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Escalada

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Para outros usos deste termo, veja-se Escalada (desambiguación).
Escaladores em Valkyrie , Reino Unido.
Escaladores na Pedriza, Espanha.

Em montañismo a escalada é uma actividade que consiste em realizar ascensões sobre paredes de forte pendente valendo da força física e mental própria.

Considera-se escalada todo a ascensão que sendo difícil ou impossível de realizar só com as extremidades inferiores (pés e pernas), requer utilizar as extremidades superiores (braços e mãos).

Na escalada há alturas de perigo considerável e com o objectivo de ter segurança utiliza-se equipa de protecção.

Conteúdo

Tipos de escalada

Existem muitas formas de escalada dependendo do médio no que se escale, a equipa que se utilize e outros factores. Quanto ao médio em que se escala temos vários tipos:

E ao ser a escalada uma disciplina sem normas escritas, podem-se diferenciar os tipos de escalada segundo sua filosofia ou ética:

Da cada um dos meios em que se escale depende as técnicas e a equipa a se empregar. É muito diferente a equipa e técnicas na escalada em gelo que na escalada em rocha. Entre a escalada em rocha e a de rocódromo não há muita diferença de técnica básica, pelo que se utiliza muitas vezes como treinamento, no entanto a escalada em rocha exige bem mais recursos físicos, técnicos e de equipa que a de rocódromo.

Escalada livre

Empregam-se unicamente as mãos e os pés como elementos de progressão. Há que mencionar que um elemento recomendável é o capacete. Costumam utilizar-se os denominados pés de gato. Estes são um tipo de calçado que se adapta muito bem aos pés. Costume-a dos pés de gato é o suficientemente grossa para que não seja perfurada por nenhum objecto, e está fabricada em borracha cocida, o que proporciona adherencia, sempre que a rocha não esteja húmida. É por esta razão pelo que não convém a escalada em certos lugares pela manhã, devido ao orvalho que humedece a parede. Nesta modalidade de escalada livre está proibido" fazer descansos pendurando-se dos seguros entre reunião e reunião e se o escalador cai-se tem que repetir o longo desde o princípio.

Escalada alpina. É a escalada levada a cabo em alta montanha. Requer ser um escalador experiente devido às complicações que poderiam se dar, como a capacidade física, falta de seguros fixos, rocha não fiável, condições meteorológicas, descenso complicado, etc.

Escalada em gelo realiza-se em zonas nas quais se formam cascatas de gelo. É uma das mais perigosas. Progride-se com ferramentas específicas: piolets e crampones, e para assegurar-se usam-se os parafusos de gelo.

Escalada mista (rocha e gelo).

Dentro desta categoria "escalada livre", incluir-se-iam a escalada desportiva e a escalada clássica, desde que nesta última não exista nenhum trecho da via ascendido com técnicas de escalada artificial.

Escalada clássica

A escalada clássica persegue fazer da maneira tradicional alpina, isto é, subir uma via pela que o primeiro da cordada vai instalando os seguros, já seja em ancoragens naturais (árvores, pontes de rocha, pontas de rocha) ou em ancoragens artificiais recuperables (pregos, nodos empotrados, fisureros, friends,...). As fixações para escalada clássica instalam-se geralmente em grietas (maior singeleza), como os friends, fisureros, pitones... ainda que ocasionalmente colocam-se seguros que oferecem melhores garantias, fundamentalmente por permitir uma tracção multidireccional: tacos de expansão autoperforantes -conhecidos popularmente como SPITS-. Conquanto requerem um tempo de instalação muito maior (ao ser necessário perfurar manualmente um buraco na rocha compacta de uns 3 cm de profundidade, usando a própria cabeça dentada do taco como broca e o martelo de escalador como percutor), oferecem uma resistência maior e, em combinação com um conjunto de conectores (chapa ou anel de ancoragem + mosquetón) conformam uma ancoragem artificial com maior eficácia para deter uma queda que as fixações para fisuras. O taco em si não é recuperable, a diferença das fixações para fisuras, ainda que sim o é a chapa ou anel que leva para se unir ao mosquetón. Retirada esta (chapa ou anel), em parede só fica o orifício da rosca fêmea do taco. Geralmente evita-se instalar ancoragens de expansão (como Spits e Parabolts) na escalada clássica, ainda que com frequência se vêem em bilhetes delicados ou dificilmente protegibles de forma natural.

