| Falange Espanhola das JONS | |
|---|---|
| Presidente/a | Diego Márquez Horrillo |
| Secretário/a general | Norberto Bico Sanabria |
| Fundação | 29 de outubro de 1933. |
| Sede | C/ Fernando Garrido 16 1º - 28015 - Madri, |
| Ideologia política | fascismo, ultranacionalismo,[1] totalitarismo, extrema direita, nacionalsindicalismo, antiliberalismo, anticomunismo antiparlamentarismo,[2] [3] imperialismo, catolicismo, tercerposicionismo. |
| Partidos criadores | em 1934: Falange Espanhola JONS a partir de 1976: Frente Nacional Espanhol Unidade Falangista Montañesa Círculos José Antonio Falange 2000 FFGG das JONS Falange Espanhola Independente |
| Afiliación internacional | Nenhuma. |
| Sitio site | www.falange.es |
| Publicação | Pátria Sindicalista |
Falange Espanhola das JONS (FÉ das JONS) é um partido político espanhol da direita radical, ultranacionalista, de ideologia fascista e conservadora.[4] Seu objectivo é a instauración de um Estado totalitario nacional-sindicalista,[5] para cuja consecución promove o uso da violência e a acção directa.[6] Foi fundado o 29 de outubro de 1933 por José Antonio Primo de Rivera (advogado, filho do general Miguel Primo de Rivera), Julio Ruiz de Alda e Alfonso García Valdecasas.[7]
O partido foi dado a conhecer em um mitin celebrado no Teatro da Comédia de Madri . Em fevereiro de 1934 fundiu-se com as Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista (JONS), fundadas por Onésimo Redondo e Ramiro Ledesma Ramos, entre outros. Com esta fusão, passou a denominar-se Falange Espanhola das JONS (FÉ das JONS). Em 1937, o general Francisco Franco decretou a unificação de Falange e o movimento carlista, formando assim Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS (FET e das JONS).[7] .
Conteúdo |
A ideologia de Falange é o nacionalsindicalismo. Tratava-se de um fascismo à italiana com componentes tomados do catolicismo. José Antonio Primo de Rivera, seu fundador, interessou-se por um fascismo de cuño italiano e nos primeiros tempos não se opôs ao emprego da etiqueta de "fascista".[9] [10] A julgamento do historiador Payne, a Falange não se diferenciava no fundamental do partido fascista italiano, utilizando em ocasiões sua mesma retórica.[11] Não obstante, o falangismo dispôs de rasgos próprios.[12] Caracterizou-se por seu catolicismo.[13] Também a unidade de Espanha se enuncia no segundo ponto programático: "Espanha é uma unidade de destino no universal". E ao imperialismo característico de outros movimentos fascistas, enunciado no ponto terceiro (Temos vontade de império… Reclamamos para Espanha um posto preeminente na Europa"), acrescenta um carácter panhispánico: "Respecto dos países de Hispanoamérica, tendemos à unificação de cultura, de interesses económicos e de poder.[14] A diferença de outros fascismos e apesar de sua retórica, a Falange não pretendia um "Estado Novo" e um "homem novo", senão que estes seriam consequência do tradicionalismo católico.[15]
A Falange propugnaba a criação de um Estado Sindical totalitario no que a luta de classes seria superada pelo Sindicato Vertical, que agruparia em um mesmo organismo a empresários e trabalhadores organizados por ramos da produção. A propriedade dos meios de produção se sindicalizaría e administrar-se-ia de forma autogestionaria. Estando historicamente financiada, principalmente, pelo capital e ter consideráveis afinidades com o resto de forças da direita radical, sempre tem manifestado uma repulsa demagógica do sistema capitalista.[15] A seu ideário político une-se como elemento populista um ambiguo programa de reformas sociais qualificado pelos falangistas de "revolucionário".[15]
FÉ das JONS elaborou um guião de 27 pontos a modo de programa.[16] Os primeiros três pontos fazem referência à unidade da nação e ao Império:
Os pontos 4, 5 e 6 desenvolvem aspectos militaristas. E os pontos 6, 7 e 8 aspectos sobre o Estado e o indivíduo:
Os pontos 9 ao 16 estão referidos à economia e o trabalho. No ponto 9 enuncia: "Concebemos a Espanha no económico como um gigantesco sindicato de produtores" e nos seguintes declara sua postura contrária ao capitalismo, ao comunismo e à luta de classes. No ponto 12: "As riquezas têm como primeiro destino -e assim afirmá-lo-á o novo Estado- melhorar as condições de vida de quantos integram o povo. Não é tolerable que massas enormes vivam miseravelmente enquanto uns quantos desfrutam de todos os luxos." Nos pontos 13 ao 16, reconhece-se a propriedade privada como um bem lícito, se defende a nacionalización da Banca e dos grandes serviços públicos, se reconhece o direito ao trabalho e, também, o dever de trabalhar.
