Estética
O
David de Miguel
Angel, Florencia.
- Este artigo trata sobre o ramo da filosofia chamada estética, para o tipo de estabelecimentos com o mesmo nome ver salão de beleza.
A estética é o ramo da filosofia que tem por objecto o estudo da esencia e a percepción da beleza. Formalmente tem-se-lhe definido também como "ciência que trata da beleza da teoria fundamental e filosófica da arte". A palavra deriva das vozes gregas αἰσθητική (aisthetikê) «sensação, percepción», de αἴσθησις (aisthesis) «sensação, sensibilidade», e -ικά (ica) «relativo a».
A estética estuda as razões e as emoções estéticas, bem como as diferentes formas da arte. A Estética, assim definida, é o domínio da filosofia que estuda a arte e suas qualidades, tais como a beleza, o eminente, o feio ou a disonancia, desde que em 1750 (em sua primeira edição) e 1758 (segunda edição publicada) Baumgarten usasse a palavra "estética" como "ciência do belo, mesma à que se agrega um estudo da esencia da arte, das relações desta com a beleza e os demais valores". Alguns autores têm pretendido substituir por outra denominação: calología, que atendendo a seu etimología significa ciência do belo (kalos, «belo»).
Conceito de estética
A estética é a ciência que estuda e pesquisa a origem sistémica do sentimento puro e sua manifestação, que é a arte, segundo assenta Kant em sua "Crítica do julgamento". Pode-se dizer que é a ciência cujo objecto primordial é a reflexão sobre os problemas da arte .
Se a Estética é a reflexão filosófica sobre a arte, um de seus problemas será o valor que se contém em sua forma de manifestação cultural e ainda que um variado número de ciências possam ocupar da obra de arte, só a Estética analisa filosoficamente os valores que nela estão conteúdos.
A estética na filosofia
Muitos são os pensadores que se interessaram pela arte e seu significado:
- Platón, cit. em Eggers Lan, Conrado: O sol, a linha e a caverna.
- "—Também dizemos que há algo Belo-em-si e Bom-em-si [...] e chamamos à cada uma «aquilo que é»."
- "[...] Leiamos o bilhete seguinte da República VI, 507b: [...] "—Também dizemos que há algo Belo-em-si e Bom-em-si e, analogamente, com respeito a todas aquelas coisas que postulábamos como múltiplas, as postulamos como sendo uma unidade, de acordo com uma Ideia única, e chamamos à cada uma «o que é»."
- Mateo Cale Lado: a beleza: "[...] já que o belo — seja animal ou qualquer outra coisa composta de algumas —não somente deve ter ordenadas suas partes senão ademais com magnitude determinada e não ao talvez — porque a beleza consiste em magnitude e ordem —, [...] como em corpos e animais é, sem dúvida, necessária uma magnitude, mais visível toda ela de vez, de parecida maneira tramas e argumentos devem ter uma magnitude tal que resulte facilmente retenible pela memória".
"Considerada a proporcionalidade em seu conceito de forma, chama-se hermosura, a hermosura e o deleite não existem sem certa proporção; e esta primariamente consiste no número
- Diderot: Investigações sobre a Origem e a Natureza do belo.
Há duas maneiras do belo:
- O belo fora de um: é todo aquilo que contém em si mesmo o poder de evocar no entendimento a ideia de relações. Aqui vê-se claramente o conceito de Ordem.
- O belo em relação com um: todo aquilo que provoca a ideia anterior. Tem duas maneiras: o belo real, e o belo percebido.
Não existe o belo absoluto. Não é um assunto sentimental:
- "A indeterminación dessas relações, a facilidade de captá-las e o prazer que acompanha a seu percepción, são os que criam a ilusão de que o belo era mais um assunto sentimental que racional".
"Situem a beleza na percepción das relações, e tereis a história de seus progressos desde o nascimento do mundo até nossos dias".
- "A alma tem o poder de unir as ideias que tem recebido separadamente,..."
