumprir com os parámetros seguintes:

A linguagem como instrumento de comunicação permite romper as barreiras do conhecimento e estar ao tanto dos últimos acontecimentos científicos. A responsabilidade que assume o cientista de validar, falsear ou impor novas teorias que sejam capazes de criar novos conhecimentos ou corroborar os que já existem, através de seu discurso, exige que a linguagem utilizada para a transmissão destes saberes possa se difundir por toda a comunidade científica e se estender por todo mundo sem nenhum tipo de interferências para seu fácil e adequada aplicação. Tudo isto é possível sempre que o código linguístico utilizado tanto pelo emissor como pelo receptor seja o mesmo.[1]

Para a construção do discurso científico, além dos parámetros esboçados em cita-a de Judith Batista et a o., há autores que admitindo a objetividad que deve ser inherente ao mesmo, advertem assim mesmo sobre a inevitável subjetividad do discurso científico e académico, como é o caso de María García, quem assinala uma série de factores que afectam a objetividad discursiva.[2]

Conteúdo

As línguas especializadas

Uma língua especializema é uma língua em situação de uso profissional, uma língua de especialidad.[3] No caso da língua espanhola, costuma-se falar de espanhol com fins específicos (EFE). A característica fundamental de uma língua especializada é sua terminología, e que serve para a comunicação de informação específica de uma área do saber. Esta terminología ou léxico utilizado em uma língua especializada denomina-se tecnolecto, do alemão Technolekt.[4]

Toda língua especializada exige de seu utente um triplo conhecimento para seu adequado manejo: 1) concorrência discursiva, 2) conhecimento cultural e 3) conhecimento profissional. Em consequência, alguns autores consideram o ensino das línguas especializadas como ensino de segundas línguas, pelo grau de aquisição de concorrência linguística.[4] A didáctica do EFE é bastante recente, pois, por exemplo, a Associação Européia de Línguas para Fins Específicos é criada em 1992 .[nota 1]

A didáctica de uma língua especializada, segundo Enrique Alcaraz, requer de duas linhas metodológicas fundamentais: 1) léxico-semántica e 2) pragmática.[5]

Caracterização tradicional da linguagem científica

A presença de gráficos é bastante comum no texto científico.

Convém destacar primeiramente a diferença entre a linguagem científica-técnico e a linguagem de divulgação. Por linguagem científica-técnico entende-se o conjunto de variedades linguísticas com uma forte marca terminológica que, junto a outros signos não linguísticos, é indispensável para a transmissão de conhecimentos especializados.[6] A linguagem de divulgação é uma variedade da linguagem especializada, que tem lugar quando o destinatário do discurso não é um profissional da área, e, em consequência, se adapta uma variedade léxica para conseguir uma comunicação efectiva.

Para Josefa Gómez, os textos que enuncian um discurso científico-técnico podem se classificar da seguinte maneira:[6]

  1. Texto de investigação: é um texto metodológico e está dirigido a um receptor especialista.
  2. Texto divulgativo: é um texto docente e está dirigido a um receptor não especialista.
  3. Texto didáctico: é um texto docente e está dirigido a um receptor especialista.
  4. Relatório: é um texto metodológico e está dirigido a um receptor especialista.

Para Alcaraz, a comunicação científico-técnica se concreta por médio do texto escrito, pela necessidade que entranha a ciência de ser respaldada com fontes.[5] Para outros autores, o canal oral também opera e é da maior importância nos eventos de divulgação da ciência.[7]


Por sua vez, Sanz define vários rasgos prototípicos da linguagem científica:[4] [nota 2]

  1. Vocabulario unívoco → linguagem monosémico. Uso de tecnicismos e neologismos que não toleram polisemia, sinonimia e homonimia. Criação de neologismos por composição e derivação. Empréstimos lexicales. Uso de gráficos e desenhos explicativos.
  2. Referência estrita ao objecto → linguagem denotativo. Reticencia ao uso da linguagem oblíqua. A referência extralingüística é directa e clara.
  3. Negación da subjetividad → linguagem objectiva. Uso a definição, enunciación, descrição, explicação, demonstração e caracterização, sem envolver sentimentos ou posturas pessoais.
  4. Precisão e clareza → linguagem económica. Uso de conectores para secuenciación simples, nominalización, tempos verbais simples. Ausência de perífrasis verbais e adornos retóricos.
  5. Ausência de intimismo → linguagem impersonal. Uso da forma impersonal, do plural de modéstia, da voz pasiva e predominio do tempo presente e o modo indicativo.
  6. Ausência de particularismos → linguagem universal. Uso de termos científicos e técnicos, ejemplificaciones e convenções metodológicas. Uso do presente gnoseológico.

Cabe assinalar que desde as últimas tendências da linguística cognitiva, os conceitos de objetividad e universalidade, entendida a objetividad como a não intervenção da intimidem do sujeito enunciador, e a universalidade como a presunção para valer, vão sendo substituídos paulatinamente pela construção intersubjetiva consensuada, isto é, a objetividad se entende como cognición compartilhada e a universalidade como consenso em dita cognición compartilhada.[8]

Por sua vez, na linguagem de divulgação cumprem-se todas as características da linguagem científica-técnico, excepto a do uso de termos técnicos, pois sobre estes se efectua um ajuste de variação lexical, que converte o léxico técnico do discurso científico em um léxico semitécnico, para que o auditório lego possa compreender de que se fala.

