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Denomina-se efeito invernadero ao fenómeno pelo qual determinados gases, que são componentes de uma atmosfera planetaria, retêm parte da energia que o solo emite por ter sido aquecido pela radiación solar. Afecta a todos os corpos planetarios dotados de atmosfera. De acordo com a maioria da comunidade científica, o efeito invernadero está a ver-se acentuado na Terra pela emissão de certos gases, como o dióxido de carbono e o metano, devida à actividade económica humana.
Este fenómeno evita que a energia solar recebida constantemente pela Terra volte imediatamente ao espaço, produzindo a escala planetaria um efeito similar ao observado em um invernadero.
Na atmosfera a manutenção do equilíbrio entre a recepção da radiación solar e a emissão de radiación infravermelha, devolve ao espaço a mesma energia que recebe do Sol. Esta acção de equilíbrio chama-se balanço energético da Terra e permite manter a temperatura em uma estreita margem que possibilita a vida ([1] )
Em um período suficientemente longo o sistema climático deve estar em equilíbrio, a radiación solar entrante na atmosfera está compensada pela radiación saliente. Pois se a radiación entrante fosse maior que a radiación saliente produzir-se-ia um aquecimento e o contrário produziria um enfriamiento.[2] Por tanto, em equilíbrio, a quantidade de radiación solar entrante na atmosfera deve ser igual à radiación solar refletida saliente mais a radiación infravermelha térmica saliente. Toda a alteração deste balanço de radiación, já seja por causas naturais ou originado pelo homem (antropógeno), é um forzamiento radiativo e supõe uma mudança de clima e do tempo associado.[3]
Os fluxos de energia entrante e saliente juntam-se no sistema climático ocasionando muitos fenómenos tanto na atmosfera, como no oceano ou na terra. Assim a radiación entrante solar se pode dispersar na atmosfera ou ser refletida pelas nuvens e os aerosoles. A superfície terrestre pode refletir ou absorver a energia solar que lhe chega. A energia solar de onda curta transforma-se na Terra em calor. Essa energia não se dissipa, se encontra como calor sensível ou calor latente, se pode armazenar durante algum tempo, transportar em várias formas, dando lugar a uma grande variedade de tempo e a fenómenos turbulentos na atmosfera ou no oceano.Finalmente volta a ser emitida à atmosfera como energia radiante de onda longa.[2] Um processo importante do balanço de calor é o efeito albedo, pelo que alguns objectos refletem mais energia solar que outros. Os objectos de cores claros, como as nuvens ou as superfícies nevadas, refletem mais energia, enquanto os objectos escuros, como os oceanos e os bosques, absorvem mais energia solar que a que refletem. Outro exemplo destes processos é a energia solar que actua nos oceanos, a maior parte se consome na evaporación da água de mar, logo esta energia é libertada na atmosfera quando o vapor de água se condensa em chuva.[4]
A imagem anexa resume o Balanço Global anual de energia da Terra desenvolvido em 2008 por Trenberth, Fasullo e Kiehl do NCAR ( National Center for Atmospheric Research). Baseia-se em medidas do Sistema de Energia Radiante da Terra e das Nuvens da Agência NASA tomadas por satélite entre março de 2000 e maio de 2004.[5]
A Terra, como todo corpo quente, superior ao zero absoluto, emite radiación térmica, mas ao ser sua temperatura muito menor que o solar, emite radiación infravermelha por ser um corpo negro. A radiación emitida depende da temperatura do corpo. No estudo do NCAR têm concluído uma oscilação anual média entre 15,9 °C em julho e 12,2 °C em janeiro compensando os dois hemisférios, que se encontram em estações diferentes e a parte terrestre que é de dia com a que é de noite. Esta oscilação de temperatura supõe uma radiación média anual emitida pela Terra de 396 W/m2.[6]
A energia infravermelha emitida pela Terra é atrapada em sua maior parte na atmosfera e reenviada de novo à Terra. Este fenómeno chama-se Efeito Invernadero e garante as temperaturas temperadas do planeta.[7] Segundo o estudo anterior da NCAR, o Efeito Invernadero da atmosfera faz retornar novamente à Terra 333 W/m2.[8]
Globalmente a superfície da Terra absorve energia solar por valor de 161 w/m2 e do Efeito Invernadero da Atmosfera recebe 333 w/m2, o que soma 494 w/m2, como a superfície da Terra emite (ou dito de outra maneira perde) um total de 493 w/m2 (que se desmembram em 17 w/m2 de calor sensível, 80 w/m2 de calor latente da evaporación da água e 396 w/m2 de energia infravermelha), supõe uma absorción neta de calor de 0,9 w/m2, que no tempo actual está a provocar o aquecimento da Terra.[9]
