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Explicação científica

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Chama-se explicações científicas às estruturas conceptuais (modelos, teorias, etc.) que a ciência oferece com o fim de compreender por que ocorrem determinados factos científicos e por que alguns deles acontecem com uma regularidade dada (ou seja, por que existem certas leis). Segundo esta perspectiva, em general, uma explicação científica é a resposta a uma pergunta de tipo "por que?" (ainda que numerosos autores sustentam que as explicações são respostas a perguntas que começam com 'Como?' e, em particular com 'Como funciona?'.[1]

Tipos de explicacion: a explicacion como argumento. a explicacion causal. a explicacion teleologica. a explicacion inductivo-estadistica.

Conteúdo

Motivos do interesse pela explicação científica

Em termos gerais, aceita-se que os objectivos da ciência moderna são descrever, explicar e predizer o comportamento do mundo que nos rodeia. No entanto, em que consiste a cada um deles não resulta tão óbvio como poderia parecer, ao mesmo tempo que também não resulta evidente qual é a relação que há entre descrição, explicação e predição científicas.

As questões a respeito de que é uma explicação científica (e daí não o é) e como explicam as diferentes ciências constituem alguns dos problemas clássicos da filosofia da ciência (ou epistemología) da segunda metade do século XX.

Trata-se de toda uma problemática que se estende pelos domínios da ontología, a gnoseología, a metodología e a praxiología da investigação científica. A sua vez, esta problemática é o contexto de agitados debates e controvérsias que trascienden o interesse dos cientistas e os filósofos: por exemplo, as discussões sobre a redução (especialmente nas "ciências do homem") e os limites da ciência (o que pode ou não pode). Um caso de especial interesse relacionado com esta última controvérsia é a discussão entre o realismo e antirrealismos de diverso cuño, em particular, a posição instrumentalista, que sustenta que os modelos e teorias científicos não procuram representar aspectos da realidade, senão que são instrumentos de predição.[2] Assim por exemplo, para decidir a respeito do valor que tem de dar a um modelo que tenta explicar, por exemplo, por que persistem regiões sumidas na pobreza em uma época na que somos capazes de produzir mais riqueza que nunca dantes ou por que está declinando ou se extinguiu determinada população biológica, é necessário ter uma ideia de que relação há entre os modelos (e teorias) científicos e os factos aos que esses modelos se referem.

O interesse por saber com precisão que é uma explicação científica tem múltiplas raízes e conquanto quem estudam o problema são os filósofos da ciência, se trata de uma questão que, como sugerem os exemplos anteriores, não sozinho atañe aos especialistas. Vejamos outro exemplo: supõe-se que a actividade científica é um dos motores da sociedade moderna; desde o ponto de vista prático, porque serve de base ao desenvolvimento tecnológico; desde o ponto de vista conceptual, porque proporciona informação e marcos interpretativos a respeito dos que, como e por que do mundo, incluída a própria humanidade.[3] Em relação com isto último, uma melhor entendimento da sociedade moderna requer um conhecimento mais profundo a respeito de que é a a ciência, que a impulsiona, quais são suas possibilidades e seus limites, se é necessário submeter a algum tipo de controle, etc. Ao mesmo tempo, como temos dito, se supõe que oferecer explicações é um dos objectivos da ciência, pelo que saber que é uma explicação científica é parte da empresa de saber que é a ciência, tentativa que a sua vez é parte de conhecer como é (e como pode ser) a sociedade moderna.

Outro importante motivo dos estudos sobre a explicação radica no desejo de perfeccionar certos aspectos metodológicos da investigação científica. Trata-se, pois de um interesse tanto descritivo como normativo. Para poder decidir que estratégias de indagación se devem utilizar para produzir melhores explicações há que saber previamente em que consiste uma boa explicação científica. Estas questões metodológicas giram em torno da tentativa de fazer a investigação científica mais eficiente, vale dizer conseguir melhores resultados científicos com menor esforço e em menor tempo.

