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Folletín

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Um folletín (do francês feuilleton, diminutivo de feuillet , "folha", página de um livro) é um género dramático de ficção caracterizado por seu intenso ritmo de produção, o argumento pouco verosímil e a simplicidad psicológica. Recorre à temática amorosa, mas também ao mistério e ao escabroso. Próprio das novelas por entregas, deu-se também em teatro, cinema,[1] historieta e televisão, sempre com características similares. É, em palavras de Jesús Quadrado,
O género popular por antonomasia; e é a esencia da cultura popular em qualquer de suas facetas. É, também, a qualidade evidente que o leitor ou espectador -sujeito pasivo- aceita sem se estranhar. As coordenadas não variáveis de sua privada gramática são, a sua vez, a ética da mensagem.[2]

Conteúdo

Características

A exigência estética deste género não costuma ser muito acusada. A mesma forma em que estas obras são produzidas e pagas, bem como o médio pelo qual são difundidas influem sem dúvida no estilo das mesmas. Dado que realizam-se à medida que são difundidas, as obras não obedecem a um plano prévio. Já nas novelas decimonónicas, às vezes se inchava o estilo ou se alongavam os diálogos com monosílabos para ocupar mais e mais folios, pagandose aos autores das primeiras novelas por entregas por folio escrito. Isto deriva em que os autores já consagrados contratavam pessoas que trabalham para eles e Dumas, por exemplo, chega a ter setenta e três colaboradores.

Ao não poder refazer o já produzido, aparecem incongruencias na conduta das personagens, não há apresentação adequada de muitas personagens secundárias, etc. Ademais, a distinção maníquea entre bons e maus costuma estar sempre presente.[2] Domina também o adjectivo comum, a metáfora tópica e a descrição pintoresca de paisagens exóticos.

No temático, prefere-se o exagerado, o exótico, o cru. Os actos de violência, os raptos, os adultérios, etc. aparecem com frequência e a morte do pai é um tema frequente. Seus finais são siempe tristes ou trágicos.

Outra característica do folletín é que está dedicado a todos os públicos, com independência de idade, sexo e condição social, ainda que as mulheres sejam especialmente aficionadas ao mesmo. A horizontalidad de suas tramas e a técnica do suspense converte-o em um produto com uma forte capacidade de fidelización. Assinalou-se que "se o consumidor desconfia -por sua própria coartada cultural- o encontro ou não se produz ou é desafortunado."[2]

História

Origem na França

O género surge no Romantismo francês, quando ao se estender a alfabetización para as classes humildes graças às conquistas sociais das revoluções burguesas, se experimentou a necessidade de uma literatura escapista de consumo em massa e barato custo, de forma que pudesse ser adquirida pelos sectores menos favorecidos da sociedade. Em consequência, os jornais incluíram pequenos capítulos de novelas na faixa baixa dos jornais ou como pequenos cuadernillos ou folletos (daí o nome folletín) que se sucediam a cada dia e cuja acção termina em suspense para suscitar a curiosidade do leitor (e, por tanto, sua continuidade na leitura). A inovação foi todo um sucesso e permitia a venda em massa de jornais. Depois, muitas dessas obras narrativas publicavam-se em formato livro ou sem massas caras.

Conquanto os jornais A Presse e Siècle são os primeiros que fazem estas publicações, a ideia vem a mais longe. Quando durante o Consulado e o Primeiro Império os jornais eram muito reduzidos em razão da censura começam a publicar um suplemento literário. Finalmente, surgem revistas especializadas na literatura por entregas, como a Revue dês deux mondes e Revue de Paris, nas que publicaram autores tão prestigiosos como Balzac.

A Presse publicou entre 1837 e 1847 as novelas de Balzac a razão de uma por ano, bem como obras de Eugenio Sue. O Siècle publicou as de Alejandro Dumas, entre as que por sua popularidade se destacam Os três mosqueteros. O Journal dês Débats faz o próprio com Os mistérios de Paris, de Sue. O judeu errante, do mesmo autor é publicada pelo Constitutionnel. O Mensageiro também publicou na Rússia numerosos e importantes folletines.

