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Geografia física

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Mapamundi físico.

A geografia física (conhecida em um tempo como fisiografía, termo agora escassamente usado) é o ramo da Geografia que estuda em forma sistémica e espacial a superfície terrestre considerada em seu conjunto e, especificamente, o espaço geográfico natural.

Constitui um dos três grandes campos do conhecimento geográfico; os outros são a Geografia Humana cujo objecto de estudo compreende o espaço geográfico humano e a Geografia Regional que oferece um enfoque unificador, estudando os sistemas geográficos globalmente.

A Geografia física constitui, segundo Strahler, a unificação de um conjunto de ciências da Terra que se encarregam de estudar as bases físico - naturais da Geografia Geral.[1] São diversas as disciplinas geográficas que estudam em forma específica as relações dos componentes. A Geografia física enfatiza o estudo e o entendimento dos padrões e processos do ambiente natural, fazendo abstracção por razões metodológicas do ambiente cultural que é o domínio da Geografia humana. Isso significa que, ainda que as relações entre estes dois campos da Geografia existam, quando estudamos um de ditos campos, precisamos excluir ao outro de alguma maneira, com o fim de poder aprofundar o enfoque e os conteúdos.

A metodología geográfica tende a relacionar estes campos ao proporcionar um marco seguro para a localização, distribuição e representação do espaço geográfico além de contribuir com ferramentas tais como os Sistemas de Informação Geográfica ou o desenvolvimento de mapas que servem a ambas especialidades.

Por outra parte, as ciências com as que se relaciona e os métodos empregados costumam ser diferentes nos três campos, ainda que têm em comum o interesse humano em conhecer a cada vez mais e melhor o mundo em que vivemos.

Mapa mundi realizado em base a uma compilação de imagens de satélite. Há que ter em conta que as projecções cilíndricas, modificadas ou não, dão uma imagem exagerada das regiões polares, como se vê aqui, que parecem ser as que maior quantidade de nuvens têm, o qual não é verdadeiro.

Conteúdo

Padrões e processos

O Grande Glaciar de Aletsch, nos Alpes suíços ao sul do Maciço da Jungfrau, é o maior da Europa.

Estes dois conceitos equivalem aos de estruturas e sistemas na Teoria Geral de Sistemas, sendo o de padrões um conceito similar ao de estruturas e o de processos um similar ao de sistemas. De novo costumamos separar estes dois conceitos de maneira individual por razões metodológicas já que não costumam estar separados na natureza. A diferença entre processos e padrões é que no primeiro caso, resulta fundamental a escala temporária e no segundo não é tão importante: quando estamos a estudar os efeitos da erosión fluvial nas margens de um rio consideramos à erosión como um processo, isto é, um fenómeno que ocorre ao longo do tempo. Pelo contrário, quando nos referimos às características da cuenca de um rio, estamos a fazer um estudo de padrões espaciais, isto é, nos estamos a referir a uma área determinada, com uma extensão, relevo, clima, volume, vegetación, etc., sem referir-nos em detalhe a como estes padrões têm vindo sendo modificados ao longo do tempo pelos processos geográficos. No caso do glaciar de Aletsch podem ver-se as línguas de gelo, as morrenas intermediárias e outras características estruturais do glaciar. Mas seu lento movimento e evolução constituem a culminación actual de um processo que é necessário analisar através do tempo.

Estratos descobertos pela erosión fluvial nos Cárpatos.

O mesmo sucede no campo da Geologia: a Geologia histórica faz referência a processos que têm ocorrido no tempo geológico, enquanto a Geologia física faz referência ao presente: padrões estratigráficos ou geológicos da época actual e na forma como se localizam na superfície terrestre. No caso dos estratos descobertos pela erosión fluvial na margem esquerda de um rio nos Cárpatos podemos ver os padrões estratigráficos típicos das rochas sedimentarias, por exemplo, uma disposição estratigráfica normal seria quando os estratos são mais recentes quando mais cerca da superfície se encontram e essa disposição, além dos materiais que os conformam, servem para os datar.

E na Geografia Humana esta diferença entre padrões e processos está ainda mais clara: um censo é como uma fotografia já que nos dá uma imagem da população do país ou de uma área determinada em um momento dado; é como uma imagem de quais são os padrões de distribuição da população. Em mudança, o estudo do crescimento demográfico entre um censo e outro já é um estudo de processos já que estamos a comparar duas imagens: o resultado seria que no caso da imagem que nos dá o censo seria um padrão de distribuição (uma fotografia) enquanto no estudo do crescimento demográfico estamos a estudar um processo que tem vindo desenvolvendo com o tempo (seria algo equivalente a um filme).

Geoformas em Ischigualasto , provocadas tanto pela erosión hídrica como a eólica, temas que tem em conta a geografia física.

A investigação científica progride basicamente mediante a análise: o estudo detalhado de um fenómeno precede ao do entendimento geral do mesmo (síntese), conquanto não há consenso total sobre isto. Assim muitos geógrafos que consideram que a Geografia é uma ciência de síntese têm pretendido começar com a metodología holística se apoiando em investigações temáticas prévias.

