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Género gramatical

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Para outros usos deste termo, veja-se género.
Distinções de género nos pronombres indepedientes nas línguas do mundo.

O género gramatical (ou existência de classes nominais) é uma característica arbitrária dos sistemas linguísticos naturais, um sistema de classificação nominal que possuem algumas línguas em que os elementos nominais são classificados dentro de um número finito de classes, para as quais geralmente há regras de concordancia.

Conteúdo

Introdução

O género é uma propriedade linguística em um idioma, e não há uma necessidade lógica em sua relacion o sexo biológico. Ainda que em umas verdadeiras línguas (por exemplo as indoeuropeas) um ou vários dos géneros se usem maioritariamente para um dos sexos biológicos, seguramente em nenhuma língua do mundo para seres sexuados há relação necessária entre sexo biológico e o género da palavra para designar ao ser animado. Isto se deve, fundamentalmente, a que não há correspondência imediata necessária entre os significados de uma língua e a classe de entidades extralingüísticas. A maioria de línguas do mundo carecem de género gramatical, só um terço das línguas do mundo usam alguma forma de género gramatical.[1]

Nas línguas indoeuropeas tipicamente o número de géneros varia entre dois e três, normalmente masculino, feminino ou neutro de maneira que marca com uma determinada flexão. Outras línguas como as línguas bantúes o número de classes nominais supera a dezena, para o protobantú as classes principais no singular são ao 1 = para pessoas, a 3 = para objectos alongados e também árvores, a 5 = objectos que aparecem em pares ou grupos, a 7 = para instrumentos ou meios e a 9 = para certos animais (as classes 2, 4, 6 e 8 são formas de plural das classes 1, 3, 5 e 7).

O género é uma categoria que pode aparecer no pronombre, o nome e o verbo. Nas línguas com género gramatical, o mais frequente é que os pronombres pessoais de terceira pessoa e o nome sejam os que presente diferenças de género. A ocorrência de diferença de género, como sucede nas línguas semíticas é menos frequente. Quando o pronombre aparece nos pronombres tipicamente aparece só em formas de terceira pessoa e mais raramente também a primeira e segunda pessoas (os casos de línguas com distinção na primeira e segunda pessoa mas não na terça são marginales, e ocorrem em menos de 0,5% das línguas bem documentadas).[1]

O género em castelhano

Em castelhano é uma discriminação formal que possui capacidades contrastivas diversas; contam com ele o sustantivo, o adjectivo, o artigo e alguns pronombres. Serve para estabelecer concordancia entre um adjectivo e o sustantivo ao que qualifica e entre um artigo e o sustantivo ao que actualiza. A concordancia é algo menos estrita quando se trata de sujeito e atributo (Estas coisas são o pior, Esta pessoa és tu, etc). O género masculino é a forma não marcada ou inclusiva: se digo "os alunos desta classe" refiro-me a alunos de sexo masculino e feminino; o género gramatical feminino é a forma marcada e por tanto resulta a exclusiva ou excluyente: se digo "as alunas desta classe" não me refiro também aos de sexo masculino, senão somente aos de sexo feminino. Expressa-se por médio de morfemas constitutivos:

Daí que se possa considerar que, em castelhano, um sustantivo pode estar marcado [+feminino] e a ausência da marca feminina, [-feminina], é o masculino, que não está marcado para feminino mas ainda assim pode incluir elementos femininos. Indica geralmente, quando se refere a seres animados, sexo masculino ou feminino, entre outras noções.

Existe ademais o género neutro entre os artigos (o, que serve para sustantivar adjectivos e assinalar conceitos abstratos: "o profundo", "o externo"), os pronombres pessoais em terceira pessoa do singular (isso, o), os demostrativos (isto, isso, aquilo), alguns pronombres indefinidos (algo, nada) e os adverbios cuantificadores (quanto, quanto, tanto). O género em que os adjectivos concordam com eles, morfológicamente não difere do masculino singular.

Além dos anteriores géneros existem palavras que se classificam com os géneros comum, epiceno e ambiguo. [1], [2],

São do género comum os nomes de pessoas que têm uma sozinha terminação e diferente artigo. Ej.: o violinista, a violinista; o mártir, a mártir; a testemunha, a testemunha, o espião, a espiã, dentista, etc. Pertencem a este grupo os participios activos derivados de tempos verbais como estudante, atacante, saliente, presidente, etc. (Ainda que "presidenta", devido a seu uso comum, é aceite pela RAE.)

São de género epiceno os nomes daqueles nomes que têm um sozinho género gramatical para ambos sexos. Ej.: o rato, a rata, a rana, a comadreja, a lebre, a hormiga, o búho, o escarabajo, o buitre, o delfín, o cóndor, a pomba, o lume. Para especificar o sexo diz-se "o rato macho", "o rato fêmea", "a comadreja macho", "a comadreja fêmea".

São de género ambiguo alguns sustantivos que admitem indistintamente o artigo masculino ou feminino. Ej.: o mar e o mar, a ponte e a ponte, o calor e o calor, reuma, chame, etc.

