O gorro é uma prenda redonda de teia ou de ponto que serve para cobrir e abrigar a cabeça.
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Esta prenda é provavelmente de origem asiático. Os egípcios não cobriram sua cabeça mais que com o tocado de teia, pelo comum listagem chamada claf ou com uma cofia especial e os primeiros monumentos antigos em que vemos aos homens com a cabeça coberta por um gorro são os bajorrelieves persas. Estes gorros persas são altos, umas vezes vão inclinados para diante, guardando certa analogia com o que os gregos chamaram frigio. É de achar que os gregos da Ásia Menor, especialmente os frigios, tomaram dita prenda dos persas, pois o mesmo qualificativo de frigio que se lhe deu indica que foi importado de Oriente. Mas nem os orientais nem os gregos fizeram muito uso do gorro pois o costume nas pessoas das cidades era ir com a cabeça descoberta. Assim é que na antigüedad clássica só o levavam os marinheiros, os pastores, as pessoas, em fim, que precisavam passar no dia à intemperie e as demais pessoas só lho punham para ir de viagem ou de caça. Assim vemos que muitas personagens mitológicos como o piloto Caronte, Ulisses e seus colegas, o ferreiro Hefestos (Vulcano), os viajantes Cadmos, Cástor e Pólux, estão caracterizados nos monumentos, sobretudo, nas pinturas dos copos, com gorros ou sombreros. Usavam os gregos um tipo de gorro chamado rúneo, a modo de casquete de pele de cão, de comadreja ou de boi, de onde segundo se crê, tomou origem o capacete de guerra, que em um princípio era de couro e este capacete de pele não é creíble que fosse de origem oriental além de que a antigüedad do gorro grego está atestiguada por Homero , quem descreve aos homens do povo cobertos com um casquete de pele de cabra de forma semiesférica e que provavelmente iria atado baixo a barba com correias. O gorro de pele deveu ser originario do Norte, onde provavelmente o utilizaram os povos bárbaros, ao mesmo tempo que os orientais os usaram de teia.
O gorro semiesférico que se adaptava à cabeça era conhecido com o nome de pilos com ele costumam aparecer algumas personagens mitológicos e pastores. O gorro frigio só se diferenciava do pilos em que tinha uma ponta inclinada para diante. Nos monumentos antigos caracteriza aos habitantes da Ásia, tais como Paris, Ganimedes, Anquises, Olimpos, Atis e Mitras como também às amazonas. Nos monumentos do período imperial romano serve de distintivo aos guerreiros bárbaros. Os romanos pode-se dizer que utilizaram o gorro com a mesma variedade de forma e aplicações que os gregos. O cidadão que saía com toga à rua levava a cabeça descoberta. No entanto, o pilleus e o petasus não só eram usados pela gente do povo que por causa de seus trabalhos estavam expostos à intemperie, senão também pelas pessoas distintas para se abrigar em tempo frio e para resguardarse do sol nos espectáculos públicos. O pilos parece que em algum tempo foi substituído por uma espécie de capuchón importado a roma das comarcas setentrionais.
Nos primeiros tempos da Idade Média, os francos implantaram um traje singelo do qual fazia parte um gorro ou morterete que em Espanha adoptaram os visigodos o usando também pelo jeito as mulheres e também usaram uns gorros ou bonetes de pele. Quando no século VI se fez a fusão de novos usos com as tradições romanas foi muito comum uma forma de gorro puntiagudo semelhante ao frigio para os homens pois as mulheres levavam velo flutuante ou capucha. Na França, em tempo de Carlo Magno, seguiu usando-se o morterete pelas pessoas das cidades em tempo de inverno e parece que o mesmo imperador o levo pois é sabido que foi muito senillo em seus costumes. Durante o século IX, os gorros ao estilo frigio e os bonetes alternavam com os capuchones no traje dos donceles. Em documentos do século X, fala-se de capillos e pilos e por aquele mesmo tempo os monges cluniacenses levavam em inverno por licença de seus estatutos cogullas, capillas e gorras de pele. No século XI, na França, vê-se nos bajorrelieves e nas viñetas dos manuscritos um casquete semiesférico sem borda junta com um sombrero semelhante ao pétaso. Por este mesmo tempo, as espanholas levavam uma espécie de gorro alto e de teia encaracolada do tipo das cofias usadas no século X. Os homens levavam capillas, almuzas, bonetes encasquetados que deviam ser da mesma forma aos já indicados na França. No século XII não experimentou também não muita variação a forma dos gorros pois na viñetas dos manuscritos e nos bajorrelieves monumentales se vê aos homens com casquetes semiesféricos ou gorros ligeiramente puntiagudos e com borda. Os clérigos e os laicos em Espanha usavam a almuza ou capucha de peles, o bonete e o birrete mais ou menos altos, alisados, etc. e os nobres, o morterete. No século XII encontramos já mais variedade e, sobretudo, mais abundância de documentos. Na França, vemos que se usam uns gorros de fieltro cônicos com a ponta inclinada para atrás e com a borda voltada a modo de asa do sombrero. Estes gorros e uns sombreros também cônicos de copa escalonada que usavam os judeus eram de diferentes cores: amarelos os dos judeus e verdes os dos clérigos. Em Espanha, seguiam-se usando birretes, capirones e morteretes e particularmente em Castilla esteve muito de moda um bonete alto, redondo, com carrilleras e cogotera. Tanto em Espanha como fora dela usavam os homens capirote, birrete em forma de concha, de copa, serrilhado, com bordas, etc. e um bonete algo acampanado que se distinguia entre os judeus por levar uma manga aderida e o clero usava junto com uma almuza. Por então, começou a usar-se também o cervoj ou birrete basco. A rainha Margarita da França, costuma aparecer retratada com um birrete de cor escuro, perfilado de ouro com flores de lis. Na França e Inglaterra, usava-se o bonete de carrilleras e o esférico mais ou menos puntiagudo, além do sombrero baixo e outro longo que costumava se levar para viajar.
