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Empirismo

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David Hume é considerado o mais importante empirista e personagem da Ilustração Escocesa. Apresenta-se sua estátua em Edimburgo , Escócia.

Empirismo prove do termo grego έμπειρία; a tradução latina é experientia, da que se deriva a palavra experiência.

«Empírico» na Antigüedad clássica, tanto para os gregos como para os romanos, se refere a médicos, arquitectos, artistas e artesãos em general que conseguem suas habilidades da experiência dirigida para o útil e técnico, em contraposição ao conhecimento teórico concebido como «contemplación da verdade» à margem de qualquer utilidade.[1]

Em filosofia o «empirismo», como tal, se define como denominação de uma Escola ou forma de pensar que surge na Idade Moderna; fruto maduro de uma tendência filosófica que se desenvolve sobretudo no Reino Unido desde a Baixa Idade Média costuma se considerar em contraposição ao chamado racionalismo mais característico da filosofia continental.

É uma teoria do conhecimento que enfatiza o papel da experiência, unida à percepción sensorial, na formação dos conceitos:

Com respeito ao conhecimento científico:

Hoje em dia a oposição «empirismo-racionalismo», bem como «analítico-sintético», não costuma entender de um modo tajante, como o foi em tempos anteriores, e mais bem uma ou outra postura obedece a questões metodológicas e heurísticas ou de atitudes vitais mais que a princípios filosóficos fundamentais.

Conteúdo

História: A ciência e a experiência

Antigas formas de empirismo incluem os labores epistemológicas de Buda[2] em oriente. Aqui consideraremos a evolução das atitudes filosóficas ocidentais.

A Antigüedad

Na Antigüedad clássica existia uma clara separação:

Na antigüedad clássica o conhecimento teórico e prático, como saber universal e necessário, ideal do «saber» é independente da experiência,[6] e constitui a Sabedoria. A máxima expressão como conhecimento da verdade, como ciência, é a Metafísica[7] e o modelo ideal de vida o mais próximo possível à felicidade, como Ética, constituem o ideal do Sabio.

Esta separação do conhecimento e a acção prática com respeito à produção de bens materiais responde a uma tradição aristocrática e guerreira da nobreza ou classe dominante. As artes e os oficios eram próprios de escravos ou comerciantes, mas a «Sabedoria» (Filosofia) era o próprio da nobreza e dos homens livres.[8]

Na Atenas clássica já apareceu uma dupla atitude de pensamento que se vai manter ao longo de toda a História da filosofia em ocidente e que hoje caracterizamos basicamente como racionalismo e empirismo. Em realidade respondem a duas atitudes e modos de conceber a função do pensamento e o sentido da vida.

Os primeiros em manter uma atitude claramente empirista foram os sofistas quem negaram as especulações racionalistas sobre o mundo natural comum a seus predecessores, presocráticos e, sobretudo, Platón; pelo contrário preocuparam-se "em tão relativas entidades como o homem e a sociedade".[9] [10] O valor da verdade fica restringido ao valor concreto da experiência e o exercício do poder, bem seja individual (moral) ou social (política).

Este empirismo interessa-se pela retórica no domínio da linguagem como instrumento essencial para a vida política ateniense e o exercício do poder.[11]

Aristóteles

Artigo principal: Aristóteles
Aristóteles proclamou a importância da indução baseada na experiência.

Talvez seja Aristóteles quem melhor expressou o valor do conhecimento da experiência, por mais que o considerasse submetido ao supremo valor do teórico. Em Metafísica, 982,b.11-32, Aristóteles concebe o conhecimento como um processo:

De sorte que, se filosofaram para fugir da ignorância, é claro que procuravam o saber em procura do conhecimento, e não por nenhuma utilidade. E assim o atestigua o ocorrido. Pois esta disciplina começou a procurar-se quando já existiam quase todas as coisas necessárias e as relativas ao descanso e ao ornato da vida. É, pois, evidente que não a procuramos por nenhuma utilidade senão que bem como chamamos homem livre ao que é para si mesmo e não para outro, assim consideramos a esta como a única ciência livre, pois esta sozinha é para si mesma. Por isso também sua posse poderia com justiça ser considerada impropia do homem. Pois a natureza humana é escrava em muitos aspectos; de sorte que segundo Simónides, «só um Deus pode ter tal privilégio, ainda que é indigno de um varão procurar a ciência à proporcionada».
Aristóteles, Metafísica, 982,b.11-32

Aristóteles é propriamente um filósofo de tipo racionalista como não podia ser menos em um discípulo aventajado de Platón que admite um conhecimento metafísico do ente assim que tal.

Como tal é o fundador de uma lógica formal, deductiva, que vai do necessário ao necessário através do necessário,[13] tal como define a forma argumentativa por excelencia, o silogismo, partindo da capacidade do entendimento para chegar ao conhecimento intuitivo dos princípios e a intuición das esencias como formas substanciais das coisas.

No entanto é o primeiro que reflexiona sobre o valor do conhecimento da experiência e o método inductivo referido a um conhecimento científico como «observação da Natureza»: Biologia, Medicina, etc.[14]

Helenismo e Roma

Mas a influência dos artesãos na elaboração de teorias, ou melhor normas gerais, mais ou menos científicas para a prática da construção, a agricultura, a navegação, a medicina, etc., sempre esteve presente, sobretudo no helenismo, Alejandría e durante o Império romano onde as «artes» tiveram uma importância enorme nas construções civis, não só nas cidades, senão na construção de estradas, pontes e obras hidráulicas.

Hipócrates de Cos, século V a. C. passa por ser o pai da medicina, pela mudança de orientação que até então tinha a tradição sobretudo egípcia, unida à magia e ao sagrado. É o primeiro que elabora uma teoria geral sobre o que é a saúde e a doença em relação com um conceito determinado de homem.

São nomes relevantes da cultura clássica, além dos citados: Arquímedes, século III a. C., um autêntico teórico e prático da lógica empírica,[15] Vitrubio, século I a. C., o primeiro em fazer um tratado de arquitectura e urbanismo e em medicina Galeno, século II d. C.

Os conceitos e a experiência

Os gregos separaram o conhecimento da razão, que conhece por conceitos aplicáveis a multidão de objectos como conhecimento universal, do mero conhecimento da experiência que conhece pelos sentidos unicamente o individual e concreto.

Epicuro de Samos (século IV a. C.) foi o filósofo grego fundador do Epicureísmo.

Como se entenda que são os conceitos e sua relação com o sensível e ambos em sua relação com a realidade é o fundamento destas duas atitudes que consideramos os antecedentes do racionalismo e o empirismo.

Os conceitos para o empirismo não são uma garantia de conhecimento objectivo e por tanto a ciência tem somente um valor relativo e justificado na generalização das experiências comuns, convencionalmente representadas nos conceitos e a linguagem.

«O homem é a medida de todas as coisas», é a frase que vem a resumir esta tendência. Atribui-se a Protágoras um dos notáveis sofistas com quem Sócrates, (Platón), sustenta controvérsia. Nome que fica historicamente consagrado por dar título a um dos mais conhecidos “Diálogos” de Platón.[16]

A tradição mais racionalista está representada pelo pensamento metafísico grego e a tradição mais unida à tradição cristã em ocidente: Os presocráticos, Pitágoras, Platón e Aristóteles e sobretudo o platonismo e neoplatonismo, pois em último termo este pensamento remete a um Princípio Último, que os cristãos referem a Deus.

A tradição mais empirista está representada pelos sofistas e os cépticos, mas a cada escola Estoicismo, Cinismo, Epicureísmo, Pirronismo e a cada momento histórico tem seus respectivos representantes com diversos matizes mais próximos a um extremo racionalista ou a outro empirista.

