A Etnociencia ou antropologia cognitiva é uma dos ramos da antropologia enquadrada dentro das novas tendências que começaram a se desenvolver a começos do século XX com o Neoevolucionismo de White e Kroeber. Os máximos representantes deste ramo são: Goodenough, Kay, Tyler, Metzger e Berlin. Também é conhecida como etnociencia ou nova etnografía e tem sido definida como o estudo da relação entre linguagem, cultura e pensamento.
Os sistemas de classificação social e cultural têm sido um importante elemento de estudo em muitas áreas da teoria antropológica, pelo que a antropologia cognitiva se concentra nas categorias linguísticas para aproximar aos sistemas de classificação e conhecimento cultural.
Ainda que a metodología e os temas de estudo têm variado ao longo de sua história, compartilha-se a premisa de que a cultura é conhecimento; a cada grupo de indivíduos tem seu próprio sistema para perceber e entender ao mundo e o conhecimento cultural reflete-se na língua.
Para aceder a este conhecimento através da língua recorre-se à análise formal também conhecido como ‘análise semántico formal’ que pode aplicar a qualquer domínio linguístico cognitivo. Este tipo de análise se enfoca em áreas ou domínios de significação semántica e tem sido aplicado ao estudo das terminologías de parentesco, cores e plantas, servindo como ferramenta na investigação e interpretação etnográfica.
A partir de um período formativo, também conhecido como o enfoque boasiano ou de Franz Boas, que vai da primeira década do século XX até 1950, surge nos anos sesentas e setentas uma corrente que tem sido denominada ‘etnosemántica’ ou ‘etnociencia’. Baixo influência boasiana, a etnociencia em um princípio enfatizava a relatividad das categorias culturais e caracterizava-se por tratar de evitar o etnocentrismo e registar meticulosamente o ponto de vista interno de outras culturas. No entanto, em outras etapas, devido à influência da recém inaugurada teoria generativo-transformacional do lingüista Noam Chomsky, procura-se estabelecer esquemas cognitivos universais; tendência que, ainda hoje, em várias investigações toma um corte universalista e em ocasiões, evolucionista.
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Como toda o ramo da antropologia, a etnociencia tem como objecto de estudo a cultura e o papel que o homem cumpre em relação a ela. Por isso é necessário especificar a definição que seguem os etnocientíficos da cultura: "Um sistema de cogniciones compartilhadas onde o elemento essencial é o intelecto e não tanto o ambiente ou a tecnologia". Neste sentido, e seguindo a linha do vienés Kant, ao etnocientífico interessar-lhe-á saber como percebem a cultura os membros da mesma, e não tanto como é em verdade esta. Para isso, seguirá dois procedimentos:
Por tanto, o etnocientífico deveria estudar o inconsciente para entender essas normas. E esta tarefa só é possível, pensam, se se conhece e entende o pensamento humano. Pensamento que só é entendible se se estuda a linguagem. E a linguagem acabam-no estudando pela gramática. Como se pode ver, se trata de um desmenuzamiento progressivo de todos os elementos que intervêm na criação das normas sociais da cultura. E o elemento finque final é o da gramática. Por gramática não se entende ao conjunto de regras sintácticas, ortográficas ou léxicas de um idioma, senão que se toma o conceito abstrato que já descrevesse Chomsky: para este autor, existem dois tipos de estrucutras cognitivas à hora de assimilar um enunciado recém escutado, a estrucutra superficial e a estrutura profunda:
É por isso que os etnocientíficos pensam que, estudando esta estrutura profunda se pode entender como funciona o pensamento de uma cultura e por tanto como se foram estabelecendo suas diferentes normas sociais.
Agora bem, o problema surge com a forma de extrair essas estruturas profundas. O etnocientífico, então, recorre à entrevista individual. Membro a membro, vai falando com eles, lhes escutando... Dado que pensa que as palavras se encontram organizadas sistematicamente e poderá então inferir o etic.
Dois são as principais críticas a esta corrente antropológica: