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Fulgencio Argüelles (Orillés, Aller, Astúrias, 1955), é um escritor e psicólogo espanhol.
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Nasceu o 6 de janeiro de 1955 na aldeia allerana de Orillés e estudou sicología nas universidades de Aspas e Complutense de Madri, especializando-se em ssicología do trabalho e das organizações. Após uma longa estadia em Madri, em 1997 regressou a Astúrias para residir em Cenera (Mieres), o lugar onde tinha passado sua infância e sua juventude.
Dantes da publicação de sua primeira novela recebeu vários prêmios por seus relatos curtos, tanto em castelhano (Aller, Guardo ou Internacional de Meres) como em asturiano (Carreño, Lena ou Bilordios de Pinón).
Tem publicado as novelas Letanías de chuva, Prêmio Azorín de 1992; Os clamores da terra; Lembranças de algum viver, Prêmio Principado das Astúrias 2000, concedido pela Fundação Dores Médio e O Palácio dos engenheiros belgas, Premeio Café Gijón 2003. Também tem publicado os livros de relatos Da cor da nada e Seronda, este último em asturiano e em colaboração com o pintor asturiano J. Enrique Maojo.
Letanías de chuva. Alfaguara.1993. Novela premiada com o Azorín de Novela 1992. Baixo a cada um dos tejados de Peñafonte, uma aldeia mineira da montanha asturiana, há vidas de personagens que estrujan suas memórias, retorcem suas histórias, compõem suas lendas e enredan seus sentimentos na implacable roda do tédio. Sobre todos eles llueve com arrogância e a febre do verdín recobre seus corações. As penas e os contentes discurren pelo relato como se fossem almas em pena. Só o amor é capaz de encher os espaços e alongar a vida. As cenas de amor vão-se espalhando pelo relato com efectismo e delicadeza.
Comentários: María Dores de Asís, Catedrática de Literatura Comtemporánea, em seu livro A última hora da novela em Espanha (Biblioteca Eudema, Madri 1996), escreve sobre Letanías de chuva: Esta obra apresenta duas características fundamentais: uma grande riqueza expresiva e a criação de um mundo autónomo, Peñafonte, o povo mineiro asturiano rico em tipos e contrastes que o novelista põe em pé em um determinado momento histórico, o da Ditadura de Primo de Rivera. E mais adiante acrescenta: O livro de Argüelles por sua composição e estilo é uma excelente novela lírica, que trata de insinuar -madiante a sensação de monotonia, expressada, paradoxalmente, através de um retablo animado de histórias e patrañas, ou discurriendo pela dificuldade de encontrar um sentido à existência- que só pode ter um caminho superador, o amor. Ricardo Senabre, Catedrático de Teoria da Literatura e Literatura comparada na Universidade de Salamanca, disse desta novela em ABC (Outubro 1993): A composição da cada um dos catorze capítulos a base de breves sequências que permitem passar rapidamente de uns motivos a outra ajuda a produzir a sensação de retablo animado e bullicioso no que se inscrevem as vidas paralelas dos habitantes de Peñafonte. Neste empenho por criar um universo fechado e completo -uma "geografia ideal"- onde chegam, atenuados com a sordina da distância, ecos dos acontecimentos históricos coetáneos, reside um dos maiores méritos desta novela.
Os clamores da terra. Alfaguara 1996. Trata-se da crónica histórica e literária dos primeiros anos do trepidante reinado de Ramiro I (843-850), monarca construtor e vara da justiça. É uma novela ambiciosa, de amor e de morte, de intrigas e traições, de fogueiras em honra da lua e de fogueiras acendidas para castigar aos disidintes pobladores indígenes. São os anos escuros de consolidação de uma dinastía real que perdurará em españa até nossos dias. Seguindo o destino de um jovem escudero do conde Nepociano e das personagens de todos os âmbitos sociais (reis e peregrinos, monges e príncipes do monte), o relato translada ao leitor a uma época remota de nossa história. Um idoso rei, acossado pelos sobreviventes da velha ordem social, pelas invasões sanguinarias dos normandos e a constante ameaça dos muçulmanos, tenta consolidar nas Astúrias o processo de feudalización iniciado no reino visigodo de Toledo e acabar definitiva e implacavelmente com os últimos astures das montanhas.
Comentários: Angel Basanta, Catedrático de Literatura e crítico literário, escreveu em ABC sobre esta novela: A obra é uma densa e ambiciosa novela histórica construída com habilidade no desenvolvimento de seu intriga, concebida com palmario alento épico e escrita com extraordinária riqueza léxica. O escritor Juan Pedro Aparicio escreve sobre esta novela: Argüelles tem posto nos clamores da terra muita ambição e um conhecimento minucioso da época, além de sua espléndida capacidade verbal, conseguindo insuflar naquelas personagens remotas do corte astur de Ramiro I um pálpito de verosimilitud e cercania muito sugestivo e convincente e, sobretudo, ou ao menos, o que a mim mais me interessou, tem acertado a expressar como de passagem esse azogue legitimador que tanto mortificó àqueles monarcas e que talvez fosse o signo distintivo de seus reinados.