Nos pontos 17 ao 22 desenvolve sua política do campo, uma síntese de uma particular reforma agrária. Os pontos 23 ao 25 dedicam-se à educação e a religião:
Também se fala de uma formação premilitar de todos os homens, e no ponto 24: "A cultura organizar-se-á para que não se malogre nenhum talento por falta de meios económicos. Todos os que o mereçam terão fácil acesso inclusive aos estudos superiores." O ponto 25 refere-se à religião:
O ponto 26 enuncia seu espírito revolucionário e o 27 (suprimido por Franco no decreto de unificação com os requetés), sua intenção de não pactuar na conquista do Estado.
O jugo e as setas provem de Virgilio (70 a. C. – 19 a. C.), baseando para as setas em sua Eneida, e para o jugo nas Geórgicas.[cita requerida] As setas simbolizariam a guerra, e o jugo os labores agrários; estes dois símbolos fizeram parte da heráldica dos Reis Católicos ao unir seus dois reinos, representando o jugo a Fernando e o faz de setas a Isabel, emblemas que, em um jogo cortesano, levavam em seu nome a inicial do consorte: a E de Ysabel , presente à inicial do emblema de Fernando, o Jugo; e o F de Fernando, presente à divisa de Isabel, as Setas.
A Falange tomou estes dois símbolos, já que representavam um grande esplendor da história de Espanha, ao igual que Mussolini adoptou as fasces do Império romano.
Em 1933 , Primo de Rivera começa a interessar pela ideologia fascista.[17] Em fevereiro junto a Manuel Delgado Barreto (antigo colaborador de seu pai), director do diário conservador A Nação, lançam o jornal O Fascio. À tentativa somam-se Rafael Sánchez Mazas e Juan Aparicio López.
Do Fascio só chegará a se plotar um número e boa parte de suas instâncias foram retiradas pela polícia. Nesse número colaboram com seus artigos o próprio Primo de Rivera (que assina o artigo Orientações para um novo Estado baixo a inicial "E" de Marqués de Estella) e Ramiro Ledesma. Completam o jornal extensos artigos sobre Mussolini e Hitler.[18] Não obstante o falhanço, o grupo segue reunindo-se e cedo unem-se a eles Julio Ruiz de Alda e Alfonso García Valdecasas. Juntos formam o Movimento Espanhol Sindicalista, em cuja propaganda figurava como subtítulo Fascismo Espanhol (FÉ).[19]
Em agosto, com a intermediación do ultraderechista basco José María de Areilza, a direcção de MÊS-FÉ reúne-se com Ramiro Ledesma para tentar-se seu apoio. Não se chega a nenhum acordo, já que Ramiro Ledesma só contempla a possibilidade de que o novo grupo se integre nas JONS.[20]
Em outubro, José Antonio Primo de Rivera viaja a Itália , entrevista-se com Mussolini e visita a sede do Partito Nazionale Fascista, com o propósito de obter conselhos e informação para a organização de um movimento análogo em Espanha.[21]
No domingo 29 de outubro tem lugar a fundação formal da Falange[22] no teatro da Comédia de Madri, em seu discurso fundacional Primo de Rivera, entre outras coisas, diria:
Que desapareçam os partidos políticos. Ninguém tem nascido nunca membro de um partido político; em mudança nascemos todos membros de uma família; somos todos vizinhos de um município; nos afanamos todos no exercício de um trabalho...[...]
Se nossos objectivos têm de conseguir em algum caso pela violência, não nos detenhamos ante a violência. [...] Bem está a dialéctica como primeiro instrumento de comunicação, mas não há mais dialéctica admissível que a dialéctica dos punhos e das pistolas quando se ofende à justiça e à Pátria.[23] [24]Nos meses seguintes, a Falange disputa-se com as JONS a escassa capacidade de convocação do fascismo. As JONS deixam de receber as escassas contribuições que recebesse de sectores financeiros que agora, junto aos monárquicos, se decantan por financiar à Falange.[25] A Falange, com mais capacidade de manobra, capitaliza a chegada de novos adeptos, conseguindo rapidamente superar em número de filiados às JONS. Ramiro Ledesma, sem os apoios da oligarquía financeira, recebe pressões para que se funda com a nova Falange.[26] O 11 de fevereiro de 1934 o Conselho Nacional das JONS reúne-se para considerar a possível fusão com Falange, e o 15 de fevereiro, com a aprovação do Conselho Nacional, atinge-se o acordo com a Falange, segundo o qual a nova formação denominar-se-ia FÉ das JONS e estaria dirigida por um triunvirato, dois membros de Falange : Primo de Rivera, Julio Ruiz de Alda; e um das JONS: Ramiro Ledesma.[27] [28]
Em agosto desse mesmo ano, Primo de Rivera chega a um acordo com o partido monárquico Renovação Espanhola, mediante o qual, este financiará a FÉ das JONS com 10 000 pesetas mensais com o compromisso desta outra de não opor à restauração da monarquia.[29]
Esta ajuda estava condicionada ao incremento das milícias que combatiam às formações de esquerdas, se criando um "elemento técnico que actuará em contacto permanente com o comando de FÉ das JONS, principalmente em seu aspecto militar e de choque".[31]