Do século XIII pode-se citar um bonete espanhol autêntico tal como se indica no Livro das Cantigas de Santa María. Referimos-nos ao birrete do infante Dom Felipe, que com seu manto e outras prendas e fragmentos de indumentaria sua e de sua esposa foram achados em seus sepulcros de Villalcázar de Sirga, província de Palencia.
No século XIV, a moda deu preferência aos sombreros que a nobreza enfeitava com plumas e pedrería. Esta moda desenvolveu-se especialmente na França onde o luxo chegou a tal ponto que os moralistas tiveram que censurar a excessiva despesa. Os hidalgos conservaram a capilla e o birrete, sobretudo, na Alemanha e o povo usava caperuzas. Em Espanha, usava-se o gorro chamado cervoj que era flojo e enfundado e se levava jogado para diante ou para um lado tal como se vê em miniaturas castelhanas do tempo do rei dom Sancho e valencianas e catalãs do mesmo século. Os conselleres catalães levavam chapeles, capillos, chapirones, bonetes e birretes. Os nobres aragoneses levavam uns gorros altos puntiagudos ou cônicos com a borda voltada e formando quatro bicos como um bonete. No final deste século, começaram os clérigos a utilizar bonete que então era alto e de forma aguda, que depois copiaram os laicos.
No século XV, na França generalizou-se mais o sombrero entre os gentileshombres e burgueses ricos. Os altos bonetes do século XIV foram imitados no XV pelas mulheres em um tocado que chegou a se transformar em verdadeiro cucurucho. O bonete, gorro de forma cônica, usou-se bastante em Espanha a julgar pelas miniaturas dos manuscritos, mas era de pouca altura. O que leva o príncipe de Viana em uma miniatura em um códice da Biblioteca Nacional e em uma estampa do mesmo centro é mais alto que o que aparece com mais frequência em outros documentos e quiçá fora de moda italiana.
No século XVI, as mulheres espanholas usaram bonetes altos ou casquetes, uns e outros de variados cores e as francesas do tempo de Ana de Bretaña levavam em cima da escofierta ou capillo o chapirón quadrado de paño ou terciopelo. Quanto aos homens, os franceses do tempo de Luis XII levavam um gorro ou birrete cilíndrico de castor com volta dobrada e nela um camafeo ou medallón. As modas alemãs que vieram a Espanha com o imperador Carlos V trouxeram umas caperuzas, papahigos, gorras com plumas e camafeos, bonetes ou tocas de terciopelo negro com alianças e botoncillos e sombrero tudesco, chapeo ou chambergo. Em tempo de Felipe II, em Espanha e de Enrique II e Carlos IX na França, usava-se a gorra com algo mais de voo que dantes e com sua pluma ao lado. Em Espanha, usaram-se também birretes, birretines, cerebreras, gorras com papahigos mas a gente nobre usava o sombrero que pouco a pouco ia desterrando ao birrete. Não se pode passar em silêncio os bonetes de lana frisada ou terciopelo merlonado, todo colorines ou peças, que levavam os soldados suíços e lansquenetes, gorros que são a modo de grandes boinas.
A preponderancia do sombrero desterrou por completo o gorro do traje da nobreza e das pessoas acomodadas no final do século XVI e desde então, só lho tem conservado em algumas localidades a gente do povo.
O conteúdo deste artigo incorpora material do Dicionário Enciclopédico Hispano-Americano do ano 1898, que se encontra no domínio público