A análise filosófico da explicação científica

As tentativas de precisar que é uma explicação podem rastrearse até Parménides e quiçá dantes. Parménides sustentava que “dado que as verdades nunca implicam falsidades, e dado que a substância é uma e verdadeira, enquanto as aparências são muitas e confusas, a explicação das aparências pela substância é impossível”.[4] O problema, como assinala Joseph Agassi, “está ainda conosco. A maioria das mais recentes teorias da explicação seguem sendo vulneráveis à crítica de Parménides: consideram que a explicação é deductiva, ainda que as teorias científicas habitualmente entram em conflito com seus supostos”.[5]

Apesar da antigüedad da pergunta, o primeiro tratamento formal detalhado do problema da explicação científica não apareceu até mediados do século XX. O mérito corresponde-lhe ao artigo de Carl G. Hempel e Paul Oppenheim (H&Ou) "Studies in the logic of explanation",[6] publicado em 1948, no que se apresenta o renomeado modelo de explicação científica por cobertura legal. Pese às preocupações de Parménides, mas seguindo outra antiquísima tradição, H&Ou interpretam que as explicações são argumentos deductivos, nos quais as premisas explicam um facto (ou uma regularidade) descrito pela conclusão do argumento. Em outras palavras, segundo o modelo de cobertura legal, explicar um facto (ou uma regularidade) é incluir ("subsumir") sua descrição em uma generalização. A importância do mencionado trabalho de H Ou consiste em que sua tentativa de clarificar como é que as explicações proveen entendimento, bem como quais são os requisitos necessários e suficientes para uma explicação apropriada, se funda em um aparelho técnico bem mais sofisticado que o utilizado por seus antecessores.

Segundo H&Ou, em virtude de sua estrutura argumental, uma explicação científica caracterizar-se-ia pela propriedade de "previsibilidad nómica" (nomic expectability, em inglês): dado o explanans (ou seja, as premisas do argumento), o explanandum (a conclusão) resulta esperable ou previsível. Se trata-se de um argumento deductivo, essa previsibilidad é uma certeza absoluta (mais tarde Hempel proporá o modelo estatístico inductivo no que a previsibilidad consiste em uma "elevada probabilidade". Uma consequência do anterior é a tese de simetría entre a explicação e a predição. Segundo o modelo de cobertura legal a explicação e a predição científicas são estruturalmente idênticas: só se distinguem porque na primeira o facto esperable já tem ocorrido, enquanto no segundo caso, o facto ainda está por suceder. .

O agora célebre artigo de Hempel e Oppenheim suscitou uma cascata de críticas e tentativas de emenda que se transformou rapidamente na coluna vertebral do debate sobre a explicação científica no século XX e na base da noção de explicação científica própria da "concepção herdada" em filosofia da ciência.[7] [8]

A Explicação científica na actualidade

As tentativas filosóficos contemporâneos de dilucidar a noção de explicação científica podem classificar-se em, ao menos, três grandes enfoques: epistémico, "óntico" e pragmático.[9] [10]

O enfoque epistémico baseia-se na ideia —que se remonta pelo menos a Aristóteles [11] — de que as explicações são argumentos. Exemplos da aplicação deste enfoque são os três submodelos incluídos em modelo de cobertura legal estudado principalmente por Hempel, bem como a explicação por unificação, proposta pelo estadounidense Michael Friedman, mas cujo principal propulsor tem sido o britânico Philip Kitcher.

O enfoque "óntico" (tal chamou-o W. Salmon) funda-se na ideia de que uma explicação consiste mostrar como o facto que se deseja explicar se ajusta à estrutura causal do mundo. Tal é a base do modelo de explicação causal proposto pelo filósofo norte-americano Wesley C. Salmon. Também dentro deste enfoque se encontram os modelos de explicação científica que invocam mecanismos (causales ou não, junto com leis ou com prescindencia delas). Entre eles, os mais prominentes são a explicação "mecanísmica" defendida pelo argentino Mario Bunge e as diferentes explicações mecanicistas descritas pelos estadounidenses Stuart Glennan, William Bechtel e Peter Machamer e colaboradores.

