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Expansão bantú

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Teoria da expansão bantú a partir do Golfo da Guiné.

A expansão bantú é o processo histórico-cultural de difusão de línguas e migração de povos, que eram hablantes de línguas bantúes, ocorrido na África central e meridional. Dita expansão implicou a generalização da agricultura intensiva e a tecnologia do ferro a muitas áreas do continente africano que previamente teriam estado povoadas por povos caçadores-recolectores e inclusive povos cuja principal actividade económica teria sido a ganadería.

A expansão bantú é um dos processos mais relevantes da prehistoria e protohistoria da África já que implicou uma reconfiguración etnográfica e linguística completa da África subsaariana. Conquanto a expansão bantú produziu-se mais aceleradamente entre o II milénio a. C. e o I milénio a. C., tem seus origenes no final do IV milénio a. C. com o aparecimento de uma série de inovações tecnológicas surgidas na África subsaariana ocidental. A vantagem obtida pelos bantúes devido a estas inovações técnicas levaram-lhes a deslocar aos pobladores originais de extensas zonas da África. Em sua última fase, a expansão bantú comportou a consolidação de estados centralizados que praticavam o comércio a grande escala e fomentaram o desenvolvimento das artes e as construções de tipo monumental. Entre as culturas arqueológica e historicamente bem testemunhadas da última fase destacam os estados dos Grandes Lagos da África, como Buganda ou Bunyoro, que perduraron até a conquista européia em século XIX, as cidades estado suajilis da África oriental cujo poderío comercial só foi destruído pelos portugueses no século XVI; os reinos bantúes da África central e meridional, como o reino de Monomotapa que floresceu entre os séculos XI e XV ou o reino Zulú no século XIX.

Conteúdo

Expansões agrícolas na África

Na África, tal como sucedeu em outras regiões do mundo, teve várias expansões de povos agrícolas. Já que a agricultura permite maiores densidades de população e sociedades hierarquicamente mais complexas, estas sociedades possuem a capacidade de intensificar sua produção, e por tanto são mais susceptíveis de cair na sobrepoblación que as de caçadores-recolectores.[1]

Em sociedades agrícolas, a sobrepoblación combate-se essencialmente mediante a expansão para novas terras, enquanto nos povos preestatales usaram-se outros meios de controle de população como o infanticidio e o prolongamento da lactancia.[2] Mediante a linguística histórica e a evidência arqueológica disponível, podem reconstruir-se muitas de ditas expansões agrícolas antigas como a acontecida em Senegal , a de Malí -Burkina Faso e a expansão bantú iniciada no território em torno da actual fronteira da Nigéria e Camerún. Estas expansões teriam ocorrido segundo um modelo similar ao proposto por Colin Renfrew para a expansão das línguas indoeuropeas.[3]

O estreito parentesco que guardam as actuais línguas bantúes é evidência de sua expansão relativamente recente.[4] As expansões lentas permitem que a língua de diversas comunidades se diversifique, em tanto as expansões rápidas dão lugar a um conjunto de comunidades com línguas parcialmente inteligibles entre si. O início da expansão bantú situa-se pouco dantes do 3000 a. C., data da que dataria aproximadamente o protobantú, cuja primeira reconstrução se deve a Meinhof em 1899 . A partir de 500 a. C. devido ao uso de ferro a expansão produziu-se a um ritmo mais acelerado. O genetista Cavalli-Sforza menciona que a expansão bantú em média foi de 1,5 km anuais, um mais 50% rápida que a dos primeiros agricultores neolíticos na Europa, porque os bantúes dispunham de uma tecnologia mais avançada que incluía machados de ferro.[5] A linguística histórica ademais permite estabelecer as possíveis regiões onde se começou a usar o ferro além de sugerir que a tecnologia do ferro foi desenvolvida por fases em vários lugares.

Derek Nurse e Irene Tucker elaboraram um mapa muito completo, para o Summer Institute of Linguistics, onde se mostram as línguas bantúes e seus agrupamentos internos.

A grande expansão bantú para o sul

Mulher bantú (swahili) e seu filho, África Oriental Alemã (hoje Tanzania), em 1906.