Escalada desportiva

Estilo que utiliza ancoragens fixos à parede previamente (geralmente em rocha compacta e afastados de arestas ou fisuras, mediante sistemas mecânicos -de expansão- ou químicos -resinas epoxi-) colocados estrátégicamente na via, servem para assegurar aos escaladores de modo mais polivalente que um friend ou um fisurero o que permite se centrar bem mais na técnica ou em alguns passos difíceis. A escalada desportiva caracteriza-se por reduzir notavelmente o risco do escalador. Esta modalidade geralmente procura zonas relativamente acessíveis e com paredes que não necessariamente altas, nas que se equipam vias de diferentes graus de dificuldade. Pelo geral, estas vias, ao equipar-se, limpam-se "" de maleza e de pedras soltas ou susceptíveis de romper-se, para ganhar na segurança do escalador desportivo. A escalada desta modalidade costuma procurar a dificuldade por si mesma, e a beleza de movimentos.

O tipo de escalada desportivo é idêntico ao desenvolvido em rocódromos, salvo que estes últimos utilizam presas para conformar agarre-los que a rocha provee de modo natural. As presas estão feitas de resinas sintéticas, com boa adherencia e imitando formas naturais segundo a dificuldade que se queira conseguir, ainda que têm o inconveniente de se gastar paulatinamente, se voltando lisas. Este problema acentua-se se não se utiliza um calçado apropriado. Costuma-se alegar a motivos éticos para proibir ou censurar a alteração do médio natural com o fim de facilitar a ascensión, de maneira que, em caso de não ter suficiente nível para escalar determinada rocha, se recomenda procurar outra de menor nível em lugar da alterar artificialmente.

Grandes paredes (BigWall)

A escalada de grandes paredes ou big wall costuma durar em vários dias pelo que se têm que subir redes para dormir, víveres, etc. Para este tipo de escaladas usam-se técnicas de escalada artificial, ainda que ultimamente estão a realizar-se grandes e longas escaladas integralmente em livre.

Escalada em rocódromo.

Escalada artificial

Na escalada artificial empregam-se todo o tipo de material como fisureros e pitones para ajudar a subir e não só como protecção; isto é, o material pode usar-se também para progredir. No caso de ausência de presas naturais, colocam-se fixações (do tipo adequado ao ónus e condições da rocha) às que se sujeitam estribos escalonados que servirão ao escalador para ir ascendendo. É um tipo de escalada lento e laborioso, onde ademais é necessário usar muito material. Constitui a única forma de atingir determinados lugares, sendo muito usado -por exemplo- pelos espeleólogos para explorar janelas penduradas em paredes e tetos das grutas.

Só integral

Só integral (também se lhe conhece por escalada natural). A famosa escalada sem sensata nem seguros nem nenhum tipo de protecção que possa salvar ao escalador se comete um erro e se cai. Convém precisar que na quase totalidade de casos nos que o escalador ou escaladora realiza um sozinho integral, o faz em vias bem conhecidas por ele ou ela. Ademais são escolhidas habitualmente para este tipo de ascensiones rotas muito por embaixo do nível de dificuldade do escalador em questão, apesar do espectacular que podem parecer ao profano. Desta maneira minimiza-se (no possível) o risco de queda, supeditado mais a um rompimento da rocha ou um resbalón inesperado que à dificuldade técnica que a via possa propor. Logicamente segue sendo uma prática desaconsejada pela possibilidade de acabar qualquer imprevisto em um desvincule fatal.

Escalada em solitário

Denomina-se escalada em solitário a escalar autoasegurado com uma sensata mas sem colega. Existem diferentes técnicas para autoasegurarse, desde a clássica dos nodos (na que o escalador vai se atando a nodos à medida que progride), até os modernos aparelhos de autoseguro (Silent Partner, Soloist, Soloaid). A técnica consiste em fixar um cabo da sensata na base da via (já seja a uma ancoragem natural, como uma árvore ou ponte de rocha, já seja a uma ancoragem de expansão se a via está equipada), e subir instalando seguros pelos que passamos a sensata, estando esta unida ao escalador mediante os nodos ou aparelhos comentados. Esta modalidade requer do duplo de tempo para escalar, já que é necessário descer em rapel para recuperar um mesmo a sensata (fixada abaixo) e os seguros, e voltar a subir o trecho para começar o seguinte.

