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Festival de Cannes

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Palais dês Festivals et dês Congrès, sede do Festival de Cannes.

O Festival de Cannes (em francês: lhe Festival de Cannes) é um festival de categoria "A", celebrado na cidade francesa de Cannes acreditado pela FIAPF, junto com os festivais de Berlim , Donostia-San Sebastián, Mar da Prata, Karlovy Vary ou Veneza entre muitos outros (ver o enlace à FIAPF para a lista completa).

Conteúdo

História do festival

Origens

Ainda que a primeira edição do festival não tem lugar até 1939, a origem do mesmo se remonta a começos dos anos 30, quando os fascismos europeus acordavam, conformando quiçá sem o saber a nova cara do mundo contemporâneo. Podem-se procurar as raízes do actual festival na Veneza de 1932, onde se organizou o primeiro festival internacional de cinema. Naquela época o acontecimento tinha bem mais que ver com rivalidades nacionalistas que com os filmes em si mesmas. A Segunda Guerra Mundial acercava-se, e em Veneza começavam-se a favorecer as filmografías alemã e italiana.

Em 1938 todo mundo esperava que "A Grande Illusion" de Jean Renoir se levasse o grande prêmio, mas a Coppa Mussolini se foi ex-aequo para "Olympia", de Leni Riefenstahl e o filme italiano de Luciano Serra, "Pilota". Os franceses marcharam-se iracundos do festival, bem como os representantes britânicos e estadounidenses, em protesto pela irrupción da política na arte.

Imediatamente, um grupo de críticos e cineastas franceses reuniram-se para pedir ao governo francês que sufragase as despesas de um festival internacional de cinema na França, onde os filmes pudessem competir e ser vistos sem sesgos políticos nem repressão política. Ninguém queria por aquele então estar a más com Mussolini, mas o grupo resultou realmente persuasivo, com membros como Philippe Erlanger, à frente de Action Artistique Française; Robert Favre Lhe Bret, a cara visível do festival durante 50 anos; e um dos pais do invento, Louis Lumière.

Ficava por escolher um lugar para celebrar o festival, algum lugar na costa atlántica, como Biarritz, ou na mediterránea, que poderia ser Cannes. A cidade da costa azul comprometeu-se a construir uma sede à altura do acto e isso decantó definitivamente a balança.

E assim foi como finalmente o 1 de setembro de 1939 se inaugurou o Festival International du Filme... só para ser cancelado em um dia depois pelo início da Segunda Guerra Mundial.

Primeiras edições

Acabada a guerra, em setembro de 1947 celebrou-se a primeira edição do festival. Na seguinte década o festival tinha conseguido fazer-se um nome, e decidiu-se transladar o evento de setembro a abril. Por um lado, os festivais competidores de Veneza e Berlim estavam a celebrar-se em uns meses dantes, o que fazia que Cannes se perdesse grande parte das premieres. Por outro, a indústria turística local não acabava de ver a conveniencia de celebrar um acontecimento tão caro quando a temporada se acabava e a gente começava a se marchar.

Com o translado à primavera, o festival atraiu ainda mais aos melhores realizadores de todo mundo. Nos 50 premiou-se a nomes como Orson Welles, Luis Buñuel, Ingmar Bergman ou Satyajit Ray.

Em 1954 produzir-se-iam duas mudanças que modificariam para sempre a imagem que Cannes daria ao mundo. Em primeiro lugar, a orfebre parisina Suzanne Lazon propôs a palma como motivo para o galardão principal. Foi Jean Cocteau quem encarregou-se de fazer um layout do que a partir do ano seguinte chamar-se-ia a Palme d’Or.

O segundo grande mudança foi a entrada da sensualidad como parte integrante da imagem do festival. E é que durante uma sessão fotográfica de Robert Mitchum, a estrela francesa Simone Silva se desfez da parte superior de sua bikini e se lançou a seus braços. Esse momento já só seria eclipsado pela grande Brigitte Bardot, quem no final dos 50 tinha sempre uma cita com a imprensa na praia.

Nos anos sessenta e setenta

Nos começos, o Festival de Cannes era basicamente um acontecimento para turistas e gente de alta sociedade bem mais interessada pelas festas e o luxo que pelos filmes em si mesmas. No entanto, à medida que a popularidade do festival crescia, convertia-se também em cita inevitável para uma indústria cinematográfica, que via um marco ideal para fazer negócios e discutir novos projectos. Assim foi como em 1960 teve lugar o primeiro Marchei du Filme, se convertendo a partir de 1961 em parte integrante do festival.

