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Forças Armadas de Marrocos

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Escudo das Forças Armadas de Marrocos.

Conteúdo

Características

Forças armadas: 800.000 efectivos (1996)

Soldados marroquinos e Marines estadounidenses com um veículo M151, realizando um disparo com um CSR SPG-9 de 73 mm sem retrocesso durante as manobras African Lion 2005, em Tão Tão, Marrocos.

Outras Forças

Chefe Supremo: Rei Mohammed VI (também é Chefe do Estado Maior General e Ministro de Defesa)

Força Avalable (Homens entre 15-49): 8.788.971 (2004 est.)

Idade Militar : 18 anos.

Despesa Militar :$2.297,2 milhões de dólares (2003)

Percentagem da Despesa : 4,8% (2003)

Missões no Exterior

Centenas de soldados marroquinas formam ou têm fazer# parte em diversas operações e missões de ajuda humanitária no exterior, especialmente no Africa sub-sahariana e durante as guerras do Kosovo e Bósnia. Também durante a primeira Guerra do Golfo com as forças aliadas:

História

Inícios

a principal missão das Forças Armadas Reais tem sido a defesa da soberania e integridade territorial do país, bem como defender o sistema político do país magrebí, a monarquia. A coroa marroquina tem tido sempre como missão primordial o resolver o déficit de soberania reinante em todo o território desde a época colonial, se acrescentando o problema dos limites territoriais com seus vizinhos ao ano seguinte da descolonización de Marrocos, quando se produziram os confrontos com Espanha pela soberania do território de Sidi Ifni e o Sahara Ocidental (Guerra de Ifni).

Arquivo:Tank Marocain-Polisario.jpg
Carroça de Combate T-54/T-55 do Polisario destruído pelas Forças Armadas Reais Marroquinas cerca de Tifariti , no Sáhara Ocidental.

Neste conflito Marrocos manteve-se oficialmente neutro, deixando os combates em mãos do "Exército de Libertação Marroquino", banda armada que participou na independência contra os franceses. Grande parte de seus efectivos criaram o que seriam as Forças Armadas Reais de Marrocos, mas outra parte não abandonou a luta e se deslocou às colónias espanholas para "as libertar" do colonianismo espanhol. Marrocos oficialmente mantinha-se neutro mas de forma secreta apoiava a estas bandas armadas com armamento e dinheiro. O resultado da campanha foi um relativo empate técnico, em onde os espanhóis conseguiram eliminar às bandas armadas do norte do Sahara Ocidental mas a costa da perda de grande parte do território de Sidi Ifni (só manter-se-ia a capital até sua cessão final a Marrocos, em 1969) e a perda da zona de Tarfaya (Cabo Juby) nos acordos de Angra de Cintra (1958).

Com seu outro vizinho, Argélia, teve fortes confrontos a partir de outubro de 1963, na chamada "Guerra das Areias". Esta breve guerra iniciou-se por causa da insistencia de ambos bandos pelo posto fronteiriço de Hassi o Baida, e ocasionou fortes combates nas zonas do oásis de Figuig e de Tinduf até fevereiro de 1964, em onde ambos contendientes lembraram, na cimeira da Une de Estados Árabes do Cairo, uma zona desmilitarizada na fronteira Argelino-Marroquina para evitar novos confrontos. Ainda assim, seguiram tendo de forma esporádica alguma escaramuzas e combates em menor intensidade, até que o contencioso territorial terminou com o tratado de Ifrán (1969) e a convenção de Rabat (1972), ainda que a ratificação do tratado teve que esperar até 1989.

O Conflito Do Sahara

Marrocos, depois da retirada espanhola de Tarfaya e Sidi-Ifni, começa a interessar-se pelo Sahara espanhol, território a descolonizar onde Argélia apoia com dinheiro e armas à Frente Polisario. Em 1974 os marroquinos formam a Frente de Libertação e Unidade para enfrentar às tropas do Polisario e ao Exército Espanhol, o qual se encontra forte militarmente na zona mas politicamente muito debilitada devido à agonia de Franco e de seu regime. Como consequência desta débil política as tropas espanholas perdem o território nos acordos tripartitos de Madri, o 14 de Novembro de 1975, e as FAR começam a ocupar militarmente a zona e a se enfrentar de forma oficial com o Polisario e com Argélia ocasionalmente.

Este conflito pode-se dividir em três Fases:

Primeira Fase

Estendida até 1979, durante esta fase A Frente Polisario teve a iniciativa militar. Durante esta época o Polisario mantinha controlado quase todo o território e atacava ao adversário mais débil: Mauritania. Esta ofensiva produziu o derrocamiento do governo mauritano e o consiguiente acordo de paz que punha fim aos combates entre o polisario e os mauritanos. Por outra parte Marrocos e suas forças decidiram, após este acordo de paz, entrar no jogo ocupando em sua totalidade a ex colónia espanhola. Mas o Polisario era mais forte, e graças à ajuda bélica de Argélia atacou às forças marroquinas no telefonema ofensivo “Huari Bumedián”, em 1979, onde os saharauis atacaram algumas das populações mais importantes do Sahara (Tantan, Bir-Nzaran, Smara, Bu-Craa,...). Assim mesmo destas datas datam os primeiros acordos de ajuda militar entre EEUU e Marrocos.