Chama-se efeito invernadero ao processo pelo que certos gases da atmosfera retêm grande parte da radiación infravermelha emitida pela Terra e a reemiten de novo à superfície terrestre aquecendo a mesma. Estes gases têm estado presentes na atmosfera em quantidades muito reduzidas durante a maior parte da história da Terra.[10]
Ainda que a atmosfera seca está composta praticamente por nitrógeno (78,1%), oxigénio (20,9%) e argón (0,93%), são gases muito minoritários em sua composição como o dióxido de carbono (0,035%: 350 ppm), o ozónio e outros os que desenvolvem esta actividade radiativa. Ademais, a atmosfera contém vapor de água (1%: 10.000 ppm) que também é um gás radiativamente activo, sendo com diferença o gás natural invernadero mais importante. O dióxido de carbono ocupa o segundo lugar em importância.[3]
O efeito invernadero é essencial para a vida do planeta: sem CO2 nem vapor de água (sem o efeito invernadero) a temperatura média da Terra seria uns 33 °C menos, da ordem de 18 °C baixo zero, o que faria inviable a vida.[12]
Actualmente oCO 2 presente à atmosfera está a crescer de modo não natural pelas actividades humanas, principalmente pela combustão de carvão, petróleo e gás natural que está a libertar o carbono armazenado nestes combustíveis fósseis e a deforestación da selva pluvial que liberta o carbono armazenado nas árvores. Por tanto é preciso diferenciar entre o efeito invernadero natural do originado pelas actividades dos homens (ou antropogénico).[10]
A população multiplicou-se e a tecnologia tem atingido uma enorme e sofisticada produção de forma que se está a pressionar muitas partes do médio ambiente terrestre sendo a Atmosfera a zona mais vulnerável de todas por sua delgadez. Dado a reduzida espessura atmosférico a alteração de alguns componentes moleculares básicos que também se encontram em pequena proporção supõe uma mudança significativa. Em concreto, a variação da concentração de CO2, o mais importante dos gases invernadero da atmosfera. Já se explicou o papel básico que estes gases têm como reguladores da temperatura do Planeta.[13]
Os gases invernadero permanecem activos na atmosfera muito tempo, por isso se lhes denomina de longa permanência. Isso significa que os gases que se emitem hoje permanecerão durante muitas gerações produzindo o efeito invernadero. Assim do CO2 emitido à atmosfera: sobre o 50% demorará 30 anos em desaparecer, um 30% permanecerá em vários séculos e o 20% restante durará vários milhares de anos.[14]
A concentração de CO2 atmosférico incrementou-se desde a época preindustrial (ano 1.750) desde um valor de 280 ppm a 379 ppm em 2005. Estima-se que 2/3 das emissões procediam da queima de combustíveis fósseis (petroleo, gás e carvão) enquanto um 1/3 procede da mudança na utilização do solo (Incluída a deforestación). Do total emitido só o 45% permanece na atmosfera, sobre o 30% é absorvido pelos oceanos e o restante 25% passa à biosfera terrestre. Por tanto não só a atmosfera está a aumentar sua concentração de CO2, também está a ocorrer nos oceanos e na biosfera.[14]
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Os denominados gases de efeito invernadero ou gases invernadero, responsáveis pelo efeito descrito, são:
Conquanto todos eles (salvo os CFCs) são naturais, enquanto já existiam na atmosfera dantes do aparecimento do homem, desde a Revolução industrial e devido principalmente ao uso intensivo dos combustíveis fósseis nas actividades industriais e o transporte, se produziram sensíveis incrementos nas quantidades de óxidos de nitrógeno e dióxido de carbono emitidas à atmosfera, com o agravante de que outras actividades humanas, como a deforestación, têm limitado a capacidade regenerativa da atmosfera para eliminar o dióxido de carbono, principal responsável pelo efeito invernadero.
| Gases de Efeito Invernadero afectados por actividades humanas | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Descrição | CO2 | CH4 | N2Ou | CFC-11 | HFC-23 | CF4 |
| Concentração pré industrial | 280 ppm | 700 ppb | 270 ppb | 0 | 0 | 40 ppt |
| Concentração em 1998 | 365 ppm | 1.745 ppb | 314 ppb | 268 ppt | 14 ppt | 80 ppt |
| Permanência na atmosfera | de 5 a 200 anos | 12 anos | 114 anos | 45 anos | 260 anos | <50.000 anos |
| Fonte: ICCP, Clima 2001, A base científica, Resumem técnico do Relatório do Grupo de Trabalho I, p.38[15] | ||||||
As actividades humanas geram emissões de quatro GEI de longa permanência: CO2, metano (CH4), óxido nitroso (N2Ou) e halocarbonos (gases que contêm flúor, cloro ou bromo).