Conceito

Os campos de estudo da Geografia física

A cume do Roraima, o tepuy mais elevado da Guayana venezuelana. As curiosas formas têm sido produzidas pela erosión, tema estudado pela geomorfología.

As ciências geográficas que estudam um componente específico do espaço natural em sua relação com os demais são numerosas e entre as mais importantes podem se citar:

A Ponte de Angostura em Cidade Bolívar (Venezuela) tem mais de 1,5 km de longo e ocupa um dos pontos onde o Orinoco é mais estreito.

Ciências relacionadas com a Geografia Física

Devido ao campo de estudo tão amplo da Geografia física, existem numerosas ciências que estão relacionadas com ela, entre as quais podemos citar a:

Evolução histórica da Geografia Física

Mapa da Europa realizado por Estrabón.

A partir do nascimento da Geografia como ciência durante a época clássica grega e até fins do século XIX com o nascimento da Antropogeografía ou Geografia Humana, a Geografia foi quase exclusivamente uma ciência natural: o estudo descritivo de localização e a Toponimia de todos os lugares do mundo conhecido. Diversas obras entre as mais conhecidas durante esse longo período poderiam citar-se como exemplo, desde as de Estrabón (Geografia), Eratóstenes (Geografia) ou Dionisio Periegeta (Periegesis Oiceumene) na Idade Antiga até as de Alejandro de Humboldt (Cosmos) no século XIX, nas quais se considerava à Geografia como uma ciência físico-natural; desde depois, passando pela obra Summa de Geografia de Martín Fernández de Enciso ([10] ) de começos do século XVI, onde aparece assinalado pela primeira vez o Novo Mundo.

Entre os séculos XVIII e XIX, uma polémica tomada da Geologia, entre os partidários de James Hutton (Teses do uniformismo) e Georges Cuvier (catastrofismo) influiu poderosamente no campo da Geografia.

Dois processos desenvolvidos durante o século XIX tiveram uma grande importância no desenvolvimento posterior da geografia física: os primeiros trata-se do imperialismo colonial europeu na Ásia, África, Austrália e inclusive América, em procura das matérias primas exigidas pela Revolução industrial, que contribuiu a que se criassem e se investisse nos departamentos de geografia das universidades das potências coloniales e ao nascimento e desenvolvimento das sociedades geográficas nacionais, dando origem assim ao processo identificado por Horacio Capel como a institucionalización da Geografia ([11] ). Um dos impérios mais prolíficos neste sentido foi o Russo. Em meados do século XVIII numerosos geógrafos são enviados pelo altamirazgo russo em diferentes oportunidades a realizar levantamentos geográficos na zona do ártico siberiano. Entre estes se encontra quem é considerado o patriarca da geografia russa: Mijaíl Lomonósov quem em meados do decenio de 1750 começa a trabalhar no Departamento de Geografia da Academia de Ciências para realizar investigações na Sibéria, suas contribuas neste sentido são notáveis, demonstra a origem orgânica dos solos, desenvolve uma lei geral sobre o movimento dos gelos que ainda rege no básico, fundando assim um novo ramo geográfico: a Glaciología. Em 1755 por iniciativa sua funda-se a Universidade de Moscovo onde promove o estudo da geografia e a formação de geógrafos. Em 1758 é nomeado director do Departamento de Geografia da Academia de Ciências, posto desde o qual elaboraria uma metodología de trabalho para o levantamento geográfico que guiaria por muito tempo as mais importantes expedições e estudos geográficos na Rússia. Desta maneira a linha de Lomonosov seguiu e contribua-los da escola russa foram-se multiplicando através de seus discípulos, já no século XIX temos grandes geógrafos como Vasili Dokucháyev quem realizou obras de grande relevância como “princípio da análise integral do território” e "Os Chernozem russos" está última a mais importante onde introduz o conceito geográfico de solo, o distinguindo de um simples estrato geológico, e fundando desta maneira uma nova área de estudo geográfico: a Pedología ou Edafología. A climatología receberia também um forte impulso desde a escola russa através de Wladimir Peter Köppen cujo principal contribua, sua classificação climática, segue vigente hoje em dia, ainda que com algumas modificações e melhoras. No entanto este grande geógrafo físico também contribuiu à Paleogeografía através de seu trabalho "Os climas do passado geológico" pelo qual se lhe considera o pai da Paleoclimatología. Outros geógrafos russos que realizaram grandes contribuas à disciplina neste período foram N.M. Sibirtsev, Piotr Semiónov, K. D. Glinka, Neustrayev, entre outros.

O segundo processo de importância trata-se da teoria da evolução formulada por Darwin em meados de século (o que influiu decisivamente na obra de Ratzel , quem possuía uma formação académica como zoólogo e era seguidor das ideias de Darwin) o que significou um importante impulso no desenvolvimento da Biogeografía.