- Immanuel Kant: Crítica do julgamento: "Para discernir se algo é belo ou não, referimos a representação, não pelo entendimento ao objecto com vistas ao conhecimento, senão pela imaginación (talvez unida ao entendimento) ao sujeito e ao sentimento de agrado ou desagrado experimentado por este".
O estético: não se funda em conceitos, não se pode medir: "Não pode ter nenhuma regra de gosto objectiva que determine por conceitos o que seja belo, já que todo o julgamento desta fonte é estético, isto é, que seu motivo determinante é o sentimento do sujeito e não um conceito do objecto".
Não há ciência senão crítica do belo. A sensação sensorial é incomunicable. A comunicação vem do comum (ou ordinário) a todos.
- Regularidade,
- Simetría e conformidade,
- Harmonia.
A beleza é a ideia do belo: "... a quantidade rege a determinação da forma puramente exterior, enquanto pelo contrário, a qualidade determina o que a coisa em si e em sua esencia interior, ... na medida combinam-se ambas".
- Arthur Schopenhauer: O mundo como vontade e representação. "A beleza consiste, portanto, na representação fiel e exacta da vontade em general, com ajuda de seu fenómeno no espaço sozinho, enquanto a graça consiste na representação adequada da vontade com ajuda de seu fenómeno no tempo,..."
A beleza descansa na forma, mas só porque a forma se alumbró em um dia desde o ser como a entidade do ente. Forma e conteúdo, é forma e matéria, o racional e o irracional, o sujeito e objecto. Aqui forma interpreta-lha como Ordem e Classe de matéria. Diferença entre a arte e a beleza: o primeiro pertence à Lógica e o segundo à Estética.
- Bertrand Russell: Refere-se à análise da matéria. propõe várias divisões dos acontecimentos: físicos, e os que têm leis diferentes a cada uma em si:
- Fixos (os de movimentos fixos")
- Ritmos (processos periódicos)
- Trans - acções (transição de quanta em que a energia passa de sistema)
- Fixos com ritmos vs. leis da harmonia
- Edmund Husserl: As conferências de Paris. A teoria trascendental da percepción consiste na análise intencional da percepción, a teoria trascendental da lembrança e intuiciones, a teoria trascendental do julgamento, a teoria trascendental da vontade, etc.
Diferentes autores referem-se à metodología de estudo da arte e a beleza. A seguir autores e obras contemporâneas (com excepção de Aristóteles) que estudam a estética e a arte, e uma pincelada de sua ideologia:
Dados modelos neurofisiológicos da discriminação de estímulos aferentes, procede-se a confeccionar um modelo cerebral hipotético denominado centro de sensação estética». Desenvolve-se uma analítica matemática ao respecto, e observam-se múltiplos resultados experimentales de laboratório que são confirmatorios.
- Calabrese: A linguagem da arte. Jakobson trata de conjugar o estudo humanístico com as teorias científicas modernas, sobretudo o das estéticas informacionales. Apresenta-se a matematización da Estética como forma de expressão.
- Moles: Teoria da Informação na percepción estética. Considera Moles uma estética exacta baseada nos aspectos matemáticos da teoria da informação e da cibernética. Entende-se aqui que a concepção do mundo exterior depende do conhecimento de nossos processos perceptivos. Trabalha este autor nas mensagens visuais e auditivos. A informação estética que estuda está sujeita à ordem da probabilidade de sua codificação.
- Bense: Aesthetica define a arte como uma intervenção de seres inteligentes sobre as situações estéticas, isto é, que toda realidade física é suporte de uma realidade estética fundada em um processo de comunicação.
- Nake: Tem uma definição precisa e abstrata de estética que define é suas duas formas analítica e generativa.
Seus pilares têm sido a semiótica de Peirce e de Morris, os autores Shannon e Weaver na teoria da informação, a cibernética de Wiener, a gestáltica de Ehrenfels, e o impulso da estética matemática em Birkhoff.