Ao iniciar-se o 1935, as diferenças entre Primo de Rivera e Ramiro Ledesma eram insalvables. Ramiro Ledesma reuniu-se com os antigos dirigentes das JONS para avançar para uma escisión. O 14 de janeiro publicou-se no Heraldo de Madri uma nota de Ramiro Ledesma, Onésimo Redondo e Nicasio Álvarez Sotomayor na que se expressava a necessidade de "reorganizar as JONS fora da órbita de Falange". Primo de Rivera não demorou em reagir, convocou uma reunião da Junta de Comando e o 16 de janeiro Ledesma foi oficialmente expulsado.[32]
Os resultados eleitorais da Falange durante a II República foram sempre muito escassos. Esta pobreza de resultados deveu-se a várias razões, entre elas, que em Espanha não tinha um nacionalismo fortemente arraigado, senão que pelo contrário, existiam fortes sentimentos nacionalistas periféricos (por exemplo, os nacionalismos catalão e vascão), isto privava à ideologia fascista, baseada sobretudo no ultranacionalismo, de seu principal baza; também à escassa secularización da sociedade espanhola e ao sucesso de outras forças de direitas como a CEDA.[33] O socialista Luis Araquistáin publica em abril de 1934 um artigo no jornal estadounidense Foreign Affairs no que analisa as escassas possibilidades do fascismo em Espanha:
Também não conseguiram uma solvencia económica. Ainda que, em princípio, recebesse mais apoios de grandes financeiros e terratenientes que as JONS,[35] estes não foram suficientes até que em 1935 fosse subvencionada mensalmente com 50 000 liras pelo governo italiano. Subvención que foi reduzida à metade para, posteriormente, ser retirada depois dos pobres resultados eleitorais de 1936.[36] Nem a doutrina nacional-sindicalista conseguiu atrair aos trabalhadores, enquadrados estes nos sindicatos de classe maioritários (UGT e CNT). Neste período não conseguiu ter nenhum deputado nos Cortes, já que ainda que José Antonio Primo de Rivera conseguiu a acta de deputado nas eleições de novembro de 1933, o fez através de uma candidatura conservadora de Cádiz, denominada União Agrária e Cidadã.
O 15 de novembro de 1935 celebrou-se o Segundo Conselho Nacional de Falange, do que saiu a proposta de formar uma Frente Nacional Espanhol para opor às formações de esquerdas nas próximas eleições. Esta proposta foi ignorada; mas, mais adiante, José María Gil-Robles realizou sua própria proposta que se concretaría na Frente Nacional no que se agrupava a CEDA e os monárquicos do Bloco Nacional. A Falange, em princípio, mostrou sua intenção de integrar-se nele. Primo de Rivera entrevistou-se com Gil-Robles o 14 de janeiro de 1936, chegando a um primeiro acordo que garantia a Falange três actas de deputado e outras três possíveis. Primo de Rivera coincidiria pela circunscrição de Salamanca junto ao próprio Gil-Robles para garantir sua acta. Ao dia seguinte, em uma segunda entrevista, Primo de Rivera comunica a Gil-Robles a rejeição do anterior acordo, a direcção de Falange não o tinha aceitado.[37] Gil-Robles respondeu-lhe que não estava em condições de lhe oferecer nenhuma acta mais. Ainda existiriam outros contactos sem que, ao final, fosse possível o acordo.[38]
As eleições do 16 de fevereiro de 1936 foram ganhadas pela Frente Popular. A Falange, que se apresentava em solitário, não conseguiu nenhuma acta de deputado, obtendo unicamente 46 000 votos no conjunto de Espanha,[39] isto significava o 0,7% do electorado. Tal derrota deveu-se a que a CEDA se considerou a mais clara opção para a direita e a que Primo de Rivera, que realizou uma intensa campanha eleitoral, não ligava em seus discursos com a audiência.[40] [41] Estas eleições puseram de manifesto a escassa entidade de FÉ das JONS. Primo de Rivera tinha dito que contavam com mais de 60 000 militantes e em Madri 11 000. Em Madri, os votos conseguidos por FÉ das JONS não chegaram a 5000, o 1,2%.[42] [43]
A partir do triunfo eleitoral da Frente Popular, Falange, que até então era uma formação muito minoritária, com presença unicamente na rua, recebe uma avalanche de militantes da juventude da CEDA, descontenta com a que consideravam posição moderada de seu partido.[44] A situação de agitación em Madri e nas principais cidades aumentou e os confrontos armados entre militantes dos partidos da esquerda e os falangistas atingiram extrema gravidade. Depois do atentado, o 11 de março de 1936 , contra o catedrático de Direito e militante socialista Jiménez de Asúa, levado a cabo por um militante falangista, o juiz municipal que lhe processou foi assassinado às 48 horas por pistoleros falangistas.[45]
Estes factos determinaram a ilegalización da Falange e seus dirigentes, entre eles Primo de Rivera, que foram encarcerados o 14 de março. Posteriormente os tribunais de justiça —Audiência de Madri, em sentença de 30 de abril de 1936, e Tribunal Supremo, em sentença de 8 de junho do mesmo ano— absolvem a Primo de Rivera e aos seus declarando legítima, dentro do marco constitucional espanhol —conforme aos artigos 34 e 39 da Constituição de 1931 e Lei de Associações de 30 de junho de 1887—, a doutrina de Falange Espanhola, ficando sem efeito o processamento lembrado pelo juiz de Instrução contra Primo de Rivera e os falangistas que lhe acompanham. Não obstante, seguiu no cárcere ao ter sido condenado a nove meses de reclusão por tenencia ilícita de armas (encontraram-se-lhe três pistolas carregadas em seu domicílio).