Segunda Fase

Esta segunda fase abarca desde 1979 até 1988 e nela se destaca a criação dos muros de defesa por parte das FAR. Estes muros, até um total de seis, abarcam um perímetro a mais de 2000 km e seu objectivo era pôr travão aos ataques do polisario e a criação de uma zona de segurança que abarcasse as zonas mais importantes e produtivas do Sáhara Ocidental. Estes muros conseguiriam o estancamento do conflito mas a sua vez também produziram outras tensões com Argélia e Mauritania. Com o primeiro teve um conflito diplomático ao traspassar a fronteira uma coluna motorizada marroquina de 60 homens, com a consiguiente intercepción por parte das forças militares argelinas. Quanto a Mauritania as tensões criaram-se com a construção do sexto muro, o qual se encontrava a sozinho 40 metros da fronteira.

Terceira Fase

Esta fase abarcaria desde 1988 até a actualidade, e nela o importante que encontramos é a aceitação por parte de ambos bandos da mediação da ONU. Esta mediação conseguirá um alto o fogo e um plano de paz posterior, o qual foi começado por ambas partes o 30 de agosto de 1988. Assim mesmo cria-se uma missão de observação da ONU denominada MINURSO (Missão de Observação da ONU para a Organização de um Referendo no Sáhara Ocidental). Pese a isso seguem as tensões e ameaças de volta das hostilidades. Assim encontrar-se-iam as coisas na actualidade, em um callejón sem saída onde a MINURSO mal avança na solução do conflito (se conseguiram pequenos avanços como a volta de prisioneiros marroquinas mas ainda poderiam ficar mais de 1000 prisioneiros) e em onde se mantém a tensão e o estancamento das forças marroquinas e o polisario.

As Forças Armadas e O Sistema Monárquico

A relação entre as Forças Armadas e os monarcas alauíes sempre tem sido bastante problemática, tendo tido o país várias intentonas golpistas com consiguientes depurações e repressões por parte do Rei. O Rei de Marrocos , segundo a constituição, é o chefe supremo das FAR, nomeia os cargos militares e civis e só ele pode decretar o estado de excepção, estado que teve o príncipe Hassan II que utilizar nada mais chegar a independência, para sufocar a rebelião da região de Tafilalet e as revoltas Rifeñas, que foram amplamente castigadas. Durante este período as FAR eram vistas por Hassan II como suas protectoras, até que o 10 de julho de 1971 sofreu seu primeiro golpe de estado, dirigido pelo Chefe de sua Casa Militar (Golpe de Estado de Sjirat). Nesse momento o Rei mudou o ponto de vista que tinha das FAR e já não se fiou tanto delas. Como consequência deste golpe foram eliminados 7 dos 12 generais das FAR (4 fuzilados e 3 durante o golpe), 74 oficiais e suboficiales condenados a diversas penas e teve 200 mortos (deles 138 sublevados). A depuração foi realizada pelo Ministro de defesa Mohammed Ufqir, mas parece que não teve muito sucesso, e de novo 13 meses depois voltou a aparecer o inimigo em casa e voltou a se criar outra intentona golpista por parte do Ministro Mohammed Ufqir, que só levava 13 meses no cargo. Nesta intentona tentou-se derrubar o Boeing 727 real com 6 caças F-5, mas não teve sucesso. Como consequência de tais feitos o rei já não podia confiar em suas Forças Armadas e começou uma das épocas mais negras da repressão em Marrocos , nos chamados Anos de Chumbo. Durante esta época as FAR foram amplamente controladas e depuradas, eliminaram-se os cargos de Ministro de Defesa e Chefe de Estado Maior, eliminaram-se os desfiles e limitaram-se as manobras, e o armamento e a munição permaneceram baixo controle da Gendarmería Real, corpo paramilitar dirigido desde faz mais de uma década pelo general de Corpo de Exército Housni Benslimane. Esta fria relação manteve-se até faz bem pouco, mas assim mesmo tem tido uma progressiva abertura que tem feito que o rei volte a confiar em suas Forças Armadas, sobretudo na última época de reinado de Hassan II e o início de reinado de Mohammed VI. Em 1991 a maioria de militares implicados em dois intentonas golpistas foram libertos por ordem real de Hassan II, e à morte deste em 1999, com a entrada no poder de seu filho Mohammed VI, se evidenció uma grande abertura com factos como a participação da cúpula militar na cerimónia da “Bay’a”, ou proclamación de fidelidade ao Sultán. Outros factos são a substituição de Driss Basri como Ministro de Interior ou a nomeação do Coronel-Maior Hamidu Laanigri como Director da Divisão de Segurança do Território (DST), os serviços de inteligência interior, dirigidos até então por um civil às ordens de Driss Basri. Graças a estes e outros factos, e vendo Mohammed VI as boas relações que tem com suas FAR, se veio acercando mais a estas com a assistência do monarca à primeira grande manobra com fogo real em Errachidia ou com a ascensão a numerosos oficiais e a criação de General de Corpo de Exército. Assim mesmo aumentou-se o salário desde 2001 a todos os militares alauíes, e nesse mesmo ano foi ascendido a Inspector Geral das FAR o General O Kadiri, até esse momento chefe dos serviços de inteligência exterior, e substituído por seu adjunto, o General de Brigada Ahmed Harchi.

Veja-se também

Enlaces externos

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