A cada GEI tem uma influência térmica (forzamiento radiactivo) diferente sobre o sistema climático mundial por suas diferentes propriedades radiativas e períodos de permanência na atmosfera. Tais influências se homogenizan em uma métrica comum tomando como base o forzamiento radiativo por CO2 (emissões de CO2-equivalente). Homogenizados todos os valores, oCO 2 é com muita diferença o gás invernadero antropógeno de longa permanência mais importante, representando em 2004 o 77% das emissões totais de GEI antropógenos. Mas o problema não só é a magnitude senão também as taxas de crescimento. Entre 1970 e 2004, as emissões anuais de CO2 aumentaram um 80%. Ademais nos últimos anos o incremento anual disparou-se: no recente período 1995-2004, a taxa de crescimento das emissões de CO2-eq foi de (0,92 GtCO2-eq anuais), mais do duplo do período anterior 1970-1994 (0,43 GtCO2-eq anuais).[16]
Já se assinalou que a concentração de CO2 na atmosfera tem passado de um valor de 280 ppm na época preindustrial a 379 ppm em 2005. O CH4 na atmosfera tem mudado dos 715 ppmm em 1750 (período preindustrial) até 1732 ppmm em 1990, atingindo em 2005 as 1774 ppmm. A concentração mundial de N2Ou na atmosfera passou de 270 ppmm em 1750 a 319 ppmm em 2005. Os halocarbonos praticamente não existiam na época preindustrial e as concentrações actuais se devem à actividade humana.[17]
Segundo o Relatório Stern que estudou o impacto da mudança climática e o aquecimento global na economia mundial, encarregado pelo governo britânico e publicado em 2006 , a distribuição total mundial das emissões de GEI por sectores é: um 24% deve-se à geração de electricidade, um 14% à indústria, um 14% ao transporte, um 8% aos edifícios e um mais 5% a actividades relacionadas com a energia. Todo isso supõe umas 2/3 partes do total e corresponde às emissões motivadas pelo uso da energia. Aproximadamente o 1/3 restante distribui-se da seguinte forma: um 18% pelo uso do solo (inclui a deforestación), um 14% pela agricultura e um 3% pelos residuos.[18]
Entre 1970 e 2004, as melhoras tecnológicas têm freado as emissões de CO2 por unidade de energia fornecida. No entanto o crescimento mundial dos rendimentos (77%) e o crescimento mundial da população (69%), têm originado novas formas de consumo e um incremento de consumidores de energia. Esta é a causa do aumento das emissões de CO2 no sector da energia.[16]
Também o Relatório Stern assinala que desde o ano 1.850, Estados Unidos e Europa têm gerado o 70% das emissões totais de CO2.[18]
| Emissões de CO2 no mundo procedentes de combustíveis fósseis (1990-2007) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Descrição | 1990 | 1995 | 2000 | 2005 | 2007 | % Mudança 90-07 |
| CO2 em milhões de toneladas | 20.980 | 21.810 | 23.497 | 27.147 | 28.962 | 38,0% |
| População mundial em milhões | 5.259 | 5.675 | 6.072 | 6.382 | 6.535 | 25,7% |
| CO2 por cápita em toneladas | 3,99 | 3,84 | 3,87 | 4,20 | 4,38 | 9,8% |
| Fonte: Agência Internacional da Energia[19] | ||||||
Foi ao redor de 1975-1980 quando os cientistas começaram a ter suficientes evidências do efeito que os GEI estavam a ocasionar ao clima. Dispunham de ferramentas, conhecimentos e técnicas suficientes para iniciar o estudo em profundidade do complexo sistema climático: satélites para observar a Terra, redes mundiais de tomada de temperaturas, ventos, precipitações e correntes, bem como computadores de grande potência para desenvolver modelos climáticos. Então os cientistas vislumbraron uma possível mudança climática de dramáticas consequências. A opinião pública começou a conhecer o problema alertada pelos grupos ecologistas, os governos propuseram-se o problema e iniciaram acordos internacionais empurrados pelos resultados a cada vez mais inquietantes que os cientistas iam desenvolvendo.[20]
O desenvolvimento do conhecimento dos GEI e da mudança climática tem seguido um longo caminho de evolução científica que se resume a seguir:[20]