Lembranças de algum viver. Nobel 2000. Esta obra obteve o Prêmio de Novela Principado das Astúrias 2000. Uma indigente, actriz de verdadeiro renomeie anos atrás, é arrollada por um comboio de cercanias. Seu filho, um jovem médico rural, recebe a notícia da morte de sua mãe, da que nada sabia desde a infância, e este acontecimento determina sua vida e o obriga a se enfrentar à tiranía das lembranças e a replantearse a relação com um pai atormentado por aquele abandono. O protagonista não tem nome, porque seu nome ficou oculto naquelas caricias perdidas e aprisionado na culpa. Seus sonhos são sessões de terapias impossíveis, suas horas são como salas de espera abarrotadas de perguntas. Os acontecimentos vão-se sucedendo de maneira inflexível e a cada página da novela é uma aventura humana e literária.
Comentários: O crítico José Luis García Fernández escreve: Se por algo se caracteriza o autor, é por ser fiel a umas personagens enraizados na mais pura tradição oral, e a uma maneira de entender a literatura, afastada dos padrões mercantis que regem o mercado editorial. Fulgencio Argüelles tem escrito um livro a coração aberto repleto de instantes de infâncias carregadas de episódios que desfilam ante nossos olhos de leitores qual ecosistema ambulante, um livro em definitiva que convida à reflexão e que indaga em seu particular universo literário. Sanz Villanueva, em ABC, escreve: Lembranças de algum viver descansa em uma concepção tradicional do relato: conta umas histórias pessoais dramáticas, define a seus intérpretes e deixa constancia da precariedad do mundo. Não defraudará a quem gostam este tipo de novelas de sempre.
O palácio azul dos engenheiros belgas. Alcantilado 2003. Esta obra obteve o Prêmio Café Gijón de Novela 2003. Em um dia de setembro de 1927, Nalo entrou a trabalhar no palácio azul dos engenheiros belgas como aprendiz de jardineiro. As primaveras e as revoluções chegaram ao palácio dantes que a nenhum outro lugar e iniciaram ao jovem na amizade e o amor, no entendimento e a análise. Após múltiplas revoluções, individuais e colectivas -a cada personagem é protagonista de sua própria revolução- a novela conclui com a Revolução de Outubro do 34. Em frente à mediocridad, à avidez e o desplante do poder, em frente à degradação de quem tem-nos sujeitos, em frente ao envilecimiento sempre existe a possibilidade da revolução. nalo procura a sabedoria e descobre que esta é um assunto do coração. No palácio vive o poder, porque ali vivem os donos do ar e da água, os donos da educação, da arte e dos jardins, os donos da saúde e da vida. Com eles convivem os serventes, que tentam multiplicar os poucos bons momentos de sua vida.
Comentários: Ernesto Ayala-Dip, no País, fala de uma espléndida e intensa novela. Sanz Villanueva, no Mundo, assegura que esta novela está muito acima de tanta prosa à moda, e Santos Pozuelo Yvancos, em ABC, afirma que estamos ante uma obra de considerável maestría.
Da cor da nada. KRK 1998. A nada está cheia de cores: as cores dos olhos dos inocentes, esses que não têm mais que uma boca coagulada como um eclipse de gritos. Nada melhor que desenhos de traços inocentes para representar este mundo dde personagens absolvidas. O filho do escritor, Eduardo Argüelles, com onze anos, encarregou-se de realizar um desenho pela cada um dos dezassete relatos -todos levam nomes próprios como título-.
Seronda Academia da Llingua Asturiana 2004. Relatos em língua asturiana, ilustrados pelo arquitecto e pintor Jorge Enrique Maojo. É um livro que fala da ternura, a solidão, os destinos inevitáveis e os amores impossíveis. Trata-se de três relatos que conformam um mundo particular que transciende ao universal e nos apresentam umas personagens entrañables afectados pelo mesmo mau: a solidão. O amor, que consegue o prodígio de fazer que as casas do outono se voltem invisíveis, o violín que nas mãos de uma mulher apaixonada substitui à razão para gemer eternamente pelo sonho de um som do outro mundo ou o velho espírito do roble que volta à civilização para inmolarse embaixo da água e sobre o asfalto. Três relatos intensos que constituem uma boa mostra da literatura dos sentimentos. As ilustrações de Maojo são excepcionais, exclusivas para os relatos e a cada uma delas conta por si mesma uma história.
Contos de futebol Alfaguara 1995. Obra colectiva na que participam vinte e quatro autores, entre outros Atxaga, Benedetti, Bryce Echenique, Delibes, Fernán Gómez, Llamazares, Javier Marías, Manuel Rivas, Roa Bastos, J.L. Sampedro ou Manuel Vicent. O relato de Fulgencio Argüelles é o primeiro do volume e leva o título de Quando as bolas se voltaram invisíveis, uma alegoria sobre o poder do futebol na que há idas e voltas, sonhos e rupturas, mundos deformados e religiões ocultas.
Modelo:ORDENAR:Argüelles, Fulgencio