Tendo-se que repetir as eleições em Granada e Cuenca ao ter existido irregularidades nestas províncias, a CEDA, por mediação de Serrano Suñer e o monárquico Antonio Goicoechea, acedeu a incluir a Primo de Rivera nas listas de Cuenca, com possibilidades de ser eleito; assim conservaria a inmunidad parlamentar e sairia do cárcere (na mesma lista se quis incluir também ao general Franco, mas este foi vetado por Primo de Rivera). Mas desde a Junta Eleitoral declarou-se que só eram válidos aqueles candidatos que já o fossem nas eleições originais, pelo que foi eliminado da lista (Primo de Rivera se tinha apresentado às eleições pela circunscrição de Cádiz conseguindo 7.499 votos, o 4,6% do electorado).[46] [47] [48]
No mês de julho de 1936 , Primo de Rivera seguia encarcerado em Alicante , após dois julgamentos por diferentes causas. Desde ali estava em contacto com os principais conspiradores que materializaron a sublevación contra a II República e que culminou com a rebelião, o 17 de julho, do Exército da África (ao que depois incorporar-se-ia para o dirigir o general Franco), seguida ao dia seguinte de outras guarniciones peninsulares.
No período da II República as organizações juvenis caracterizaram-se por seu carácter violento. As juventudes de esquerdas proclamavam-se revolucionárias e as juventudes de direitas, antiliberales. Os confrontos entre ambas eram frequentes. Umas e outras, escapando ao controle de seus respectivos partidos, contradiziam abertamente a actividade destes no Parlamento.[49] A situação no âmbito trabalhista não era melhor, as organizações operárias se enfrentavam a grupos de pistoleros ao serviço dos interesses dos patronos. Neste contexto surge Falange Espanhola com a prática da violência como parte de seu ideário.
Como outros movimentos fascistas, F.E. pôs especial interesse em enquadrar em suas bichas a jovens, organizando em uma estrutura paramilitar e canalizando sua rebeldia para a prática metódica e organizada da violência política.[50] Nas fichas de afiliación tinha uma lacuna na que se fazia constar se se possuía "bicicleta", eufemismo de pistola, e se entregavam porras flexíveis forradas de metal.[51] Em janeiro de 1934 o jornal republicano a voz publicou um documento interno no que se teorizaba sobre a violência e se davam instruções precisas de como a exercer:[52]
Os golpes de mão têm de estar perfeitamente preparados anteriormente até nos menores detalhes e levados a cabo com pessoas de confiança… Seus objectivos estão em todas partes: na rua e baixo techado, de dia e de noite, sobre pessoas ou sobre coisas, e são de um efeito tão grande que, levado e executado com precisão e audacia podem resolver situações muito comprometidas […]
A luta de massas: […] Sua modalidade de emprego é a luta a fundo, e vai precedida da provocação, ainda que às vezes emprega-se também a surpresa. A força que a executa é, no mínimo, a falange (formada por 33 indivíduos: três ‘escuadras’ compostas por 9 filiados, um chefe e um subjefe), unidade a propósito para esta classe de actuações, pois por si sozinha leva a todos os médios combativos necessários.
Execução da luta: Divididos em escuadras e em contacto estreito entre indivíduos da cada uma delas, para que nunca fique nenhum isolado, distribuir-se-ão estrategicamente, tentando rodear ao invés e, a um sinal convindo do chefe da falange, actuarão com a maior violência…[53]As milícias denominadas Falange do Sangue (posteriormente passou a chamar-se Primeira Linha), estiveram dirigidas inicialmente pelo militar retirado Luis Arredondo. Começaram a provocar e misturar-se em escaramuzas. Sucederam-se os altercados de rua e as operações de castigo. A distribuição de sua publicação F.E., voceada por seus próprios militantes (os quioscos tinham-se negado a distribuí-la pressionados pelas organizações de esquerdas), propiciou os principais focos de confrontos.[54] Falange, na Universidade de Madri, criou um sindicato de estudantes, o SEU, em contraposição ao maioritário FOI, com o objectivo de "destruir-lhe" .[55] O 25 de janeiro de 1934 levou-se a cabo uma dessas operações de castigo contra o FOI na Faculdade de Medicina, deixando a um membro de FOI-A gravemente ferido.