Búlder

Búlder, do inglês Boulder: escalada em bloco. É uma forma de sozinho integral na que o escalador nunca sobe suficientemente longe como pára que uma queda possa lhe supor problemas graves. Isto é, sobe-se um bloco de uns poucos metros com a queda assegurada (pelo geral) com uma colchoneta (crash pad) que evite golpes ou um colega atento à queda. O búlder pode-se fazer sobre rocha ou sobre uma superfície artificial de madeira tipo playwood, à qual se lhe abrem ocos com um barreno, para sujeitar as presas se usa um tipo de rosca chamada peanut, a qual ajuda a que a presa não se mova aos lados. Os bulders também podem ser de materiais plásticos e de rocha pura, o principal é que não sejam muito altos para cair suavemente na colchoneta. Uma das últimas tendências do búlder é o psicobloc que se realiza em paredes sobre a água (sobre um embalse, mar, etc.), aproveitando a água para amortecer a queda.

Psicobloc

A diferença do anterior, o PsicoBoulder, pratica-se em alcantilados que tenham paredes com o desplome suficiente como para não se golpear em uma das habituais quedas com algum saliente de rocha. Aqui a protecção pasiva é a água. Pese a parecer uma prática segura, a altura de alguns alcantilados produz que não seja raro ver bonecas, tornozelos e costillas rompidas pelo golpe contra a água. Isto sem considerar a quantidade de medusas que se podem ver em alguns dos lugares mais habituais de psicobloc, como Mallorca. Um bom vídeo sobre este desporto é King Lines, protagonizada por Chris Sharma.

Técnica de progressão

A técnica de progressão, que é comum a todos os tipos de escalada, é o seguinte:

O primeiro da cordada sobe fazendo uso de agarres ou presas naturais, e vai colocando o seguros -caso da escalada clássica- ou ancorando-se a eles -caso da escalada desportiva-. Segundo coloca ou ancora-se à cada fixação preferencialmente ao nível de seu cintura (quanto mais alto coloque-se maior será a possível queda) e passa a sensata com cujo chicote vai atado por um dos mosquetones enlaçados por uma fita que unirá a sensata à fixação (o conjunto de dois mosquetones unidos por uma fita é comummente conhecido por fita exprés).

Enquanto o segundo da cordada vai assegurando a sensata do primeiro desde o solo ou desde uma reunião. Para isso fará uso de um dispositivo de travão, que evitará que a sensata corra em caso de queda. Em caso de uma queda, o último ponto de ancoragem deterá a mesma. A energia da queda absorvem-na os elementos da corrente de segurança, tais como a elasticidade da sensata, as fitas que a liguem às fixações, o dispositivo de travão (se é dinâmico), os arneses dos escaladores, e em último caso, o corpo destes.

O segundo da cordada sobe assegurado pelo primeiro desde acima, usando a mesma sensata, salvo que está exposto a uma queda de uma altura muito menor. No método de escalada clássica, e se o segundo é o último que sobe, deve retirar as fixações que sejam recuperables (friends, pregos, fisureros, fitas em ancoragens naturais...) e os elementos possíveis nas fixações artificiais (como as chapas ou anéis de conexão nos tacos autoperforantes).

Uma vez atingido o final do a escalada podem-se usar várias técnicas para o descenso. Em escalada de vários longos, e se não se pode realizar o descenso a pé por uma rota alternativa, dever-se-á usar a técnica de rapel . Se a via é de um sozinho longo poder-se-á descolgar o escalador desde a reunião, podendo deixar a sensata colocada para que o segundo escale em topo-rope (com a sensata por acima).

Equipa

A equipa dependerá do tipo de escalada, já que se é escalada desportiva precisa-se do emprego de arnés, sapatos para escalada (pé de gato), mosquetones, fitas express ou anéis, sistemas de freado ou seguro (ATC, grigri, reverso, etc.), sensata dinâmica, punho elevador, e algo que muitos escaladores têm esquecido que seu uso é muito importante: capacete. Para escalada artificial e/ou escalada interior ou clássica requer-se além de diversos materiais (fisureros -também chamados empotradores, stoppers ou nozes-, friends, etc.) de acordo à rota que se deseja subir. A maioria dos escaladores usa magnésio contra o suor, ainda que em determinados lugares protegidos (como parques naturais, etc) não se usa, porque está expressamente proibido pelas autoridades como mancha temporariamente a rocha.

Para escalar sempre se utilizam uma série de elementos para a segurança: arnés, fitas express, mosquetones (normais ou de segurança), sensata dinâmica, magnésio, pés de gato, fita longa, grigri,capacete etc. É de soma importância que para a cada tipo de escalada, se leve o material adequado, tendo em conta o tipo de rocha, a graduación do sector onde se vá escalar e o estado das ancoragens existentes, verificar o grau de oxidación ect... Não duvidando em levar sempre um pouco de material a mais, para possíveis emergências.

Em escalada de rocódromo precisaremos o material mínimo: arnés, sensata, pés de gato, fitas express, dispositivo de travão (preferivelmente um automático ou semiautomático, tipo gri-gri, etc). Para a escalada desportiva em vias equipadas com ancoragens fixas precisaremos pouco mais, sendo habitual um cabo para usá-lo de autoseguro nas reuniões e algo que muitos escaladores têm esquecido: capacete. Para escalada artificial e/ou escalada clássica requer-se além de diversos materiais (fisureros, friends, empotradores, unhas, chumbos, etc.) variando muito em função da rota eleita (tipo de rocha, tipo de localizações para ancoragens, ética determinada da zona...).

Podemos classificar a equipa de escalada

Fixações

Podemos diferenciar entre 2 tipos de fixações: as recuperables, empregadas sobretudo em esclada clássica, alpina e BigWall e as não recuperables, empregadas especialmente em desportiva mas também nos outros estilos.

As fixações usadas na técnica desportiva podem ser os tacos autoperforantes comentados no apartado de escalada clássica, mas o uso a cada vez mais asequible de potentes taladros autónomos permite a instalação de fixações mais profundas (ao não ser necessário abrir o buraco a mão) que oferecem mais garantias. É o caso dos parafusos de expansão, conhecidos como parabolts, e dos parafusos químicos.

Nos parabolts, trata-se de um parafuso com rosca de inclusive 15 cm de longitude ao longo do qual se intercala uma ou várias cunhas tronco-cônicas que se expandem contra uma camisa exterior e esta, a sua vez, contra as paredes do buraco (similar a como sucede com um taco de expansão autoperforante). No extremo com rosca do parafuso que aflora da rocha se coloca a chapa ou anel de conexão, sendo possível utilizar o ponto de ancoragem ao instante do ter colocado, motivo pelo qual tem ganhado adeptos nos terrenos de exploração onde é factible levar um perfuro autónomo na equipa, como determinadas campanhas espeleológicas.

Os parafusos químicos aderem-se à rocha mediante um adhesivo, geralmente a base de resinas epoxi: perfura-se o buraco no qual, convenientemente limpo, se introduz a resina (existe variedade de formas de aplicação, como pistola de inyección ou cápsulas pré-dosificadas) e depois o parafuso: basicamente uma vareta com corrugas no corpo -que se agarram à resina- terminada em uma argolla para o mosquetón. O parafuso, também chamado tensor, costuma ser de materiais muito durables, como aço bicromatado ou inoxidável.

Este sistema de instalação precisa de um tempo de fraguado depois de sua colocação dantes de poder ser usado, que varia segundo o ligante usado e as condições climatológicas. Assim mesmo, é o que oferece maior durabilidade e resistência da ancoragem, e pode ser colocado em multidão de rochas, inclusive em rochas macias que não permitiriam o uso de ancoragens de expansão. É considerado hoje em dia o melhor tipo de ancoragem sobre rocha, com o inconveniente da necessidade de um tempo de fraguado prévio à utilização.

Graduación

A dificuldade de uma escalada pode-se graduar utilizando diferentes sistemas métricos. Estes sistemas variam segundo a região (frances, yosemite, inglês,..) ou o tipo de escalada (livre, artificial, em gelo, psicobloc). Em Espanha o sistema mais habitual para a escalada em rocha é a mistura da graduación UIAA e a francesa. Para as vias de menor dificuldade emprega-se o sistema UIAA (números romanos do I ao V com + ou - para afinar mais), para saltar depois à graduación francesa (6,7,8,9 com subindices a, b ou c e um + ou - para ajustar mais ainda).

Referências

  • López Mazzotti, Daniel. Guia de montañismo para rescatistas. 157pp. CORDELIMA. Lima 1988. Consultado o 15 de outubro de 2009 .

Veja-se também

Enlaces externos

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