A mudança climática está a suceder e os humanos contribuímos diariamente a incrementá-lo. Nos 100 anos últimos a temperatura média global do planeta tem aumentado 0,7 ° C, sendo desde 1975 o incremento de temperatura por década de uns 0,15 °C . No que resta de século, segundo o IPCC, a temperatura média mundial aumentará em 2-3° C . Este aumento de temperatura suporá para o planeta a maior mudança climática nos últimos 10.000 anos e será difícil para as pessoas e os ecosistemas adaptar a esta mudança brusco.[21]
Nos 400.000 anos anteriores, segundo conhecemos pelos registos de núcleos de gelo, as mudanças de temperatura produziram-se principalmente por mudanças da órbita da Terra ao redor do Sol. No tempo actual, as mudanças de temperatura estão a originar-se pelas mudanças no dióxido de carbono da atmosfera. Nos últimos 100 anos, as concentrações atmosféricas de CO2 têm aumentado em um 30% devido à combustão antropogénica dos combustíveis fósseis. O aumento constante do CO2 atmosférico tem sido o responsável pela maior parte do aquecimento. Este aquecimento não pode ser explicado por causas naturais: as medidas dos satélites não mostram variações de entidade na energia procedente do Sol nos últimos 30 anos; as três grandes erupções vulcânicas produzidas em 1963, 1982 e 1991 têm gerado aerosoles que refletiam a energia solar, o qual produziu curtos períodos de enfriamiento.[21]
O aquecimento atmosférico actual é inevitável, estando produzido pelas emissões de gases invernadero passadas e actuais. 150 anos de industrialización e de emissões têm modificado o clima e continuará repercutindo no mesmo durante vários centos de anos, ainda na hipótese de que se reduzissem as emissões de gases de efeito invernadero e se estabilizasse sua concentração na atmosfera.[22] O IPCC em seu relatório de 2007 manifesta: Há um alto nível de coincidência e abundante evidência com respeito a que com as políticas actuais de mitigación dos efeitos da mudança climática e com as práticas de desenvolvimento sostenible que aquelas implicam, as emissões mundiais de GEI seguirão aumentando nos próximos decenios.[23] Uma das estimativas de futuro da Agência Internacional da Energia em um relatório de 2.009 passa de 4 t de emissão de CO2 por pessoa em 1990, a 4,5 t em 2.020 e a 4,9 t em 2.030. Isto significaria que o CO2 emitido e acumulado desde 1890, passaria de 778 Gt em 1990, a 1.608 Gt em 2.020 e a 1.984 Gt em 2.030.[24]
As consequências da mudança climática provocado pelas emissões de GEI estudam-se em modelos de projecções realizados por vários institutos meteorológicos. Algumas das consequências reunidas pelo IPCC são as seguintes:[25]
Para John Theodore Houghton, fundador do Centro Hadley e copresidente do grupo de avaliação científica do IPCC em seus primeiros três relatórios, está admitido que produzir-se-á um dano generalizado pelo aumento do nível do mar e ondas de calor, por inundações e secas mais frequentes e intensas. A mudança climática antropogénico afectará seriamente às próximas gerações e aos ecosistemas mundiais. Seu incidencia poderia limitar-se significativamente se empreendesse-se uma acção conjunta mundialde redução de emissões . Seria aconselhável manter o incremento da temperatura global só em 2 °C acima da temperatura do período preindustrial, para isso a concentração de CO2 não deveria superar as 450 ppm (hoje sobre 390 ppm). Isto implica que em 2050 as emissões mundiais de CO2 devem se reduzir ao 50% do nível de 1990 (actualmente estão 15% acima desse nível). Nas duas próximas décadas também deveria se interromper a deforestación tropical, responsável pelo 20% das emissões de gases de tipo invernadero.[26]
Para Nicholas Stern, ex chefe do Serviço Económico do Governo do Reino Unido e ex economista chefe do Banco Mundial, para não superar 450 ppm de concentração atmosférica de CO2, requerer-se-á uma redução das emissões mundiais anuais de umas 50 gigatoneladas de CO2 equivalente na actualidade a 35 gigatoneladas em 2030 e a 20 gigatoneladas em 2050. Para compreender o nível do esforço que se requer, na actualidade, as emissões anuais por habitante são 12 toneladas na União Européia, 23 toneladas nos Estados Unidos, 6 toneladas na China e 1,7 toneladas na Índia. Em 2050 a população mundial estima-se será de 9.000 milhões, e as emissões anuais por habitante dever-se-iam reduzir a duas toneladas de