Os primeiros mortos produziram-se no bando da Falange. O 7 de fevereiro, duas semanas após o incidente da Faculdade de Medicina, Matías Montero Rodríguez, estudante de medicina e cofundador do SEU, morreu tiroteado quando regressava a sua casa após ter distribuído F.E.[56]
Pela dialéctica da Falange, esperava-se que esta morte fosse vingada, o que não ocorreu. Desde os meios de comunicação começaram a ironizar sobre o carácter fascista de Falange. Wenceslao Fernández Flórez chamou-os franciscanistas e não fascistas. No ABC, Álvaro Alcalá Galiano perguntava-se Onde estão as misteriosas legiones fascistas? A FÉ chamou-lha Funeraria Española e a Primo de Rivera, Juan Simón o Enterrador. Em F.E. contestou-se a estas críticas: "Falange Espanhola aceitará e apresentará combate no terreno que lhe convenha, Falange Espanhola não se parece em nada a uma organização de delinquentes, nem pensa copiar os métodos de tais organizações, por muitos estímulos oficiosos que receba."[57]
No final de fevereiro e princípios de março, em Valladolid morre assassinado outro militante falangista, outro em Gijón e um terceiro em Madri . Estas mortes coincidem com a destituição de Arredondo à frente da Falange de Sangue, substituído pelo aviador Juan Antonio Ansaldo, que as organizou com o mais puro e sangrento estilo fascista.[58] Os falangistas demoraram semanas em responder com contundência a estas agressões […] isso era assim, não por que os responsáveis por FÉ fossem partidários de uma política de contemporización em frente à pressão das organizações operárias, senão pelas próprias carências de Falange.[59] Desde as bichas de Falange protestou-se pela inacción ante o indentado que se estava a produzir. O líder das JONS, Ramiro Ledesma, somou-se às críticas:
A partir de abril, com a fusão das JONS, as milícias fortaleceram-se com a incorporação dos jonistas. Começaram a ser mais efectivas em suas represálias, dedicando-se também ao desenvolvimento de uma táctica de terror contra as organizações de esquerda.[61] A primeira vítima mortal nas bichas das formações de esquerda deu-se o 10 de junho de 1934, quando um comando de FÉ das JONS, como represália à morte, nesse mesmo dia, de um os seus, tiroteó a um grupo de excursionistas das Juventudes Socialistas matando à jovem Juanita Rico, deixando incapacitado a seu irmão menor e ferindo de bala a outros vários.[62]
A actividade da Falange esteve dificultada por frequentes clausuras de seus locais e a proibição de muitos de seus actos por causa dos numerosos incidentes violentos que protagonizavam.[63] Suas milícias não duvidaram em utilizar a adolescentes em suas acções como se demonstrou com a morte em um confronto com armas do estudante de bachillerato Jesús Hernández de quinze anos de idade. Integrado no SEU demonstrou-se que, ao igual que seus colegas da mesma idade, portavam pistolas.[64]
Com o triunfo da Frente Popular nas eleições de fevereiro de 1936, a violência se recrudeció chegando a situações de extrema gravidade. Cabe destacar o atentado contra o catedrático Jiménez de Asúa e o posterior assassinato do magistrado Manuel Pedregal, palestrante do caso, que condenou a um falangista e a seus dois cúmplices. Nestes meses, até o pronunciamiento do 18 de julho, morreram em confrontos violentos e atentados uns 40 falangistas e não menos das organizações de esquerda. Um chefe territorial de Falange se jactó de que "o Depósito judicial acolheu pela cada um dos nossos a dez dos contrários".[65]
A Falange nasce já como uma força antiparlamentaria que contempla a violência como método para atingir seus fins:
Esse espaço que anunciava Primo de Rivera em seu discurso foi a desestabilización política[66] e a conspiração. No relatório secreto sobre a situação política espanhola que Primo de Rivera redigiu para o governo italiano em 1935, sobrevalorando a capacidade de Falange, informava:
Se um governo de esquerdas, mais ou menos socialista, chega ao poder, todo o Exército, enquanto esteja mandado por seus chefes actuais, seguirá de bom grau ao primeiro que lance a consigna da rebelião nacional. Todos os partidos de direitas duvidarão e o Exército não tomará por si mesmo a iniciativa. Poderia ser a Falange quem fizesse-o.