A Idade Média

Em Occidente a queda do Império romano deixa todo o saber refugiado nos monasterios e fica restrito praticamente ao controle e poder da Igreja. O pensamento cristão adoptou durante a antigüedad e toda a Alta Idade Média o platonismo e neoplatonismo por ser o pensamento que melhor se adaptava a sua crença em um Deus Único Criador do mundo conforme a umas Ideias (Divina Providência), e concedia um sentido trascendente à vida do ser humano, com outra vida que tem de ser julgada por Deus.

A partir do século XI, por médio dos árabes recupera-se o aristotelismo em ocidente. São pensadores importantes neste processo Alkindi, Avicena,[17] [18] Averroes,[19] [20] Alhazen, Avempace e de especial trascendencia cultural a Escola de Tradutores de Toledo.

A polémica suscitada na Universidade de Paris por Roscelino e Abelardo sobre a realidade dos conceitos universais supôs um novo interesse pelas questões lógicas e no que vai constituir o nominalismo, uma das questões que maior influência vai ter na «valoração da experiência».

Esta revalorización da experiência e a «importância do conhecimento individual» produzem-se a partir do século XIII, sobretudo pela ordem franciscana e a Universidade de Oxford, em contraposição à ordem dos dominicos (Universidade de Paris). Tomás de Aquino[21] dominico, promove um aristotelismo cristão que tanta influência tem tido na história da Igreja.

Os franciscanos sublinham a importância do individual, e valorizam a experiência do mundo como valor do conhecimento assim que tal, que não impede senão que alumia e acerca o sentido da vida para Deus reconhecendo o valor do conhecimento da Natureza como obra de Deus. Os pensadores mais significativos desta corrente são Roger Bacon, Duns Scoto, e sobretudo Guillermo de Ockham.

O nominalismo e a «navaja de Ockham». Crítica da teoria aristotélica do movimento

O chamado nominalismo supõe um sentido crítico sobre o valor dos conceitos, e o sentido da linguagem.

Em frente aos argumentos aristotélicos clássicos «cualitativos» ou essenciais, e o mundo das «entidades» que se introduzem como conceitos em ditos argumentos,[22] Ockham estabelece um princípio que tem passado à história como «a navaja de Ockham» ou princípio de simplicidad: «Non sunt multiplicanda entia sine necessitate», (Não se têm de multiplicar os entes sem necessidade), ou o que equivale a valorizar as explicações mais singelas e próximas à experiência, dantes que recorrer a especulações arbitrárias e imaginativas.

Por outro lado em Paris, Nicolás de Oresme critica a teoria do movimento aristotélica e mediante relação de quantidades mediante tabelas,[23] estuda-se o movimento relacionando os espaços percorridos e o tempo que se demora em percorrer dito espaço, intuyendo o conceito de velocidade e aceleração, tão importante para estabelecer as condições experimentales do movimento; classificam estes como, "uniforme", "disforme" e "uniformemente disforme". E é o antecedente mais próximo do estudo do movimento mediante «quantidades relacionadas matematicamente», fundamento do progresso da ciência do século XVI e XVII e do conceito de análise matemático.

Jean Buridan e sua «teoria do impetus» analisa o «momentum» ou permanência do movimento após que tenha actuado a causa que o produz, como ocorre no caso dos proyectiles.[24] É o antecedente mais importante do que na ciência moderna vai ser o princípio de inércia.

O Renacimiento: A incorporação da experiência na investigação científica

Artigo principal: Lógica empírica
O heliocentrismo e os movimentos da terra foram determinantes para deslocar definitivamente a física "cualitativa" aristotélica e avançar para uma ciência física "cuantitativa" referida a medidas e cálculos matemáticos.

As grandes descobertas, (bússola, pólvora, imprenta, as Índias ocidentais), têm alargado enormemente o mundo conhecido até então e os modos de organização social e a transmissão da cultura através dos livros.

Este processo renovador avança de maneira espectacular no Renacimiento, sendo de especial importância a substituição do ábaco pelo algorítmo nas operações essenciais para o cálculo. Isto se faz possível depois da contribuição árabe do sistema de numeração decimal, introduzindo o zero, 0, já conhecido na Índia e os grafos numéricos actuais, que fizeram possível confeccionar tabelas de operações aritméticas e sobretudo ampliar os campos do cálculo, essencial para o comércio que nesta época cultiva a burguesía das cidades.[25]

O saber se independiza nas cidades do controle da Igreja e através da influência de artistas e artesãos, sobretudo a arquitectura para as novas construções das cidades e a metalurgia essencial para as novas «artes da guerra» pela aplicação da pólvora. A experiência como conhecimento adquire um valor social que até então não tinha tido.

O facto da descoberta das «Índias Ocidentais» propõe o tema da redondez da terra ao mesmo tempo que o heliocentrismo[26] toma corpo de hipótese científica com o livro de Copérnico . O heliocentrismo põe em questão e aprofunda a crise da concepção medieval do mundo e a física aristotélica.

O poder social da nobreza vai ir passando a uma classe social nova, a burguesía, e a encontrar um novo fundamento no dinheiro. Dinheiro ao que têm que recorrer os reis mediante o empréstimo dos banqueiros para manter um exército baseado na pólvora e não nas «armas dos caballeros».

A mudança de mentalidade que supôs o Renacimiento, o Humanismo, não aceita o «argumento de autoridade», e tanto os artistas como os pesquisadores e pensadores reclamam liberdade, o que facilitou em grande maneira o facto de valorizar a experiência e a experimentación como fonte de conhecimento.

O conhecimento adquire com isto um valor novo: «conhecer para dominar a Natureza».

Leonardo dá Vinci não pôde ir à universidade por ser filho ilegítimo, pelo que às vezes era tratado de «inculto», por não saber latín, por alguns:

Sou completamente consciente de que há gente presuntuosa que crê ter razão em me desacreditar por não ser um homem culto Que loucos! [...] Não sabem que meus materiais têm mais valor porque derivam da experiência dantes que das palavras de outros, e a experiência é a maestra de quem têm escrito com acerto
Leonardo dá Vinci, Códice Atlántico, folio 327v.

Falar do Renacimiento é falar de Leonardo dá Vinci[27] Miguel Ángel, etc. que se não foram especificamente científicos significaram a abertura do espírito para novos conceitos. Luis Vives, Erasmo, etc. significaram a superação do critério de Autoridade que tanto limitava o horizonte do conhecimento em sua dependência da fé e de uma Autoridade como a Igreja que controlava qualquer desvio do «estabelecido».[28]

A Idade Moderna: Racionalismo e Empirismo

Artigo principal: Racionalismo
Artigo principal: Lógica empírica
René Descartes, pai o racionalismo moderno.

A filosofia aristotélica tradicional entra profundamente em crise a partir da teoria heliocéntrica do universo e dos progressos que a ciência está a obter aplicando métodos novos de investigação. De especial relevância é o método «resolutivo-compositivo» de Galileo .[29]

A Ciência tenta «descobrir as leis que regem a natureza para a dominar». Como é possível chegar a conhecer desde a experiência as leis gerais do comportamento da natureza?

É neste campo filosófico de oposição racionalismo-empirismo no que frequentemente se situa o empirismo assim que tal. Restringe-se inclusive ao titulado «empirismo in­glés» (Francis Bacon, Hobbes, Locke, Berkeley, Hume), em oposição ao «racionalismo conti­nental» (Descartes, Malebranche, Spinoza, Leibniz, Wolff).

Nesta oposição o problema vem-se a reduzir à admisión da existência ou não existência das ideias innatas.