Tal como mostra a distribuição de línguas bantúes na actualidade, a expansão ocupou o sul e centro da África. Esta expansão para o sul levou-se a cabo por dois caminhos: a via oriental e a via ocidental. A evidência genética prova que o sul foi atingido dantes pela via ocidental, enquanto a via oriental se deteve algo mais ao norte, para depois sofrer uma expansão tardia.[6] Os achados arqueológicos revelam que os bantúes chegaram muito cedo ao norte de Namibia (grupo R das línguas bantúes), e o mesmo é corroborado pela classificação mais moderna das línguas bantúes que tradicionalmente tinha pesquisado em maior detalhe as línguas orientais.[7]

Existem evidências sugerem que os bantúes (grupo J das línguas bantúes) chegaram à região dos grandes lagos (Uganda, Rwanda, Burundi, oeste de Tanzania ) para os primeiros anos de nossa era.[8] Entre as evidências da expansão bantú da zona dos grandes lagos para o primeiro milénio estão a expansão do cultivo de tubérculos como o yam ou ñame, que previamente só era frequente na selva tropical de onde procediam os bantúes que povoaram os grandes lagos, e a partir de 500 d. C. estende-se o uso da siderurgia e existe uma tradição cultural comum à área refletida nos achados arqueológicos dessa época. O aumento demográfico foi mais importante com a chegada à área do Cebú, originario da Índia, e que podia suportar períodos prolongados de secas e era resistente a insectos parasitarios. Este animal foi criado previamente na zona bantuizada do Vale do Rift. Mais ao sul, quando os primeiros colones holandeses chegaram a Cidade do Cabo em 1650 a expansão quase tinha chegado essa região e os povos bantúes mais próximos só estavam a uns centos de quilómetros da costa, ao norte.[9]

Bantúes e outros povos

A antropologia física (J. Hiernaux, 1968)[10] e a genética (L. Cavalli-Sforza, 1996) têm demonstrado que os povos bantúes são bastante homogéneos. Esta homogeneidad deve-se ao recente da migração e ao pouco tempo que tem existido para que se produza uma diversificación genética e linguística. Estes povos bantúes foram-se impondo a grupos de outras origens genéticas principalmente povos khoisán, sudánicos e pigmeos, que tem línguas e genes marcadamente diferentes dos bantúes. Os khoisán e os pigmeos em sua grande maioria ficaram relegados aos piores territórios, onde têm sobrevivido basicamente como caçadores-recolectores e têm mantido tímidos contactos com os agricultores bantúes.

Zona de origem e início da expansão

Zona de origem

Fases da expansão bantú.:[11] [12] 1. = 3000 - 1500 a. C. origem
2 = 1500 aDc. primeiras migrações
2.a = Bantú do este, 2.b = Bantú do oeste
3. = 1000 - 500 a. C. Núcle Uruwe de Bantúes do este
4. - 7. Avanço para ao sul
9. = 500 a. C. - 0 Núcleo do Congo
10. = 0 - 1000 d. C. última fase.[13] [14]

Para determinar a zona de origem da expansão contribuíram-se dois tipos de evidências: linguísticas e genéticas:

A evidência linguística baseia-se em dois pontos: o vocabulario reconstruído referente a plantas e animais, e o associar a zona originaria às regiões onde se dão ditas plantas e animais.[15] Por outra parte, ali onde uma língua ou grupo de línguas começou a se falar é precisamente onde se encontra maior diversificación linguística (existem mais dialectos distinguibles do inglês na própria Inglaterra que no resto do mundo, ou por exemplo é na costa este de EEUU onde se encontran fronteiras dialectales mais definidas, que vão se esmaecendo à medida que se deslocam para o oeste, onde as áreas dialectales são maiores e menos diferentes entre si).[16] Sobre a base destes dois tipos de evidência, a região mais provável para a zona originaria está pelo noroeste de Camerún e sudoeste da Nigéria (ver mapa linguístico do SIL).[17]

A evidência genética baseia-se na variabilidad de frequências de verdadeiro material genético (haplotipos) na África e a partir dela podem se extrair os componentes principais (factores que uma vez calculados estatisticamente explicam a maior parte das variabilidad genética) ou factores explicativos de dita variabilidad. Cavalli-Sforza encontra quatro componentes principais. Um deles, o quarto componente principal, tem um centro de expansão bastante coincidente com os dados que proporciona a evidência linguística e provavelmente sugere que os mesmos povos que deram lugar à família bantú são os responsáveis pela dispersión de certos genes.Luigi Cavalli-Sforza, 1997, p. 147

As datas da expansão

Cavalli-Sforza baseando-se em diversas evidências situa o início da expansão para o 3000 a. C. no N. de Camerún. Examinando as datas prováveis de separação entre as línguas, mediante procedimentos glotocronológicos, obtém-se uma data dentre 4500 e 4000 anos, isto é, em torno do 2200 a. C. Se tem-se em conta o grande das cifras envolvidas normalmente nas expansões de famílias linguísticas, pode considerar-se que não há mau acordo entre ambas.

