O esencialismo é um termo bastante vadio que engloba as doutrinas que se ocupam do estudo da esencia — o que faz que um ser seja o que é — por oposição às contingencias — o que é acidental, cuja ausência não questiona a natureza deste ser.
Para os biólogos, o esencialismo é uma concepção segundo a qual diversas espécies animais e vegetales diferem entre si por esencia, o que implica o reconhecimento de descontinuidades na natureza. Esta concepção opõe-se ao nominalismo, segundo o qual só os indivíduos e as populações de indivíduos existem, considerando que as categorias são só umas abstracções construídas pelo homem no seio de um vasto continuum de formas na natureza.
Por oposição ao existencialismo, o esencialismo filosófico pretende que a esencia precede a existência, o que tem por resultado negar a liberdade do indivíduo, então reduzido ao produto de determinismos que o definem e que não pode extrair.
O esencialismo tende a reactualizar um debate que opõe a natureza e a cultura. Este esencialismo serve de base ideológica para o segregacionismo, que, se apoiando em diferenças supostas de natureza" entre os homens, divide a sociedade em entidades diferentes, com frequência jerarquizadas entre elas, e lhes atribui características, aptidões, um papel social ou uns estatutos específicos. Segundo os critérios retidos para estabelecer estas discriminações, falaremos então de sexismo, racismo, homofobia ou outro tipo de segregacionismo.