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Geografia do transporte

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A Geografia do transporte é o ramo da Geografia humana que se ocupa do estudo dos sistemas de transporte nos diferentes espaços geográficos ou territórios. Maurice Wolkowitsch definiu-a como: “o conhecimento dos sistemas de transporte que fazem frente às necessidades de deslocação dos homens e suas mercadorias é um espaço dado: a cidade, o estado, o continente.”

Conteúdo

Os sistemas de transporte

Os sistemas de transporte estão formados por várias componentes básicas (Potrykowski, M.; Taylor, Z, 1984):

Como sistemas abertos, os sistemas de transporte influem e são influídos por seu médio. No caso da geografia do transporte este médio se conceptualiza como o espaço geográfico do que o sistema de transporte faz parte, entendendo que o espaço geográfico é tanto um meio socioeconómico como ecológico.

Temas da geografia do transporte

Temas bastante assentados dentro da geografia do transporte são (Segui Pons e Martínez Reynés, 2004):

História da Geografia do Transporte

Como antecedentes da geografia do transporte podem se citar obras como a do alemão Johann G. Kohl publicada em 1841 , “O transporte e os assentamentos humanos em sua dependência da configuração da superfície terrestre” na que estudava a importância dos transportes na sociedade e a influência do médio físico sobre as redes de transporte e os assentamentos humanos. Também a obra Wilhelm Götz (1888) sobre as vias de transporte do comércio mundial que influiu posteriormente a geógrafos como Ratzel.

A geografia da circulação

Depois da institucionalización da geografia nas universidades alemãs, pode dizer-se que começa propriamente a geografia do transporte ainda que o nome mais usual então para nomear à disciplina era o de geografia da circulação em clara metáfora orgânica. Alfred Hettner em 1897 publicou um artigo sobre este ramo e atribuiu-a como matéria de estudo principal o sistema de fluxos das regiões que metafóricamente eram entendidos como a circulação sanguínea destas.

F. Ratzel será o primeiro em construir uma aproximação sistémica ao estudo dos transportes e a circulação regional. Ratzel desde um ponto de vista biologizante, entendia a circulação como um aspecto mais das relaciones homem – médio. Ademais formulou uma teoria de corte evolucionista sobre o desenvolvimento das vias de comunicação baseada na ideia ou “lei” do mínimo esforço.

Na França as ideias de Ratzel serão recebidas e criticadas. Vidal da Blache com a doutrina do posibilismo na relação sociedade – médio sublinha o contigente na evolução dos transportes e promove uma via de estudo historicista e inductiva centrada sempre em um espaço concreto. Os discípulos de Vidal seguirão esta via e já nos anos 30 do século passado se realizam estudos sobre o transporte ferroviário corologicamente orientados. Por exemplo a tese de Pierre Brunner (1935) dirigida por Raoul Blanchard: “Os caminhos-de-ferro em luta com a natureza alpestre” onde estudava o desenvolvimento do caminho-de-ferro nos Alpes através do trabalho de campo e de dados elaborados de primeira mão. Para os anos 40 já se tinha realizado suficiente investigação empírica como pára que se produzam as primeiras tentativas sintetizadores dentro da geografia francesa como os de Henri Cavailles e Max Sorre. Nos 50 Raymonde Caralp (Os caminhos-de-ferro no Maciço Central) e Maurice Wolkowitsch (A economia regional dos transportes no Centro e Centro – Oeste da França) apresentam sendas tese doctorales sobre transporte e pode-se falar dos primeiros geógrafos plenamente especialistas em transporte dentro da tradição geográfica francesa.