A ocupação da África Oriental e Meridional situar-se-ia a partir do primeiro milénio a. C. Por tanto, em uma primeira fase o antecessor das línguas bantúes situar-se-ia na fronteira entre Camerún e Nigéria, depois ter-lhe-ia seguido uma primeira expansão pelo extremo noroccidental da zona bantú e mais tarde uma segunda fase de migração para ao sul que corresponde às línguas chamadas "grande-bantú" que são mais próximas entre si, e constituem um subgrupo filogenético dentro das bantúes. Aliás esta língua podem associar com a fase de expansão mais rápida unida às tecnologias do ferro).

Rotas da expansão protobantú

O acordo sobre as rotas seguidas, não é tão geral como no caso da zona de origem da expansão. Vansina (1995), por exemplo propõe uma expansão inicial através da selva,[18] seguida de uma expansão seguindo o curso dos rios da selva (existem certas evidências de que os cultivadores amazónicos se impuseram aos caçadores recolectores amazónicos seguindo um padrão parecido[19] ). Assim é como alguns povos bantúes teriam chegado junto à cuenca do Zambeze e desde ali uns grupos ter-se-iam dirigido para o norte e outros para o sul. Enquanto outros grupos teriam rodeado a selva para o este até chegar à zona dos grandes lagos, e quando estes tivessem chegado ao lago Vitória, outras línguas bantúes teriam chegado a Zanzíbar desde o sul.

Por outra parte da classificação linguística de Heine pode-se concluir que teve três centros sucessivos de expansão:

  1. Em primeiro termo algum lugar de Camerún, desde onde teriam saído grupos para o norte e para o sul mas sempre próximos ao núcleo originario. Outros foram para o este até chegar ao extremo noroccidental do actual Zaire.
  2. O segundo centro teria sido a confluencia dos rios rio Zaire e Ubangi, de onde teriam surgido 7 grupos: Ober-Kongo, Teke-Mbete, Kikongo, Boma, Yanzi, Lunda e Luchazi-Chokwe.
  3. Finalmente o último centro de expansão teria sido a região de Kasai e de aqui teriam saído as línguas orientais. Ehret coincide com a solução de Heine.

Causas da expansão

Os empréstimos linguísticos em ambas direcções (das línguas bantúes, e para as línguas bantúes) sugerem que os povos bantúes conseguiram maiores densidades de população graças ao cultivo de ñame e que suas proteínas animais procediam do pescado (ver apartado seguinte), já que na região central da África a presença da mosca tsé-tsé que mata ao ganhado faz impossível do todo a ganadería de nenhum tipo.

Em zonas afastadas de seu núcleo de expansão ter-se-iam encontrado com povos basicamente ganaderos (os nomes para designar conceitos ganaderos são empréstimos tomados de outras línguas),[20] aos que ter-se-iam imposto basicamente pela tecnologia do ferro, e às maiores densidades de população atingidas mediante a agricultura. Quando se examinam as línguas bantúes da zona grande bantú se observa que não se trata de nada mais que de uma concatenación de dialectos no que a cada um é inteligible com os circundantes. Isso leva a pensar em uma expansão progressiva para ganhar terreno e não processos migratorios que levavam a grandes grupos a lugares longínquos de sua zona de origem.[21]

Expansão em tempos modernos

Torre erecta do Grande Zimbabue, construída com blocos de fábrica sem morteiro, 1996.

A expansão nos primeiros séculos de nossa era que não estão bem documentados se conhece pouco. No entanto, durante a idade média européia alguns povos bantúes mantiveram relações comerciais estáveis com os árabes graças ao qual se pode documentar sua história a partir do século XIII. Posteriormente os relatos e dados recolhidos pelos primeiros navegadores europeus permitem ampliar as fontes de informação.

Séculos XIII a XVI

Ruínas da torre cônica em Grande Zimbabue.

Entre os séculos XIII e XV, começaram a emergir estados bantúes de uma escala muito maior que as jefaturas anteriores.[22] Isto se produziu na região dos Grandes Lagos, no limite sul da sabana centroafricana, e sobre o rio Zambeze onde os reis do estado de Monomotapa cosntruyeron o complexo do Grande Zimbabue.

