Uma folha lítica[1] é um produto de lascado alongado.
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Caracteriza-se por três atributos básicos.[2] Em primeiro lugar deve ter as bordas paralelas ou subparalelos e com ambos eixos tipológicos (o técnico e o morfológico) em perfeita correspondência. Em segundo lugar, a folha deve ser extremamente alongada, o módulo de alongamento de uma folha lítica acha-se estabelecendo a relação longitude/largura da peça de acordo ao eixo técnico, geralmente aceita-se um mínimo de dois a um. Dado que o módulo de alongamento é um convencionalismo, existem variantes entre os tipólogos para a definição das folhas líticas. Este atributo também depende da época prehistórica ou nível técnico de uma cultura. Assim, para o Paleolítico Inferior e Médio, François Bordas propõe que a longitude deve ser no mínimo o duplo da largura.[3] Para o Paleolítico Superior e épocas posteriores, nas que a tecnologia lítica melhora consideravelmente, se põem umas ombreiras mais exigentes, por exemplo, para Leroi-Gourhan uma «lasca laminar» (longa mas que não chega à consideração de folha), tem o duplo de longitude que de largura; enquanto uma folha propriamente dita teria, no mínimo a longitude o triplo que a largura e uma folha alongada teria uma longitude quatro vezes superior.[4] Por outra parte, o tamanho, em sentido geral, separa as folhas propriamente ditas das hojitas, ainda que esta tem ombreiras igualmente convencionais e variáveis (desde menos de três a menos de um centímetro, segundo autores), se justifica purque as hojitas são um rasgo característico das indústrias microliticas de folhas, isto é, «Microlaminares».
Em terceiro lugar, resulta essencial ademais que estas tenham sido predeterminadas dantes da extracção. Isto é, para obter uma folha de um núcleo é necessária uma preparação concreta destinada a dirigir a fractura pétrea de modo que o produto obtido tenha umas dimensões e uma forma determinada. Isto faz que as folhas, apesar de ter os mesmos elementos básicos de uma lasca (talón, concoide, cara inferior...), possua uns estigmas muito característicos em sua cara superior que delatam a preparação especial do núcleo e, do mesmo modo, os núcleos para folhas sejam o produto de uns procedimentos muito concretos: os métodos de extracção laminar.
A extracção laminar começou, como se sugeriu, no Paleolítico Inferior, ainda que se desenvolve mais eficazmente no Paleolítico Médio, dentro de uma das variantes do método Levallois, telefonema «para folhas».[5] No Paleolítico Superior a extracção de folhas se estandariza, até o ponto de falar-se de indústrias caracterizadas pela presença deste tipo particular de produtos de lascado, pelo que o especialista francês Georges Laplace falava de «Complexos Leptolíticos» (de leptos , λεπτός ή όν, em grego, fino, delgado...).[6] Mas é durante o Calcolítico quando a extracção de folhas adquire sua culminación, com uma série de inovações tecnológicas tão especializadas que requeriam um artesão com uma formação específica, ferramentas próprias, bem como fontes de abastecimento de matérias primas e mercados de venda de seus produtos.
As folhas foram usadas tais cuales, como facas, ou transformadas em diversos utensilios, bem por médio do retoque (raspadores, buriles, pontas, puñales, facas de dorso etc.), ou rompendo-as por médio da técnica do microburil para fabricar microlitos ou dentes de fouce. As folhas são mais difíceis de fabricar que as lascas, o que implica investir mais energia, no entanto, a mudança oferecem numerosas vantagens, por exemplo sua forma alongada se adapta melhor ao asirlo manualmente ou é mais fácil acrescentar um cabo. Igualmente, permite reavivados mais numerosos, fabricar úteis dobros ou compostos e sobretudo, permitem aproveitar muito melhor a massa do núcleo do que procedem.[7] Com o que sua exploração resulta mais rentable.