- Arnheim: Arte e entropía. Tem em conta as teorias analíticas da arte baseadas nas ciências exactas (cibernética, matemática, física teórica e teoria da informação). Assinala uma forma unificadora de teorizar todos os aspectos da vida cultural. Sua fórmula fundamental é a entropía informática, ligando desta maneira com o segundo princípio da termodinámica e enquadrando uma estatística da realidade física.
Arnheim, para teorizar as considerações da informação às actividades estéticas, estudar melhor os conceitos de ordem e desordem entrópicos, e verificar suas consequências na noção de estrutura. A consequência óbvia é que a arte escapa a qualquer tentativa de previsão e de regulação «exacta».
- Umberto Eco: Mostra como algumas aplicações da teoria da informação a objectos estéticos podem ser reasumidas e englobadas no quadro de uma semiótica geral.
- Volli: A ciência da arte. Com similares conteúdos à obra de Eco, agrega à cibernética conceitos matemáticos. Reconhece uma aplicação a ambos domínios culturais: o humanístico e o científico. Não tenta englobar as análises científicas da arte dentro de uma semiótica da arte mesma, senão que procura uma interdisciplinariedad com a cibernética, a informação, a linguística e a lógica.
A Estética no século XX
A arte do século XX supõe uma reacção contra o conceito tradicional de beleza. Alguns teóricos (Hal Foster) chegam inclusive a descrever a arte moderna como "antiestético".
Evoluções como o aparecimento da fotografia, capaz de reproduzir com fidelidade absoluta seu modelo, ou os meios mecânicos de reprodução das obras, que as introduzem no conjunto dos bens de consumo em nossa sociedade, supõem a princípios do século XX uma verdadeira convulsão para a teoria e a prática artísticas. Assim não só o campo de estudo da Estética senão o próprio campo de trabalho da arte se orienta para uma profundísima corrente autorreflexiva que tem marcado toda a arte do século vinte: ' que é a arte?', 'Quem define que é arte?'. O Dadaísmo utilizava o collage para mostrar sua natureza fragmentada; Joseph Beuys (e em general toda a corrente povera européia) usava materiais como troncos, ossos e paus para sua obra, elementos tradicionalmente "feios"; os minimalistas utilizariam aço para realçar o industrial da arte enquanto Andy Warhol tentá-lo-ia mediante a serigrafía. Alguns inclusive desfá-se-iam completamente da faz final para se centrar unicamente no processo em si.
Antiestética
O horrendo, grotesco e desconcertante, o atrozmente impactante, também pode ser belo. A representação de uma tortura ou de um suplicio desumano pode ser bela? (Laocoonte). Pode-se obter prazer, inclusive goze sexual da dor alheia ou inclusive do próprio? (Marqués de Sade, Leopold von Sacher-Masoch). Esta reflexão estética e sua aplicação nas obras de arte aparece com o prerromanticismo do século XVIII e acentua-se com o romantismo do XIX. Edgar Allan Poe demonstra como o principal objectivo da arte é provocar uma reacção emocional no receptor. O verdadeiramente importante não é o que sente o autor, senão o que este faz sentir ao receptor de sua obra, que deve ser condicionado de maneira que sua imaginación seja a que construa a mensagem que transmite a obra, sem necessidade de que o autor o expresse directamente, se é que realmente a obra tem um sozinho significado ou só o objectivo de que o receptor imagine. Não só poemas de ambientación siniestra, senão também cenas grotescas, desde crimes sádicos ao terror mais consternador. A arte contemporânea não procurou principalmente a beleza serena ou pintoresca, senão também o repulsivo ou melancólico, e provocar ansiedade ou outras sensações intensas, como no Grito de Edvard Munch e em movimentos como o expresionismo e o surrealismo. Recusa-se a arte vazia, que não procure uma emoção no receptor, já seja uma reflexão ou um sentimento, incluídos a angústia ou o temor.
Outro modo de entender a antiestética é a rejeição da estética estabelecida, entendendo esta como a moda ou a imagem pessoal.
É o que as pessoas usam para referir à beleza.
Bibliografía consultada
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Veja-se também