A formação de estados deste tipo incrementou-se desde o século XVI em adiante. O fenómeno deve-se provavelmente a que se atingiram densidades de população mais altas, o que conduziu a divisões do trabalho mais especialidas, incluindo possivelmente o surgimiento de uma classe militar. Outros factores puedieron ser o incremento do comércio entre as comunidades africanas e os europeus, o afianzamiento do comércio dos suajilis com os árabes na costa este da África, e diversos desenvolvimentos técnicos na actividade económica, bem como mudanças sociais meio à instituição da realeza.[23]

O império Zulú (s. XVIII-XIX)

O rei Shaka.

Para o século XVIII o Grande Zimbaue tinha deixado de ser a capital de um grande império comercial, e os povos bantúes tinham completado sua colonização do sul da África, só ao oeste e o norte das da região do Cabo. Nesse momento existiam dois grupos dominantes na região dominada pelos bantúes: os Nguni (Xhosa, Zulú, Swazi) que ocupavam a parte oriental dos planos costeros e os Sotho-Tswana que habitavam o interior da meseta.

Haica o final do século XVIII e princípios do século XIX, ocorreram dois acontecimentos importantes:

Shaka iniciou muitas reformas de tipo militar, social, cultural e político, criando um estado Zulu centralizado bem organizado. Destas mudanças o que teve maior impacto foi a transformação do exército, graças a tácticas inovadoras e novas armas desenvolvidas por Shaka e seus assessores. Entre outras reformas reforçou o papel da religião de estado, limitando em papel dos feiticeiros independentes; e finalmente integrou aos grupos vencidos dentro do grupo Zulú, sobre a base de uma completa igualdade, sendo as promoções no exército e o serviço civil questão de mérito pessoal mais que direitos de nascimento.

Reino Zulú para 1890.

Depois da morte de Dingiswayo, rei dos Mtetwa, assassinado para 1818 por Zwide, rei dos Ndwandwe, Shaka assumiu a liderança da aliança dos Mtetwa. Baixo seu comando esta aliança sobreviveu ao primeiro assalto de Zwide na Batalha do monte Gqokli. Em dois anos Shaka venceu completamente a Zwide, sendo a última batalha a do rio Mhlatuze e rompeu a aliança com os Ndwandwe. Algumas destas tribos começaram uma campanha contra outros grupos Nguni, dando lugar a uma grande migração de povos que fugiam dos Ndwandwe, conhecida como Defecane ou Mfecane. Para 1825 Shaka tinha conquistado um enorme império que cobria uma ampla área desde o mar no este até as montanhas Drakensberg no oeste, e desde o rio Pongola ao norte, até o rio Mbashe ao sul, não longe da moderna cidade de East London. Um ramo dos zulúes, os Kumalos, mais conhecidos na história como Matabele, criaram baixo o rei Mzilikazi um império ainda maior, que incluía partes do moderno Zimbabue.

Shaka, que tinha tido contactos com os navegadores ingleses compreendeu que os europeus supunham uma ameaça para as populações locais, e planeou começar um intenso programa educativo com o objectivo de que os Nguni se modernizaran tanto como fosse possível. No entanto, em 1828 Shaka foi assassinado por seu médio irmão Dingane, que o sucedeu. Digane foi um líder débil que foi vencido pelos Boers, ainda que baixo seu sucessor Mpande (outro médio irmão de Shaka) e seu filho Cetshwayo, os zulúes foram capazes de recusar as tentativas dos boer dos conquistar. Como rei dos zulúes Cetshwayo infringiu ao exército britânico a pior derrota que tem sofrido a mãos de uma força tecnologicamente menos avançada na Batalha de Isandlwana em 1879, com um grande custo para seus em:impis (comparáveis, salvando a diferença, a um regimiento). Posteriormente os zulúes foram varridos pela moderna tecnologia militar européia.

Tecnologia a partir da evidência linguística

Certos aspectos da tecnologia, o modo de vida e o modo de produção podem ser deduzidos a partir da evidência linguística explícita e as reconstruções de termos. De acordo com a linguística histórica, quando se pode reconstruir um termo comum a todo um conjunto de línguas, este termo estaria no ancestro comum a essas línguas ou proto-língua comum, dantes da diversificación em grupos devido à expansão a família.[25] Por outro lado se só pode se reconstruir o termo para um ou vários subgrupos ou línguas, deve se assumir que o termo foi uma inovação técnica acaecida no grupo que apresenta o termo, após a expansão mas dantes da diferenciación interna das línguas do grupo. Seguindo esta lógica pode reconstruir-se o estádio tecnológico em diversas fases.