Mas não há que sonhar. Pelo momento, a tarefa dos organizadores da Falange é trabalhar sem descanso por fortalecer todos os órgãos: será no mês de outubro quando se possa falar de um plano integral e calcular os elementos dos que se deva dispor para o cumprir.Em novembro de 1934, Primo de Rivera já tinha enviado uma circular aos oficiais do exército lhes incitando à sublevación: Este será o instante decisivo; o redoble ou o silêncio de vossas ametralladoras resolverá se Espanha tem de seguir languideciendo ou se pode abrir a alma à esperança de imperar.[68] No final de 1934 ou princípios de 1935, elaborou a composição do possível governo que sairia do golpe de Estado. Formado principalmente por falangistas, também figuravam Franco, Mola e Serrano Suñer como ministros da Defesa Nacional, Gobernación e Justiça, respectivamente. Primo de Rivera se autonombraría chefe daquele governo.[69]
Em junho de 1935, a cúpula falangista reuniu-se com os chefes territoriais no parador de Gredos para preparar a insurrección. O início seria em Salamanca para possibilitar a incorporação do general Sanjurjo (por então exilado em Portugal ) e, também, a possível fugida em caso de falhanço. Tinha-se contactado com vários generais para que se somassem à revolta, se falou da provisão de 10 000 rifles e do adiestramiento em Navarra de voluntários carlistas.[70] O plano não conseguiu os apoios necessários. Em novembro de 1935 ainda proporia outro plano para fazer com o poder. A insurrección, desta vez, começaria em Toledo com a colaboração do general Moscardó. O plano, qualificado de descabellado, também não encontrou os apoios suficientes. Mais adiante, recorreria directamente a Franco, chefe do Estado Maior, para que apoiasse a insurrección. Na entrevista, Franco em todo momento desviou a conversa.[71]
Primo de Rivera e Franco conheceram-se em fevereiro de 1931 no casamento de Ramón Serrano Suñer com a cuñada de Franco, Zita Pólo. Franco foi o padrino da noiva e Primo de Rivera testemunha do noivo. Apesar dos esforços de Serrano Suñer, estes não travaram amizade.[72]
No final do verão de 1934, momento de tensão entre a direita e a esquerda, escreveu uma carta a Franco na que tentava lhe persuadir para que desse um golpe de Estado. Cria uma iminente vitória dos socialistas e considerava esta vitória como uma "invasão estrangeira". Franco não se dignou lhe responder. Franco não tinha o menor interesse em assumir os riscos que comportaria sua associação com insignificantes organizações fascistas.[73] Primo de Rivera e Franco voltariam a encontrar no domicílio do pai de Serrano Suñer. Foi em meados de fevereiro de 1936, pouco dantes das eleições que ganharia a Frente Popular. Novamente, e agora de forma acalorada, Primo de Rivera lhe propôs dar um golpe de Estado que impusesse um governo nacional contrarrevolucionario. Franco eludiu o tema com evasivas.[74]
A partir de maio de 1936, já desde o cárcere, mantém correspondência com o general Mola.[75] Em uma carta que Primo de Rivera lhe fez chegar a Pamplona, não lhe prestava seu apoio total e falava de condições, lhe oferecendo 4000 falangistas disponíveis desde o primeiro dia do levantamento.[76] O 13 de julho manda outra carta na que lhe pedia acelerar a sublevación. ""Tem o carácter de apelação suprema. Estou convencido de que a cada minuto de inacción se traduz em uma apreciable vantagem para o governo." Cruza-se a comunicação que Mola lhe enviou, por médio de um oficial, informando do dia do levantamento. Primo de Rivera, o 17 de julho, redigiu um manifesto no que expressava a participação sem reservas da Falange na rebelião.[77]
Na Guerra Civil, os falangistas participaram activamente na repressão exercida pelos sublevados.[78] Numerosas unidades ficaram na retaguarda encarregadas deste labor e, ainda que em grande parte operaram como mero braço ejecutor dos comandos militares, também exerceram acções de forma autónoma, principalmente durante os anos 1936 e 1937.[79] Paralelamente, foram objecto assim mesmo da violência na zona republicana. Na frente, lutaram enquadrados em suas próprias unidades e baixo as ordens do comando militar.
Primo de Rivera foi julgado baixo a acusação de inductor à rebelião militar e condenado a morte;[80] foi fuzilado, sem esperar o inteirado do Governo, na prisão de Alicante o 20 de novembro de 1936 . A sua morte, sucedeu-lhe à frente de Falange Manuel Hedilla.
A Falange e os Carlistas foram os dois grupos políticos que mais activamente, e desde o primeiro momento, colaboraram no que começava a se chamar o Movimento Nacional. Primo de Rivera, já dantes de criar a Falange, se tinha referido aos carlistas como a única formação de autêntica doutrina nacionalista, ainda que demasiado ancorada no passado.[81] Franco, no outono de 1936 pôs-se à fala com os dirigentes de ambos grupos para possibilitar sua unificação. Manuel Hedilla, por parte de Falange, mostrou-se partidário da unificação:
Ambas formações se reuniram em várias ocasiões, chegando a acordos parciais.
Em abril de 1937, em Salamanca, foi questionado a liderança de Hedilla, e um grupo de dissidentes constituiu um triunvirato para assumir a nova direcção. Na noite do 16 desse mesmo mês, Hedilla envia aos domicílios destes dirigentes pelotones armados que foram recebidos a balazos. Na refriega morre um guarda-costas de um dos dissidentes e outro do próprio Hedilla. Ao dia seguinte, Hedilla convoca o Conselho Nacional de Falange, ainda sem atingir a maioria (obteve 10 votos dos 24 possíveis; o resto absteve-se ou votou por outros candidatos), foi proclamado Chefe Nacional.
Essa mesma noite, Franco anunciou por rádio o decreto de unificação. Hedilla, que esteve presente durante o comunicado de Franco, também esteve presente ao balcón junto a Franco quando este saudou aos manifestantes que celebravam a unificação,[83] não mostrou disconformidad com o mesmo e informou na sede de Falange que a unificação respeitava os 27 pontos programáticos com mal modificações. O decreto, publicado o 19 de abril, nomeava a Franco Chefe Nacional e a Hedilla primeiro membro da Junta Política. Hedilla, que aspirava ao menos a secretário geral em funções, recusou o cargo. O 25 de abril foi detido arguido de incitación à desordem e rebelião.[84]
O decreto não propôs uma resistência organizada nem por parte de Falange nem pelo carlismo. Unicamente, em algumas cidades, deram-se pequenas manifestações contrárias que se solventaron com 1.521 detenções e 288 condenações de diferente ordem. Hedilla foi condenado a morte, ainda que a pena comutou-se pela de desterro. Passando pelo cárcere das Palmas de Grande Canaria, cumpriu quatro anos de desterro em Mallorca.[85]
O seguinte conato de disidencia produzir-se-ia a primavera de 1942 por parte de um grupúsculo denominado Falange Autêntica, que distribuiu umas octavillas nas que se chamava a uma autêntica revolução nacional-sindicalista que deveria dar com o apoio da Alemanha nazista e implicandose Espanha na II Guerra Mundial ao lado do Eixo.
