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Funcionalismo linguístico

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O termo funcionalismo linguístico faz referência a uma série de correntes linguísticas que, ainda que partem dos mesmos princípios teóricos, possuem modelos de análise muito diversos. Têm recebido o qualificativo de funcionais os paradigmas teóricos propostos pela Escola de Praga, a glosemática do dinamarquês Louis Hjemslev, os trabalhos do lingüista francês André Martinet, a gramática sistémica do britânico Michael Halliday e a propriamente chamada gramática funcional do holandês Simon Dik. Também se incluem dentro desta categoria diversos trabalhos de autores como Talmy Givón, Susumu Kuno, Michael Silverstein, Anna Siewierska, Sandra Thompson, Robert Vão Valin e Anna Wierzbicka. No âmbito hispânico, Emilio Alarcos Llorach introduz um funcionalismo de corte estructuralista. Actualmente, Salvador Gutiérrez Ordóñez e César Hernández Alonso encontram-se, para além de suas diferenças teóricas, entre os maiores expoentes do funcionalismo espanhol. Também devem se mencionar os trabalhos da lingüista argentina Erica García, expoente da escola de Columbia.

A grandes rasgos, poderia dizer-se que o funcionalismo é uma corrente teórica da linguística que considera o estudo de uma língua como a investigação das funções desempenhadas pelos elementos, as classes e os mecanismos que intervêm nela; consequentemente com esta importância da função, o funcionalismo entende que o estudo de um estado de língua, independentemente de toda reflexão histórica, tem valor explicativo e não só descritivo.

Herdeiro das teses de Ferdinand de Saussure, o funcionalismo apoia-se na ideia de que o papel da língua como instrumento de comunicação é essencial.

No âmbito teórico, todos estes estudos funcionais da linguagem têm um mesmo ponto de partida: uma visão que poderia ser qualificada de instrumentalista. Conforme a esta visão, toda a língua tem como propósito primordial a comunicação e, portanto, este propósito deve ser o ponto de partida para qualquer estudo linguístico que se faça. Por isso, a questão básica por resolver é verificar como se comunicam os utentes de uma determinada língua. Isto implica analisar não só as formas ou estruturas gramaticales, senão também toda a situação comunicativa: o evento, os participantes, o contexto discursivo. Em isto, se opõem ao estructuralismo norte-americano e às teorias formalistas. Dentro do primeiro, analisam-se estruturas gramaticales tais como os fonemas, morfemas, relações sintácticas e semánticas, os constituintes, as dependências, etc. As segundas analisam estes fenómenos e, ao mesmo tempo, constroem um modelo formal da linguagem. Os funcionalistas sustentam que a situação comunicativa motivada explica e determina as estruturas gramaticales; por isso, seu propósito não é apresentar modelos, senão encontrar explicações. Pode dizer-se que os estudos funcionais são um exame da concorrência comunicativa, ou seja, da capacidade dos indivíduos para codificar e decodificar as mensagens. Tudo isto implica ver as expressões linguísticas como a configuração de funções. É, ao considerar estas funções, onde as diferentes correntes funcionalistas se separam.

Conteúdo

A fonología funcionalista

O funcionalismo nasce com a fonología, nome que o lingüista N.S.Trubetzkoy deu-lhe a um método particular de investigação dos fenómenos fónicos e que foi desenvolvida pela chamada escola de Praga e outros lingüistas como A. Martinet e R. Jakobson.

O principal achado histórico da fonología foi o do valor distintivo dos fonemas, ainda não tendo eles mesmos nenhuma significação: sua função consiste antes de mais nada em fazer que se distingam outras unidades que fazem sentido. Esta observação forneceu aos lingüistas um princípio de abstracção: não todos os caracteres físicos que aparecem na pronunciación de um fonema têm esse valor distintivo, isto é, sua articulação não está motivada por uma intenção comunicativa. Neste sentido, o funcionalismo leva a isolar, entre o rasgo fonéticos fisicamente presentes em uma pronunciación dada, os que têm um valor distintivo, isto é, os eleitos para que seja possível comunicar uma informação. Só estes são considerados fonológicamente apropriados.

Para determinar estes rasgos, os fonólogos elaboraram o método chamado de conmutación , mediante o qual, depois de fazer variar fonéticamente um som na mesma posição de palavra com o objecto de distinguir em que momento essa variação implica uma mudança de significado, se consegue distinguir os diferentes fonemas de uma língua.

Além da conmutación, os fonólogos aplicaram um segundo princípio saussuriano, o de oposição, segundo o qual uma entidade linguística qualquer só está constituída por aquilo que a distingue de outra.

A morfología funcionalista

O teórico que em primeiro lugar tentou aplicar os princípios funcionalista ao âmbito da morfología foi G. Gougenheim. Sua ideia, discutible, era que para definir a função de uma categoria gramatical devia se comparar com as outras, já que o utente da língua o elege com relação a eles e só esta eleição representa um papel na comunicação. Utiliza, para isso, o conceito fonológico de oposição e distingue três tipos: servidão gramatical (quando o uso de um elemento linguístico implica o uso de outro), variação estilística (quando a mudança de um elemento por outro é irrelevante para o sentido) e a oposição de sentido (quando essa mudança sim implica mudanças no significado).

A sintaxe funcionalista

A. Martinet é o lingüista que empreendeu em primeiro lugar a tarefa de construir uma sintaxe funcional, mas, depois das dificuldades observadas na morfología, introduz para isso princípios de análise que não têm equivalente na fonología.

Martinet parte da ideia de que a função de todo enunciado é comunicar uma experiência e que por tanto está constituído por um pregado (que designa o processo central nessa experiência), acompanhado às vezes por uma série de complementos (incluído o sujeito); a função destes complementos é contribuir um tipo particular de informação sobre esse processo.

O relevante nesta proposta é que essas funções não podem se estabelecer geralmente por conmutación.

Fonte

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/c/ou/m/Comunicações_de_Andorra_46cf.html"