Proto-bantú (dantes da expansão)

Entre os termos reconstruibles do proto-bantú têm-se os seguintes:[26]

*-kùá 'ñame, yam'
*-cí 'pescado'
*-dìbà 'poço, rio'
*-dób 'pescar com cana', *-dòbó 'cana de pescar'
*-búà 'cão'

E termos não culturais como *-jí 'água', *-vula 'chuva'. Nos anteriores termos reconstruídos os acentos denotam os tons: ( ´ ) alto e ( ` ) baixo. O asterisco ( * ) refere-se a que são formas reconstruídas a partir das línguas modernas, e o guião ( - ) que a forma requer um prefixo de classe nominal.[27]

A partir desse vocabulario conclui-se que o cultivo principal devia ser o ñame. Pesca-a devia ter muita importância como fonte de proteínas, já que a ganadería era impossível pela presença da mosca tsé-tsé. Entre os animais domesticados também estaria o cão já que todas as línguas compartilham o mesmo termo para cão'. Ademais o hábitat originario deveu ser bastante húmido a julgar pela abundância do léxico nesse aspecto.

Grande-bantú

Isto inclui as línguas surgidas depois da primeira fase da expansão, que levou aos hablantes bantúes fosse da zona de mosca tsé-tsé. A presença deste insecto faz impossível a prática da ganadería,[28] e é interessante notar que nesta fase, quando o bantú sai fora do domínio da mosca tsé-tsé, já aparecem algumas inovações culturais, como a ganadería e a agricultura, pois se reconstruíram termos para designar a essas actividades:[26]

*-bèdé 'mijo'
*-gòmbè 'ganhado'
*-búdi 'cabra'.

A presença do mijo é notoria porque dentro da zona de origem não se encontra esse cereal; isso permite situar geograficamente as novas zonas de expansão. Isto é, ao estender a outras zonas produziu-se a adopção e domesticación do mijo, ademais generalizou-se pela primeira vez a agricultura entre estes povos, como mostra o facto de que os termos agrícolas possam se relacionar com os de outras línguas africanas não-bantúes (ver mais adiante). Isto põe em claro que dita inovação deveu dar por um empréstimo cultural procedente de povos não-bantúes.

Azadas e tecnologia do ferro

Artigo principal: Civilização de Nok

Em zonas mais reduzidas da área grande-bantú, encontra-se bastante evidência de que a expansão esteve fortemente condicionada pelo aparecimento de ferramentas de ferro. A evidência lingüístia mostra que nas duas áreas principais são reconstruibles os termos:[26]

Area 1
*-bàgò 'azada'
*-báká 'faca'
*-cimbí 'ferro'
Area 2:
*-gèdà 'ferro'
*-gembè 'azada'

A diferença de termos entre as duas principais áreas bantúes sugere que a azada deveu se desenvolver em ao menos dois lugares independentemente, e também a técnica definitiva para fabricar armas e utensilios de ferro.

Os povos pré-bantúes

Hotentote, membro de uma etnia não-bantú do sul da África.

A evidência genética mostra certa uniformidad genética na África, ainda que esta uniformidad foi interrompida por movimentos de população procedentes da expansão bantú e de outros povos. Quando se examinam os empréstimos de termos ganaderos entre as diversas famílias linguísticas africanas se encontra algo curioso: os termos ganaderos das línguas bantúes meridionales foram tomados em empréstimo das línguas khoisán (khoikhoi = 'hottentotes', san = bosquimanos). Alguns exemplos são: o termo -pedi 'cabrito' que se na língua bantú telefonema Kwanyama mostra ser um empréstimo do Nama (língua khoisán) paira- e o termo do Herero (ondu)ombe parece um empréstimo do Kwadi goe- 'vaca' < *gombe.

Isto delata claramente que os khoisan ocupavam no passado remoto a zona ocupada actualemente por povos bantúes. As línguas khoisán estão actualmente confinadas a Namibia , S. de Angola , Botswana e África do Sul, isto é, o extremo SW. da África. No entanto, em Tanzania ainda se encontram duas línguas isoladas não-bantúes: o Hadza e o Sandawe. Vários lingüistas (entre eles Greenberg e Ruhlen) têm relacionado estas línguas com as línguas khoisan, já que também apresentam sons "clique",[29] sons que estão ausentes do resto de línguas do mundo fosse do SW da África. Isto é uma evidência mais da presença dos khoisán bem mais ao norte e ao este de sua localização actual, sendo os hadza e os sandawe "ilhas" de povos pré-bantúes sobrevivientes à expansão bantú.