CO2 equivalente em media, para que o total anual mundial seja de 20 gigatoneladas. Ainda que a industrialización dos países desenvolvidos desde o século XIX é a causante dos níveis actuais de GEI, são os países em desenvolvimento os mais vulneráveis às consequências da mudança climática. Os países ricos devem apoiar financeiramente aos países em desenvolvimento para que executem planos de crescimento económico com pouco carbono e frear a deforestación em seus países. Segundo os últimos cálculos o mundo em desenvolvimento para ajustar à mudança climático precisa dos países ricos anualmente 100.000 milhões de dólares para a adaptação e outros 100.000 milhões para a mitigación de aqui ao 2020.[27]
Fatih Birol, economista chefe da Agência Internacional de Energia, assinala a importância dos países emergentes, pois com as políticas actuais, as estimativas da Agência Internacional de Energia projectam um crescimento anual da demanda de energia primária global de 1,6% mundial até 2030, de 11.730 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) a 17.010 Mtep (um incremento de 45% em mal 20 anos). Chinesa e Índia requererão a metade deste incremento, e os países não membros da OCDE em conjunto suporão o 87% do incremento do CO2, passando sua demanda total de energia mundial de 51% na actualidade a supor o 62% do total em 2030. Também para ele, é imprescindible uma importante transformaciónen do sector energético. Até agora a longa vida útil de grande parte de suas infra-estruturas causa uma lenta substituição de suas equipas, o que motiva que o emprego de tecnologias eficientes se demore. Os sectores público e privado devem aceitar a necessidade de investimentos adicionais e o retiro cedo de instalações inadequadas, para acelerar o processo e reduzir as emissões, especialmente em centrais de energia e em equipas. Os governos devem dirigir esta transformação e orientar o consumo mediante medidas claras de tarificación, incluída a tarificación por emissões de carbono. A energia renovável desempenhará um papel importante. Calcula-se que a geração global de electricidade baseada em energias renováveis duplicar-se-á entre 2006 e 2030.[28]
O Grupo Intergubernamental de Experientes sobre a Mudança Climática, conhecido também por Painel Intergubernamental da Mudança Climática ou mais resumidamente pelas siglas IPCC (Intergovernmental Painel on Climate Change), foi estabelecido no ano 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, World Meteorological Organization) e o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, United Nations Environment Programme). O objectivo é asesorar aos governos sobre os problemas climáticos e reunir as investigações científicas conhecidas em uns relatórios periódicos de avaliação.[29] Estes relatórios de avaliação constam de vários volumes, e proporcionam todo o tipo de informação científica, técnica e sócio-económica sobre a mudança climática, suas causas, seus possíveis efeitos, e as medidas de resposta correspondentes.
O Primeiro relatório de avaliação do IPCC publicou-se em 1990, e confirmou os elementos científicos que suscitava preocupação a respeito da mudança climática. A raiz disso, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu preparar a Convenção Marco sobre a Mudança Climática.Posteriormente o IPCC tem produzido outros três relatórios de avaliação em 1.995, 2.001 e 2.007.
O Terceiro relatório de avaliação de 2001 expressava um maior entendimento das causas e consequências do aquecimento mundial. Apresentava para finais do século XXI um aquecimento mundial dentre 1,4 e 5,8º C que influiria nas pautas meteorológicas, os recursos hídricos, o ciclo das estações, os ecosistemas, bem como episódios climáticos extremos.[15]
O quarto, denominado Mudança climático 2.007, reúne os últimos conhecimentos de uma ampla comunidade científica sendo realizado por mais de 500 autores principais´, 2.000 revisores experientes e examinado por delegados a mais de 100 países. Incluem-se algumas das principais conclusões deste relatório:
O tratado internacional Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática assinou-se em 1992 e os países firmantes deviam começar a considerar como reduzir as emissões de GEI e o aquecimento atmosférico.[29] Os países firmantes lembraram o seguinte objectivo:
Na Convenção solicitou-se aos países o estabelecimento de inventarios precisos e periodicamente actualizados das emissões de gases de efeito invernadero. A Convenção reconhecia que o elaborado só era um documento marco, isto é, um texto que devia perfeccionarse e desenvolver no futuro orientando eficazmente os esforços em frente ao aquecimento atmosférico. Neste sentido a primeira adição ao tratado foi o Protocolo de Kyoto que se aprovou em 1997.[29]
| Maiores emissores de CO2 procedente de combustíveis fósseis | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| País | CO2 em milhões de toneladas | % de mudança 90-07 | CO2 per capita em 2007 | |||
| 1990 | 2007 | |||||
| Países comprometidos em Kioto (AnexoI) | ||||||
| Federação da Rússia | 2.180 | 1.587 | -27,2 | 11,2 | ||
| Japão | 1.065 | 1.236 | +16,1 | 9,7 | ||
| Alemanha | 950 | 798 | -16,0 | 9,7 | ||
| Canadá | 432 | 573 | +32,5 | 17,4 | ||
| Reino Unido | 553 | 523 | -5,4 | 8,6 | ||
| França | 352 | 369 | +4,9 | 5,8 | ||
| Itália | 398 | 438 | +10,0 | 7,4 | ||
| Austrália | 260 | 396 | +52,5 | 18,8 | ||
| Ucrânia | 688 | 314 | -54,5 | 6,8 | ||
| Espanha | 206 | 345 | +67,5 | 7,7 | ||
| Polónia | 344 | 305 | -11,4 | 8,0 | ||
| Países sem compromisso em Kioto | ||||||
| China | 2.244 | 6.071 | +170,6 | 4,6 | ||
| Estados Unidos | 4.863 | 5.769 | +18,6 | 19,1 | ||
| Índia | 589 | 1.324 | +124,7 | 1,2 | ||
| Coréia do Sur | 229 | 489 | +113,1 | 10,1 | ||
| Irão | 175 | 466 | +165,8 | 6,6 | ||
| México | 293 | 438 | +49,5 | 4,1 | ||
| Indonésia | 140 | 377 | 169,0 | 1,7 | ||
| Arabia Saudita | 161 | 358 | +121,7 | 14,8 | ||
| Brasil | 193 | 347 | +79,8 | 1,8 | ||
| África do Sul | 255 | 346 | +35,8 | 7,3 | ||
| Fonte: Agência Internacional da Energia[19] | ||||||
O Protocolo de Kyoto de 1997 foi uma extensão da Convenção. Os países industrializados comprometeram-se a reduzir suas emissões de gases de efeito invernadero. O objectivo é um recorte conjunto das emissões de gases de efeito invernadero de ao menos o 5% com respeito aos níveis de 1990 no período de compromisso de 2008-2012. As negociações foram arduas e em 1997 terminou-se um processo que se tinha iniciado dois anos e médio dantes. O compromisso de redução de emissões adoptaram-no só os países incluídos no anexo I do protocolo, devendo assim mesmo a cada país o ratificar para que o compriso fosse vinculante.[31]
As emissões que se lembraram limitar nos seguintes Gases Invernadero: Dióxido de carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido nitroso (N2Ou), Hexafluoruro de azufre (SF6), bem como dois grupos de gases Hidrofluorocarbonos (HFC) e Perfluorocarbonos (PFC). Estes gases devem limitar-se nos seguintes sectores: energia; processos industriais, disolventes e outros produtos; agricultura, mudança de uso da terra e silvicultura; e desechos.[32]
Para que o Protocolo entrasse em vigor devia ser ratificado por países incluídos no anexo I que representassem ao menos o 55% do total de emissões de 1990 incluídas no mencionado anexo. Com a ratificação da Rússia em 2004 chegou-se ao 55% e o Protocolo de Kyoto entrou em vigor.[32]
Actualmente assinaram-no 184 partes, 183 países e a União Européia, e todos o ratificaram salvo dois: Estados Unidos e Kazakhstan.[33]
| Emissões de CO2 no mundo procedentes de combustíveis fósseis (em milhões toneladas) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Descrição | 1990 | 2007 | % Mudança 90-07 | |||
| Total Países comprometidos em Kioto (AnexoI) | 8.792 | 8.162 | -7,2% | |||
| Total Países sem compromisso em Kioto | 11.578 | 17.778 | 70,8% | |||
| Marinha | 357 | 610 | 71,1% | |||
| Aviação | 254 | 412 | 62,3% | |||
| Total mundial | 20.980 | 28.962 | 38,0% | |||
| Fonte: Agência Internacional da Energia[19] | ||||||
Os países que engloban o anexo I são os países industrializados que pertencem à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) mais alguns países com economias em transição, como a Federação da Rússia, países Bálticos e vários países da Europa central e oriental.