Um dos iniciadores do subgénero é Eugène Sue (1804-1857), com as novelas Os mistérios de Paris ou O judeu errante, bem como Ponson du Terrail ou Paul Féval. Mas é Alejandro Dumas (1802-1870) quem representa o máximo esplendor do folletín, com Os três mosqueteros, O Vizconde de Bragelonne ou O conde de Montecristo, entre outras muitas obras muito reimpresas e justamente celebradas, não sempre devidas a sua pluma, senão à de seus colaboradores. Outros autores mais famosos recorreram a este género, como Víctor Hugo, que publicou desta forma sua novela Os miseráveis; Honoré Balzac, todo um profissional do folletín, quem publicou desta maneira sua Comédia humana; e Gustave Flaubert, seu Madame Bovary na revue de Paris desde outubro de 1856.

O folletín decimonónico em outros países

No Reino Unido, destacam Robert Louis Stevenson, publicando em 17 entregas no jornal Young Folks sua novela Seta negra (The black arrow), depois reunidas em volume em 1888; igualmente, Charles Dickens e William Wilkie Collins publicaram desta forma muitas de suas novelas.

O folletín, chamado em italiano romanzo d'appendice, foi a forma em que Emilio Salgari publicou suas novelas sobre o príncipe malayo Sandokán ou Carlo Collodi Lhe avventure dei Pinocchio.

Na Rússia foram folletines Crime e castigo (Преступление и наказание) e Os irmãos Karamázov (Братья Карамазовы), publicados no Mensageiro por Fedor Dostoievski; o mesmo cabe dizer de Guerra e paz (Война и мир), sempre no Mensageiro, por León Tolstoy.

Em Espanha, Benito Pérez Galdós, Enrique Pérez Escrich e o pai Luis Coloma recorreram a esta forma de divulgar suas obras. Famosos escritores espanhóis especializados em literatura por entregas foram Manuel Fernández e González, o mais famoso de todos eles; Enrique Pérez Escrich, Ramón Ortega e Frias, Torcuato Tárrago e Mateos e Wenceslao Ayguals de Izco. Menor importância tiveram Alfonso García Tejero, José Muñoz Maldonado, Julián Castelhanos, Florencio Luis Parreño, Luis de Val, Pablo Alonso da Avecilla, Francisco José Orellana, Antonio de San Martín, Antonio Altadill, Víctor África Bolangero e Juan de Deus Mora entre muitos outros.

Da rádio à televisão

As mulheres provaram ser um excelente mercado para as histórias seriadas, o que derivou, por uma parte, no género literário da novela romântica e, por outra, no serial radiofónico, cujo modelo narrativo pode se considerar como o antecedente mais próximo do serial televisivo.

Na França, durante a época do cinema mudo, teve uma grande profusión de seriales, alguns inclusive prestigiosos, como o celebérrimo Os vampiros (Lhes vampires, 1915), de Louis Feuillade.

Nos anos trinta do século XX começaram-se a emitir nos Estados Unidos em rádio soap operas como Painted Dreams. Nos anos trinta e quarenta são também a época dourada do serial cinematográfico, destacando as produções da Republic Pictures Corporation, como a celebérrima Fu-Manchú.

Em 1949 debutó em NBC These Are My Children, a primeira soap opera da televisão estadounidense, que não durou mais de um mês. Guiding Light tem sido, em mudança, a de maior duração, com mais 15.000 episódios desde sua estréia o 25 de janeiro de 1937 em NBC Rádio e o 30 de junho de 1952 em televisão por CBS . Em historieta , destacam folletines como "O Cachorro" (Bruguera, 1951), de Iranzo , em Espanha.[2]

A partir dos anos noventa, muitas das séries dramáticas de televisão incorporam de forma sistémica elementos do serial, como a continuidade de algumas tramas (sobretudo as referidas ao desenvolvimento da personagem) durante vários episódios ou uma temporada inteira, ou o énfasis no drama e os sentimentos. Exemplos desta tendência são Beverly Hills, 90210 (1990-2000, FOX, Estados Unidos) e ER (1994-, NBC, Estados Unidos).

Veja-se também

Referências

Notas

  1. Vejam-se a segunda e terceira acepciones de « folletín», Dicionário da língua espanhola (vigésima segunda edição), Real Academia Espanhola, 2001, http://buscon.rae.é/draeI/SrvltConsulta?TIPO_AUTOCARRO=3&LEMA=follet%C3%ADn .
  2. a b c d Quadrado, Jesús em "Os folletines divinos de San Juan Iranzo, que estará nos céus", para a monografía G. Iranzo, editora Quirón, Valladolid, 1999.

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/r/t/Artes_Visuais_Cl%C3%A1sicas_b9bf.html"
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