O enfoque pragmático da explicação, em versões de Peter Achinstein ou Bas Vão Fraassen, desenvolve-se a partir da ideia de que as explicações respondem a perguntas cujo sentido está condicionado pelo contexto pragmático no que se formula a pergunta.[12] [13]

Convém fazer hincapié em que as investigações destes autores não consistem em uma investigação psicológica dos processos mentais que têm lugar nos sujeitos que compreendem algo graças a uma explicação. Tal estudo, conquanto apropriado e interessante, corresponderia não à filosofia senão à psicologia da ciência. Em mudança, o enfoque filosófico é puramente conceptual. Hempel e Oppeneim, por exemplo, só tratam os aspectos lógicos das estruturas explicativas da ciência. Outros autores incorporam o custado "óntico" (Salmon, Machamer, etc.) ou ontológico (Bunge) da explicação, mas sempre seu cometido é dilucidar o conceito de explicação científica em termos de um modelo ou teoria que capture as características centrais disso que os cientistas chamam explicação. Também deve ficar claro que esta tentativa não sempre é meramente descritivo. Em alguns casos, as análises que oferecem estes autores são também normativos: não só dizem como são as melhores explicações da ciência, senão também como deve ser uma boa explicação científica.

Notas

  1. HEMPEL, C. G.(2005) A explicação científica. Estudos sobre filosofia da ciência. Trad. M. Frassinetti de Galo, N. Míguez e I. Ruiz Aused. Barcelona, Paidós. P. 316.]
  2. GONZÁLEZ DO SOLAR, R. (2006) A explicação em ecología. Treball de recerca. Doctorat de Filosofia. Universitat Autònoma de Barcelona.
  3. MARONE, L. e R. GONZÁLEZ DO SOLAR. (2006) “O valor cultural da ciência e a tecnologia”. Apontes de Ciência e Tecnologia 19: 35-42.
  4. AGASSI, J. (1990) “Ontology and its discontent”. Em G. DENEGRI & G. MARTÍNEZ (eds.) Tópicos Actuais em Filosofia da Ciência. Homenagem a Mario Bunge em sua 80 aniversário. Mar da Prata, Editorial Martín. P. 105.
  5. AGASSI, J. (1990) Op. cit., p. 105.
  6. HEMPEL, C. G. & P. OPPENHEIM (1948) “Studies in the logic of explanation”. Philosophy of Science 15: 135-175. Reimpreso em Hempel (1965), pp. 245-290.
  7. SALMON W. S. (1989) “Four Decades of Scientific Explanation”. Em P. KITCHER & W. S. SALMON (eds.) Minnesota Studies in the Philosophy of Science Vol. XIII. Scientific Explanation. Minneapolis, University of Minnesota Press. Pp. 3-220.
  8. Bunge, M. (2007) À caça da realidade. A controvérsia sobre o realismo. Barcelona, Gedisa. P. 355
  9. SALMON W. S. (1989) Op. cit.
  10. GLENNAN, S. (2002) Rethinking mechanistic explanation. Philosophy of Science 69: S342-S353.
  11. LOSEE, J. (2001) Introdução histórica à filosofia da ciência. Trad. A. Montesinos. Madri, Aliança Universidade.
  12. ACHINSTEIN, P. (1985) “The Pragmatic Character of Explanation”. Em Explanation . David-Hillel Ruben (ed.) Oxford University Press (1993): 327-344.
  13. VÃO FRAASSEN, B. (1980) The Scientific Image. Oxford University Press. [Há versão castelhana: A imagem científica. Trad. Sergio Martínez. Buenos Aires, Paidós, 1996].

Bibliografía introductoria

Outros recursos

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