Entre as outras capacidades contrastivas do género gramatical espanhol figuram as seguintes:

O género em línguas indoeuropeas

O sánscrito, o latín e o grego clássico distinguiam entre três géneros gramaticales: masculino, feminino e neutro. No entanto, muitas línguas indoeuropeas mais modernas têm perdido algum destes três géneros: na maioria das línguas romances, nas línguas celtas modernas e nas línguas bálticas, o género neutro assimilou-se ao masculino ou ao feminino. Em inglês a distinção de género só existe nos pronombres de terceira pessoa de singular: tenho, ele; she, ela; (marginalmente quando o referente é um veículo, uma embarcação ou um país pode se usar she para se referir a eles); it, isso, ainda que em inglês antigo o género também existia nos demostrativos e o artigo. Em holandês e nas línguas escandinavas o feminino tem desaparecido mantendo-se a oposição entre masculino e neutro. Em muitas línguas iranias modernas existem só dois géneros: em persa moderno só existe distinção entre género humano e não-humano e em pashtu, entre masculino e feminino.[2] Muitas línguas índicas têm perdido algum dos três géneros presentes em sánscrito: o hindi-urdu[3] só diferencia entre masculino e feminino, se tendo perdido o neutro, enquanto em bengalí a perda tem ido para além e a distinção de género já não existe, ou, mais exactamente, não é morfológicamente produtiva, ainda que existem residuos no léxico. O mesmo ocorre com algumas outras línguas modernas, como o armenio, que têm perdido completamente a distinção de género tanto no nome como no pronombre.[4]

O número de géneros no indoeuropeo mais antigo reconstruible é dudoso, já que parece que as línguas anatolias mais antigas só refletem uma distinção entre género animado e género inanimado no adjectivo. Rodríguez Adrados tem proposto que esta é a distinção mais antiga e secundariamente apareceu no resto dos ramos também o género feminino.[5]

Nas línguas em que existe o género neutro costuma se dar o contraste entre animado/não animado. Por exemplo, em russo a flexão varia em acusativo e genitivo dos sustantivos masculinos não animados, enquanto tanto faz nos animados. Assim, автобус (avtobus, autocarro), sustantivo masculino, faz o acusativo singular como автобус (avtobus), mas o genitivo como автобуса (avtobusa). Mas o sustantivo animado Борис (Boris) faz tanto o acusativo como o genitivo como Бориса (Borisa).

As línguas indoeuropeas têm tradicionalmente três géneros: masculino, feminino e neutro, como o latín, o asturiano, o alemão ou o russo. Outros, como o castelhano ou o francês têm perdido o neutro, mas o conservam no artigo para sustantivar adjectivos e em alguns pronombres (ainda que há autores que asseguram que não há género neutro na actualidade[6] [7] ). Assim mesmo, o russo faz distinção no masculino singular entre animado e não animado, e o polaco ademais faz esta mesma distinção em masculino plural. Por sua vez, em inglês o género não rege nenhuma flexão em adjectivos ou determinantes, mas sim nos pronombres, de maneira que se podem deduzir os géneros dessa maneira.

O género em outras línguas

Outras línguas têm diferentes critérios de classificação (género) para seus sustantivos. Assim, a língua australiana Dyirbal possui quatro classes:

Em navajo a classificação, que afecta ao verbo, se realiza pela consistência, forma ou o critério [±animado] dos sustantivos. Por sua vez as línguas bantu têm sistemas que distinguem até 22 géneros diferentes ou classes nominais. O fula distingue até 26 classes nominais.

Em euskera há duas classes, animados (humanos e resto de animais) e inanimados; no entanto, diferenciam-se unicamente na declinação para os casos locativos ou de lugar (inesivo, genitivo locativo, adlativo, adlativo terminal, ablativo e ablativo de direcção). Existem umas poucas palavras com versão feminina e masculina, geralmente parentescos ("primo/prima": lehengusu, lehengusina) ou de raiz muito antiga e provenientes de idiomas com género como o latín ("rei": errege, do latín regem; "rainha": erregina, do latín reginam). Em nomes de parentescos, quando é preciso englobar os dois sexos, se unem os dois nomes ("filho": seme; "filha": alaba; "filho" (ambos sexos): seme-alaba) ou existe um nome que os inclui: pai: aita; mãe: ama; pai (ambos sexos): guraso.

Género e sexo

Não se devem confundir os termos género e sexo. A classificação da classe nominal em masculino, feminino e neutro é enganosa, já que trata-se de uma classe à que pertence um sustantivo, e para a qual rege ou realiza em si mesmo uma flexão em algum outro elemento gramatical (em castelhano em determinantes, pronombres e adjectivos, em inglês só pronombres, etc).

Às vezes usa-se a nomenclatura género natural (equivalente ao sexo) para contrastar com género gramatical. Na frase Pedro é uma visita muito molesta a palavra visita tem género gramatical feminino e género natural masculino. O género não está baseado no sexo biológico (extragramatical), que seria masculino, senão na classe à que tal sustantivo pertence, que é o género feminino.

O género natural dos objectos inanimados é neutro, mas em castelhano seu género gramatical deve necessariamente ser masculino ou feminino.

O uso da palavra género como mero sinónimo de sexo deve se evitar. No entanto, a RAE aceita o uso do termo em estudos sociológicos e feministas para aludir a uma categoria sociocultural que implica diferenças ou desigualdades de índole social, económica, política, trabalhista, etc.: estudos de género, violência de género. O DRAE não recolhe ainda este novo significado [3][4], mas o aceita como correcto no Dicionário panhispánico de dúvidas[5].

Referências

  1. a b M. Haspelmath, M. S. Dryer, D. Gil, B. Comrie, 2005.
  2. Comrie, 1987, p. 140-142
  3. Comrie, 1987, p. 60-62
  4. Clarkson, 2007, p. 91
  5. Adrados, 1975, p. 481-3.
  6. http://www.mepsyd.es/redele/Revista13/Enriquetarez_neutroELE.pdf
  7. «Eumanismo: Em Espanhol não há nenhum género neutro».

Bibliografía

Veja-se também

Modelo:ORDENAR:Gero gramatical

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/c/ou/m/Comunicações_de_Andorra_46cf.html"