A geografia do transporte na revolução cuantitativa

Na geografia estadounidense desde os anos 50 produziram-se profundos debates que culminaram na denominada revolução cuantitativa. Um dos geógrafos mais destacados deste movimento foi Edward L. Ullman que realizou amplas contribuições para a renovação da geografia do transporte. Ullman acuñó a ideia da geografia como o estudo das interacções espaciais entre áreas com o que os fenómenos de transporte cobravam uma importância central. Para Ullman as regiões (diferenciadas baixo critérios económicos) especializam-se funcionalmente e isto gera movimentos de mercadorias e pessoas por complementariedad. Suas ideias se plasmaron em uma faz pioneira e posteriormente bastante influente, “American Commodity Flow” (1957).

Aos trabalhos de Ullman uniram-se os de William L. Garrison um dos primeiros impulsores da teoria de grafos na análise de redes em geografia. Progressivamente foram-se perfeccionando as técnicas matemáticas para realizar análise mais dinâmicos. Taaffe, Morrill e Gould em 1963 realizaram, baseando-se em estudos empíricos em diversos países africanos, um modelo da evolução das redes de transporte em uma sequência ideal de seis etapas. As ideias cuantitativas cedo difundiram-se fora dos estados unidos principalmente ao Reino Unido, Suécia e Polónia. Já em 1973 aparecia um manual clássico que recolhia toda a experiência desta tradição, a obra de Taaffe e Gauthier “Geography of Transportation”. Esta obra versa sobre o transporte e a estrutura espacial, o transporte e os processos espaciais, os modelos de gravidade, a análise das redes e os modelos de atribuição à rede.

A geografia do transporte social e humanista

Diversas críticas, tanto internas à geografia cuantitativa como externas desde tradições clássicas ou comprometidas, provocaram a eclosión das geografias radical e humanista. Dentro da geografia do transporte este processo se plasmó no nascimento da geografia social do transporte. Michael E. Hurst em 1974 realizará uma crítica muito forte de toda a tradição cuantitativa: “é relativamente fácil em geografia dos transportes descrever em termos matemáticos modelos bastante complexos sem compreender os processos básicos envolvidos”. Hurst propunha um passo desde os modelos matemáticos à análise dos interesses políticos, económicos e militares que configuravam as redes e fluxos de transporte; em definitiva deviam-se tomar muito em consideração as relações entre transporte e contexto económico – político.

Posteriormente os estudos realizados baixo estas novas ópticas examinam as mobilidades diferenciais entre grupos sociais segundo diferenças económicas, de idade ou de género. O objectivo de muitos destes trabalhos será o de denunciar a marginalidad em termos de mobilidade de muitos grupos sociais. Também se produz um passo desde os estudos a escala estatal ou regional a escalas bem mais grandes como a local preferencialmente urbana.

A geografia dos transportes no século XXI

As diversas tradições expostas anteriormente (clássica ou historicista, cuantitativa e social) não se foram substituindo umas a outras, senão que têm convivido e convivem actualmente como escolas ou paradigmas dentro da geografia do transporte. Sem dúvida a tradição cuantitativa tem tido um impacto especial na geografia do transporte com respeito a outras disciplinas geográficas pela possibilidade de contar com enormes quantidades de dados cuantitativos e a existência de modelos predictivos e normativos já desenvolvidos por outras disciplinas (fundamentalmente pela economia do transporte). Mas desde as outras tradições também se realizam contribuições muito importantes, especialmente desde a tradição clássica que implica quase em um século de desenvolvimento investigador e metodológico.

Técnicas e aplicações relacionadas com a Geografia do transporte

Depois do desenvolvimento da geografia do transporte na tradição cuantitativa, os geógrafos foram-se acercando mais à vertente aplicada de sua disciplina. Têm participado activamente em projectos de planejamento e gestão e têm desenvolvido diversas técnicas para melhorar o estudo, o diagnostico e a tomada de decisões em problemas finque relacionados com o transporte (congestión, contaminação, accidentalidad…).

Dentro das técnicas amplamente utilizadas pela Geografia do transporte tanto em sua vertente científica como aplicada se podem citar:

Veja-se também

Referências

Enlaces

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