Outro importante acontecimento no final do século XIX e princípios do século XX dará um importante impulso ao desenvolvimento da geografia e terá lugar nos Estados Unidos. Trata-se do trabalho do afamado geógrafo William Morris Davis quem não só realizou importantes contribuas ao estabelecimento da disciplina em seu país, senão que revolucionou o campo ao desenvolver a teoria do ciclo geográfico a qual propôs como paradigma para a geografia em general, ainda que em realidade serviu como paradigma para a geografia física. Sua teoria explicava que as montanhas e demais acidentes geográficos estão modelados pela influência de uma série de factores que se manifestam no ciclo geográfico. Ele explicou que o ciclo começa com o levantamento do relevo por processos geológicos (falhas, volcanismo, levantamento tectónico, etc.). Factores geográficos tais como rios e o escurrimiento superficial começam a criar os vales de forma de V entre as montanhas (a etapa chamada "juventude"). Durante esta primeira etapa, o relevo é mais escarpado e mais irregular. Em um verdadeiro prazo, as correntes podem talhar vales mais largos ("maturidade") e depois começar a serpentear, sobresaliendo somente suaves colinas ("senectud"). Finalmente, tudo chega ao que é um plano plano, plano na elevação mais baixa possível (chamado o "nível de base") Este plano foi chamado por Davis "peneplanicie" que significa "quase um plano". Então, o "rejuvenecimiento" ocorre e há outro levantamento de montanhas e o ciclo continua. Ainda que a teoria de Davis não é inteiramente exacta, era absolutamente revolucionária e excepcional em seu tempo e ajudava a modernizar a geografia e a criar o subcampo da geomorfología. Seus envolvimentos impulsionaram um sem número de investigações em diferentes ramos da geografia física. Para o caso da paleogeografía esta teoria contribuiu um modelo para compreender a evolução da paisagem. Para a hidrología, a glaciología e a climatología foi um impulso assim que pesquisou-se como os factores geográficos que estudam modelam a paisagem e influem no ciclo. O grosso dos trabalhos de William Morris Davis conduziram ao desenvolvimento de um novo ramo da geografia física: a geomorfología, cujos conteúdos até então não se diferenciavam do resto da geografia. Ao pouco tempo este ramo apresentaria um grande desenvolvimento. Alguns de seus discípulos realizaram importantes contribuas a diferentes ramos da geografia física e humana tais como Curtis Marbut com sua invaluable legado para a pedología, Mark Jefferson, Isaiah Bowman, entre outros.

A Geografia Física e suas aplicações

A Geografia física integra o conhecimento que têm desenvolvido as ciências geográficas mais especializadas como a Geomorfología, Climatología, Hidrografía e Hidrología, Oceanografía, Pedologia e muitas outras. Todas estas ciências costumam ter uma perspectiva aplicada. Por outra parte, novas disciplinas ainda mais específicas têm vindo a desenvolver campos aplicados dentro da Geografia física. Uns exemplos: A geocriología que se desenvolveu na Rússia e Canadá se especializa no estudo do permafrost, A geografia litoral se aboca ao estudo específico da dinâmica costera, a Geografia dos riscos, enfoque resumido em um artigo de Francisco Calvo García-Tornel ([12] ), estudo os envolvimentos dos riscos naturais sobre os seres humanos.

Geógrafos físicos Notáveis

Referências

  1. Arthur N. Strahler. Physical Geography. New York: John Wiley & Sons, 1960, p. 1
  2. Edições Rioduero. Dicionário Rioduero de Geografia. Madri: 1974
  3. F. J. Monkhouse. Dicionário de termos geográficos. Barcelona: Oikos - Tau, Edições, 1978, p. 214
  4. Vladimir Kotlyokov e Anna Komarova Elsevier´s Dictionary of Geography. Moscow: Elsevier, 2007, p. 543
  5. Austin Miller. Climatología. Barcelona: Editorial Omega, 1955
  6. Jean Tricart. A epidermis da Terra. Barcelona: Editorial Labor, 1969
  7. Emmanuel de Martonne. Tratado de Geografia Física. Paris: Armand Colin, 1909 (reeditado e também traduzido ao castelhano)
  8. Max Derruau. Geomorfología. Barcelona: Seix e Barral Editores, 1981, 2a. edição
  9. Donald Steila. The Geography of Soils. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1976
  10. Fernández de Enciso, Martín. Soma de geografia que trata de todas as partidas e províncias do mundo em especial das Índias. Sevilla: Jacobo Cromberger, 1519. Madri: edição de ESTADES, 1948.
  11. Horacio Capel. A institucionalización da geografia e estratégias da comunidade científica dos geógrafos. Barcelona: Geocrítica, Cadernos Críticos de Geografia Humana, números 8 e 9, abril-maio de 1977 ([1] e [2])
  12. Francisco Calvo García-Tornel: Algumas questões sobre geografia dos riscos. Barcelona: Universidade de Barcelona, Revista Scripta Nova número 10, 15 de novembro de 1997. Artigo disponível na revista Scripta Nova, Barcelona: [3]

Fontes bibliográficas

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/c/ou/m/Comunicações_de_Andorra_46cf.html"