Vale a pena dedicar um aparte à neología. Para Gutiérrez, existem três tipos de neologías:[7] neología de forma , neología de sentido e neología sintáctica. A neología de forma é a criação de entradas lexicales a partir de procedimentos como o empréstimo lexical, a derivação, a composição, o uso do latín/grego, dos epónimos e dos acrósticos. A neología de sentido consiste em atribuir um novo significado a um termo já existente (mapas geográficos > mapas genéticos). A neología sintáctica é a mudança de função sintáctica ao mudar a categoria gramatical de um termo, como ocorre na nominalización (gateo: verbo > sustantivo = o gateo).[nota 3]

A redacção técnica

Não só os livros são repositorios do discurso académico. Hoje, principalmente, as revistas científicas são um arquivo essencial da ciência.

A redacção técnica «é uma redacção especializada pelos conteúdos de informação que transmite».[4] A redacção técnica deve apostar pela clareza e a precisão, pelo que Lerat recomenda que, na produção de textos científico-técnicos, se preste particular atenção à construção de siglas, que deverão ir de um nível explícito (o nome) a um nível hermético (o acrónimo).[3]

Também recomenda Lerat que a exposição avance do geral ao particular, do anterior ao posterior, ou do essencial ao acessório. Em todo o caso, recomenda ir do menos complexo ao mais complexo. A legibilidad e aceitabilidade de um texto depende mais dos factores já ditos que da extensão dos sintagmas oracionales.

Por outra parte, a redacção técnica deve encaixar-se primeiramente em alguma superestructura conhecida, isto é, em algum tipo de discurso ou sequência textual dos estabelecidos como aceitados pela comunidade científica (descrição, argumentación, narração, etc.), e em algum género discursivo dos igualmente aceitados (notícia científica, relatório, projecto, carta, etc.).

A redacção técnica exige, em consequência, partir de uma superestructura (géneros discursivos) para construir uma macroestructura (esquema organizativo, hierarquia semántica) que se concrete em uma microestructura (tecido interoracional).

Os géneros discursivos, segundo Alcaraz, definem-se como tais em virtude de que um conjunto de textos compartilhem:[5] a) uma mesma função comunicativa (referencial, conativa ou metalingüística), b) uma macroestructura similar (hierarquia semántica), c) um modo de organização do discurso similar (descrição, narração, exposição), d) um nível léxico-sintáctico similar (tecnicismos, sintagmas nominais, modo indicativo) e e) umas condições sociopragmáticas comuns (linguagem em uso em contextos científico-técnicos).

Alcaraz estabelece que a macroestructura na redacção técnica se divide em primária , que se corresponde com os capítulos e acápites de um texto, e secundária, que se corresponde com a armadura de parágrafos. Alcaraz recomenda que se um conteúdo vai ocupar mais de oito renglones, lho divida em vários parágrafos com micromarcadores (conectores sequenciais). Por outra parte, Alcaraz faz alusão ao rasgo pragmático da cortesía académica, evidenciada não só nas referências a outras fontes, senão na clareza expositiva.[5]

O texto expositivo

Os textos expositivos organizam nosso conhecimento sobre o mundo (Reis, citado por Sanz.[4] Para isso, partem de um foco contextual centrado na análise e síntese dos fundamentos conceptuais (Werlich, citado por Sanz).[4] Caracterizam-se por uma estrutura trimembre, isto é, problema, resolução e conclusão (Adam, citado por Sanz),[4] uma finalidade informativa, temas especializados, predominio das sequências explicativas e descritivas por sobre as argumentativas e narrativas, presença de códigos não linguísticos como desenhos, fotografias e gráficos.

Os textos expositivos não têm uma superestructura comum, senão que seguem a clássica distribuição do discurso em introdução, desenvolvimento e conclusão, com uma ordem expositivo que pode ser deductivo (general > particular) ou inductivo (particular > general).

No nível fonológico do discurso é bastante frequente a pronunciación de certos nomes e termos na fonética da língua original, conquanto em não poucos casos se pode perceber uma preponderante influência da fonética inglesa, que afecta não só os fonemas senão o acento. Assim, por exemplo, não se costuma escutar [ i 'ko não ], senão [ 'i ko não ], [ pa 'nel ], senão [ 'pa nel ].

No nível morfosintáctico do texto expositivo, pode-se apreciar o uso privilegiado do tempo presente de indicativo, em ocasiões como presente gnoseológico, a voz activa por sobre a pasiva, verbos performativos modalizados que implicam a postura do emissor, deícticos endofóricos, marcadores discursivos e plural de modéstia.

No nível léxico-semántico, o texto expositivo evidência o uso da linguagem denotativo, vocablos unívocos e tecnicismos. No nível retórico, se evidencian as repetições, demonstrações e ejemplificaciones, as fórmulas de abertura e fechamento. No nível pragmático, há uso de marcadores metatextuales (viñetas e números), marcadores intratextuales (referências supra e infra), marcadores intertextuales (citas) e marcadores supralingüísticos ou macroestructurales (títulos e subtítulos).