Ao longo dos sessenta o festival converteu-se já definitivamente em um dos principais acontecimentos cinematográficos do ano, outorgando galardões a Federico Fellini ("A Dolce Vita"), Michelangelo Antonioni ("Blow-Up") e Luis Buñuel ("Viridiana"). Em 1962 organizou-se a primeira Semaine International de critique-a, a primeira secção paralela do festival. E em 1965 Olivia de Havilland fez história ao converter-se na primeira mulher em presidir um júri.

Mas dantes do final da década, contra todo o prognóstico, o festival voltaria a interromper-se de novo. Os protestos de maio do 68 sacudiram toda a França. Em Cannes todo tinha arrancado normalmente em outro ano mais, mas cedo a revolução sairia de suas entranhas. François Truffaut e Jean-Luc Godard, entre outros, exigiram que o festival fosse cancelado em solidariedade com as revoltas. E desses protestos nasceu a Quinzaine dês réalisateurs, que recusava qualquer forma de censura ou consideração política ou diplomática. Converter-se-ia em uma nova secção paralela a partir do ano seguinte.

Os setenta trouxeram mudanças radicais. Até então tinham sido os países quem escolhiam filme-los que representar-lhes-iam no festival. Mas em 1972 a junta directiva decidiu mudar as regras: a partir de então seria o próprio festival quem seleccionaria os filmes dentre as produções recentes de diferentes países. Esse seria o sistema que impor-se-ia finalmente na maioria de certámenes cinematográficos até nossos dias.

Quanto aos premiados, os setenta estiveram plagados de barras e estrelas, com uma geração saída das escolas de cinema, telefonema a comer-se o mundo. Teve palmas de ouro para Robert Altman por "M*A*S*H" (1970), "The conversation" de Francis Ford Coppola (1974), "Táxi Driver" de Martin Scorsese (1976), e de novo Coppola em 1979 por "Apocalypse Now". Outros galardoados nos 70 foram Louis Malle, Ridley Scott, Ingmar Bergman, Federico Fellini, John Borman e Miloš Formam.

Em 1975 o presidente Maurice Bessey acrescentou uma maraña de novas secções paralelas: Lhes Yeux Fertiles (filmes sobre outras artes), L’Air du Temps (filmes sobre acontecimentos contemporâneos), e Lhe Passé Compose (filmes sobre o mesmo cinema). Já em 1978 se reuniram todas essas secções em uma sozinha: Um Certain Regard, que chega até hoje.

Últimos anos

O começo da década dos oitenta esteve marcado pela volta do legendario director Akira Kurosawa. George Lucas e Francis Ford Coppola financiaram "Kagemusha", que se repartiu as honras em 1980 com "Começa o espectáculo" de Bob Fosse. A estas alturas ao festival tinha-se-lhe facto pequeno o Palais Croisette, de modo que o edifício foi demolido e iniciaram-se as obras do faraónico Palais du Festivals. A nova sede foi inaugurada em 1983 e compartilharia sua vocação cinematográfica com a organização de congressos. Nesse ano a cidade de Cannes convidou às maiores estrelas do momento para que deixassem as impressões de suas mãos ao redor do que seria conhecido desde então como o bunker.

Em 1997 o festival cumpriu meio século. Para celebrá-lo, os ganhadores de uma Palma de Ouro foram convidados para aparecer em uma grande foto de família e assim render tributo aos 50 anos de filmes em Cannes. Ingmar Bergman foi especialmente homenageado com a entrega de uma especial Palme dês Palmes (Palma de Palmas) em reconhecimento a sua carreira. À medida que acerca-se o 2000, se internacionalizan os prêmios: a China (Chen Kaige por "Adeus a minha concubina"), Japão (Shohei Imamura por "A anguila"), Irão (Abbas Kiarostami por "O sabor das cerezas"), e o Reino Unido (Mike Leigh por "Segredos e mentiras").

Nos últimos anos têm visto uma grande variedade, com o musical rodado em DV "Dançando na escuridão", de Lars von Trier; "A habitação do filho", de Nanni Moretti; "O pianista", de Roman Polański; "Elephant", de Gus Vão Sant ou "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore.

Na actualidade, Cannes é o festival de cinema mais famoso e prestigioso de quantos celebram-se. A cada ano mais de 2000 filmes são propostos a concurso desde centenas de países, ainda que só um punhado poderão pôr o selo de Cannes nas fitas para sua exhibición.

Enlaces externos

Júris e palmarés do Festival de Cannes

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Palma de Ouro
Grande Premeio Prêmio do Júri
Palma de Ouro ao melhor cortometraje
Prêmio à melhor direcção
Premeio à interpretação feminina
Prêmio à interpretação masculina
Prêmio ao melhor guião
Câmara de Ouro
Menção Especial Câmara de Ouro

Coordenadas: 43°33′03.10″N 7°01′02.10″E / 43.550861, 7.01725

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