Actuais grupos falangistas, como FÉ-JONS Autêntica, Falange Espanhola Independente e a própria FÉ-JONS, consideram que o Decreto de Unificação acabou com a Falange Espanhola das JONS e afirmam ser os autênticos poseedores da ideologia falangista.
Ainda que a Falange tivesse veleidades verbais radicais e chocasse com os franquistas puros, todos seus elementos, inclusive os mais radicais, se integraram sem problemas no regime.[86] Franco converteu-se, depois do Decreto de Unificação, no Chefe nacional de FÉ das JONS e Caudillo do Movimento; com plenos poderes, não devia responder senão ante "Deus e a História".
Finalizada a guerra, FET e das JONS constitui-se no braço político do regime franquista, sendo também conhecida como Movimento Nacional e constituindo o Partido único oficial em Espanha entre 1939 e 1975, ao que era necessário ou conveniente pertencer para exercer muitos cargos da Administração. Isto constituiu o típico cursus honorum para políticos ambiciosos. Estes novos conversos foram chamados camisas novas, em oposição às camisas velhas ou militantes de dantes da guerra. O Movimento apreendeu-se das propriedades dos partidos de oposição e dos sindicatos, todos eles declarados ilegais pelo novo regime.[7]
FET das JONS, já desde o tempo da Guerra Civil, criou organizações juvenis tais como o denominado Frente de Juventudes, designando a seus componentes com nomes como Setas e Pelayos, de forma similar a como o faziam as organizações juvenis alemãs Hitlerjugend e italianas com suas Balilla e Arditi. Também criou uma organização de carácter social, primeiro telefonema Auxilo de Inverno que posteriormente passou a se chamar Auxilio Social.[7]
Assim mesmo deu um grande impulso à Secção Feminina, dirigida pela irmã de José Antonio Primo de Rivera, Pilar, que se encarregava de instruir às jovens sobre como ser boas patriotas, boas cristãs e boas esposas; adoctrinando às mulheres no princípio, comum nos movimentos fascistas, da supremacía masculina:
O labor da Secção Feminina teve aspectos interessantes por suas afanes em manter tradições espanholas, como a cozinha ou os dances regionais. Em seu afán paternalista propôs-se a formação das mulheres no cuidado dos recém nascidos, medidas de higiene e formas de organização familiar.
Jamais se desenvolveram as reformas de carácter social presentes no ideário nacionalsindicalista, como a distribuição da terra (pelo contrário, se anulou a iniciada reforma agrária da II República), nem reformas radicais da economia, como a nacionalización da banca; aspectos aos que com frequência aludiam os dirigentes franquistas e falangistas como a Revolução pendente.[7]
Os ministros de FET das JONS tiveram um papel importante nos começos do franquismo, mas após os tratados com Estados Unidos, Franco foi dirigindo suas preferências para políticos mais jovens e membros do Opus Dei.
A primeira evolução do Movimento foi seu "desfascistización". Em 1943 a delegação nacional de Propaganda dava instruções muito concretas:
Ainda que os próprios dirigentes falangistas viram a necessidade de afastar-se de posições fascistas, surgiram disidencias no seio de FET das JONS que se concretaron em louvores públicas à deteriorada República Social Italiana de Mussolini e acções violentas contra as embaixadas dos aliados.[89]
O Regime foi-se afastando paulatinamente do Eixo; ainda que seguiu colaborando, retirou à Divisão Azul e com a queda do Terceiro Reich, a jefatura do Movimento (FET das JONS tinha passado a denominar-se “o Movimento”) enviou directrizes para que a derrota do Eixo se visse como o triunfo do regime que, segundo estas directrizes, em Espanha se tinha mantido afastada da guerra e sempre esteve preocupada pela paz.[90]
Durante os anos 1950, as figuras políticas e culturais do Movimento foram perdendo influência e relevância, dando passo aos tecnócratas do "Opus" com o que surgiu outra nova onda de disidencias. O 1 de abril de 1959 inaugurava-se o "faraónico panteón de Franco", o Vale dos Caídos. Dias dantes tinha-se transladado a ele o caixão de "José Antonio". Durante a exhumación de seus restos no Escorial, pequenos grupos de falangistas gritaram frases como: "Falange sim, Movimento não", "Não queremos reis idiotas", "A Falange ao lado do povo exige a revolução".[91]
Nos últimos anos da ditadura surgiram novas correntes dissidentes no seio do falangismo; umas toleradas pelo Regime e outras mais clandestinas que pretendiam recuperar os princípios e o ideário falangistas. Entre estas últimas encontrava-se um pequeno grupo denominado Frente Nacional de Trabalhadores e a Frente Sindicalista Revolucionário no que se integrou Manuel Hedilla, se incorporando assim à política após 29 anos de inactividade.[92]
Após a morte de Franco em 1975 , instaura-se a monarquia e começa a democratização da política espanhola, liderada por Adolfo Suárez, antigo ministro Secretário Geral do Movimento.
