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Estatuto do Sarre (em alemão Saarstatut), denominação que se deu ao projecto de resolução enquadrada nos Acordos de Paris de 1954 que procuravam dotar ao estado do Sarre de um «Estatuto Europeu».
No caso de que o «Sim» tivesse ganhado o referendo de 1955 em favor do Estatuto Europeu do Sarre, o rosto da actual União Européia (UE) seria diferente e Saarbrücken seria a sede dos estamentos europeus supraestatales em lugar de Bruxelas , Estrasburgo e Luxemburgo.
1945, França vitoriosa depois da Segunda Guerra Mundial, envia a seus soldados ao Sarre para relevar às tropas estadounideses, com o objectivo de anexar-se a região. No entanto, se percata rapidamente da imposibilidad de dita aspiração e conforma-se com colocar ao Sarre baixo seu protectorado.
1947, o primeiro parlamento vota em massa em favor de uma união económica com França e de uma separação da Alemanha, com a perspectiva de um estatuto internacional.
1950, a autonomia do Sarre é definida e validada pela Convenção Geral entre o Sarre e França do 3 de março. O artigo 1 dispõe: «O Sarre é autónomo em matéria de poder legislativo, administração e poder judicial».
Em virtude dos artigos 2 e 3, o representante da França no Sarre tem um poder regulamentar com o fim de garantir a aplicação da legislação monetária e aduaneira no Sarre, e tem em três casos direito de veto: em caso de ameaça à política monetária ou aduaneira, em caso de não respeito às obrigações internacionais ou em caso de ameaça à independência política do Sarre.
9 de maio, Declaração Schuman. Por médio de um discurso inspirado por Jean Monnet, Robert Schuman propõe em Paris integrar as indústrias do carvão e o aço da Europa Ocidental.
1952, Johannes Hoffmann é reeleito Ministro-Presidente do Sarre.
25 de outubro, fracassam as negociações sobre o acordo de uma declaração de princípios para a europeización do Sarre.
1953, o 1 de outubro o parlamento do Sarre aprova a decisão relativa ao estatuto europeu: «O Parlamento tem manifestado em repetidas ocasiões sua atitude favorável à solução européia do problema sarrense e sublinha a necessidade de que o futuro do Estado seja adoptado pela maioria do Conselho da Europa em assembleia consultiva. É necessária também uma consulta popular».
11 de dezembro, durante uma viagem a Paris, o chanceler da Alemanha Konrad Adenauer declara: «Não terá europeización do Sarre enquanto não se ratifiquem as forças armadas européias, já que uma europeización não faria sentido sem a existência de uma Europa».
1954, o 23 de outubro Pierre Mendès-France, presidente do Conselho francês e Konrad Adenauer assinam em Paris o Tratado sobre o Estatuto Europeu do Sarre no marco dos Acordos de Paris. França e a República Federal da Alemanha (RFA) decidem dar ao Sarre um «estatuto europeu» com a perspectiva da independência. Saarbrücken seria desta forma a capital da Europa. Paris e Bonn (à sazón, capital da RFA) decidem fazer aprovar a medida por médio de um referendo.
1955, o 5 de maio entra em vigor o Estatuto Europeu do Sarre. Os partidos CDU, DPS e DSP (posteriormente SPD), associam-se para formar o «Deutscher Heimatbund» (Confederación da Pátria Alemã), após que Adenauer recomendasse votar a favor do estatuto.
Nem Adenauer nem o governo francês duvidam da aprovação por parte do povo.
23 de outubro, o 67,7 % dos votantes pronunciam-se na contramão do estatuto.
24 de outubro, Hoffmann demite.
29 de outubro, o Parlamento aprova a formação de um «Fachkabinett» (governo composto por técnicos), presidido por Heinrich Welsch. O Parlamento vota sua própria dissolução.
1956, O 4 de junho o premiê Guy Mollet e Adenauer lembram em Luxemburgo que o Sarre será integrado economicamente na RFA no mais tardar o 1 de janeiro de 1957, enquanto sua integração política na Alemanha realizar-se-á no mais tardar o 1 de janeiro de 1960.
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