Segundo Descartes o entendimento possui umas intuiciones evidentes postas por Deus na natureza humana, como ideias innatas[30] ou princípios do pensar, a partir das quais é possível estabelecer umas relações lógicas entre as ideias recebidas da experiência.[31]

Este modo de pensar relacionando ideias mediante a análise tem dado enormes frutos no progresso tido durante os últimos anos no cálculo matemático para a descoberta e descrição das leis da natureza e suas aplicações à ciência empírica.

Depois do desenvolvimento do cálculo tido já no Renacimiento, e o desenvolvimento do álgebra por Stevin, Vieta, Cardano e outros, se faz possível o cálculo do movimento dos proyectiles por Tartaglia ; do movimento de queda dos «graves» Galileo; o estudo da variação de pressão pela altura Torricelli; o estudo das pressões e a descoberta da imprensa hidráulica e cálculo de probabilidades Pascal; a predição do movimento dos planetas Kepler. E a culminación deste processo dá-se no seio do racionalismo com o próprio Descartes, Pascal, Leibniz e Newton. Estes dois últimos, com a descoberta do cálculo infinitesimal, abriram enormes perspectivas na matematización e cálculo de funções contínuas aplicáveis a tantos processos de mudança contínuo da natureza, sendo finalmente a obra de Newton todo um compendio do que veio a significar a ciência física durante os próximos séculos.

Sobre o modelo deste processo de reflexão matemática Descartes propõe seu método de investigação científica; uma ciência que garante a verdade pela sucessão de evidências com certeza que se estabelecem seguindo as regras do método.[32]

Estas verdades assim estabelecidas se correspondem com a realidade do mundo porque uma das principais ideias innatas é a ideia de Deus como ser Perfeito e Bom, que não pode se enganar nem nos enganar.[33]

São os racionalistas principais: Descartes, Spinoza, Malebranche, Leibniz,[34] Wolff, Pascal e o grupo de Port Royal na França.

John Locke (1632-1704) o mais influente empirista inglês.

O pensamento empirista inglês

John Locke responde ao racionalismo continental, defendido por René Descartes, escrevendo no final do século XVII Ensaio sobre o entendimento humano (1689).

O único conhecimento que os humanos podem possuir é o conhecimento a posteriori (o conhecimento baseado na experiência). É famosa sua proposição de que a mente humana é uma Tabula rasa ou folha em alvo, na qual se escrevem as experiências derivadas de impressões sensoriales à medida que a vida de uma pessoa prossegue.

Há duas fontes de nossas ideias: sensação (provenientes dos sentidos) e reflexão (provenientes das operações mentais: pensamentos, memórias...), em ambas se faz uma distinção entre ideias simples e complexas. As ideias simples são criadas de um modo pasivo na mente, depois de obter mediante a sensação. Pelo contrário, as ideias complexas criam-se após a combinação, comparação ou abstracção das ideias simples. Por exemplo a ideia de um corno ao igual que a de um cavalo são ambas ideias simples, mas ao se juntar para representar a um unicornio se convertem em uma ideia complexa.[35] De acordo com Locke, nosso conhecimento das coisas é uma percepción de ideias, que estão em acordo ou desacordo unas com outras segundo umas leis de associação de ideias.

Mas considerar a ideia de substância» ou a ideia de causa» como uma «ideia complexa» modifica completamente o fundamento de toda a filosofia tradicional baseada na «substância» como «sujeito» e a «causalidad» como «explicação da mudança ou movimento»[36]

Uma geração depois, o bispo irlandês George Berkeley (1685-1753) determinou que o ponto de vista de Locke abre a porta para um eventual ateísmo. Criou um empirismo extremo, metafísico, no qual os objectos existem se são percebidos "Esse est percipi" (Ser é ser percebido)de modo que um objecto sempre é percebido; porque se nenhum humano percebesse-o Deus seria a entidade encarregada de percebê-lo. A percepción em qualquer caso é o fundamento do ser. Tais ideias mais que empíricas respondem a um sentido idealista.[37] [38] [39]

Por outra parte, David Hume reduz todo o conhecimento, assim que tal, a «impressões» e «ideias».[40] Admite dois tipos de verdades: «verdades de facto»[41] e «relação de ideias»[42] Toda a ideia tem de poder ser reduzida a uma impressão correspondente. Quando uma ideia surge da relação entre ideias, seu conteúdo de realidade tem de depender das impressões que a motivam. Se não encontramos ditas impressões se deve recusar como produto da mera imaginación sem conteúdo de realidade algum. Tal ocorre com a ideia de substância e a ideia de causa. [43]

David Hume (1711-1776) criou um empirismo com um ponto de vista mais céptico.

Um conjunto de impressões geram uma associação de ideias com respeito a um facto e um julgamento ao respecto.

Um assassinato, por exemplo, não é nem pode ser reduzido a uma impressão[44] É uma relação de ideias: A ideia do facto de matar a um homem (lembrança de uma impressão) junto com a ideia do "desagrado que produz" na consciência como impressão interna fica associada em uma nova ideia: "assassinato" como ideia que expressa um julgamento moral relativo à rejeição da associação das duas impressões: O assassinato é algo "mau" como apreciação subjetiva moral mas não tem contido de conhecimento verdadeiro ou falso.

Do mesmo modo a noção de causa não pode ser reduzida a uma impressão; surge da relação entre ideias. Qual é a relação que une a duas ideias como causa?. Para Hume é evidente que a relação causal se estabelece baixo o ponto de vista de "uma sucessão constante de impressões" que geram no homem um "hábito" ou "costume".

À impressão de pôr um cacharro com água no fogo sempre se segue que a água se quente. É a consciência a que associa estas duas impressões sucessivas como ideias (o facto de pôr a água ao fogo, e que lhe suceda o facto de que se quente). Esta associação constitui uma nova ideia, a ideia de causa, cujo fundamento é a expectativa de que "o facto de que até agora me sucedeu que sempre que ponho um cacharro com água ao fogo esta se aquece" me permite afirmar: "O fogo aquece a água"; isto é o fogo é a causa de que a água se quente.

Mas não podemos encontrar nenhuma impressão que tenha relação directa com a ideia de causa. E o conteúdo de realidade de uma ideia somente faz sentido em referência à impressão da que se derive. A ideia de causa, pois, é algo meramente subjetivo, resultado da associação da mente de duas impressões sucessivas cuja conexão não aparece como evidência.

O problema da ciência e a experiência: O analítico e o sintético - O a priori e a posteriori

Artigo principal: Lógica empírica

As consequências que se derivam do conceito de causa, tal como o concebe Hume, com respeito a um conhecimento que pretenda ser científico não pode ser mais destructivo. Conduz a um escepticismo já que nunca poderemos conhecer o fundamento de nossas impressões e o conhecimento da experiência nunca permitir-nos-á sair de um subjetivismo incompatível com a ciência.

Por outro lado a ciência do século XVII está a mostrar uns sucessos indudables no conhecimento das leis da natureza, bem como no domínio da mesma em suas aplicações técnicas.

Esta crítica da noção de causa segundo o postulado empirista, provocou em Kant racionalista até então, seu acordar do «sonho dogmático». Toda sua obra crítica tenta superar este suposto que fazia de todo o ponto inviable o conhecimento científico.

O empirismo tanto de Locke como de Hume, deriva ao que se chamou asociacionismo que vem a reduzir o conhecimento a um psicologismo como foi entendido posteriormente.[45]

A ciência tradicional, desde os gregos à Idade Moderna, procede por conceitos. É independente da experiência, (o que na Idade Moderna se conceptualiza como a priori).