Nesta época existem profundas divisões no falangismo. Em 1977 são quatro os grupos que se disputam as siglas FÉ das JONS. Os Círculos Doctrinales José Antonio (presididos por Diego Márquez Horrillo); Falange Espanhola Autêntica (FÉ-JONS (A)); um grupo que posteriormente formaria Falange Espanhola Independente, e a Frente Nacional Espanhol, liderado pelo que fosse secretário Geral da FET das JONS e ministro de Franco, Raimundo Fernández-Custa. Seria este último grupo o que, nos tribunais, ganhasse o direito a usar as siglas.[93]
Fé das JONS significou-se, junto a outros grupos neofascistas, por praticar a violência de rua e o terrorismo no primeiro período da Transição. Cabe destacar o assassinato do jovem Juan Carlos García Pérez.[94] [95]
Na tarde do 6 de maio de 1980, percorria as ruas do madrileno bairro de Cidade Linear uma manifestação das associações de vizinhos em protesto pelo assassinato do dirigente vecinal Arturo Pajuelo, também a mãos de grupos neofascistas. À sede provincial de Fé das JONS chegaram notícias de que se estava a pintar um monumento aos caídos, naquele tempo, localizado naquele bairro. Consideraram que era uma provocação e com o chefe provincial, José María Alonso Colar à cabeça se montaram nos carros e se dirigiram ao bairro. Uma vez ali, escolheram o bar San Bao,[96] entraram pistola em mãos, com barras de ferro e correntes, e ao grito de “Viva Cristo rei”, empreenderam-na a tiros e a golpes com todos os clientes. Juan Carlos García Pérez, que então se encontrava cumprindo o serviço militar, resultou morrido de um tiro nas costas.[94] [95]
Em 1979 , os Círculos Doctrinales José Antonio integraram-se em FÉ das JONS e Diego Márquez converteu-se em Subjefe Nacional de Falange. Nesse mesmo ano, Falange coincidiu às eleições gerais na coalizão União Nacional, junto ao partido ultraderechista Força Nova, liderado por Blas Piñar.
Em 1983 , depois do despedimento de Raimundo Fernández-Custa em julho, o Congresso de Falange elegeu a Diego Márquez Horrillo como Chefe Nacional, cargo que segue hoje desempenhando. Desde então, FÉ das JONS distanciou-se do passado franquista, declarando-se herdeira da Falange anterior à unificação decretada por Francisco Franco em 1937.
Em 1997 produziu-se uma escisión no seio de FÉ-JONS. Inicialmente surgida de um litigio sustentado entre Gustavo Morais e Diego Márquez Horrillo pela jefatura nacional de FÉ das JONS, e depois pela titularidad da representação legal do nome histórico de "Falange Espanhola das JONS", os tribunais deram a razão ao segundo a expensas da repetição do Congresso Nacional celebrado em 1995, que nunca se chegou a celebrar.[cita requerida] Os seguidores de Gustavo Morais, reagrupados em torno de Jesús López, fundaram em 1999 um novo partido, denominado A Falange (FÉ), também conhecido como FÉ/A Falange.
Falange Espanhola das JONS interpôs no ano 2004 uma demanda judicial contra A Falange (FÉ) por utilizar um nome que tende a confundir já que historicamente a FÉ das JONS lha tem denominado coloquialmente como "a Falange". A Sentença de Primeira Instância ditada em dito procedimento no final de 2004 negou rotundamente os argumentos de Diego Márquez condenando-lhe a pagar a costa do julgamento.
O 7 de fevereiro de 2004 , depois de quatro anos formando a coalizão eleitoral Falange 2000, Falange Espanhola Independente integrou-se em FÉ das JONS.
Virtualmente fora da vida política, os partidos inspirados na ideologia falangista, são vistos publicamente em diferentes actos públicos, os espaços televisivos de propaganda institucional das eleições e durante manifestações em datas históricas como o 20 de novembro (aniversário da morte de José Antonio Primo de Rivera). Sua presença e relevância na política espanhola deste período democrático tem sido escassa. Em 1977, Eleições Gerais nas que melhores resultados obtiveram, FÉ-JONS Autêntica (FÉ-JONS(A)) obteve 46.548 votos ao Congresso, o que supôs o 0,25% dos votos válidos; FÉ-JONS, 25.017 votos, o 0,14% e Falange Independente (FEI) 855 votos.
Nas Eleições Gerais de março de 2008, Falange Espanhola das JONS, única que se apresentou em todo o território nacional, obteve 14.023 votos, o 0,05% dos votos úteis.[97]
Actuamente os grupos que se autodenominan falangistas são:
Notícia[1]Wikinoticias[2]