O texto argumentativo

Charles Darwin em 1880 . O texto científico é o veículo natural para a divulgação da investigação acometida pelo cientista. Por isso, conquanto é objectivo, leva uma forte marca de autoria.

O texto argumentativo organiza as posturas em frente ao conhecimento do mundo. Para isso, seu foco contextual está centrado na relação entre os conceitos e a reacção dos interlocutores( Werlich, citado por Sanz).[4] Caracterizam-se por uma estrutura trimembre, isto é, problema, resolução e conclusão, mas com um enfoque argumental (Adam, citado por Sanz,[4] uma manifesta tomada de posição, o uso do tempo presente, conectores lógicos e sequenciais, orações longas (coordenadas adversativas e copulativas e subordinadas causales, consecutivas e finais).

A superestructura costuma ser linear e focaliza a lógica na postura. Costuma constituir por uma tese inicial, umas premisas, uma argumentación e uma conclusão.

A tese inicial é a apresentação do status quo semántico do conceito, noção ou teoria. As premisas são o fundamento teórico da tese inicial, tal como lho concebe assim que que verdadeiro. A argumentación é a defesa ou refutación das premisas com o fim de demonstrar sua validade/invalidez cientista. A conclusão é o contribua argumental a favor ou na contramão das premisas para qualificá-la de válidas ou inválidas.

A macroestructura do texto argumentativo guarda alguma relação com o texto expositivo pela sequência lógica de conceitos, só que o texto argumentativo subsume esta sequência em uma hierarquia semántica maior, a da tese ou proposta postural.

O aparelho argumental com que se ataca ou defende uma tese pode estar constituído de inumeráveis argumentos, falacias ou provas. As provas são a constatación lógica e material da validade de um argumento. Os argumentos são os razonamientos com os que se pretende sustentar ou derrubar uma tese. As falacias são argumentos inválidos com aparência de válidos. A tese é a postura inicial da que se parte em um texto argumental, convertida em uma proposta. Em resumem, uma tese expõe-se por via dos argumentos, e estes se constatam por via das provas.[9]

A retórica e a dialéctica desenvolveram uma sofisticada taxonomía argumental, que hoje se segue utilizando. Assim, por exemplo, é comum que os textos argumentales cientistas citem textualmente o que têm dito outros autores, com o qual estão a implementar o argumentum ad verecundiam, que consiste em revestir a verdade da tese própria com a autoridade de um especialista.[10]

Veja-se também

Portal Artigos relacionados com linguística

Notas

  1. Para ampliar informação, Cf. Sitio Site da Associação Européia de Línguas para Fins Específicos
  2. Para contrastar estes rasgos prototípicos do discurso científico com os do discurso humanístico, Cf. Márquez, Álvaro (2004). «O discurso científico e humanístico da investigação venezuelana». Revista Venezuelana de Ciências Sociais VIII (2). ISSN 1316-4090, s/p. http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=30980201. 
  3. Para ampliar este ponto das neología, Cf. Gutiérrez, Bertha (2005). A linguagem das ciências, capítulos 3 e 4, Madri: Gredos (col. "Ensino e Língua Espanhola", Nº 3). OCLC 59354918. ISBN 978-84-249-2741-7.

Referências

  1. Batista, Judith; Beatriz Arrieta e Rafael Meza (2005). «Elementos semántico-lexicales do discurso científico-técnico inglês e sua tradução». Núcleo. pp. 177-197. http://www.scielo.org.vê/scielo.php?pid=S0798-97842005000100008&script=sci_arttext. 
  2. García, María (2008). Subjetividad e discurso científico-académico. A respeito de algumas manifestações da subjetividad no artigo de investigação em espanhol. pp. 9-31. http://dialnet.unirioja.é/servlet/articulo?codigo=2546654. 
  3. a b Lerat, lalo; Albert Beiras (1997). As línguas especializadas, sombre.
  4. a b c d e f g h i Sanz, Imaculada (2007). O espanhol profissional e académico no aula universitária : o discurso oral e escrito.
  5. a b c d Alcaraz, Enrique (2000). O inglês profissional e académico.
  6. a b Gómez, Josefa (1998). [Expressão errónea: operador < inesperado A linguagem científica-técnico e suas aplicações didácticas]. pp. 30-39. 
  7. a b Gutiérrez, Bertha (1998). A ciência começa na palavra. Análise e história da linguagem científica.
  8. Encrespo, Marta (2006). Intersubjetividad, Vida Quotidiana e Comunicação. http://revistacomunicologia.org/index.php?option=com_content&task=view&vão=126&Itemid=97. 
  9. Carrillo, Lázaro (2008). Dimensão do discurso argumentativo. pp. 171-207. http://descargas.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/12036188817839384098213/029463.pdf?incr=1. 
  10. Schopenhauer, Arthur (2002). A arte de ter razão : exposto em 38 estratagemas, pp. 54-60.

Bibliografía

Enlaces externos

Wikcionario

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