O conhecimento verdadeiro é possível porque o objecto de experiência considera-se dado como realidade objectiva[46] origem e causa da afección sensível que conduz ao conhecimento da experiência. A experiência garante a existência do percebido. Os conceitos, enquanto derivem-se validamente da experiência,[47] põem em conexão conhecimento universal e realidade.

Assim é como normalmente se valoriza o conhecimento na consciência não crítica que identifica o conhecimento com o real.[48]


O objecto universal da investigação científica na ciência tradicional aristotélica
Sempre que perceba na experiência um "gato" dito objecto de experiência terá todas as notas próprias da esencia de gato, como qualidades essenciais de "os gatos" em sentido universal, porque "este gato" da experiência participa da qualidade essencial da "gatidad"; e também algumas das notas acidentais possíveis que individualizem a dito gato; se este gato é branco, terá todas as características da esencia de "o branco", porque participa a qualidade universal de "a blancura"; se o gato corre ou deixa de correr, é porque acidentalmente o gato pode adquirir e perder (participar e deixar de participar) a forma da qualidade universal de "ser corredor", etc.[49]

Dá-se por suposto que o entendimento é capaz de intuir a esencia universal como forma das coisas percebidas na experiência. Ali onde se dê o caso do objecto que se trate dar-se-ão as notas categoriales próprias de dito conceito.

A razão, neste modo de conceber a ciência, analisa os conceitos de forma separada da experiência; classifica e relaciona os conceitos uns com outros por médio das "notas" ou "qualidades" que os caracterizam; e a razão, aplicando as leis do pensar, a Lógica, por médio dos silogismos, obtém conclusões que são aplicáveis aos objectos reais com garantia para valer científica. O resultado é uma ciência das qualidades”' tal como foi a ciência aristotélica.

A ciência assim concebida é universal por tratar de conceitos universais que abarcam a todo um universo de objectos, e necessária porque se baseia nas intuiciones verdadeiras das qualidades dos objectos. É por tanto uma ciência "cualitativa" e "a priori" em onde a experiência joga um papel claramente secundário.[50]


Mas o ponto de partida da reflexão filosófica a partir de Descartes, tanto para os racionalistas como para os empiristas, muda de maneira radical:

A ciência cuantitativa e deductiva mediante análise matemática mostra sucessos indudables na Idade Moderna
Galileo prediz mediante dedução matemática que a "aceleração", como conceito não empírico, no movimento de queda dos "graves" é "constante"[51] e mediante o estudo e cálculo da trajectória da luz tem inventado o telescópio; Torricelli determina que em um recipiente de mercurio no que se introduziu um cano fino o mercurio elevar-se-á até uma determinada altura, e que ascendendo por uma montanha pouco a pouco o nível do mercurio do cano irá descendo, sobre a hipótese de que a "pressão atmosférica", como conceito da razão independente da experiência, fará descer o mercurio do cano; Pascal aplicando os princípios da pressão dos fluídos, como conceito de razão não de experiência sensível, inventa a imprensa hidráulica; Kepler, ou melhor dito seus cálculos matemáticos, fazem possível determinar "a priori" isto é, dantes de que ocorra, a posição dos planetas e inclusive a existência futura de um eclipse com anos de antelación... etc.[52]


O racionalismo apresenta uma justificativa da ciência, mediante as ideias innatas, a partir da ideia de Deus, mas o argumento não resulta convincente.[54]

O empirismo valoriza a ciência como um facto inexplicable, com um fundamento meramente ocasional e provável segundo uma indução subjetiva e habitual.[55]

Que garantia podemos ter de que as conexões entre as ideias tenham correlação com as conexões da realidade?[56]

Mas a ciência na Idade Moderna é um facto. Tem adquirido, a partir das aplicações do cálculo matemático, um método e um sucesso indudable no domínio da natureza e em suas aplicações práticas. Uma ciência baseada na “quantidade” e a “medida” e nas relações matemáticas que permitem estabelecer hipótese explicativas” que se confirmam na experiência mediante os experimentos.


Nem os racionalistas nem os empiristas encontram uma razão suficiente das propriedades de dito conhecimento:

Como é possível que um mero conceito do entendimento ou um cálculo matemático, ambos produtos da especulação da razão humana possa determinar ou predizer os factos da experiência?

As leis da ciência não podem ser analíticas, ou «a priori»

Não cabe dúvida de que as leis científicas não são analíticas e ampliam o conhecimento. É evidente que do conceito de corpo» como ser material e perceptible pelos sentidos não se segue por análises do conceito, sem mais consideração, a lei: "Todos os corpos se atraem em razão directa de suas massas e em razão inversa ao quadrado de suas distâncias"

As leis da ciência não podem ser sintéticas ou «a posteriori»

Mas a experiência ou experimento, por ser sempre individual e submetido a condições, não pode servir de fundamento que nos permita assegurar que dita experiência, ou resultado do experimento, é consequência de uma lei da Natureza.[57]


Tal é o problema das relações entre a ciência e a experiência ao que nem o racionalismo nem o empirismo dão resposta de maneira convincente.

A solução kantiana

Artigo principal: Kant
Filósofo da Ilustração, seu pensamento é fundamental em toda a filosofia do século XIX.

Kant tenta realizar uma síntese que fizesse possível o conhecimento científico universal e necessário mas cujas verdades não fossem meramente formais e analíticas senão que pudessem ser materiais.[58] Para isso tenta justificar a possibilidade e existência de uns julgamentos sintéticos a priori, que seriam os julgamentos próprios da ciência: Universais e necessários, por ser a priori, mas sintéticos porque ampliam o conhecimento em seu conteúdo material ao estender os possíveis pregados com independência da noção do sujeito, superando as limitações das verdades de razão.

Para justificar tais julgamentos recusa que o entendimento seja como uma "tabela rasa" que se limita a receber passivamente a informação que lhe chegue dos dados sensíveis, da mesma forma que recusa a capacidade de intuición do entendimento.

Pelo contrário afirma que o entendimento é activo. Considera que a intuición vem dada pela sensibilidade[59] e que os conceitos são elaboração do próprio entendimento[60] e servem como justificativa do conhecimento científico. Ao mesmo tempo a partir de ditas condições não empíricas, a priori, se podem determinar as condições gerais da experiência o que permite a predição e previsão científica no domínio da natureza.[61]

O conhecimento expressado em enunciados (ou julgamentos), como pensava Kant:

VERDADE CONDIÇÃO ORIGEM JULGAMENTO EXEMPLO
Verdade de facto Contingente e particular A posteriori; depende da experiência Sintético: amplia o conhecimento. O pregado não está contido na noção do sujeito Tenho um livro entre as mãos
Verdade de Razão Necessária e Universal A priori; não depende da experiência Analítico: O pregado encontra-se na noção do sujeito Todos os mamíferos são animais
Verdade científica Universal e necessária A priori; não depende da experiência, mas unicamente se aplica à experiência Sintético a priori: amplia o conhecimento. Só aplicável aos fenómenos Os corpos atraem-se em razão directa de suas massas e em razão inversa ao quadrado de suas distâncias

Mas a questão de tais julgamentos resulta menos relevante que o problema que propõe a respeito dos limites do conhecimento.

Os julgamentos sintéticos a priori, isto é a ciência, unicamente são possíveis em sua referência ao fenoménico, isto é, ao campo da experiência possível. A realidade como noúmeno só pode ser pensada, não conhecida.

A evidência é um produto da consciência com respeito a sua percepción ou ideia ou conceito[62] e desligada do real:[63]

Tal é o problema essencial para o estatuto do conhecimento científico.