A cada país adquiriró um compromisso individual de redução de emissões (-x%) ou pôs-se um limite superior (+x%) com respeito às emissões que tinha em 1990. Os compromissos adquiridos são os seguintes: Estados Unidos (-7%), Federação da Rússia (0%), Japão (-6%), Canadá (-6%), Austrália (+8%), Ucrânia (0%), Polónia (-6%), Bulgária (-8%), Croácia (-5%), Eslováquia (-8%), Eslovénia (-8%), Estónia (-8%), Hungria (-6%), Islândia (+10%), Letónia (-8%), Liechtenstein (-8%), Lituânia (-8%), Mônaco (-8%), Noruega (+1%), Nova Zelanda (0%), República Checa (-8%), Rumania (-8%) e Suíça ( -8%).[34]
A União Européia assinou um compromisso conjunto e único em nome de de todos seus países de reduzir suas emissões totais durante o período 2008-2012 em um 8% respecto das de 1990. Não obstante, a União Européia, internamente, tem realizado uma partilha à cada país outorgando um limite diferente em função de diversas variáveis económicas e medioambientales segundo o princípio de partilha do ónus». Lembrou-se da seguinte maneira: Alemanha (-21%), Áustria (-13%), Bélgica (-7,5%), Dinamarca (-21%), Itália (-6,5%), Luxemburgo (-28%), Países Baixos (-6%), Reino Unido (-12,5%), Finlândia (0,0%), França (0,0%), Espanha (+15%), Grécia (+25%), Irlanda (+13%), Portugal (+27%) e Suécia (+4%).[34]
Somente estes países estão obrigados a adoptar políticas que limitem suas emissões de gases de efeito invernadero ao lembrado com respeito aos níveis de 1990. A cada país comunica periodicamente seus inventarios nacionais de emissões de GEI que são supervisionados e examinados ao objecto de cumprir dos objectivos fixados. No quadro anexo apresenta-se a evolução dos inventarios nacionais de emissões de GEI dos principais países emissores do Anexo I entre 1990 e 2006.
Estados Unidos não tem ratificado em Protocolo.[33] As emissões de CO2 dos Estados Unidos em 2005 representaram o 25% das emissões totais no mundo.[35]
Os países em via de desenvolvimento (os que não estão incluídos no anexo I do Protocolo), entre os que se encontram Chinesa e a Índia, não estão sujeitos a restrições de emissões GEI. Os motivos são dois. Por um lado as emissões históricas que estão a provocar o aquecimento actual as originaram no passado os países desenvolvidos. Por outro lado se limitassem-se as emissões dos países em via de desenvolvimento não permitir-se-ia sua progressão. Assim se assinalava e reconhecia no início do Tratado da Convenção:Tomando nota de que, tanto historicamente como na actualidade, a maior parte das emissões de gases de efeito invernadero do mundo têm tido sua origem nos países desenvolvidos, que as emissões per capita nos países em desenvolvimento são ainda relativamente reduzidas e que a proporção do total de emissões originada nesses países aumentará para lhes permitir satisfazer a suas necessidades sociais e de desenvolvimento.[30] Em virtude disso Chinesa e a Índia que têm ratificado o Protocolo de Kyoto não se incluem no anexo I e não estão obrigadas a reduzir suas emissões.[33] As emissões de CO2 da China e a Índia em 2005 supunham o 19% e o 4,1% das emissões totais no mundo.[35]
Os países não incluídos no anexo I não devem apresentar um inventario anual de emissões de gases de efeito invernadero e também não se lhes submete a exame. Em janeiro de 2007 eram 132 os países que tinham apresentado seu inventario nacional inicial correspondente ao ano 1994.
Para a cimeira sobre o clima de Copenhague em dezembro de 2009, a ONU convocou a 192 países para lembrar um limite às emissões de gases de efeito invernadero para o período entre 2012 e 2020. Este período de compromisso devia suceder ao perido 2008-2012, lembrado no protocolo de Kyoto. As negociações entre os países para limitar emissões nesta Conferência de Copenhague foram lentas segundo manifestou preocupado o secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon.[36]
Em setembro de 2009, quase uma centena de chefes de Estado e de Governo participaram no que serviu de preparação da conferência Copenhague, na 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas dedicada à mudança climática.[37] [36] Esta 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas servió para conhecer a posição na negociação de Copenhague dos países que são grandes emissores de GEI e que ainda não estão comprometidos com um programa de limitação de emissões. Estes países podem representar nestes momentos mais de 50% das emissões totais:
A conferência desenvolveu-se desde o 7 ao 18 e dezembro de 2009. Um primeiro rascunho do acordo deu-se a conhecer na sexta-feira 11 de dezembro onde estavam as intenções de um possível acordo que não se conseguiu posteriormente. A maioria dos dados encontrava-se entre parênteses o que significava que ainda se estava a negociar. O rascunho propunha que as emissões de CO2 no ano 2050 devem se reduzir em todo mundo à metade dos níveis existentes em 1990 e pretendia que se fixasse um valor intermediário a cumprir em 2020. O objectivo fundamental do acordo também estava entre parêntese, ainda que durante todo o ano 2009, várias conferências científicas e políticas tinham pedido que o aquecimento global se mantenha por embaixo de dois graus centígrados. Para isso os países desenvolvidos deveriam se propor uma redução de 75% ( em outras opções até o 95%), enquanto para os países em desenvolvimento o rascunho solicitava desvios substanciais" sobre suas taxas actuais de crescimento de emissões. Segundo Kim Carstensen da organização conservacionista WWF nesse momento desconhecia-se quanto dinheiro contribuir-se-á para compensar aos países em desenvolvimento e quem pagará esse dinheiro. Segundo Erwin Jackson do Sydney Morning Herald ainda faltava um tratado juridicamente vinculante que inclua a EE.UU. e aos grandes países em desenvolvimento como Chinesa e Índia.[40]
Os países do G8 já lembraram entre eles o passado julho limitar o aumento da temperatura a 2 °C com respeito aos níveis preindustriales. No entanto a inicitiava dos pequenos países insulares, que peligran se se produzisse um aumento generalizado do nível do mar por um deshielo em massa dos pólos, uma centena de nações em desenvolvimento solicitaram que o limite se estabelecesse em 1,5º.[41]
Na primeira semana da cimeira produziram-se duras manifestações cruzadas entre os dois principais emissores mundiais de CO2, Chinesa e EE.UU. No segundo dia, o chefe anexo da delegação da China disse que os recortes de emissões para o 2020 oferecidos por EE.UU., a UE e Japão eram insuficientes e que era fundamental para sucesso da conferência tanto o objectivo de EE.UU. sobre redução de emissões como o apoio fianciero de EE.UU. às nações em desenvolvimento.[42] Todd Stern, o principal negociador estadounidense, assinalou no terceiro dia que Chinesa estava a aumentar suas emissões de forma espectacular e que Chinesa não podia ficar à margem do acordo e que o objectivo de EE.UU. era uma redução de 17% em 2020 com respeito ao nível de 2005 (segundo denunciaram os chineses equivale a uma redução de 1% sobre o nível de 1990). Stern fez um apelo à ONU para arrecadar 10 biliões de dólares para financiar no período 2010-2012 a adaptação em curto prazo nos países vulneráveis.[43]
O acordo final se gestó entre quatro grandes países emergentes e EE.UU em uma reunião convocada pelo premiê chinês Wen Jiabao na que participaram os presidentes da Índia, Brasil e Suráfrica, se incorporando depois o presidente de EE.UU. A delegação índia propôs um tratado não vinculante que seguisse o modelo da Organização Mundial do Comércio onde a cada país declarará suas emissões. Após chegar ao acordo a porta fechada, Barack Obama comunicou-o à UE, que o aceitou. O texto tem só três folios e inclui de forma orientativa de redução de emissões que cadas país tem apresentado à cimeira; as reduções definitivas devem estar o 1 de fevereiro de 2010. O pacto não inclui a verificação de emissões que recusava a China. A transparência limitar-se-á a um sistema "internacional de análise e consultas" por definir, estabelecendo-se que a cada país comunicará suas emissões à ONU respetandose a soberania nacional. As reduções de emissões que se façam com dinheiro internacional sim estarão sujeitas a um completo sistema de verificação. Chinesa tem declarado que não queria dinheiro internacional, pois não desejava se ver sujeita a um sistema de contabilidade internacional. O embaixador brasileiro manifestou que EE UU exigia a transparência dos países em desenvolvimento. Obama disse que o sistema de consultas por definir "dirá muito do que faz falta saber" e que "actualmente já podemos saber muito do que ocorre em um país com imagens de satélite".[44]
O acordo mantém o objectivo de que a temperatura global não suba mais de dois graus centígrados. Sobre quando as emissões deverão atingir seu máximo só se diz que "o dantes possível" e não estabelecem objectivos para 2050. Também não incluiu-se a recomendação do IPCC de que as emissões dos países desenvolvidos deveriam se reduzir para 2020 entre um 25% e um 40% sobre o nível que tinham em 1990.[44]
O acordo atingido entre EE.UU., Chinesa e outros 27 países não foi aceite por unanimidade na Convenção pois o recusaram alguns países como Cuba, Bolívia e Nicarágua. Por isso os delegados do pleno da Conferência da ONU sobre Mudança Climática renunciaram ao votar e lembraram uma fórmula de "tomar conhecimento" do documento.[45]
O pacto atingido não será oficial pois a Convenção de Mudança Climático funciona por consenso e a oposição de um sozinho país impede a adopção do acordo. O porta-voz do G77, o sudanés Lumumba Lumumba Stanislaus Dei-Aping, mostrou sua indignação: "Um acordo que aumente a temperatura dois graus centígrados supõe que na África subirá 3,5 e destruirá nossas economias e nosso povo".[44]