Outro facto notável é que muitos dos termos khoisán a sua vez parecem empréstimos das línguas sudánicas que falam ao N. do núcleo de expansão bantú, o qual permite conjeturar que parte do domino bantú actual também esteve povoado por povos sudánicos (que anteriormente ter-se-iam estendido mais ao S. do que agora vivem). Estes sudánicos teriam mantido contactos com os Khoisan como mostram os seguintes empréstimos:[30]

Kwadi guu- 'cordeiro' < proto Sudánico Central *gCu
!kora semi- 'mijo' < proto Sudánico Central *sa 'farinha'
Nama paira 'cabrito' = bagirmi bal
Nama oro ovelha' = moru-madi *aro-

Com o qual é possível que a domesticación do mijo e certos animais a realizassem povos sudánicos que a sua vez foram adoptados pelos khoisán e os bantúes a sua vez os tomassem destes. Outra posiblidad é que os bantúes os tomaram directamente alguns termos de povos sudánicos. Em qualquer caso ficam claramente documentados os contactos entre os três grupos linguísticos.

Referências

  1. Eric B. Ross, Marvin Harris (1987): Death, Sex, and Fertility, Columbia University Press, ISBN 978-0-231-06271-8.
  2. Marvin Harris & Eric B. Ross (1987): Morte, sexo e fecundidad: a regulação demográfica na sociedade preindustrial e em desenvolvimento [1a. edição em castelhano: 1991]
  3. Renfrew, A.C. (1987):Archaeology and Language: The Puzzle of Indo-European Origins, London: Pimlico. ISBN 0-7126-6612-5
  4. Alexander Militarev (2002): "Onze more about glottochronology and the comparative method: the Omotic-Afrasian case"
  5. Luigi Cavalli-Sforza, 1997, pp. 125-127
  6. Cavalli Sforza (2000), Genes, Povos e Línguas, pp. 127-8
  7. Guthrie, Malcolm (1967–71): Comparative Bantu: an introduction to the comparative linguistics and prehistory of the Bantu languages 4 vols. Farnborough: Gregg Press.
  8. R. Ou. Collins e J. M. Burns, A History of Sub-Saharan Africa, p. 118
  9. R. Ou. Collins e J. M. Burns, A History of Sub-Saharan Africa, p. 283
  10. Jena Hiernaux (1968): Bantu Expansion: The evidence from Physical Anthropology confronted with Linguistic and Archaelogical Evidence, Journal of African History, 4, pp. 505-515.
  11. A expansão bantú de acordo com Derek Nurse e Gérard Philippson: The Bantu Languages Routledge, London 2003.
  12. The Chronological Evidence for the Introduction of Domestic Estoque in Southern Africa
  13. A Brief History of Botswana
  14. On Bantu and Khoisan in (Southeastern) Zambia, (in German)
  15. A. Militarev, 2002.
  16. Nelson Francis, Mrs. Raven & I. McDavid, em The Structure of American English, The Ronald Press Company, 1958
  17. mapa linguístico do SIL, o mapa da direita desenha a região de referência. Ali podem ver-se os principais reinos bantúes, as duas rotas de migração tratadas anteriormente.
  18. J. Vansina (1995): "New Linguistic Evidence and The Bantu Expansion", Journal of African History (JAH) 36, 1995.
  19. R. M. Dixon & A. E. Aikhenvald (1999): The Amazonian Languages, Cambridge University Press, pp. 4-5.
  20. Ver #Grande-bantú
  21. C. Junyent, 2000, p. 146
  22. R. Ou. Collins e J. M. Burns, 2007, pp. 164-6.
  23. Shillington, Kevin, ed (2005). Encyclopedia of African history. CRC Press. ISBN 978-1-57958-453-5.
  24. Morris, Donald R. (1965). The Washing of the Spears: the Rise of the Zulu Nation, New York: Simon and Schuster, pp. 655.
  25. C. Junyent, 2000, p. 141
  26. a b c C. Junyent, 2000, p. 143
  27. Benji Wald (1987): «16. Swahili and the bantu languages», em The Major Languages of the World, pp. 285-308. ISBN 0-415-05772-8
  28. R. Ou. Collins e J. M. Burns, 2007, p. 58
  29. Ruhlen, 1994, p. 141
  30. C. Junyent, 2000, p. 145

Bibliografía

Enlaces externos

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