A Idade contemporânea: O positivismo científico e a fenomenología

Como reacção ante os excessos especulativos dos diversos idealismos que surgiram a partir da filosofia kantiana, produto da confiança na capacidade "activa" ou criadora do pensamento dialéctico da Razão,[64] no século XIX deu lugar a um genérico empirismo científico caracterizado pela rejeição de qualquer tipo de especulação metafísica à que consideraram como o principal inimigo da ciência e da filosofia. Sem referência alguma às ideias innatas ou ao conteúdo empírico do asociacionismo característico dos pensadores anteriores, este empirismo supera claramente o escepticismo do empirismo clássico, aceitando a ciência como um facto que está aí na base mesma da própria experiência. Uma ciência que em sua união com a técnica constitui já uma unidade científico-técnica.

Este é o rasgo essencial que caracteriza a muito diversos autores e escolas unidas baixo o conceito do positivismo, de inspiração claramente empirista

O positivismo

Artigo principal: Positivismo
Artigo principal: Lógica empírica

Desde um positivismo extremo[65] até um positivismo quase idealista, no século XIX e começos do XX oferece um riquísimo panorama de autores e escolas todas baixo denominação positivista e de inspiração empirista fortemente unidas à ideia de progresso no conhecimento científico-técnico. O rasgo comum que caracteriza a todos eles é a rejeição à Metafísica como pseudociencia produto da especulação da razão e sem justificativa alguma.

Este Positivismo genérico toma só em consideração o conhecimento científico. Este é produto lógico da aplicação rigorosa de um método científico e da afirmação de teorias que possam justificar no experimento.

Surge na França, sendo seu fundador quem criou a denominação de positivismo, Auguste Comte e tomada novas formas da mão do britânico John Stuart Mill e estende-se e desenvolve pelo resto da Europa até o primeiro terço do século XX.

Todas as actividades filosóficas e científicas devem se efectuar unicamente no marco da análise dos factos reais verificables pela experiência.

Caracteriza-se pela defesa de um método sendo o exemplo ideal a ciência física que triunfa claramente no domínio da natureza e nas aplicações técnicas que dela se derivam. A vantagem fundamental deste método é seu formalización e a possibilidade de expressar suas leis em linguagem matemático, que faz possível a construção de modelos teóricos a partir do rigor do cálculo. A união do método científico como tal e a técnica a cada vez são mais estreitas e pouco a pouco se vão constituir em um todo científico-técnico.

O objectivo da ciência é explicar, entendendo por tal o poder englobar os fenómenos em um marco teórico de leis gerais.

O ideal de uma Ciência Unificada será o último postulado do chamado neopositivismo cujo falhanço abre as portas aos novos modos de filosofia actual.

A crítica à Metafísica, como busca do que está para além da Ciência, é considerada a partir do que se chamou as «armadilhas da linguagem», o que supôs um interesse no estudo da linguagem tanta em sua dimensão formal, empirismo lógico como assim que linguagem natural, estudando os «jogos da linguagem», que tem dado lugar a toda uma corrente de empirismo concebido como filosofia analítica.

Evidentemente a unidade de método e sua aplicação aos diferentes objectos de investigação, bem como a rigidez em que se considerem os princípios empiristas dão lugar a diversidade de "empirismos" e positivismos.[66]

As vinculações entre o pragmatismo e o empirismo têm sido sempre complexas, ambivalentes e estreitas. Efectivamente, conquanto pode dizer-se que o pragmatismo clássico constitui uma filosofia de raigambre empirista, não é menos verdadeiro que todos os autores pragmatistas desenvolveram uma crítica inovadora do velho empirismo britânico. Já seja que se trate do "realismo crítico do sentido" de Peirce,1 do empirismo radical de James ou do instrumentalismo de Dewey, em todos estes casos se evidência a recepção crítica que do empirismo efectuaram os clássicos do pragmatismo. Em nossos dias, com o giro linguístico de por médio, a situação tem mudado sensivelmente. Depois dos ataques de Quine aos dois dogmas do empirismo -a distinção analítico-sintético e o reduccionismo- somados à crítica de Davidson ao dualismo esquema-contido (o suposto terceiro dogma), pouco parece ter ficado de uma filosofia que possa se chamar de "empirista". Em termos de história da filosofia, a novidade com a que nos encontramos aqui é a de um pragmatismo profundamente divorciado do empirismo ou, no caso de Rorty, um pragmatismo claramente anti-empirista. Pois bem, situando no seio do pragmatismo contemporâneo, quisesse abordar as vinculações entre estas duas correntes filosóficas -o empirismo e o pragmatismo- a partir de um problema que tem resultado central na epistemología contemporânea, a saber, o de se a experiência constitui, em algum sentido, uma instância de legitimación de nossas crenças. Na primeira secção deste trabalho discuto a tese rortyana segundo a qual a experiência unicamente causa crenças, mas não as justifica (I). Na segunda secção, em mudança, apresento as linhas gerais de uma concepção alternativa que, evitando uma recaída no chamado "mito do dado", pretende devolver à noção de experiência" seu significado epistemológico (II).
Daniel Kalpokas. Pragmatismo, empirismo e representações. Uma proposta a respeito do papel epistémico da experiência. (UBA-UNC-CONICET)- Anal. fios. v.28 n.2 Cidade Autónoma de Buenos Aires nov. 2008

A fenomenología

Artigo principal: Fenomenología

Mais unida à herança kantiana mas considerando o conhecimento com sentido realista situa-se a fenomenología que pretende penetrar na esencia do fenomenológico para encontrar o fundamento da realidade que o sustenta.

A fenomenología costuma unir-se a Franz Brentano como seu fundador com o lema de volta às coisas". Desde a psicologia considera que a consciência tem um sentido intencional o que supõe um enfoque completamente novo em frente ao mero asociacionismo psicológico do século anterior, que ele recusa, e oferece um enfoque para um realismo de nova fundamentación recuperando a importância da linguagem na manifestação do conhecimento.

Husserl desenvolve esta ideia de intencionalidad da consciência, assim que que a consciência não é nunca pura, senão que se é consciência é consciência de algo, isto é precisa de um objecto para se constituir como tal. A consciência não é mera consciência de "eu",[67] senão uma consciência de estar-em-o-mundo aberta intencionalmente à realidade. Husserl pretendeu encontrar uma "evidência intuitiva," ou intuición de esencia através do fenomenológico[68] que vem a ser uma espécie de intuición trascendental, em sentido kantiano, que restaura, de alguma forma, a intuición clássica da objetividad do conhecimento.

Cassirer, por sua vez, desde a superação do Kantismo, reinterpreta a necessidade da dimensão trascendental dos conceitos mediante o novo conceito de função. Estuda assim mesmo a dimensão humana como "animal simbólico" e de linguagens que se formalizam em três sistemas simbólicos, a cada um segundo uma função: O sistema dos mitos, como função expresiva; o sistema da linguagem comum que responde a uma função intuitiva; e o sistema das ciências que responde a uma função representativa e significativa. O conhecimento do mundo interpreta-se assim em uma dimensão cultural e social.

Heidegger considera que a perspectiva desde a que a ciência considera as coisas não é suficiente e limita ou oculta o conhecimento da entidade como realidade, ficando só em seu aspecto de mero objecto.[69] A ciência trata de objetividades mas a filosofia vai para além em sua acção clarificadora que abre a consciência ao horizonte do sentido e ao entendimento intuitiva da plenitude de significado. A física não pode chegar à pergunta pela coisa.

É a ciência o padrão de medida para o saber, ou há um saber no qual se determina o fundamento e o limite da ciência e com isso sua própria eficácia?
Heidegger. Die Frage nach dem Ding, Tubinga, Max Niemeyer (3ª edição), p.8
… as plantas do botánico não são as flores do lindero, a “origem” que geograficamente se fixa para um rio não é o “manancial cristalino”
Heidegger. Ser e Tempo.

O que nos leva a uma distinção entre entendimento intuitiva e entendimento teórico, mostrando que quando queremos compreender a realidade plena de significado partimos necessariamente do que é por si mesmo natural e anterior ao próprio significado.

Curiosamente Heidegger coincide nesta proposta com os filósofos analíticos, herdeiros do positivismo, que partem de supostos completamente diferentes como Austin ou Davidson e Rorty e entra de cheio na consideração actual do problema da evidência e sua relação com a linguagem.

O pensamento actual

Artigo principal: Evidência (filosofia)

O conhecimento e a mesma linguagem no que se expressa são interpretativos. É necessária a hermenéutica. Novos modos de conceber a evidência e a certeza com no progresso e abertura de novas perspectivas abriram-se no desenvolvimento da própria ciência e da reflexão filosófica.

Artigo principal: Posmodernidad

Os importantes avanços da ciência no referente aos mecanismos da Evolução com especial referência à Genética, a Biologia em general e em especial a Biologia Molecular, Etología, Neurología, Psicologia, bem como dos métodos de tratamento de dados na configuração modelos teóricos, abre caminhos insospechados a respeito das dimensões do cognitivo.

O cognitivo, engloba não só o conhecimento conceptual senão a actividade geral do homem em sua relação ao médio, concebido como sistema através da linguagem e da cultura em cujo âmbito se produz o facto do conhecimento entendido como função operativa.

O conceito para valer , então, adquire uma variedade de matizes não só epistemológicos, senão sociais e culturais que parece converter o conhecimento em um caleidoscopio de cores onde os meios de comunicação social e os poderes sociais são também factores importantes no que Lyotard lume performatividad da verdade.

Nem empirismo nem racionalismo. Nem a priori nem a posteriori. O cognitivo engloba todas as dimensões do ser humano; conquanto no referente ao que hoje é o fenómeno científico-técnico, os métodos e a validade outorgada a uma teoria pela comunidade científica é sem dúvida alguma a melhor garantia de uma verdade objectiva, em frente à validade que outorguem ou possam outorgar outras instâncias culturais e sociais.[70]

Em definitiva, o que se perdeu é uma concepção estreita da ciência unida directamente a uma verdade universal e necessária bem como a necessidade de se justificar nos estreitos limites nos que o mero empirismo dos experimentos pretendia o encerrar.

Veja-se também

Referências

  1. Sini, Carlo. "Empirismo" em Enciclopedia Garzanti della Filosofia (ed.) Gianni Vattimo et a o. 2004
  2. David, J. Kalupahana (Janeiro de 1969). "A Budhist Tract of Empiricism" (Um caminho budista no empirismo), "Philosophy East and West" 19 (1), p. 65-67
  3. Aristóteles chama-o "poiesis", que viria a ser equivalente ao que chamaríamos agora, produção
  4. Um sentido muito diferente do sentido actual da ciência, hoje considerada como um todo "científico-técnico"
  5. Não no sentido actual, senão no sentido da acção em ordem a um fim último do indivíduo quanto a sua natureza racional
  6. A experiência sempre se produz em relação com casos concretos e em relação a um indivíduo, pelo que os gregos a consideraram subjetiva e referida a alguma finalidade concreta; por isso não reúne as condições para poder ser objecto de conhecimento científico
  7. O nome de Metafísica nasce da mera classificação dos escritos de Aristóteles por Andrónico de Rodas; mas tem ficado consagrado pelo sentido que tem tomado ao longo da história da filosofia: o pensamento que vai para além da Física, entendida esta como conhecimento do material, o móvel, o sensível ou, por redução, a Natureza; em definitiva a Metafísica trata do que está para além dos dados sensíveis da experiência, isto é dos fundamentos do ser, Aristóteles o chamou por isso "Filosofia Primeira" cujo objecto é "o ente assim que tal" ou o estudo das "causas últimas" ou "primeiros princípios", isto é da realidade enquanto realidade. Posteriormente tem passado a significar por generalização a ideia do trascendente e de maneira mais concreta qualquer forma de especulação filosófica
  8. Inventos são esses de escravos, os mais viles. Mais acima tem a filosofia a morada; e é mestre, não das mãos, senão das almas. Queres saber o que ela descobriu, o que ela produziu?. É autora da paz e lume à linhagem humana à concordia. Não é artesana, volto a dizer, de ferramentas necessárias a nossos usos ordinários. Por que lhe atribuis tão mingua visão? Contempla nela à autora da vida… Ela ensina que coisas são males e quais só o aparenta…. Ela declara quem são os deuses e qual é sua natureza….
    Séneca. Epístolas a Lucilio
    Séneca ataca a postura de Posidonio e Panecio que alabam a filosofia operativa:
    é evidente que o proveito e utilidade das coisas inanimadas não poderia obter sem os braços e o trabalho dos homens.
    Panecio, "Sobre o dever"
  9. Encyclopedia Britannica, "Empiricism"(Empirismo), vol. 4, p. 480.
  10. Plato actually argued in Protagoras that the Sophists were tire um-empirical in their orientation, regarding them as preferring semantics and appearances over unbiased inquiry and substance in their arguments
  11. Curiosamente o mesmo que o positivismo acabará interessando pelo uso» da linguagem natural nos múltiplos «jogos de linguagem» possíveis na chamada filosofia analítica
  12. Uma descrição detalhada dos modos de conhecimento tal como os concebe Aristóteles em: http://acacia.pntic.mec.é/falvar4/aristoteles.htm
  13. Silogismo é um argumento no qual, estabelecidas certas coisas, resulta necessariamente delas, por ser o que são, outra coisa diferente
    Aristóteles An. Pr. I 24 b 18-23
  14. Macmillan Encyclopedia of Philosophy (1969), “Development of Aristotle’s thought” (Desenvolvimento do pensamento aristotélico), vol. 1, p 153ff.)
  15. Considerando-te [Eratóstenes] segundo tenho dito, como hábil, de grande altura filosófica e que não retrocedes ante as questões matemáticas, tenho pensado expor por escrito e ilustrar neste mesmo livro a natureza particular de um método que talvez permitir-te-á chegar pela mecânica ao fim de certas proposições matemáticas. Agora bem, estou persuadido de que este método não é menos útil para a demonstração que para a proposição. Porque algumas delas, que em princípio me são evidentes pela mecânica, depois têm sido demonstradas pela geometria, já que a demonstração por este método é exclusivo de uma demonstração. A busca da demonstração precedida de um verdadeiro conhecimento das questões por este método é, efectivamente mais fácil, que sua busca sem este conhecimento. Assim, no concerniente às proposições relativas ao cone e à pirâmide, nas que Eudoxo foi o primeiro em achar a demonstração, especialmente já que o cone é a terceira parte do cilindro e a pirâmide a terceira parte do prisma tendo a mesma base e altura, se lhe tem de atribuir um fundamento nada desdeñable a Demócrito, que foi o primeiro em afirmar as coisas, sem demonstração, pelas figuras que tenho mentado. Como seja que a descoberta das proposições que exporemos agora me veio do mesmo modo que os precedentes, tenho querido divulgar este método por escrito. Não só por não parecer uma pessoa que tenha proferido palavras vãs, tanto mais que já tenho falado anteriormente, senão porque estou seguro de que isso reportará certos benefícios ao objecto de nossos estudos. Efectivamente, estou convencido de que este método, uma vez tenha sido exposto, junto com outras proposições que ainda não me propus, acabará por contar com a adesão dos que vivem e dos que ainda têm de nascer. Em consequência, porei por escrito aquilo que em primeiro lugar me foi revelado pela mecânica, especialmente que todo o segmento de uma secção de cone retângulo tanto faz a quatro terços do triângulo que tenha a mesma base e igual altura, e depois a cada um dos outros resultados obtidos com o mesmo método; ao final do livro exporei as demonstrações geométricas dos teoremas cujos enunciados comuniquei-te
    Arquímedes, "Canguilhem". Citado em História da Ciência - Tomo I", editorial Planeta. Barcelona 1977. Pág. 153.
    . Arquímedes representa neste texto uma atitude muito similar ao que hoje em dia responde o conceito e elaboração da ciência
  16. Para a oposição entre estas duas posturas na Atenas clássica nenhuma leitura melhor que o diálogo «Teetetos» de Platón.
  17. Bill Fisher e Jim Vão Patten. A Quick Look at the Medieval View of Philosophy and Healthcare (Um pequeno vistazo no ponto de vista medieval da filosofia e higiene). Universidade de Montana e Universidade de Arkansas.
  18. Sua distinção de “ser de esencia” e “ser de existência” servirá a Sto. Tomás na concepção de deus como IPSUM ESSE SUBSISTENS a partir do mundo da experiência sensível
  19. Primeiro grande comentarista de Aristóteles na Idade Média. Sua chamada teoria da “dupla verdade” vem a supor uma libertação do pensamento filosófico e cientista, da rigidez do dogma da fé
  20. Irving L. Horowitz (Novembro de 1960). "Averroism and the Politics of Philosophy" (Averroismo e as políticas da filosofia), The Journal of Politics 22 (4), p. 698-727.
  21. Osborne, Richard. Filosofia I pára principiantes. Longseller Buenos Aires, Argentina 2005. ISBN 987-9065-30-1. pg.101
  22. Por exemplo a teoria aristotélica do movimento introduz a qualidade da «gravidade» que faz que alguns corpos sejam «graves», por exemplo uma pedra, cujo lugar natural é «abaixo» e por isso «caem»; e a «levedad» dos leves, a fumaça, que por isso «ascendem», porque seu lugar natural é «acima»
  23. Origem do conceito de função matemática
  24. A explicação aristotélica por um princípio causal não podia explicar como uma vez cessada a causa, por exemplo a seta saída do arco ou a explosão da pólvora, o proyectil seguia durante um tempo em um movimento de queda gradual e não estritamente vertical
  25. Fundamental é a obra de Luca Pacioli em 1494, criador da contabilidade por «partida dupla» essencial para os negócios e a criação de sociedades por acções» elemento essencial para o nascimento do grande capitalismo a nível europeu
  26. Já proposto por Aristarco de Samos na antigüedad.
  27. Fritjof Capra considera que Leonardo de Vinci é o verdadeiro génio iniciador do método e a ciência moderna. Se tradicionalmente esta honra atribui-se a Galileo tem sido pelo desconocimiento e má classificação dos manuscritos de Leonardo até agora descuidados e perdidos em muitos casos. Por outro lado Leonardo não publicou seus escritos científicos e tem sido necessária uma recente e intenso labor de estudo paleográfico para publicar correctamente seus escritos. Por outro lado a valoração do "hipotético-deductivo", hoje considera-se com um valor para valer diferente a como se fez no século passado. Interessante estudo em: Capra, F. A ciência de Leonardo. Anagrama. Barcelona, 2008
  28. História da Ciência, T.2, Ed. Planeta 1977, págs. 9-14
  29. Que posteriormente tem tomado o nome de "hipotético-deductivo" e durante algum tempo tem sido considerado por muitos o "protótipo" de método de investigação científica. Em Lógica empírica faz-se uma breve descrição do método na aplicação que Galileo faz para o estudo do movimento de queda dos graves
  30. Nos estoicos encontramos um antecedente deste conceito, o que eles chamaram noções comuns como princípios lógicos que faziam possível o pensar e razonar
  31. As ideias neste sentido moderno não têm nada que ver com o conceito platónico-aristotélico de ideias. Agora são meramente contidos de consciência, uma percepción subjetiva do indivíduo em sua consciência
  32. Desde que estas conexões lógicas estabeleçam-se adequadamente, isto é, seguindo o método analítico passo a passo sem ignorar nenhum; isto não sempre ocorre assim porque a mente humana actua frequentemente sem seguir as pautas racionais; deixando-se levar da precipitação e falta de análise bem como das paixões
  33. Deus é a consequência afirmada com certeza de um Ser perfeito a partir da ideia innata de perfección que surge da própria ídea de imperfección que se dá na consciência pelo facto mesmo da dúvida, pois a dúvida aparece em esencia como imperfecta com respeito à perfección da certeza. Deus por tanto tem que existir pois, de não existir, não seria perfeito; Descartes para isso utiliza uma nova versão do argumento ontológico de San Anselmo
  34. Quem responde a Locke com seu livro: "Novo ensaio sobre o entendimento humano" e abre perspectivas novas para a reflexão que fará mais tarde Kant: Nada se acha no intelecto que não estivesse dantes nos sentidos «salvo o próprio intelecto», apontando que o entendimento não é meramente pasivo na recepção dos dados da experiência pois, para Leibniz, a substância, assim que "mónada", é antes de mais nada "actividade" e por isso «sujeito de todos seus pregados». As mónadas não admitem causalidad externa. Dita causalidad é sozinho aparente para a consciência humana por seu conhecimento limitado. Para Deus todo está regido por uma razão suficiente, Ele mesmo e sua saber infintito como providente, de maneira que em realidade metafísica todas as verdades do mundo são verdades de razão e por tanto analíticas
  35. Osborne, Richard. Filosofia I pára principiantes. Longseller Buenos Aires, Argentina 2005. ISBN 987-9065-30-1. pg.158
  36. Pois enquanto a substância como sujeito tem seu referente a um conteúdo de realidade com independência de que seja conhecido ou não conhecido por nenhuma mente ou entendimento, agora ao ser entendido como uma 'ideia subjetiva da consciência ou do entendimento faz problemática a conexão com o mundo para além da consciência; bem mais ainda quando a mesma ideia de causa, que poderia se considerar como justificativa de uma realidade mundana das ideias subjetivas, ela mesma é uma ideia subjetiva cuja relação com o mundo é assim mesmo problemática.
  37. Osborne, Richard. Filosofia I pára principiantes. Longseller Buenos Aires, Argentina 2005. ISBN 987-9065-30-1. pg.161. "George Berkeley:Esse est percipi"
  38. Macmillan Encyclopedia of Philosophy (Enciclopedia Macmillan de filosofia) (1969), "George Berkeley", vol. 1, pg. 297.
  39. Macmillan Encyclopedia of Philosophy (Enciclopedia Macmillan de filosofia) (1969), "Empiricism" (Empirismo), vol. 2, pg. 503.
  40. Uma ideia assim que conteúdo mental é, para Hume, nada mais que a lembrança ou a imagem que fica de uma impressão. «Com o termo impressão refiro-me a nossas mais vívidas impressões, quando ouvimos, ou vemos, ou sentimos, ou amamos, ou odiamos, ou desejamos. E as impressões distinguem-se das ideias, que são impressões menos vívidas das que somos conscientes quando reflexionamos sobre alguma das sensações anteriormente mencionadas»
  41. São aquelas verdades contingentes, isto é, que podem ser ou não ser. Incluem o que é em realidade e o possível, mas sua verdade se justifica unicamente mediante a percepción de impressões na experiência
  42. São verdades necessárias porque em ditas verdades somente estabelece-se uma relação formal entre ditas ideias no pensamento; sua validade é meramente lógica. As proposições que manifestam ditas verdades são tais que o pregado está contido na noção do sujeito: por isso são analíticas e sua verdade se justifica mediante a análise. São o que os racionalistas chamam verdades de razão; seu conteúdo é tautológico.
  43. Se, persuadidos destes princípios, fazemos uma revisão das bibliotecas, que estragos não faremos! Se tomamos nas mãos um volume de teología, por exemplo, ou de metafísica escolástica, perguntemos: Contém algum razonamiento sobre a quantidade ou os números? Não. Contém algum raciocinio experimental sobre questões de facto ou de existência? Não. Joguem ao fogo; pois não contém mais que sofistería e embustes
    Hume, D. "An Enquiry Concerning Human Understanding"
    (Uma investigação concerniente ao entendimento humano), in Enquiries Concerning the Human Understanding and Concerning the Principles of Morals (na investigação concernientes o entendimento humano e os princípios morais), 2nd edition, L.A. Selby-Bigge (ed.), Oxford University Press, Oxford, UK, 1902. (Orig. 1748).
  44. Como tal o assassinato não é algo sensível perceptible pelos sentidos. Não tem cor, nem som.. etc. Mas sim tem uma referência a impressões de experiência, como verdade de facto que remete à existência de um hechoh
  45. Maine de Biran, Condillac, considerando a ideia como uma forma de representação do real»
  46. Isto é realidade independente do sujeito que conhece
  47. mediante um processo de abstracção do individual e material o entendimento intuye a conexão do conceito com os objectos da experiência
  48. Não obstante alguns clássicos admitiam já que algumas qualidades que atribuímos aos objectos podiam ser meramente subjetivas. San Agustín, por exemplo, considerava o tempo como algo subjetivo da consciência, e autores clássicos já punham em questão a objetividad das cores
  49. Veja-se forma (filosofia)
  50. Aristóteles por isso considerava o silogismo como argumento categórico, por ser uma argumentación que vai o necessário ao necessário por basear no ser das coisas»
  51. Veja-se descrição detalhada do processo deste estudo e método de Galileo em lógica empírica
  52. Note-se que os conceitos de velocidade, aceleração, trajectória da luz, pressão, órbita planetaria, etc. são conceitos que não são obtidos a partir dos dados sensíveis, já que não os têm; senão conceitos que nascem do próprio entendimento em sua reflexão como "explicação hipotética" da experiência, que têm de ser confirmados" mediante os experimentos. Assim o consideraram os racionalistas naquele tempo
  53. Em associação psicológica, segundo os empiristas, ou em associação de relação lógica, segundo os racionalistas, mas em ambos casos não deixa de ser relação de ideias cuja conexão com a realidade não é directa como o era no sentido tradicional da ideia intuida pelo entendimento a partir da experiência sensível
  54. Veja-se argumento ontológico
  55. Racionalistas: Conhecemos a realidade porque Deus não pode enganar em nossos conhecimentos. Empiristas: Confiamos em que as coisas até agora e segundo nosso hábito ou costume têm sido assim, mas não podemos afirmar com certeza que dito comportamento seja necessário
  56. Os extremos desta concepção dão lugar a vários modos de pensamento: o solipsismo, mais que um pensamento uma especulação pouco adoptable na prática; por outro extremo, pensar que a ordem de conexão das ideias se corresponde com a ordem de conexão da realidade, vem a ser o ocasionalismo, Malebranche e o monismo panteista de Spinoza ; finalmente darão lugar mais tarde aos diversos idealismos
  57. Veja-se Lógica empírica: «Crítica do experimento»
  58. Isto é com conteúdo empírico e por tanto sintéticas
  59. conquanto submetidas a certas condições a priori, como intuiciones puras independentes da experiência, o espaço e o tempo
  60. Segundo certos conceitos puros, categorias, sobre as quais recae a cada classe dos julgamentos possíveis. Deste modo as intuiciones, ordenadas em um espaço e tempo dadas, ficam agrupadas e classificadas de forma universal e necesarioa em uns julgamentos objectivos porque não dependem da experiência do sujeito que conhece. Ao menos pára todo entendimento humano
  61. Veja-se Analogia: Analogias da experiência em Kant.
  62. Enquanto são conteúdos mentais
  63. Entendido como conteúdo extramental
  64. Idealismo subjetivo Fichte; idealismo objectivo Schelling e, sobretudo a filosofia de Hegel , e em sua vertente materialista o marxismo
  65. Já que não podemos ir para além do fenoménico, tomemos o fenoménico como realidade; a realidade fica determinada por aquilo que se pode contar, medir ou pesar, porque não há outro conteúdo de conhecimento possível
  66. Ferrater Mora chega a distinguir até sete empirismos diferentes:
    (1)) O empirismo chamado por antonoma­sia «sensível». Quando se destaca o papel que desempenham as sensações no cone­alicerce se usa o nome «sensacionismo». (2) O empirismo «inteligible». Segundo o mesmo, os chamados «objectos ideais» —nú­meros, proposições, conceitos, etc.— são objecto da experiência, entendendo-se esta em um sentido amplo. Alguns fenomenólogos têm falado neste sentido de um empirismo (ou positivismo) total contra o empirismo (ou positivismo) sensível. (3) O empirismo moderado ou empiris­mo crítico, que admite a origem empírico do conhecimento, isto é, que admite que todo o conhecimento se funda na experien­cia sensível, mas que requer ser exami­nado e controlado por algum esquema ou quadro conceptual. (4) O empirismo radical, expressão de­bida a William James, para quem inclusive as relações são «experimentales». Segundo escreve James em Essays in Radical Empiricism (II, 1), «com o fim de que um empi­rismo seja radical é menester que não admita em suas construções nenhum elemento que não seja directamente experimentado, nem ex­cluya delas nenhum elemento que seja dei­rectamente experimentado». (5) O empirismo «total», que tem defen­dido S. Alexander (Space, Time, and Deity, livro I, cap. 6), ao aderir-se à máxima de Hume segundo a qual há que procurar sempre a base empírica de nossas ideias, mas a corrigindo, se é menester, para combater qualquer possível inadmissível pré­julgamento em favor de certas impressões. Para Alexander «um empirismo cabal aceita sua fórmula [a de Hume], mas como não tem nenhum preconceito em favor das existências separadas ou diferentes que atraem nossa atenção, faz questão de que no curso das inspecções efectuadas pela experiência, nenhum elemento deve ser ignorado do in­ventario». Nem sequer há que fazer como Hume e deter nas condições suas­tantivas (ou sustantivistas) do eu, esquecendo suas condições transitivas, já que isso tem por consequência esquecer «a essencial com­tinuidad da mente». (6) O empirismo chamado «integral», que tem sido defendido por Risieri Frondizi . (7) O empirismo «dialéctico» de que às vezes tem falado o autor da presente obra e que consiste, grosso modo, em usar certos conceitos como conceitos-limites, isto é como não denotativos de nenhuma realidade e ao mesmo tempo em tratar estes conceitos como ao mesmo tempo contrapostos e complementares. (8)O empirismo lógico.
    Ferrater Mora, J. op. cit.
  67. segundo propôs Descartes com seu "penso depois existo"
  68. O que considerou como uma "redução eidética"
  69. “…o homem elevou-se à “eu”-idad do ego cogito. Nesta posição todas as entidades devêm objectos. As entidades, como objectivas, se absorvem na inmanencia da subjetividad. O horizonte já não alumia desde fora de si mesmo.
    Heidegger.Holzwege, nota 63, p. 241
  70. Crenças religiosas, preconceitos sociais, ideologias, astrología, magia... etc.

Bibliografía

Enlaces externos

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